sábado, 7 de agosto de 2010

NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE...



Já escrevi sobre meu pai aqui. Mas não tudo sobre ele. Nunca terei escrito tudo, porque é uma fonte inesgotável de vida, de história.
Engraçado que sempre estamos lembrando ele e isso nos faz rir, um riso de saudade, nostalgia, um riso de amor que não finda.
Hoje me peguei a pensar da imagem que tinha do meu pai na minha infância. Fui criada pelos meus avós, a contragosto dele, e sempre que vinha pra cidade me visitar eu ficava encantada. Aquele homem grandão, simpático, falador, tinha orgulho de pensar que era o meu pai. Anos depois, quando o restante da trupe Lima veio morar aqui no meu encalço, pudemos conviver bem mais intensamente e isso me foi tão enriquecedor. Melhor nem falar aqui o quanto Seu Luís me mimava. Imaginem! Das coisas banais (tipo trazer uma cocadinha da feira porque sabia que eu adorava...viu no que deu, né pai?) até as mais importantes (tipo correr comigo toda hora pra Maceió, pra ver se consertava a bonequinha com defeitinho), foi uma história de muito companheirismo, muito amor, mas não o vejo como um herói. Nunca acreditei muito em super heróis, nem quando criança. Foi acima de tudo um batalhador, um brasileiro que realmente não desistiu nunca. O dia em que caiu na rua, sofreu o AVC, estava sozinho, voltando de mais uma feira que já não lhe aprazia como antes. Seus produtos que outrora carregava em grandes caixas de madeira, nesse dia levava apenas numa bolsa, mas se recusava a desistir, por mais que insistíssemos pra isso. Como fomos tolos. Pedir a ele que desistisse, que as feiras já não lhe rendiam mais nada, era como pedir para admitir que tudo havia sido em vão. E absolutamente não foi em vão. Viveu como um grande homem.
Mereci tantas vezes levar uns bons tapas, mas jamais o fez. Quem sabe a petulância seria menor hoje? Mas bons berros levei. Costumávamos fugir desse tipo de acerto de contas, porque suas palavras nem sempre era o que gostaríamos de ouvir. Falava-nos a verdade crua, sem maquiagem, aquela que doía na alma e mais adiante constataríamos que só fez pro nosso bem. Mas o aconchego do seu abraço demasiadamente apertado, as conversas sobre futebol (me deu o amor ao Botafogo), política (sempre falou pra eu nós não votarmos no Lula), as discordâncias sobre música, a benevolência com as bagunças que fazíamos em casa, o assovio especial (que até hoje meus irmãos usam com seus filhos), o chamado de “oh, fia...”, os ensinamentos mesmo, aqueles bem clichês e que nos tornam gente de verdade, ah isso é inestimável.
Tento não pensar nas coisas que poderia ter lhe falado. Imagino que sempre sentiu, mesmo na ausências das palavras que talvez não tenham sido ditas da maneira certa. Me conforta imaginar que soube o quanto foi amado por nós, o quanto cuidaríamos dele pelo tempo que fosse preciso.
Essa foi um postagem egoísta, confesso! Muito mais que  uma homenagem ao meu pai e a todos os pais, foi um afago que fiz a mim mesma. Porque falar, escrever sobre esse homem de alma tão especial é algo que só me dá prazer. É como se o trouxesse mais pra pertinho outra vez. É como se ele nunca tivesse ido embora.
Então, pai... Obrigada por ser minha eterna fonte de inspiração!

12 comentários:

  1. Linda saudade e emocionante homenagem!beijos,tudo de bom,chica

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  2. Bom dia!

    Linda homenagm, obrigado por compartilhar esse hsotória com a gente.

    Abraços

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  3. Santa Capisparóba,... Como queria ter tido uma história tão substancial e prazerosa como a que tu relatou aí Milikita... rsrs
    Acabei gostando do teu Véinho assim como gosto do meu.. é claro né, são nossos papitos... hehehe.

    Parabéns
    Histórias como essa existem aos montes... mas não contada assim com tanta delicadeza que somos capazes inté de ver como um filme de cinema com "oscar" e tudo mais....éééé

    Xipan Zéca

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  4. lindíssima homenagem a seu pai.Esteja ele onde estiver estará muito orgulhoso de si.

    Beijo

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  5. Linda homenagem aos pais! Valeu! Obrigada pelo carinho com o Baú!
    Também vou acompanhar suas inquietudes volto com mais calma para passear por aqui, felicidade sempre!

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  6. Linda amiga!!!

    Parece que combinamos o que postar...rs
    Vim avisá-la que já está lá e o que encontro por aqui???

    A mesma música linda e maravilhosa...

    A minha eu coloquei com a Zélia Duncan, todas muito bem interpretadas, não acha?

    Um beijão, Mi, te aguardo.

    Ah, não há nada de egoísta na sua postagem!!! Perfeita.

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  7. Ai minha minina-ternura, amada! Que HOMENAGEM... intensa, perfume de amor em vívida história. Bem sinto o que existe deles em nós... de tão atados são laços de saudades...PRESENTE mesmo na sentida ausência.
    Beijuuss n.c.

    www.toforatodentro.blogspot.com

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  8. Saudades... muitas saudades, tio Luíz... do abraço gostoso, do carinho, ao ser chamada de "fia"... de ir à feira e encontrar sua banca... das risadas...

    Milene, bela homenagem... ser humano incrível e do coração GG o vosso pai...rsrs

    Bjoss

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  9. Olá!
    Não tenho dúvidas de que ele está profundamente orgulhoso e grato agora!
    Bjs!
    Rike.

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  10. Gostei muito de ler este texto.
    Creio que, por aquilo que diz, pouco ficou por dizer acerca do seu amor por seu pai. Mas, quando começamos a construir a nossa vida, é normal que fique algo por dizer, algo a que, na altura, não atribuímos grande importância. E só depois da partida verificamos que lhe poderíamos ter dito isto ou aquilo.
    Foi uma linda homenagem!

    Beijo :)

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  11. Bunitim mesmo fia... vc escreve com a alma sem que sua alma se entregue ao desencanto, mesmo quando a saudade aperta este tanto todo...
    beijo anonimo...

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  12. Bom saber que nossos pais não eram heróis,né? Mas, que eram homens de verdade, de caráter e coração bom e que nos ensinaram a amar .
    Beijos !

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