sábado, 27 de março de 2010

É BIG, RENATO!



Era setembro de 1986, minha prima me pergunta, por meio de bilhetinhos que o nosso avô fazia chegar até nós, o que eu queria de presente de aniversário. Sem titubear: “Quero o disco da Legião Urbana, Dois”.
E tu é doida? Podendo escolher outra coisa vai querer um disco de rock? Simmmmmmmmm, não tive dúvida em responder. Não me aguentava de ansiedade pelo dia em que teria na mão o discão de capa marrom claro, que me faria enfim conhecer mais daquela banda que eu ouvia na rádio e pouco conhecia. Tempo Perdido era o hit da vez, eu aqui no interior do Nordeste amado, cujo acesso com o mundo da música se dava pelas rádios que pouco tocavam rock, havia ouvido e me apaixonado pela música.
Eis que com o discão em casa, foi amor imediato. Idenficação plena com aquele cara com jeitão de adorável maluco, dizendo em suas letras tudo o que eu queria dizer, tudo o que eu amava ouvir mesmo quando a mensagem me passava meio desapercebida. Então tomei posse de “Quase Sem Querer”. Ai de quem ousasse dizer que era sua música preferida que comprava logo briga com a rosadinha aqui. Putz! Com tanta música no disco vocês querem pegar logo a minha??? Questionava eu, no auge da minha arrogância adolescente.
Então assim foi. Legião Urbana fazendo parte da minha vida, fazendo a trilha sonora dos encontros entre amigos, dos meus momentos de inquietude solitária, colocando o som no último volume e cantando “...me fiz em mil pedaços, pra você juntar, e queria sempre achar explicação pro que eu sentia...”. Muito bommmmmmmmmm. Assim fui eu, seguidora convicta, micando no fã-clube, me uniformizando com camisetas, bottons, mostrando de todas as formas possíveis que o meu amor era gigante. Extremismo de adolescente, compreendam.
Renato Russo era o cara. É o cara, afinal sua música está tão viva quanto na época em que ele estava por aqui, genial, arredio, incrível!
Euzinha, assim como fiz usucapião de Pétala, tomei posse incontestável de “Quase Sem Querer” e “Vinte e Nove”. Não digo que são as melhores composições dele, mas as que mais tatuaram minh’alma inquieta. Nasci no dia 29, do mês 9...do ano 1969. Andei vida a fora perdendo 29 amizades, encontrando outras 29 vezes 9. Gosto desse número...porque será?
Senhor Manfredini Jr, inesquecível. Obrigada pela companhia que suas músicas sempre me fizeram.
                                      

terça-feira, 23 de março de 2010

O E-MAIL E EU



É uma relação complicada essa. Quando vejo que minha caixa de mensagem está lotadinha, vou lá conferir, já imaginando a bizarrice que me aguarda.
Então lá estão eles. São de várias espécies e intensidades.
Os meus (des)preferidos são os que vem com ameaça explícita de praga: “se você não encaminhar esse email pra 9500 pessoas em menos de dez segundos, amanhã perderá seu emprego, seu casamento acabará, perderá seus amigos”, ou seja, o camarada encaminha os benditos ou tá lascado!
Ah, e a pessoa ainda quer receber de volta, né?
Temos também a modalidade religiosa. Alguma história fantástica e fantasiosa sobre algo miraculoso, que transformou a vida de alguém e certamente transformará a sua ao final da leitura. “Não deixe de ler, só levará uns minutinhos. Você tem um tempinho pra Jesus?”
Tem os destinados para as pessoas muito especiais, na qual o sujeito encaminha pra todos os contatos dele, muitos dos quais ele nem se comunica mais, contendo aquelas mensagens linda de autoajuda (misericórdia!).
Os benévolos, nos alertando sobre os perigos da Coca-Cola, asa de frango, os produtos Avon... dicas de como evitar assaltos, estupros, enfim.
Tem os que querem ser engraçadíssimos e nos quais não acho a menor graça! Chacoteando das mazelas alheias por exemplo. Algum idiota ao extremo gastou os poucos neurônios restantes pra elaborar um texto ridículo, dizendo entre outras coisas que “Inclusão Digital nada mais é do que um bando pessoas  pobres, burras e metidas tendo acesso de alguma forma a computador com internet”, fora outras frases totalmente esdrúxulas. É pra rir de tamanha babaquice? Euzinha não!
E os grotescos? As pessoas encaminham fotos de cadáveres. Meu Deus! Alguém me “alumia” e me faz entender qual a necessidade disso? Dia desses recebi um com imagens de adolescentes que foram cruelmente assassinadas depois de sofrerem estupros. Eu, tonta que sou, fui abrir imaginando ser...sei lá o que. E me deparei com a cena dantesca. Sadismo puro!
Além do fato dos tais serem chatos pra dedéu, ainda os recebemos aos montes. Lá vem eles, com aquela lista gigantesca dos contatos dos alheios.
Acho mesmo que estou “ficando velha e acabada”, como diria o maravilhoso Cassiano em A Lua e Eu. Pelo menos a minha paciência tá acabadinha pra esse troço.
É claro que há emails agradáveis de serem recebidos. Boa informação, texto divertido, vídeo, música, um simples “Oi, tudo bem” de alguém querido, enfim. Também não sou assim tão insensível. Já participei muitas vezes aqueles abaixo-assinados (olha o hífen aí...nem sei se tá no lugar certo) que nem sabia a finalidade. Tá pensando o que? Mico existe é pra gente pagar. Estamos aqui pra isso, nesse alucinado mundo das mensagens eletrônicas.
Bom, é o que temos pra hoje!
Agora me dêem licencinha que vou ali abrir uns emails, encaminhar todos pra vocês, e ai de  quem não me mandar de volta, viu? Já sabem o que acontece!

Beijoquinhas.

segunda-feira, 15 de março de 2010

QUE MÚSICA VOCÊ SERIA?

Estava em dúvida sobre o que escreveria. Dois temas travaram uma disputa ferrenha pra ver quem se apresentaria no meu post: o mais recente escândalo em minha cidade, envolvendo padres que gostam de molestar e namorar meninos, ou o sutiã (ou a falta de...) da primeira dama francesa, que praticamente virou assunto a ser discutido na ONU. A reconstrução do Haiti, ajuda ao Chile, negociações com o maluco do Irã podiam esperar... o sutiã da primeira-dama clamou urgente.

O primeiro tema, assustador, porém corriqueiro entre uma confissão e outra, prefiri deixar quieto até ver aonde vai dar essa história. Depois prometo contar tudinho a vocês.
Portanto, os dois assuntos queimaram a largada e foram desclassificados.
Em substituição imediata eu trouxe a música.
Bravo!
Música é tudo de bom! Nem vou questionar aqui quem gosta do quê, o que é ou não de qualidade. Sou um ser inquieto porém tolerante, sou capaz de ficar horas ouvindo um som que não curto, desde que as companhias me sejam agradáveis.
Minha paixão por música herdei do meu pai. Ouvia música pra trabalhar, relaxar. Música na hora das refeições. Música, música... Na prateleira dele conviviam harmonicamente Fernando Mendes, Altemar Dutra, Ray Connif, Roberto Carlos, Caetano Veloso, entre tantos. Só se irritava com os “ia, ia, ia,iô, iô, iô Salvador...”, que segundo ele não queriam dizer coisa alguma.
Aí me vi pensando: Se eu fosse uma música, que música seria? A resposta ultra presunçosa não demorou a vir: Pétala, óbvio! Já comentei aqui sobre o meu amor desmedido por essa música e seu autor genial. Há uns poucos aninhos...rsrs... no meu aniversário de 15 anos (Gente, festa de debutante não, viu? Eu não tinha grana nem paciência pra tal), meu tio pausou o som pra discursar (misericórdia!), dizer pra todo mundo o quanto eu era especial e encantadora, e linda, e fofa... e tantas outras cositas absurdas. Eu olhava pra cara dos meus amigos que pareciam pensar: de onde surgiu esse doido que para a festa pra falar tanta bizarrice? Ele lá, empolgadão, se achando um senador republicano, partidário de...sei lá quem era o presidente americano da época. O fato é que o chão não se abria pra eu me enfiar, só me restava ficar rosadinha ao extremo. O tempo passava, o discurso rendia. Enfim, após intermináveis minutos, meu irmão e sua alma salvadora interrompe sutilmente o falatório colocando Pétala na “radiola”. 
Êxtase total de minha parte, e nem tanto dos meus amigos, que prefeririam os hits trashs da época, ao invés de MPB. Mas não tardou e a fuzaca recomeçou ao som de Ritchie, Rosana, Agepê (Mama, iô, iô, iô, mama...rsrs), Lionel Ritchie e Rockwell (“Knife, cuts like a knife...”). Misericórdia! Chega né?
Ah, mas é pecado deixar a nostalgia se fazer presente vez ou outra?
Reprimo a minha não.

Mas olha, adoraria que vocês amigos do meu core, me respondessem a pergunta abaixo quando viessem comentar:

QUE MÚSICA VOCÊ SERIA?

Beijões e juízo, crianças!




quinta-feira, 11 de março de 2010

ACARICIANDO A ALMA

Há dias sem postar... sem inspiração alguma pra tal. Conheço minha relação com as palavras, eu sentaria aqui e escreveria lamúrias, queixas, encostaria o destino contra a parede e o questionaria... "Espera aí, cara! Tá na hora de vc parar de pegar tanto no meu pé!"
Mas de nada adiantaria, ah isso eu sei. O destino faz a parte dele. A minha inércia absoluta trata de fazer... ou nao fazer... a parte dela por aqui. E assim, vida que segue. Quando penso ter alguma certeza, tudo se esvai feito um castelo de areia. Então me sento.
Espero. 
Recomeço. 
Desisto. 
Melhor mesmo é acabar esse post com um lindíssimo poema de Cecília Meireles, uma carícia na minha, na sua, na nossa alma inquieta. Rsrs... quase baixou o Evandro Mesquita aqui..."na minha, na sua, na nossa Rádio...Atividade"

Beijinhos azedinhos, mas cheios de amor mesmo assim.



Inscrição




Cecília Meireles

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. 
Por que havemos de ser unicamente humanos, 
limitados em chorar? 

Não encontro caminhos
fáceis de andar. 
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

E por isso levito.
É bom deixar 
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar. 

Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar. 
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido: 
a sombra é que vai devagar. 

sexta-feira, 5 de março de 2010

TERAPIA DOS RETALHOS


Essa é uma de minhas brincadeirinhas favoritas quando estou mais inquieta do que o normal. cuido logo em explorar umas revistinhas recortáveis e mando vê no quebra cabeça. O tempo passa sem que eu me dê conta, em meio ao duelo travado com as figurinhas rebeldes que não querem se encaixar.  

O grande barato é ir encaixando as figuras sem que haja qualquer relação lógica entre elas. Na verdade a maioria é cuidadosamente rasgada no seu contorno, sendo a tesoura utilizada apenas em situações especiais. Dessa forma, o efeito fica mais despojado... coisinhas arrumadinhas demais nao me apetecem.

No fim, um grande mural estampado, colorido, cujo significado é nenhum, a não ser me fazer exorcizar um tiquinho meus fantasminhas camaradas, brincar um  pouco de desestressar.


                                                                                     Coisa de quem não tem o que fazer? Pode ser!
Só sei que adoro!
E no fim das contas nem tive que pagar uma fortuna por uma sessão de análise.


Simples assim.

Beijocas, amores meus...