sexta-feira, 21 de maio de 2010

ESCREVO-TE...





Escrevo-te essas mal traçadas linhas...

Ah! Quanta saudade de escrever a próprio punho essa frase. Em tempos de internet, trocar cartas tornou-se prática em absoluto desuso.

Infelizmente, eu digo.

Numa ansiedade deliciosa eu chegava da escola e meus olhinhos corriam em busca do lugar onde ficavam as correspondências, e que sensação bacana quando havia alguma cartinha me esperando. Meus amigos quando viajavam, obviamente a saudade era grande, mas eu adorava ter alguém pra quem pudesse escrever. Tadinhos! E como eu escrevia! Nem sei aonde buscava tanto enredo pros meus relatórios intermináveis. Mas era muito bacana, carinhoso, pessoal. Tinha que haver um elo emocional entre remetente e destinatário pra que a carta existisse. E tantos sentimentos iam nela. Dores, amores, alegrias... tudo ali, compartilhado numa folha de  papel, num texto às vezes nem tão bem escrito, mas cheio de verdade.

Ainda tenho uma caixa megalotada dessas missivas que tantas boas lembranças me trazem. Algumas são tão especiais que eu não conseguiria descrever aqui. Por exemplo, a que meu irmão me enviou quando morava em Recife, dizendo da saudades que sentia de todos de casa, especialmente de mim, que ainda iria me buscar pra passar lá uma temporada com ele, dizendo do quanto me amava, enfim. Não houve tempo pra isso. Foi morto antes. A mim além da saudade, o sentimento de culpa por ter respondido a cartinha, mas não ter insistido em reenviar depois que a mesma voltou por estar com o CEP errado. Ele sabia o quanto o amava, mas eu tinha que ter dito. Era meu irmão mais velho, louco, adorável.

Ah...passou todo o filminho agora. Mas não de tristeza.

Voltando às missivas, está sendo esse o tema do meu post porque ontem revivi um pouco dessa magia. Me perdi em pensamentos e palavras por mais de duas horas, as quais nem percebi passarem, escrevendo uma cartinha pra alguém de uma importância ímpar pra mim. Foi uma delícia constatar que não me tornei escrava da praticidade do mundo virtual. E-mails e afins são ótimos, imprescindíveis hoje. Mas não possuirão jamais o lirismo de uma carta. Cumpri todo o ritual...texto longoooooooooooo, lencinho perfumado (que mico!), só não pude confeccionar o envelope como costumava fazer. Envelopes lindinhos, coloridos... Ah, não vou entregar toda a minha cafonice assim de bandeja, né? Já chega!

Depois de assumir sem nenhum remorso meu saudosismo, é hora de dar tchau, como diziam aqueles trocinhos que até hoje ninguém sabe o que eram, os Teletubbies.
A propósito, deles não tenho saudade alguma.

Beijos aos queridos que vem aqui ler-me, assim me sentindo ao menos um tantinho.
Bom fim de semana!




8 comentários:

  1. Mi... sabe esse seu texto me lembrou uma fase não tão distante da minha vida. Eu tinha um namorado que morava em sampa,nos falavamos todos os dias pelo msn, mas , combinamos de nos correspondermos por cartas tbm, era gostoso e romântico...
    Belo texto tamanduazinha, adorei!

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  2. Pétala, amada!
    Estamos messssmo numa sintonia só...Acredita que anos, mas põe anos nisso, não escrevia uma carta e usava nossos correios? Pois então, nessa última semana fiz e me lembrei dos tempos de adolescência esperando o carteiro chegar ouvindo Mr. Postman (sabe que música é?)E aqui, isso tudo nauuuummmm tem nada de cafonice... TÔDENTRO com força!!!!
    Beijuuss n.c.

    www.toforatodentro.blogspot.com

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  3. OLá!
    Me tocou também!
    Sinto falta de escrever de próprio punho.
    Às vezes me esqueço como é meinha letra...rs.
    Lindo texto!
    Bjs!

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  4. Se pétala rosadinha és,então tu és flor,em campos meus de girassois,única por ser voce,doce esciba,de campos meus,careço de ternura e amizade sua,siempre,não deixe de nos irradiar luz de rosadas pétalas suas através!

    amo voce,pessoa!

    viva la vida

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  5. Muito oportuno o teu texto.
    Dá saudade escrever uma carta manuscrita. A letra em cada palavra, traça a personalidade e até o estado de espírito do momento.
    Uma carta manuscrita pode até levar um pouco do nosso cheiro, é algo bem mais personalizado.
    GOSTO e não acho saudosismo apesar de ter caído em desuso.
    Deixo para ti o meu kandando e o desejo de uma óptima semana.

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  6. Putz,teve um blog que falou do tempo das cartas semana passada,pelo visto a gente anda com saudades da deliciosa surpresa quando o carteiro chegava. Hoje só esperamos contas a pagar.rs. Bons tempos amiga,bons tempos...
    Então meu e'mail é elainebb08@hotmail.com,posso até enviar meu endereço pra receber uma carta tua ok! rs...
    Falando nisso o end do bloggirls mudou tá.http://asmeninasdoblog6.blogspot.com/
    Montão de bjs e abraços selados

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  7. Olá Pétala! Texto delicioso, me trouxe também as lembranças do tempo em que trocava cartinhas com minha namoradinha, coisa lá dos 14 e 15 anos... Vivia ansioso esperando o carteiro para ver se traria alguma novidade e meu coração disparava quando trazia!

    Quero agradecer sua visitinha lá no blog, espero vê-la mais vezes, hein! Aqui virei freguês.

    Grande abraço!
    Adriano Berger

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