sábado, 12 de dezembro de 2009

AMOR AMIGO




TEXTO A SEGUIR ROUBEI DE MIM MESMA DA MINHA PÁGINA NA NETLOG...


Há tantos textos, poemas e afins dissertando sobre AMIZADE, que falar algo sobre o tema torna iminente o risco de dizer o que já foi mil vezes dito. Paciência! Nem sou uma pessoa que se joga assim nos riscos, mas o momento é especial demais e tenho que deixar minhas emoções falarem por mim. 
Ops! Filosofando feito uma caminhoneira (absolutamente nada contra a categoria... perdoem-me a comparação inoportuna). 
Esses dias recebi um telefonema de um amigo. Mas não um amigo qualquer. Um amigo especial, daqueles que fazem parte da alma da gente, que confundimos se já não temos a mesma alma. 
Tínhamos nos falado minutos antes, por cerca de meia hora. Somos da mesma cidade, mas ele agora trabalha fora, então não nos vemos com freqüência, 
nem mesmo nos falamos no celular sempre, mas sabemos que amamos um ao outro da maneira mais linda que duas pessoas podem se amar. 
Então meu coração se angustiou um pouco pq ele não está bem de saúde, está sozinho, triste, meio deprimido...depressivo até. 
Fiz o meu possível pra deixá-lo um tantinho melhor sem que percebesse que eu também tinha ficado triste. Disse que o amava e desliguei. Então pouco tempo depois me liga novamente e diz: “Eita, desculpa! Esses dias andei lembrando que não comemoramos nosso aniversário de amizade. Dia 30 de junho fizeram exatos 20 anos que a gente se conheceu, a gente ainda vai comemorar isso esse ano, né?” 
Putz! Eu nem tinha lembrado do ano, imagine dia e mês! 
Manteiga derretida que sou, me derramei em lágrimas. Um filminho curto de duas décadas passou na minha cabeça, começando pelo dia que ele apareceu na minha rua dizendo ser primo do Muller (então jogador do São Paulo...se ferrou pq foi mentir pra euzinha, uma garota que gosta e entende de futebol) aos momentos que fizeram essa amizade adquirir corpo, da cumplicidade, parceria, companheirismo, ... 
Rsrs...claro q nem tudo foi um céu ensolarado. Brigamos muuuuuito e era sempre adorável fazer as pazes. Quantas vezes, dramática que sou, que não mais queria saber dele por causa das pausas que insistia em fazer sem me procurar. Que amizade é essa, pensava eu, que não quer a presença? Com o tempo fui me dando conta que a presença é sim importante, mas não é soberana. Quando nos víamos era como se ele, o tempo, jamais tivesse passado. As conversas, risadas, provocações (é um flamenguista q insiste em me sacanear), palhaçadas de ambas as partes fluíam naturalmente, sem nenhum vestígio de pausa. 
Na sua ida pra morar fora, nos despedimos com a seguinte frase dita por ele: “Minha vida não seria a mesma se eu não tivesse conhecido vc”... Misericórdia! Não se faz isso com uma alma em constante processo de construção afetiva... Traduzindo: carente! Então choramos, e tivemos a certeza que sempre teríamos um ao outro. 
No Dia do Amigo passado, escrevi-lhe um email dizendo que adoraria num futuro distante, quando estivesse eu num abrigo pra velhinhos (rsrs... por favor, me permitam só esse draminha), receber a visita dele, de bengala, negro, cabelos branquinhos e lindo. A resposta me foi dada em viva voz, no celular, comprovando sua eterna vocação pra me emocionar: “Vc não vai me ver entrando no asilo pra te visitar, pq eu já vou estar lá. Vamos estar os dois juntinhos, conversando, rindo, fofocando dos outros velhinhos...rsrs. Eu já falei com Deus, se um dia vc se for antes de mim, pode esperar que chego logo em seguida. A gente vai estar junto sempre.” 
Nocaute absoluto no meu coração! 
Só quis compartilhar isso aqui pq essa semana me preocupei especialmente com ele. 
Foi meu jeito de estar perto, proteger, dizer que tudo vai ficar bem e principalmente que ele não está sozinho. 
Quis apenas deixar meu coração menos apertadinho... 
Ele não vai ler... é avesso a internet por mais que eu o tente corromper... Rsrs... 
Mas através dele busco falar a todas as pessoas a quem chamo de amigo. 
Definitivamente, não uso essa palavra de forma superficial. 
Se assim me refiro a alguém, é pq dessa forma sinto. 
Há sempre o risco de chamar em vão alguém de amigo, mas é um risco que estou disposta a correr, pois quando há sintonia, quando as almas se percebem, quando a vida fica mais bacana pq aquela pessoa está de alguma parte presente sem interesse nenhum a não ser seu afeto, companhia, cumplicidade... aí tudo terá valido a pena. 
Viva os tolos que acreditam na AMIZADE! 
Sou sócia desse clube e não abro!

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