quarta-feira, 30 de junho de 2010

CAFÉ, POESIA E SONHO



Se aprochegue, aconchegue.
Traga seu coração em poesia.
Derrame sua emoção em prosa.
Num cantinho o violão,
sob a luz fosca,
Parece pedir para ser dedilhado,
Chorar notas sussurrantes,
acompanhando versos de Bandeira






O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir
o segredo grande da noite.

Um gole de café,
Vinho ou conhaque,
sacramentam e a aquecem,
conduzindo aos devaneios mais loucos,
de que só os poetas são capazes.
Declame, inflame aqui sua Caligrafia,
seu Balaio borbulhando ideias,
inventando luares.
Aqui se bebe café, sonhos e letras...


Esse ...sei lá...poema?
Bom, esses escritos aí surgiram a partir de uma entre tantas conversas que tive pelo MSN com minha amiga Simone, em que falávamos de um desejo, um sonho seu em ter um Café, um lugarzinho aconchegante onde a poesia seria a personagem 'principal'. Rimos muito,divagamos em idéias malucas e adoráveis. Num desses devaneios, eu estaria lá, lendo um texto lindo  dela, além das poesias do nosso amigo Moisés Poeta, acima citado em  Caligrafia.
Aiiii... a conclusão disso tudo é: Como é bom estar aqui. Como é bom compartilhar assim da vida dos amigos, nas coisas que eles mais gostam de fazer.

Beijos de uma pétala emocionadinha.


A propósito, cliquem abaixo e confiram meus amigos acima citados:


si fernandes
A BIOGRAFIA DO FOGO

sexta-feira, 25 de junho de 2010

BAÚ DE SONHOS

Quantas inquietações e dúvidas deveriam pairar sob a cabeça de alguém supostamente maduro o suficiente para não se deixar absorver por questões existenciais?
Há tempo para se deixar a imaturidade? Há tempo em que não se é permitido oscilar e involuntariamente boicotar os próprios caminhos? Esse tempo é deveras esperado. Como se se buscasse algo nele que freiasse as atitudes (ou falta de...) que não levam a lugar algum e fazem a vida estacionar num marasmo absurdo, num nada construído, num amontoado de sonhos guardados no fundo de algum baú abandonado num porão qualquer.
Ah...mas a vontade que se tem é de parar, sentar... A  sensação é de cansaço, exaustão por nem ter tentado. Essa é a pior forma de sentir-se cansado, é quando se percebe que  pouco foi feito pra que os sonhos não tivessem ido parar num baú abandonado e não se encontra coragem de ir buscá-los. Talvez eles nem queiram mais sair de lá. Estarão melhor assim guardados do que aniquilados numa tentativa frustrada.
Ali, inerte à beira do caminho, é a hora exata de decidir: trazer os sonhos pra onde se possa ver o Sol, ou se esconder com eles em seu abrigo escuro, onde nem se vê uma fresta de luz que seja um indício da vida passando?









Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

(Lenine)

terça-feira, 22 de junho de 2010

SOCORREI-OS

DOR
FRIO
SEDE
CAOS
FOME
FÚRIA
PERDA
CHUVA
MORTE
CHORO
QUEIXA
ESCURO
SÚPLICA
CASTIGO
LAMENTO
TRISTEZA
TRAGÉDIA
ANGÚSTIA
INCERTEZA
DESESPERO
DESAMPARO
IMPOTÊNCIA
DESTRUIÇÃO

SOLIDARIEDADE
GENEROSIDADE
COMPAIXÃO
ESPERANÇA
TRABALHO
VONTADE
ATITUDE
EMPATIA
PALAVRA
SOCORRO
AMPARO
ALENTO
PRECE
FORÇA
AJUDA
UNIÃO
MÃOS
AMOR
DEUS
VIDA
LUZ





Nunca as notícias de tv estiveram assim tão perto de mim. Meu estado já é tão sofrido, tão carente, tão usurpado, e agora a natureza vem impiedosa cobrar o que lhe é devido. Não tenho amigos ou parentes nas cidades destruídas pela chuva e nem sei se tenho o direito de agradecer por isso. Talvez eu possa ser egoísta e dar graças à Deus por minha cidade não ter rio, por estar aqui com minha família, todos abrigados, secos, alimentados...Vivos!
Lamento tanto por meus conterrâneos alagoanos. 
Lamento pelos vizinhos pernambucanos.
Lamento!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

POESIA COMPLETA NO MERCADO LIVRE

Carecia hoje de ter um livro de poesia em minhas mãozinhas fofinhas. Recorri a um arremedo de biblioteca existente na escola em que trabalho e lá estava Cecília Meireles, Poesia Completa – Volume I.
Bingo!
Vou levar Cecília pra casa, na condição de empréstimo, obviamente.
Resolvi então postar aqui, na lateral da minha humilde choupana, que estou num momento “poesia” e pra isso recorri ao velho e bom Google a fim de conseguir a imagem da capa, pra embelezar meu post.
Encontrei o referido livro num site de compras, e qual não foi minha surpresa quando percebi que a capa continha o mesmo símbolo contido no livro que eu tinha em mãos, o símbolo do MEC!!!
Gente do céu...serei eu a mais igênua das criaturas ou as pessoas estão realmente passando dos limites no quesito cara-de-pau? Deixa ver se consigo acompanhar a lógica: o cara surrupia um livro em alguma biblioteca escolar, depois coloca a venda num site qualquer, e o pior, o site não bloqueia esse tipo de ação. É isso mesmo?

Para tudo que quero descer!

Um pouco de Cecília pra esse post ganhar sentido.

Beijoquinhas constrangidas.
É o que temos pra hoje, amores meus.

CONVENIÊNCIA
(Cecília Meireles)

Convém que o sonho tenha margens de nuvens rápidas
e os pássaros não se expliquem, e os velhos andem pelo 
sol,
e os amantes chorem, beijando-se, por algum infanticídio.

Convém tudo isso, e muito mais, muito mais...
E por esse motivo aqui vou, como os papéis abertos
que caem das janelas dos sobrados, tontamente...

Depois das ruas, e dos trens, e dos navios,
encontrarei casualmente a sala que afinal buscava,
e o meu retrato, na parede, olhará para os olhos que levo.

E encontrarei meu corpo nalguma cama dura e fria.
(Os grilos da infância estarão cantando dentro da erva...)
E eu pensarei: Que bom! Nem é preciso respirar!...

terça-feira, 15 de junho de 2010

CORAÇÃO SELVAGEM


Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção



Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão



Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar



Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja



Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja



Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver



Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar



Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar



Tempo para ouvir o rádio no carro



Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo



Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente



Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente



Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem



Tem essa pressa de viver



Meu bem, mas quando a vida nos violentar



Pediremos ao bom Deus que nos ajude



Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;



Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"



Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão



O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver



E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza



E arriscar tudo de novo com paixão



Andar caminho errado pela simples alegria de ser



Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo , vem morrer comigo



Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído, completara o meu destino.



Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo



Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem



Que outros cantores chamam baby

(Belchior)


MEU REENCONTRO COM ESSA CANÇÃO SE DEU HÁ POUCOS DIAS...TRÊS DIAS TALVEZ...E COMO EU PRECISAVA DELA!
OUSEI FAZER ESSE VÍDEO. MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA NESSE FEITO, PORTANTO, CAROS AMIGOS, NÃO REPAREM A TOTAL FALTA DE SINCRONIA ENTRE IMAGENS E MÚSICA.

BEIJOCAS ROSADAS!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

MELANCOLIA



Melancolia.
Moça sorrateira, chegou que nem percebi.
Invasora de almas alheias!
Trouxe consigo um batalhão de fantasmas...
Numa peleja inglória para expulsar essa visita indesejada,
Percebo que o melhor 
é deixá-la acomodar-se,
tomar um cafezinho.
Aproveito sua distração,
o tempo de reflexão forçada.
Refaço os planos.
Decido tentar refazer os caminhos.
Ah, melancolia,
já se faz noite.
Você tem que ir.
Na vitrola Belchior ainda canta,
E me diz
Pra “viver a divina comédia humana,
onde nada é eterno”.


(Milene Lima)

sábado, 5 de junho de 2010

MEIA DÚZIA DE COISINHAS QUE VOCÊS NÃO SABEM SOBRE EUZINHA





Recebi esse MEME da Carol, recente, generosa e querida amiga. A proposta é escrever sobre 6 coisas que as pessoas não sabem sobre mim. Difícil isso. Sou falastrona. Mas vamos lá, tentarei cumprir o desafio.



    1. Tenho 8 irmãos (isso já foi até dito aqui), que amo de paixão, que me amam de paixão. Dentre eles, Jean, o 5º filho, mais velho que eu 2 anos, tornou-se uma pessoa com uma importância ímpar na minha vida. Crescemos os dois com nossos avós maternos e na nossa adolescência eu bradava que ele me odiava, que eu era incompreendida e todo aquele leque de drama aborrescente. Hoje, fica impossível imaginar minha vida sem ele, sem seus cuidados para com essa irmã que muitas vezes se acha uma cruz meio complicada de ser arregada. Tornou-se meu pai (até mesmo quando nosso pai ainda estava entre nós), meu amigo, meu porto seguro. Não sei se demonstro minha gratidão, meu amor, o quanto ele merece...se não, tenho que fazê-lo.
    2. Detesto filmes de ação, daqueles em que a gente não pode piscar o olho se quiser saber quantos carros capotaram, quantos morreram, e nem assim se consegue. O meu Oscar ao contrário em atuações nesse tipo de filme vai para... Steve Segal. Misericórdia, o que é aquilo??? A criatura a quem disseram ser ator (e ele acreditou) não tem expressão alguma. Tolerância zero pra esse canditato ao Oscar ao contrário.
    3. Vivo em conflito com a minha religiosidade...ou a falta dela. Ao mesmo tempo que sinto falta de ter algo espiritual em que me apoiar, as opções que me apresentam não apetecem minh’alma. Acho tudo estranho, principalmente as pessoas que buscam a casa de Deus como refúgio, seja qual for ela, e não conseguem tratar seus iguais como irmãos. Mundo maluco...onde as religiões se comportam como partidos políticos, querendo angariar adeptos como se fossem eleitores.
    4. Meus amigos virtuais, mas os amigos mesmo, não contatos...se tornaram tão imprescindíveis quanto os reais. Fazem parte da minha vida. São parte de mim.Estar aqui na frente dessa telinha, conversando, rindo, ficando triste com a tristeza do outro, brigando só um pouquinho, é tão real quanto receber o abraço da minha amiga na escola, que diz ser esse abraço fofo fundamental pra ela passar bem o dia.
    5. Chorei muito quando houve um show do Djavan aqui pertinho, em Garanhuns, no Festival de Inverno, meu irmão foi e eu não. Por que não fui? Ah, a logística, o bom senso, as intempéries...enfim. Tá, perder um show não é o fim do mundo, eu sei...mas doeu!
    6. Acho que tirei o Ballack da Copa do Mundo. Sequei o bichinho. Perguntei a um amigo se ele havia sido convocado, porque ele é lindo de viver com os olhinhos apertadinhos, que sem ele a Copa não teria graça, etc...no dia seguinte o homem se machuca e é cortado. Fiquei com medo dos meus poderes ao contrário. Amigos, cuidado com euzinha!

É isso. Como diria minha amiga Sussa, simples assim! Agora passo o bastão pras amigas abaixo continuarem a brincadeira bacaninha. Divirtam-se desvendando a si mesmas.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

SOBRE DANÇAR COM A ALMA

              




Não sou alguém que vive a se queixar da vida.
Ao mesmo tempo não me encaixo de jeito algum no perfil “Polliana”, fazer o jogo do contente não combina de jeito algum com essa pétala que vos fala.

Mas o tema aqui é outro.
Por que estou me justificando???
Perdoem as inquietações de Milene.

É sobre dançar.
Ou melhor, sobre jamais ter dançado.
E isso sim é uma coisa a qual gostaria de ter experimentado.
As intempéries (recebi uma mensagem hoje com essa palavra...bacaninha ela) que a vida me obrigou a encarar impediram que eu soubesse o que é se sentir extasiada, deliciosamente cansada após dançar prazerosamente.

A dança na verdade é apenas uma das coisas impedidas a mim pelas tais intempéries,
mas talvez seja das que mais me deixam um vácuo.
Como explicar essa lacuna, essa saudade de algo que nunca vivi?

Assim sendo, sigo dançando com a alma.
E digo que me preenche.
Viajo ouvindo músicas, dos mais variados ritmos,
me permito entrar nas melodias
e danço incansavelmente com a alma minha.

E é delicioso.
É “uma” pé-de-valsa essa minh’alma.





A dança e a alma

A dança?Não é movimento
súbito gesto musical
É concentração,num momento,
da humana graça natural

No solo não,no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança-não vento nos ramos
seiva,força,perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão 
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas


(Carlos Drummond de Andrade )