segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DOMINGÃO PERFEITINHO


O que fazer alguém cujos finais de semana eram dedicados exclusivamente a “tomar umas’, ficar insuportavelmente chato, mandar todo mundo “sifu”, fazer cenas lamentáveis na frente dos filhos, encher o saquinho da família inteira e se tornar frenquentador assíduo do hospital nos domingos à noite, quando já não suportava de dor?

Meu irmão encontrou a resposta.

Depois de passar da adolescência até pouco tempo atrás (exatos 3 anos) nesse ritmo sem noção de vida, após ter ido parar no hospital pela enésima vez, levado pela minha cunhada na madruga, pq ele gemia de dor, após levar uma prensa da médica, do tipo... “meu camarada, se continuar bebendo tu vai morrer cedinho...”, eis que resolve parar de beber, segundo ele “ao menos até saírem os resultados do s exames”.
Os deuses conspiraram pra que tais exames demorassem meses pra ficarem prontos, e isso deixava a todos sob suspense... estávamos sempre esperando sua volta do trabalho pra ver em que situação chegava. E os “amigos” que sempre apostavam no dia em que voltaria a beber? Putz! Era mesmo confortador! O fato é que foram passando festas comemorativas (Carnaval, São João, Natal) e todas eram tidas como prova de fogo. Será q ele passa por essa? Pensávamos nós a cada data. Passou! Ufa!
Que alegria foi ver domingo a concretização dessa mudança.
Como seus fins de semana estavam completamente vazios, ociosos, num domingo qualquer resolveu levar alguns moleques da rua em q moramos pra jogar numa quadra perto de casa. No início eram alguns garotos, incluindo seu filho, motivo de orgulho do pai por ser “bom de bola”. E daí vieram outros, colegas de escola do menino, vizinhos de outra rua, até que teve q recusar receber as crianças pois não daria conta de tantas.
Fielmente, todos os domingos pela manhã são dedicados ao futebol do Moleque Travesso. Não é nenhum projeto social, os meninos contribuem com o aluguel da quadra, compraram seus uniformes, enfim. Mas é muito bacana vê-lo indo com sua trupe pro jogo, se preocupando, cuidando. Alguns pais vão lá de vez em quando, dão uma espiadinha, mas o dono da bola é ele.
Ontem fomos à confraternização deles.Foi tão prazeroso, mas um prazer que não precisamos ficar alardeando. Percebíamos no semblante de cada um a felicidade que sentimos em testemunhar o mesmo irmão, porém com uma vida completamente diferente.
Ele, tonto, chorou pq estávamos lá.
Realmente achou que o abandonaríamos?
Nunquinha!
Foi um domingão bacana.
Mais que bacana... foi um domingão inesquecível.


Um comentário:

  1. O esporte é uma alavanca e uma esperamnça de dias melhores.

    Beijos

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