sábado, 2 de janeiro de 2010

BENÇA PAI




ESCREVI ESSE TEXTO EM OUTUBRO, MAIS PRECISAMENTE NO DIA 17, QUE TERIA SIDO ANIVERSÁRIO DO MEU PAI. POSTEI EM OUTRAS PÁGINAS E RESOLVI TRAZER PRA CÁ, COM ALGUMAS COISINHAS ACRESCENTADAS, APESAR DE JÁ TER SIDO LIDO POR ALGUMAS PESSOAS, PQ É UM JEITINHO DE LEVAR SEU LUÍS COMIGO PRA CADA CANTINHO QUE EU FOR. AH, A IMAGEM É UMA HOMENAGEM A ELE, UM APAIXONADO POR PLANTAS.


EIS:




Ontem, 17 de outubro, meu pai estaria fazendo 70 anos. Nessas horas a saudade é mais intensa, as lembranças são mais fortes...
Meu pai era um daqueles sujeitos que quem conheceu jamais esquece. Um tipo durão, q a vida o chamou muito cedo a assumir responsabilidades, como tantos outros pequenos cujos pais os abandonam e se tornam senhores de suas casas, situação recorrente em tantos lares por aí.
Não estou aqui pra falar de um homem perfeito, ele não era. Estou aqui pra falar de um homem intenso, sensível apesar do jeito rude em muitas situações. Alguém que nunca desistiu dos seus sonhos. Era um Dom Quixote meu pai. Sempre tinha grandes idéias, as quais sabíamos que não seria tão fácil assim dar certo, mas não desistia jamais.
Fico imaginando o que teria sido da sua vida se tivesse tido oportunidade de estudar, ler, viajar. Porque com sua quarta série mal acabada era de uma sensibilidade artística impressionante. Amava música, cinema (o nome de euzinha ele decidiu enquanto via um filme).
A vida no entanto o conduziu a um caminho mais denso, urgente. Desde que me entendo por gente, como dizemos aqui no Nordeste, foram anos de finais de semana angustiantes, em que ele saía todas as sextas, sábados e domingos, sobre caminhões lotados de caixotes, sob frio e muitas vezes chuva, rumo às feiras vender suas coisinhas que nos garantia o pão de cada dia. Voltava muitas vezes estressado, nervoso... berraaaaaaaaaaaaaaava! Rsrs... Mas logo estava ele, banho tomado, sem camisa com o barrigão dele à mostra, ouvindo música na calçada,  sorrindo e sempre tendo um assunto para cada um que passava.
Não tinha como ficar indiferente à presença do Seu Luís, ao seu carisma indisfarçável. Uma cena que ilustra o quanto era querido e que me vem sempre à mente: à época de sua doença, a casa sempre cheia de amigos visitando, ajudando, um vizinho, companheiro inseparável de pescaria, um  garoto dos seus 15 anos no máximo, demorou muito a ir visitá-lo. Não queria ver o Seu Luís daquele jeito, dizia ele. Mas não podendo fugir sempre da situação, teve que encarar. Jamais esqueço desse menino curvado sobre meu pai, aos prantos, e ele quietinho, sem poder expressar muita emoção por conta do derrame.
Ah... era o estragador de netos número 1 do planeta. Ai de quem ousasse fazer os “bichinhos chorarem”. Criança foi feita p sorrir, dizia sempre. Então a gente tinha q dar cascudos nos meninos sem q ele visse...rsrs.
Aprendi com meu pai a gostar de música, de cinema... do Botafogo! Aprendi muitas outras coisas obviamente, inclusive nos momentos q batíamos de frente de tão iguais que éramos. Eu na minha arrogância juvenil me achava sempre certa, ele ultrapassado, reacionário, teimoso. Patético ponto de vista! Hj sei o quanto estava certo, o quanto tentava nos proteger mesmo com aquelas atitudes intempestivas.
Três anos depois de sofrer o AVC, Seu Luís se foi sem nos deixar um único centavo. Mas jamais esperamos por isso. A herança q nos deixou está em nossos corações. Apesar de soar piegas, é a definição mais fiel possível. Em cada palavra, cada frase de efeito q costumava usar, nos gestos, atitudes... A certeza que temos é que não teria graça ter tido outro pai. Tinha q ser ele, do jeitinho complicado e perfeitinho q era, berrando pela “Luuuuuuuurde” (minha mãe) como só ele sabia fazer...rsrs, nos dando aqueles abraços de perder o fôlego, chegando das pescarias trazendo aqueles peixinhos terríveis pra eu cuidar. Misericórdia!
Paiêeeeeeeeeeeeee... eu só queria te dizer... se o Senhor pudesse me ouvir... tenho muito orgulho de ser parecida contigo, tanto fisicamente (contrariando sua frase "oh fia, vc deve ficar tristinha quando o povo diz q parece com o pai, né? O pai é tão feio") e sei que em personalidade tenho muitas evidências de ti.
Acho q o povo todo aqui me autorizaria a dizer q o nosso amor continua intocável e sabemos que onde quer q esteja, o senhor está nos cuidando.


Bença Pai!

4 comentários:

  1. Oi, querida...
    Cheguei no teu blog por um motivo muito chato, mas... é minha obrigação:
    vim aqui para te alertar que O Teórico e Miss Violet são a mesma pessoa: uma maluca que engana blogueiros por aí há anos.
    Já fui enganada no passado e agora alerto a quem puder pra que não sejam passados pra trás...
    Vá ao meu blog (a-grande-farsa.blogspot.com) e leia toda a história sórdida, desde o início.
    E avise seus amigos blogueiros!
    Obrigada.

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  2. Nossa, que texto lindo!!! Uma bela homenagem ao seu pai, que sinceramente, me comoveu muito... Parabéns pelo texto. Gostei do seu blog, voltarei aqui. Um abraço.

    http://submundosemmim.blogspot.com

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  3. Oi, Milene...

    Bela homenagem a seu pai, minha amiga!! Eu tb amo mau querido pai e já o homenageei no meu blog, assim como minha mamãe tb.

    Um beijo, minha linda...

    Esses dias estive aqui e vi uns pensamentos lindos, e quando voltei para comentar, cadê?rsrs

    Coloque-os de novo, são muito lindos...

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  4. JA CONHECIA ESSE TEXTO...RETRATA A BELEZA DA SIMPLICIDADE DAS COISAS.
    SEU PAI, COM CERTEZA , FICARIA ORGULHOSO DE VOCE SE O PUDESSE LER.
    BEIJO IMENSO PRA VOCE!

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