sábado, 29 de maio de 2010

ALENTO

Vem cá!
Se refugia no meu abraço.
Fecha teus olhos.
Sente como tudo em volta está em paz.
Já não há mais fantasmas
a te causarem tormentos.
Apenas o silêncio como um bálsamo,
afugentando a tua dor.
Vem cá!
Faz do meu abraço o teu abrigo.

   (M. Lima)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

FÊSSORA!

PESSOAS QUERIDAS, NÃO ESTOU SURTANDO POR TROCAR DE TEMPLATE TODA HORA. O CAUSO É QUE A ANTERIOR (VERMELHA, FATAL...RSRS...ESTAVA DANDO PROBLEMA. E COMO EU, ASSIM COMO O LENINE, SÓ "FINJO TER PACIÊNCIA", DECIDI MUDAR.
MAS PROMETO FICAR COM ESSA ATÉ...ATÉ...UM TEMPO INDEFINIDO...
TENHAM PACIÊNCIA!


VAMOS AO POST?   
                             
Ser professora de escola pública quando não se tem lá muito talento pra coisa, quando não se teve peito pra recusar a “sugestão” da titia também professora e a bem da verdade, por pura falta de opção, foi uma experiência que não me deixou muita saudade.

A minha passagem estilo “cometa” na arte de lecionar se deu mais expressivamente em 1998 (por favor não façam as contas...ou façam... sintam-se à vontade). Me foi destinada uma turma de 3ª série do antigo Primário, com seus quase 40 adolescentes inquietos, muito pouco ávidos a ouvir o que eu tinha pra lhes dizer.

Complexa tarefa. Todos os dias era travado um duelo não declarado entre o meu despreparo aliado a sua rebeldia, contra a minha súplica latente em tentar fazê-los enxergar que podiam ser bem mais do que o mundo esperava deles.

Ainda lembro de boa parte da turma (apesar de ter uma memória que me coloca em apuros muitas vezes). Como permaneço trabalhando na mesma escola, ainda que não mais lecionando, volta e meia me deparo com alguns deles. Hoje foi um desses dias, e esse encontro me deixou feliz, orgulhosa até por perceber que os ideais às vezes valem muito a pena.

Não! Não reencontrei algum ex-aluno que se tornou médico, advogado ou qualquer outra profissão conceituada. Reencontrei Géo, era esse seu apelido. Tinha 16 anos quando nos encontramos em sala de aula. Aos 16 anos e ainda cursando a 3ª série, pasmem! Era o mais velho e mais gaiato da turma. Ganhou minha simpatia de cara, pela espontaneidade, bom humor e espírito de liderança que exercia sobre os colegas sem que se desse conta. Claro que eu não deixava transparecer tal situação, mas me sentia segura quando ele estava na aula, pois certamente me ajudaria a contornar quaisquer situações extremas. Nos seus dias de não muito bom humor, era fácil perceber. Sentava-se no fundo da sala, com cara de poucos amigos, e quando solicitado pra alguma tarefa dizia: "Fêssora, deixe eu quieto no meu canto só hoje."

Não era difícil imaginar o porquê desse descontentamento. Por vezes presenciei o pai indo chamá-lo na escola, visivelmente alcoolizado, e o mesmo me contara que a relação dos dois não era das melhores. O pai tinha o poder de amedrontá-lo e envergonhá-lo muito mais do que despertar amor ou respeito.

Ao final do ano letivo foi aprovado, não com louvor, confesso aqui que o ajudei a conseguir passar de ano, e não guardo remorso algum por isso. Não podia deixar aquele quase homem continuar estacionado, dando razão pra os que bradavam que meninos como ele não tinham futuro algum.

A vida seguiu, nos perdemos de vista, ele foi aventurar em São Paulo, como tantos garotos nordestinos em busca do seu sonho. Eis que um dia estava em minha calçada, quando ouço um grito do outro lado da rua: “Fêssora Milene!” . Parou sua bicicleta e veio logo me contar as novidades. Casou-se, tornara-se padeiro na terra da garoa (com curso e tudo, Fêssora – fez questão de afirmar). Evangélico, atribuiu a Deus as vitórias que estava conseguindo em sua vida, assim como se culpava por ter parado de estudar.

No início deste ano ele foi na escola, agora pra matricular seu filho. Brinquei  dizendo pra orientar o menino a não fazer na sala de aula o que ele fazia comigo. Riu e depois, num tom sóbrio falou: Não, Fêssora. Com esse muleque vai ser diferente. Falou olhando pro filho, num misto de ternura e zelo com o qual jamais teria sido tratado.

Hoje mais uma vez meu ex-eterno-aluno foi à escola. Queria uma declaração, pois se inscreveu num curso de panificação e haviam lhe cobrado o dito documento. Mais uma vez falou do arrependimento em não ter continuado a estudar, mas que estava fazendo muitos cursos pelo SENAI. Aí perguntei:

- Ainda está trabalhando na padaria, Géo?  
_ Não, Fêssora. Agora eu tenho uma lanchonetezinha, que funciona como pizzaria também. Devagarzinho to fazendo minha vida.

Ah, que orgulho senti daquele menino!

Então, completando meu raciocínio perdido atrás, não reencontrei um ex-aluno agora médico, advogado ou afins. Encontrei um homem, digno, com brilho de vencedor no olho, que tinha tudo pra ser um alcoólatra como o pai, ou ter sido assassinado cruelmente como alguns colegas da mesma turma, ou estar vendendo CDs pirateados, empurrando um carrinho de mão sob sol ou chuva, como tantos outros também daquela classe sem objetivo nenhum na vida, os quais encontro todos os dias à caminho da escola.

Me encontro hoje de alma lavada. Sem a menor pretensão de me dar algum louro dessa história. Apenas feliz porque as pessoas da própria escola que insistiam em dizer que dali não saíria "ninguém que prestasse" estavam enganadas. Que a velha história da oportunidade é pertinente, sim senhor! 

Queria que todos os meus alunos tivessem se tornado homens, cidadãos, sonhadores e realizadores.

Quisera eu que todos eles tivessem se tornado Géos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ESCREVO-TE...





Escrevo-te essas mal traçadas linhas...

Ah! Quanta saudade de escrever a próprio punho essa frase. Em tempos de internet, trocar cartas tornou-se prática em absoluto desuso.

Infelizmente, eu digo.

Numa ansiedade deliciosa eu chegava da escola e meus olhinhos corriam em busca do lugar onde ficavam as correspondências, e que sensação bacana quando havia alguma cartinha me esperando. Meus amigos quando viajavam, obviamente a saudade era grande, mas eu adorava ter alguém pra quem pudesse escrever. Tadinhos! E como eu escrevia! Nem sei aonde buscava tanto enredo pros meus relatórios intermináveis. Mas era muito bacana, carinhoso, pessoal. Tinha que haver um elo emocional entre remetente e destinatário pra que a carta existisse. E tantos sentimentos iam nela. Dores, amores, alegrias... tudo ali, compartilhado numa folha de  papel, num texto às vezes nem tão bem escrito, mas cheio de verdade.

Ainda tenho uma caixa megalotada dessas missivas que tantas boas lembranças me trazem. Algumas são tão especiais que eu não conseguiria descrever aqui. Por exemplo, a que meu irmão me enviou quando morava em Recife, dizendo da saudades que sentia de todos de casa, especialmente de mim, que ainda iria me buscar pra passar lá uma temporada com ele, dizendo do quanto me amava, enfim. Não houve tempo pra isso. Foi morto antes. A mim além da saudade, o sentimento de culpa por ter respondido a cartinha, mas não ter insistido em reenviar depois que a mesma voltou por estar com o CEP errado. Ele sabia o quanto o amava, mas eu tinha que ter dito. Era meu irmão mais velho, louco, adorável.

Ah...passou todo o filminho agora. Mas não de tristeza.

Voltando às missivas, está sendo esse o tema do meu post porque ontem revivi um pouco dessa magia. Me perdi em pensamentos e palavras por mais de duas horas, as quais nem percebi passarem, escrevendo uma cartinha pra alguém de uma importância ímpar pra mim. Foi uma delícia constatar que não me tornei escrava da praticidade do mundo virtual. E-mails e afins são ótimos, imprescindíveis hoje. Mas não possuirão jamais o lirismo de uma carta. Cumpri todo o ritual...texto longoooooooooooo, lencinho perfumado (que mico!), só não pude confeccionar o envelope como costumava fazer. Envelopes lindinhos, coloridos... Ah, não vou entregar toda a minha cafonice assim de bandeja, né? Já chega!

Depois de assumir sem nenhum remorso meu saudosismo, é hora de dar tchau, como diziam aqueles trocinhos que até hoje ninguém sabe o que eram, os Teletubbies.
A propósito, deles não tenho saudade alguma.

Beijos aos queridos que vem aqui ler-me, assim me sentindo ao menos um tantinho.
Bom fim de semana!




domingo, 16 de maio de 2010

SEMPRE AO SEU LADO





Filmes como Lassie, Benji, Rin Tin Tin, nunca fizeram muito a minha cabeça. Acho chato quando os animais adquirem “poderes” humanos. Tem uns meio bizarros, costumeiros na Sessão da Tarde, em que os bichos só faltam ter conta bancária, no mais, fazem tudinho. Bichos são bichos, devem ser tratados com dignidade, respeito, amor, mas serão sempre bichos.

Mesmo com o espírito “Brigitte Bardot” não habitando muito em minh’alma, gosto de animais...e do Richard Gere... por isso hoje escolhi “Sempre ao Seu Lado” para ser o
meu filme de domingo
.
Gente do céu, que coisa linda!

Não sou crítica de cinema. Retrato aqui apenas minha percepção de espectadora sensibilizada depois de ter visto uma história tão bacana.  Nem vou ficar aqui dissertando sobre o enredo.

Mas digo que se trata essencialmente de amor, amor puro, singelo. A mais absoluta demonstração de amizade e lealdade de um cão para com o homem que o acolheu.

Me causou emoção...
Reflexão...
Me fez chorar.

A propósito, o Richard Gere com seus olhinhos apertados e seus cabelos grisalhos, continua cheio de charme.

Boa semana aos meus amigos tão queridos.
Beijoquinhas.

sábado, 15 de maio de 2010

Ana Carolina -- Aqui




Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer enxergar e se enxergar em mim
Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada
Eu não consigo esconder...

(ANA CAROLINA)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A PÁTRIA DE CHUTEIRAS...FICO DESCALÇA.



Depois de tantas idas e vindas em busca do visual perfeito pro meu Inquietude, eis que me decido por esse predominantemente vermelho, fatal, caliente. Uia!!!!!!!!! Já me disseram um zilhão de vezes que não é bacana ficar mudando toda hora a carinha do bichinho, pois é meio que a nossa identidade aqui, etc. Genteeeee, euzinha sou assim,
mega indecisa, dêem-me um desconto por favor.

Mas eis que para inaugurar essa nova fase Pétala Rosadinha rubra, escolhi o tema mais masculino e machista da esfera terrestre.

Bom, digamos que já foi bem mais Clube do Bolinha, hoje nós, menininhas sensíveis e rosinhas estamos invadindo devagarinho o mundo futebolístico, futeboleiro, enfim. Desculpem-me rapazes, mas a minha paixão por futebol vai mais além de berrar loucamente nos jogos da Copa do Mundo ou torcer pelo time do coração numa decisão. Sou torcedora tempo integral. Falando em time do coração, sou uma alagoana campeã carioca, com muitíssimo orgulho. “Ninguém cala esse louco amor”, não tem jeito!

Mas voltando a falar da “Pátria de Chuteiras”, está chegando a hora. Por um mês (caso o Brasil chegue à final), o país para em função desse evento de proporções emocionais inimagináveis. Ah, o Congresso deve fechar também, claro. Aqueles moços tão dedicados aos problemas nacionais hão de ter tempo e concentração suficientes pra torcer pela Seleção. Afinal, o povo estará anestesiado nesse período e pouco se dará para as mazelas (algumas pouquinhas) as quais temos que encarar todos os dias.

Confesso que sou uma exceção entre os milhões de brazucas que vestem a verde e amarela tão aclamada pelo Zagallo. Minha emoção por essa seleção, que hoje pra mim representa um time como outro qualquer, conseguiu vingar até a 94, ano to tetra. De lá pra cá podem me considerar o próprio Joaquim Silvério dos Reis contemporâneo, porque não movo nem a sobrancelha por amor a esse time dos nomes compostos.

Sim, pode ser saudosismo. Dizem que ser saudosista é coisa de quem quer se prender ao passado, etc. Mas, meudeusodocéu, eu choreiiiiiiiii muito em 1982, quando a melhor seleção que já vi jogar perdeu pra Itália. Mas aquele time mereceu meu choro, minha tristeza e orgulho. Alguém sempre tem que perder, né? E isso acontece com os melhores também. Sinto saudades do tempo em que a Seleção Brasileira, e qualquer outra, era formada pelos melhores jogadores no momento, fazendo de fato jus ao nome “seleção”. Hoje a batida é bem diferente. O Dunga (que bem poderia ser o Zangado) buscou soldados que estiveram do lado dele desde o início das eliminatórias. Soldados dedicados, subservientes, que vão lutar pela Pátria até o fim. Ah, eu nem gosto de guerra. Gosto de um bom jogo de futebol, de emoção, grandes jogadas, craques. Mas isso parece ser coisa fora de moda. Na atual seleção dos nomes compostos (Júlio Baptista, Luís Fabiano, Felipe Melo, Gilberto Silva, Daniel Alves, Michel Bastos, Thiago Silva, além dos nomes simples, porém não menos ilustres como Elano, Josué, Gomes, Doni, Kleberson (aquele que é reserva no time dele) importante mesmo é não cair na gandaia, não ser estrela. Ser indubitavelmente craque de bola é mero detalhe. O cara abre mão disso. Vide os meninos da Vila e o moço de talento privilegiado, Ronaldinho Gaúcho.

Telê, contenha-se, pare de se revirar no túmulo!

Fala-se ironicamente que o técnico, esse destemido gaúcho que está se lixando pra opinião popular, não curvou ao talento do Ronaldinho Gaúcho, ainda que não no melhor de sua forma, por jamais esquecer os dribles humilhantes que o então jogador do Internacional sofreu num grenal, antes de Ronaldinho ir jogar na Europa. Eu acho bem pertinente essa teoria. E é um alento, porque no futuro, há de ficar pra história futeboleira o talento de Ronaldinho Gaúcho e não a prepotência desse anão da Branca de Neve chato, mesmo sendo campeão do mundo. 

Quanto às festividades copeiras, me abstenho delas. Vou acompanhar com alguém que gosta de futebol, torcendo que haja bons jogos. Mas o esquema fitinha-amarela-na-cabeça-cara-pintada-e-muito-berro-ao-grito-de-gol, estou fora! E não me acusem de falta de patriotismo! Garanto que serei bem mais patriota em outubro, votando da forma mais consciente possível pra ver se há um alento de bom senso na terra do pão e circo.

Ah, e o melhor do término da Copa, sem dúvida, será não correr o risco de ouvir o Pelé cantando tão cedo. Misericórdia, ninguém fala o quanto é patético ele querendo ser um astro da música???

E que ganhe o melhor futebol.

domingo, 9 de maio de 2010

AGORA PRA FICAR...SERÁ?

Acho que estou voltando.

Saudades daqui...incrível como esse troço vicia. E é um vício bom, instigante, mesmo que às vezes desnorteie, me deixe “quieta dentro da minha inquietude”... ouvi essa frase esses dias. Fiquei lisonjeada...metida!
Outro alguém me perguntou assim, de bate e pronto:

Quantos amigos você tem lá no blog?
Trinta e oito, respondi.
Você os cativou, não está certo que os abandone agora.

Bronca recebida, fiquei a refletir sobre isso.

Na verdade eu nem encarei como um abandono. Na verdade sei que essa relação de cumplicidade não existe entre todos os blogueiros. Sou iniciante ainda, conheço pouco desse mundo, mas busco vivenciar relações e situações que vão além da mera contrapartida, da troca de gentilezas. Espero bem mais que isso, mesmo sabendo que nem sempre essa espera terá resultados. Mas quando vem, tais resultados são gratificantes ao extremo.

Sigo assim, sentindo, querendo, ansiando.

Devo dizer que na condição de pessoa mais mimada da blogosfera, vou pedir de volta todo o carinho que me era destinado aqui pelos meus amigos queridos... Ah, disso não abro mão!

Sejam complacentes com essa Pétala Rosadinha que vez ou outra tem uns surtos, crises existenciais tardias e resolve voltar pro casulo.

Muito bom estar de volta.