terça-feira, 24 de agosto de 2010

DE POLÍTICA EU NÃO FALO

Não! Não vou escrever sobre a bizarrice que se tornou a política tupiniquim. Li agorinha que a mulher pera é candidata a deputada federal (não vou escrever nome da pessoa fruta com letra maiúscula, podem me reprovar). O Tiririca também! E o slogan dele é qualquer coisa: "Vote no Tiririca, pior do que está não fica". Céus! Ah, a dupla de ataque campeã em 94, Romário e Bebeto, desta feita são adversários, pelo menos nos partidos, já que não concorrem ao mesmo cargo. Definitivamente não quero falar de política. Imagine se tenho coragem de dizer a vocês que o Collor está em primeiro lugar nas pesquisas pro governo aqui de Alagoas. Diria isso ainda mais ruborizada e com vontade de pedir asilo político na Coréia do Norte. Pasmem! As pessoas enlouquecem com aquele senhor cujo carisma é assustador e inexplicável. Hoje ouvi de uma colega de trabalho que ela vai votar apenas pra governador e presidente, porque os deputados e senadores não fazem nada. Aí questionei se isso não seria um tiro no pé, já que o governo estadual e federal não podem fazer muita coisa sem contar com o congresso e senado, quando os mesmos de vez em quando são forçados a comparecerem pra votar algum projeto e ocasionalmente, sem disfarçar a cara-de-pau em tirar proveito no que for possível. Tentei lhe dizer que mesmo sendo uma tarefa ingrata, mesmo estando num circo de horrores em se tratando de bons candidatos, temos que optar por alguém que possa valer à pena. Mas a moça ficou irredutível, falou que não vai perder seu tempo. Melhor mesmo deixar pra lá a política. Torcer que Outubro chegue logo e leve consigo esse emaranhado de falsas palavras pairando no ar. Que tal se eu escrever sobre... Me deixem pensar... Educação! É um excelente assunto. Ah, mas aí iria ter que citar que meu estado obteve a última colocação no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação), e que isso já não nos surpreende, infelizmente. E se eu for falar em segurança? Não, mil vezes não! Teria que compartilhar com vocês um segredo que poucas pessoas sabem, apenas aquelas que acompanham William e Fátima no JN, que minha cidade está crescendo, trazendo consigo a violência a ponto de se tornar a cidade brasileira onde mais se mata jovens. E aqui tem padres acusados de pedofilia. E o tempo foi passando e ninguém mais fala no assunto, como se tivesse sido apenas um filme de péssimo gosto, que todos assistiram e já esqueceram. Que tal mudarmos de assunto? Mas é sério! Por favor não me venham com más notícias. Queria mesmo era desligar o botãozinho da realidade só por uma semana, imaginar estar num lugar bacana, onde a indignação não fosse um sentimento em desuso, em que as pessoas se assustassem com as barbaridades em todas as suas nuances. Mundo estranho esse onde o absurdo se tornou parte do cotidiano, e não se ouve um grito de repúdio. Mundo estranho esse... Quero brincar disso mais não!


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A MINHA POESIA


QUISERA EU FAZER A POESIA MAIS LINDA,
CHEIA DE VERSOS EM CORES,
PULSANTE, VIVA E SEM DISFARCE
ELA, A POESIA,
SERIA COMO UM RETRATO PINTADO EM PALAVRAS,
A CADA ESCRITA
UM FRAGMENTO D’ALMA DESNUDO
QUISERA EU FAZER A POESIA MAIS LÍRICA,
NUM QUÊ DE EMOÇÃO SEM RETICÊNCIA...
NUM GRITO INCONTIDO DE SENTIMENTO LIBERTO,
OUTRORA APRISIONADO NOS PORÔES MAIS SÓRDIDOS.
QUISERA EU FAZER A POESIA MAIS MINHA,
A POESIA IMPERFEITA,
CORTANTE,
DESIVENTANDO VERBOS INCAPAZES DE AMAR.
EU A CHAMARIA DE
“RETRATO FRAGMENTADO DE MIM”
CAUSARIA ENLEVAÇÃO A MINHA POESIA,
MAS QUE PENA!
NUM ÁTIMO LEMBREI-ME:
NÃO SOU POETA!
TEREI QUE REABRIR MEU BAÚ?
LANÇAR AO FUNDO  MINHAS PALAVRAS DISPERSAS?
FAZER DORMIR A MINHA POESIA?


(Milene Lima)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

NAVEGAR É PRECISO. VOTAR É PRECISO?


É mesmo necessário votar? Minha indagação pode ser vista como absurda, mas não se espantem tanto, caros amigos. É bem mais uma pergunta de repúdio do que de alienação quanto aos meus deveres de cidadã. Em tempos de véspera de eleição é assim que me encontro, desestimulada, descrente. Uma nau sem rumo no que diz repeito a como conduzir meu voto.
É uma mesmice que beira à idiotice. Não vou assistir a nenhum debate, já decidi isso, porque de nada vai me ajudar. Lembro bem dos outros, as perguntas são as mesmas, as respostas idem, o jogo de vaidade, bastidores, a guerra cretina pra ver quem se saiu melhor, como se isso fosse determinante pra se ter um bom futuro governante.
Acho que cansei, joguei minha toalha ideológica. É um labirinto onde todas as saídas garantem apenas uma certeza: é o jogo político que conduz tudo, os conchavos serão os mesmos, a oposição só se faz valer quando luta por algo que denigre a imagem da gestão atual e não pra beneficiar a população. Os escândalos nem são mais tão escandalosos, nem mais nos espantamos, pasmem!
Quero de volta minha ideologia. Roubaram-na de mim quando ingenuamente imaginava que havia salvadores da pátria e com um balde de água gelada me dei conta que não, não há. O que há é uma população gigante que parece não se importar muito com o descaso, a cara-de-pau desses sujeitos desprovidos de noção. Os eleitores não sabem a força que tem. Os políticos desejam que jamais descubram. Assim o joguinho sórdido fica só entre eles e pra nós o cardápio de sempre: saúde pública agonizante, a violência se alastrando em lugares inimagináveis, educação de faz-de-conta, enchentes provocando destruição e morte, entre tantas outras cores assustadoras que compõem esse arco-íris nebuloso.

ESTOU DOANDO MEU VOTO SEMI-USADO EM TROCA DO TOTAL COMPROMETIMENTO NO QUE SE REFERE A:
a)      Ser decente (item totalmente fora de moda no meio político;
b)      Pelo menos cogitar a possibilidade de cumprir promessas feitas em campanha;
c)      Usar de empatia com a população e tentar imaginar que os problemas tão reais são seus também;
d)      Tentar chegar ao final do mandato sem ser processado ou preso por corrupção.

Certamente não aparecerão muitos interessados, mas sentarei e esperarei...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

LABIRINTO, AQUI VOU EU!

Meus queridos.
Quanto de dengo recebi de vocês nos comentários da minha última postagem. De certo não sabem aonde estão se metendo, pois, como costuma-se falar por aqui, sou um “poço de dengo”, e um poço sem fim. Não caiam mais nessa armadilha emocional que vos impus, sejam fortes, resistam aos meus dramas (risinho sem-vergonha alguma).
Perdoem-me se lhes pareci carregar uma angústia maior do que eu mesma . Às vezes isso é inevitável, difícil de se controlar. Quando as inquietações deixam de ser meros espectros e adquirem matéria, sob a forma de problemas bem palpáveis. Aí baqueio, me perco num labirinto imaginário cuja saída parece ser inalcançável.
Mas o labirinto sempre tem a sua saída, por mais complexa que seja encontrá-la. E olhem que nem sou simpatizante do estilo “autoajuda”, não tenho muita paciência pra seguir receitinha pronta de como agir pra encontrar a realização pessoal e por conseqüência a felicidade. Mesmo assim guardo sempre a esperança de que as nuvens cabulosas acabem passando, um Sol incandescente surgirá, outras nuvens volta e meia surgirão. Assim é a vida, um ir e vir incessante.
 Bom, ainda sobre a última postagem, aviso, afirmo, se possível sacramentarei, registrarei em cartório: Eu não quero casar! Não, mil vezes não! (Risos incontidos).
Minha alusão a esse tema foi simplesmente pela curiosidade e espanto que causa a alguns desavisados sem criatividade, porque fiquei de pacovazinho cheio de tanto ter que responder a essa questão, porque afirmava sempre brincando que não era uma marciana, enfim. Eu não me imagino casada. Já falei pra vocês, fujo às léguas de coisas que me dão muito trabalho, e ser casada deve ser extremamente trabalhoso. Portanto, se o destino não me quis tornar uma senhora marida, então bão, não foi escolha minha, mas isso sob hipótese alguma me transforma numa mulher frustrada. Costumo dizer que meu príncipe devia ser um péssimo cavaleiro, caiu do cavalo e ficou feito um pateta perdido na floresta. Vou esperar esse trapalhão ainda? Mas de jeito nenhum! Estamos conversados?
Sem mais delongas, deixo aí essa benção celta, descaradamente furtada do Botões de Madrepérola tempos atrás, a qual me encantou. É meu agradecimento a tanto carinho e compreensão ao meu momento agridoce, felizmente equilibrando.
Beijos.
Obrigada!

Eis:

No dia em que o peso amortecer-se
Sobre teus ombros e tropeçares,
Que a argila dance para equilibrar-te.
E, quando teus olhos congelarem-se
Por trás da janela cinzenta,
E o fantasma da perda chegar a ti,
Que um bando de cores
Índigo, vermelho, verde
E azul-celeste,
Venha despertar em ti
Uma campina de alegria.
Quando a vela se esfiapar no barquinho
Do pensamento, e uma coloração
De oceano escurecer abaixo de ti,
Que surja por sobre as águas
Uma trilha de luar amarelo
Para levar-te a salvo para casa.
Que o alimento da terra seja teu,
Que a claridade da luz seja tua,
Que a fluidez do oceano seja tua,
Que a proteção dos antepassados seja tua.
E, assim, que um lento vento
Teça estas palavras de amor
À tua volta, um invisível manto,
Para zelar por tua vida.

(John O'Donohue)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SOBRE NADA

Pensei em rechear essa postagem com todas as minhas mazelas d’alma, o cardápio completo do que meus fantasmas andam aprontando comigo – com minha total conivência e inércia, obviamente – mas não, não quero! De nada adiantaria, todos continuariam aqui .
Pensei em escrever um poema para ali canalizar minhas inquietações. Mas ora, onde está a poetisa? Em mim certamente não há.
E agora, o que fazer então?
Pensei em postar mais um capítulo da série BAGAÇO DA LARANJA, mas acho que não seria tão engraçado como o primeiro. Adorei ter rido com vocês. Eu contaria sobre a difícil situação de não ser casada aos 40 anos e ter que responder isso quando as pessoas me perguntam. Aí, encolhidinha, com um sorrisinho sem graça, tento explicar que por mais que possa parecer, não sou uma marciana. Tenho até pensado em criar um perfil fake, a mulher perfeita, fatal, infalível... divorciada. Se for divorciada está tudo normal, o grandessíssimo problema é jamais ter sido casada. Aí sempre vem a continuação do questionário: mas porque você não casou? Como assim porque eu nunca casei? Como diria um velho amigo, qualquer dia vou retribuir a pergunta com um “Tem alguma placa aqui dizendo que tenho que ser casada só porque sou quarentona???”
Ah, vá...
Mas depois falo mais com vocês sobre isso. Acabei esquecendo que esse não seria o tema da postagem e me estendi no assunto.
Poderia postar uma música, a atual do meu momento "redescobrindo". Vi na TV no sábado o Moraes Moreira e o filho gatíssimo cantando “Preta, Pretinha”; sempre amei essa canção. Tem uma melodia que me inebria, mas aconteceu de ter ficado esquecida num cantinho do meu gostar, como tantas outras. Aí vim logo baixar e ando ouvindo feito uma maluca. Mas não vou postar sobre ela. Acho que também não quero.A música não merece meu estado agridoce, bem menos doce, diga-se de passagem.
Ah, posso também falar sobre minha sobrinha Isabella, que faz 3 aninhos em setembro, mas no auge da sua vivência, com a mãozinha sob o queixo lança a frase: “Não sei porque minha vida tá tão compicada”. Isabella é um caso à parte. Daria um livro. Uma figura! Também fica pra outra oportunidade esse assunto.
Pensando bem, melhor mesmo é ficar quietinha dentro da minha inquietude. Ficar olhando pra nuvem cabulosa e soprar com força pra ver se ela se movimenta e vai baixar em outra freguesia.

Pra vocês meus agridoces beijinhos, porém com a amizade de sempre.
Boa semana.

sábado, 7 de agosto de 2010

NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE...



Já escrevi sobre meu pai aqui. Mas não tudo sobre ele. Nunca terei escrito tudo, porque é uma fonte inesgotável de vida, de história.
Engraçado que sempre estamos lembrando ele e isso nos faz rir, um riso de saudade, nostalgia, um riso de amor que não finda.
Hoje me peguei a pensar da imagem que tinha do meu pai na minha infância. Fui criada pelos meus avós, a contragosto dele, e sempre que vinha pra cidade me visitar eu ficava encantada. Aquele homem grandão, simpático, falador, tinha orgulho de pensar que era o meu pai. Anos depois, quando o restante da trupe Lima veio morar aqui no meu encalço, pudemos conviver bem mais intensamente e isso me foi tão enriquecedor. Melhor nem falar aqui o quanto Seu Luís me mimava. Imaginem! Das coisas banais (tipo trazer uma cocadinha da feira porque sabia que eu adorava...viu no que deu, né pai?) até as mais importantes (tipo correr comigo toda hora pra Maceió, pra ver se consertava a bonequinha com defeitinho), foi uma história de muito companheirismo, muito amor, mas não o vejo como um herói. Nunca acreditei muito em super heróis, nem quando criança. Foi acima de tudo um batalhador, um brasileiro que realmente não desistiu nunca. O dia em que caiu na rua, sofreu o AVC, estava sozinho, voltando de mais uma feira que já não lhe aprazia como antes. Seus produtos que outrora carregava em grandes caixas de madeira, nesse dia levava apenas numa bolsa, mas se recusava a desistir, por mais que insistíssemos pra isso. Como fomos tolos. Pedir a ele que desistisse, que as feiras já não lhe rendiam mais nada, era como pedir para admitir que tudo havia sido em vão. E absolutamente não foi em vão. Viveu como um grande homem.
Mereci tantas vezes levar uns bons tapas, mas jamais o fez. Quem sabe a petulância seria menor hoje? Mas bons berros levei. Costumávamos fugir desse tipo de acerto de contas, porque suas palavras nem sempre era o que gostaríamos de ouvir. Falava-nos a verdade crua, sem maquiagem, aquela que doía na alma e mais adiante constataríamos que só fez pro nosso bem. Mas o aconchego do seu abraço demasiadamente apertado, as conversas sobre futebol (me deu o amor ao Botafogo), política (sempre falou pra eu nós não votarmos no Lula), as discordâncias sobre música, a benevolência com as bagunças que fazíamos em casa, o assovio especial (que até hoje meus irmãos usam com seus filhos), o chamado de “oh, fia...”, os ensinamentos mesmo, aqueles bem clichês e que nos tornam gente de verdade, ah isso é inestimável.
Tento não pensar nas coisas que poderia ter lhe falado. Imagino que sempre sentiu, mesmo na ausências das palavras que talvez não tenham sido ditas da maneira certa. Me conforta imaginar que soube o quanto foi amado por nós, o quanto cuidaríamos dele pelo tempo que fosse preciso.
Essa foi um postagem egoísta, confesso! Muito mais que  uma homenagem ao meu pai e a todos os pais, foi um afago que fiz a mim mesma. Porque falar, escrever sobre esse homem de alma tão especial é algo que só me dá prazer. É como se o trouxesse mais pra pertinho outra vez. É como se ele nunca tivesse ido embora.
Então, pai... Obrigada por ser minha eterna fonte de inspiração!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MINITEXTO SOBRE O BAGAÇO DA LARANJA



Ah, essa tenho que compartilhar...
Está quentinha, aconteceu agorinha numa sala de jogos onde eventualmente vou alimentar meu vício.
Então lá não há como saber a idade da pessoa com quem se joga, até porque isso seria desnecessário, pois não é um site de relacionamento... Pelo menos essa nao é a principal proposta. Vou lá jogar sinuquinha...adoro!!!!!!!
Aceito um convite e vamos nós pro que interessa, o jogo. Aí o sujeito, meu parceiro, lança a pergunta que não quer calar:
- Quantos anos você tem?
- Fale antes a sua, cavalheiro. – Respondi imediatamente, para ouvir a seguinte resposta:
- Tenho 17.
Nossinhora, tinha que ser um aborrescente? Pensei cá com meus inquietos botões que nem são de madrepérola como os da Graça...
Mandei um “rsrs” e respondi:
- Tenho 40.
No auge da arrogância, pseudossabedoria juvenil e total falta de sutileza, o projeto de conquistador de quinta lança a pérola:
- Mas tá enchuta ainda ou tá só o bagaço da laranja?
Gente do céu, ri muito aqui sozinha, ao ponto de minha tia perguntar se estou ficando ainda mais doida. Que muleque mais sem noção! Então eu, uma jovem senhorita de apenas 40 anos, tenho necessariamente que estar no bagaço da laranja só por ter essa idade? Após conseguir controlar o surto de riso, ainda pensei em urrar meia dúzia de palavrões, mas me contive.
- Meu querido, aqui eu posso vender a imagem que quiser, ser loira, alta, olho azul,  peituda, mais fatal que a Angelina Jolie, que você nunca vai saber, concorda?
- Sim. – Falou o rapaz.
-Portanto, acho sua pergunta muito sem noção, inoportuna e grosseira... E a propósito, a palavra é enxuta, com x e não ch, meu bem! Boa noite!!!! 
E saí da sala sem lhe dar nenhuma chance de proferir outra bizarrice.
Durma-se com um barulho desses! 
Ser ou não ser o bagaço da laranja, eis a questão! 
Será???

domingo, 1 de agosto de 2010

PEDRINHAS NADA PRECIOSAS

 Há exatamente uma semana minha vesícula insiste em me fazer lembrar que não só existe, como guarda cuidadosamente algumas pedrinhas salientes e serelepes, as quais descobri uns 4 anos atrás.
Lembro-me das palavras do médico na ocasião: “Você pode conviver sem problemas com elas, sem a urgência de operar, desde que tome certos cuidados com a alimentação”. De fato nossa convivência nem foi tão tumultuada, a cada alerta chegava eu mantinha a boca fechada por uns dias e pronto, ludibriava a dita cuja mais uma vez.
Dieta é seguramente uma das coisas que mais nocauteiam o meu bom humor, ainda mais nesse caso, em que o estômago dói muito graças a uma gastrite e é necessário ter ainda mais cautela em relação ao que comer.
Céus! Em tempos de ditadura da beleza, euzinha adoraria ter o direito de ser uma fofinha feliz, pouco me importando estar ou não fora dos padrões. Isso é muito chato! Hoje estava tomando água de coco e meu irmão me perguntou porque eu fazia careta, já que a água é saborosa. Respondi que é mesmo uma delícia, desde que não seja por obrigação. Pelo menos pra mim todo alimento que tenho que consumir em função de alguma dieta ganha rapidamente condição de remédio.
Aí me pergunto:

Por que eu não odeio pudim e amo gelatina?
Por que o café descafeinado não tem a menor graça?
Por que o alface é tão livre de gordura e a feijoada não?
Por que eu detesto atividades físicas?
Por que eu não acho a ricota deliciosa?
Por que suco de laranja com berinjela não faz mal à saúde e a coca-cola não ajuda a combater o mau colesterol?





Eu seria uma fofinha saltitante (mas não tanto, afinal saltar cansa e eu estou com uma preguicinha...), sem cálculos biliares a serem meus fantasmas, acenando e sorrindo para os fiscais da forma alheia...
Bom, já que o negócio é mesmo acordar e fincar os pés na terra, sigo aqui com meu bife grelhado, frango grelhado, peixe grelhado só pra variar um pouquinho e aquelas deliciosas opções horto-leguminosas.
Amigos queridos, se solidarizem, amanhã todos de dieta rigorosíssima...