domingo, 18 de julho de 2010

CARTA A UM AMOR QUE NÃO FOI








 Olá, como vai?

Não conseguiria chegar tão perto de ti senão com minhas palavras, por isso esses escritos tentarão desenhar o que meu coração gostaria de te dizer nesse momento.
Lembro-me de quando nos conhecemos. Foi mágico! Não precisamos de muito tempo para perceber que tínhamos tanto em comum, tantas afinidades que nos mantermos longe um do outro a partir daquele momento seria completamente fora de cogitação.
Não queríamos estar afastados. Não queríamos contradizer o que estava ali, fulgente, evidente. Tínhamos criado em muito pouco tempo um elo afetivo de rara cumplicidade. Tudo estava perfeito, até que um dia, você bem sabe, acho até que percebeu antes que eu mesma... Um dia descobri que tinha destoado a melodia desse sentimento. Quando dei por mim te amava. Me percebi te dando os meus melhores pensamentos e exigindo ainda que inconscientemente uma contrapartida. Quis tomar de assalto o teu coração, mas quanta pretensão tive! Mal sabia eu o quanto esse coração ama a liberdade.
Tinha de ti toda a atenção, carinho, cuidado... todos os ingredientes que dão vida a uma amizade verdadeira, especial. E de repente isso já não me era suficiente.
Embarquei num conflito com minha própria insensatez. Faltou-me o equilíbrio necessário pra fazer razão e emoção entrarem num consenso e dar por encerrada a luta inglória na tentativa de colher pra mim sentimentos que definitivamente não me eram destinados.
Ora, deveria eu saber que sentimento não é um produto que adquirimos por encomenda, o qual fazemos o pedido de acordo com o tamanho da carência do nosso coração. Não! Sentimentos serão sempre inerentes à espontaneidade. “São pássaros livres”, como lindamente diz Mário Quintana.
Te devo desculpas por isso? Acho que sim. De certa forma te deixei docemente constrangido, sentindo uma culpa que absolutamente não era sua. Você permaneceu lá, exatamente aonde deveria estar, no caminho inviolável da amizade. Caminho esse que começamos a percorrer juntos. Se fui eu a querer pegar um atalho equivocado, se andei a passos mais largos e quando olhei pro lado você já não me acompanhava, cedo ou tarde  teria que refazer sozinha esse caminho e chegar novamente até você.
Ando a me perder pelos atalhos mas meu radar acaba por me levar de volta ao rumo certo. Acho até que me encontro em pleno processo  de retorno dessa trilha.
Só te peço que seja paciente, me espere.
Não hei de tardar.

 Beijos...

Todas as cartas de amor são
ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
ridículas.

(...)

As cartas de amor, se há amor,
têm de ser
ridículas.

Mas, afinal,
só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
é que são
ridículas.

(...)
  

(Fernando Pessoa)

12 comentários:

  1. Olá Pétala sensível:
    Quanta coisa que ainda assim, por mais escorreita que saia, não consegue expressar a emoção, os sentidos compassos que um coração amando desconhece como dizer... somente sentir.
    Fiquei um pouco melancólico ao ler e com a nítida sensação de que há momentos em que a distância é grande, e sobra a vontade incontida de minimizar a angústia e não sabemos como ultrapassar isso.
    Resto de um Domingo com a luz e o sol que hoje me acalenta e gostaria que chegasse a ti.
    Beijo Kandandos meus.

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  2. Tu sabe como eu penso, né?
    Mas estava lendo algo do T.M. e lembrei de você- "estou no meu momento TEATRO MÁGICO"

    A poesia prevalece!!!
    O primeiro senso é a fuga.
    Bom...
    Na verdade é o medo.
    Daí então a fuga.
    Evoca-se na sombra uma inquietude
    uma alteridade disfarçada...
    Inquilina de todos nossos riscos...
    A juventude plena e sem planos... se esvai
    O parto ocorre. Parto-me.
    Aborto certas convicções.
    Abordo demônios e manias
    Flagelo-me
    Exponho cicatrizes
    E acordo os meus, com muito mais cuidado.
    Muito mais atenção!
    E a tensão que parecia não passar,
    "O ser vil que passou pra servir...
    Pra discernir..."
    Pra harmonizar o tom.
    Movimento, som
    Toda terra que devo doar!
    Todo voto que devo parir
    Não dever ao devir
    Não deixar escoar a dor!
    Nunca deixar de ouvir...

    com outros olhos!
    ( AMADURECÊNCIA - O TEATRO MÁGICO )

    e eu nem tinha lido seu post.
    Beijos sinceros!
    Si

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  3. Milene, Pétala, amada!
    Roda mundo... Hoje, ontem, e quiçá amanhã tô quiném você e suas pétalas do visual (inquieta) novo: caidinha... Mas, aprendi e continuo a aprender que, o dia só escurece até meia-noite, pq meia-noite e um ele começa a clarear!!!!
    Beijuuss n.c.

    www.toforatodentro.blogspot.com

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  4. Milene,

    Não tem como não passar pelo seu blog e não sentir a intensidade das palavras. E é isso que acho maravilhoso nessa blogosfera, é sentir que o amor realmente impera.

    Espero não perder contato, viu?

    =]

    Beijo imenso, menina linda.

    Rebeca

    -

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  5. Milókinha, ói eu que nem sô muito organizado vêis in quando guardava uns nigucinho que após séculos abre-se no báu de pandóra ou do Tio Abravanel.. S.S.... rssss

    Daí trazi aqui pro cê vê que inté tinha uma Macaca que simpatizou aqui com o Símio Peludo e Mandou uma "RIDÍCULA" cartinha e no final tava "iscrivido" anssim.... :-

    Se jogares fora esta carta, Me ama
    Se rasgares, Me adora
    Se guardares, Por mim choras
    Se queimares, Comigo queres casar
    Se deres a alguem, Me desejas
    Se a devolveres Queres um beijo meu
    Se a rabiscares, Gostas de mim
    Se quiseres namorar comigo, Dobra-a em quatro

    Não é a coisa mais ridícula que vc já viu ? Eu sabo que num é RIDÍCULO... Pois era uma carta de AMOR ... isso foi em 1979... tempo de Ridiculisses mesmo.... rssss

    Teje dito
    Xipan Zéca

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  6. Olá,Pétala!

    Que texto delicado e maravilhoso!

    Lembrei de uma passagem bíblica que diz:
    "Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira."
    (cantares de salomão:2:7)

    Beijão!

    P.s: Sumidinha???Só do msn,Flor!Já eu volto...rs.

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  7. Olá minha sensível amiga Pétala rosadinha, adorei, as cartas de amor são ridículamente lindas, eu seu que Pessoa também as adorava. Que pena! hoje poucos as escrevem e os amantes ficaram mais tristes. Tudo muito lindo por aqui, meus parabéns.

    forte abraço

    C@aurosa

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  8. OI minha querida Pétala, estou de volta e vim te ver. Muita saudade viu?

    Reabri meus blogs, inclusive o Empório do Café. Quando puder venha e escolha o cafezinho de sua preferência que em breve estarei na ativa novamente agitando o mundo literário. Se tiver mais alguém que goste de versos leve com vc!

    Adorei te ler e ver que citou F. Pessoa e que feliz coincidência, pq estou lendo uma coletânea do poeta. Adorei viu?

    super beijo de saudade da Lu

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  9. Olá Milene,

    Amigo é casa, acolhimento,
    O Tempo que passa não envelhece as boas lembranças...Isso é memória.

    Feliz dia do Amigo!!

    Beijo pra ti.

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  10. Carta lúcida e, em simultâneo, tocante.

    Um bom retorno ao trilho!

    Bjs

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  11. Passeando pelo teu chão de flores ...
    Colhendo tuas pétalas ...
    Eu teu verdadeiro anônimo ,
    Nao os falsários que se escondem
    No anonimato .

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