segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SETE COISINHAS

Há dias esse desafio estava lá, no blog da Mayra, me esperando e eu nem havia percebido. Passeando por aí, descobri que ela me incluiu na brincadeira. Bacana! Eu adorava fazer isso com minhas amigas, normalmente citávamos 5 nomes de garotos, 5 nomes de lugares os quais gostaríamos de conhecer, etc. Tudo isso no caderno, óbvio!
Então borá lá para as minhas trepidantes respostas... Acompanhem, queridos amigos!

   1 – SETE coisas que pretendo fazer antes de morrer:


Ø      ler tantos livros que eu jamais consiga contabilizar (ando numa dívida gigante comigo em relação a leitura)
Ø      assistir um show do Djavan (nem precisa mais ser na primeira fila)
Ø      ver uma decisão do campeonato brasileiro, no Engenhão lotado e o Botafogo do meu coração sendo campeão.
Ø      fotografar lindos pôr-do-sol Brasil afora
Ø      ver minha irmã Cristiane sendo mãe, biológica ou de coração
Ø      ter uma prosa com o presidente, que será ex na ocasião, e dizer assim: olha aqui, seu FDP, você destruiu minha ideologia!!!
Ø      lembrar de pelo menos mais 7 x 77 coisas pra fazer antes de partir.

2 – SETE coisas que mais digo:

Ø      misericórdia!
Ø      eita, foi mesmo?
Ø      ah, tá!
Ø      vai te lascar! (repara não, continuo sendo uma lady)
Ø      presepada da gota!
Ø      massa!
Ø      estou com dor! (vesícula, tendinite, coluna, circulação... um veradeiro minishopping)

3 – SETE coisas que faço bem (e tem?)

Ø      escutar
Ø      histórico escolar
Ø      artesanato com E.V.A
Ø      acarinhar e dar esporro nos meus sobrinhos, com a mesma intensidade
Ø      lasanha de frango com molho branco (recebi até uma benção por causa dela)
Ø      dormir (ai, que sono!!!!)
Ø      nada (faço nada com uma perfeição indescritível)

4 – SETE defeitos meus (são meus e não abro!)

Ø      teimo em achar que as pessoas me pertencem
Ø      preguiçosa ao extremo
Ø      melindrosa
Ø      um tanto covarde
Ø      espiritualmente marginal
Ø      dispersa
Ø      prometo às pessoas que vou a certos eventos, tendo a certeza absoluta que não irei, só pra me livrar da chateação do convite comprido

5 – SETE coisas que amo

Ø      família (clichê fundamental)
Ø      não ir trabalhar (vou mentir?)
Ø      cerveja geladérrima em meio a muito papo e boas risadas (a primeira parte não me pertence mais)
Ø      quando me chamam de Memem (meu sobrinho Felipe começou essa história há 21 anos e hoje até no trabalho me chamam assim, os que me amam)
Ø      a certeza de que fiz mais um amigo (com abraço ou sem abraço)
Ø      o dengo da minha mãe
Ø      conversar (telefone, internet, em casa ou em qualquer lugar)

6 – SETE qualidades (Oi?)

Ø      atenciosa
Ø      conciliadora
Ø      sensível (é qualidade?)
Ø      apaixonada
Ø      cúmplice
Ø      largada (quer dizer que não sou fresca, odeio frescura)
Ø      sorridente (bom, tem horas que nem tanto...)

7 – SETE indicados (subvertendo: sete desculpas pra não indicar)

Ø      algumas pessoas que eu ia indicar já receberam o desafio
Ø      outras que eu gostaria de indicar não toparão a brincadeira
Ø      ando traumatizada com esse negócio de selo, porque no último que ofereci docemente ninguém me deu bola (to até precisando do divã da )
Ø      ia mandar pra Lois_Lane, mas ela não só postou, como pegou a melhor imagem jamais roubada no Google (esqueci de compartilhar minha invejinha nos meus defeitos)
Ø      o Tatto, choraminguei, berrei e ele não quis (buaaaaaaaaa, macaco insensível)
Ø      as pessoas que quiserem é só fazer, né?
Ø      fiquei de mal do desafio, porque não são nove ao invés de sete (nove é meu número preferido, apesar disso não fazer diferença alguma na minha vida)


sábado, 27 de novembro de 2010

NUMA CIDADE MUITO LONGE DAQUI

Relembrando Renato Russo, no auge de sua inquietação e indignação, eu pergunto: QUE PAÍS É ESSE? Que país é esse aonde os problemas se apresentam tão diferentes e complexos, peculiares em cada canto dessa nação continente?

Há tempos me aflige cá de longe essa situação do Rio de Janeiro. Dizia brincando que adoraria conhecer esse lugar incrível, mas que ao menos por um dia as balas perdidas haveriam de cessar. E eram tempos em que bala perdida era novidade, causava estarrecimento. Hoje não, é parte desse cotidiano caótico em que se transformou essa cidade de beleza incomparável, cujo Cristo de braços abertos certamente está a olhar pro céu, pedindo a Deus que o ajude nessa missão tão complicada.

Em dias de guerra instalada na capital carioca, recebi do Pérsio um selo cujo objetivo maior é um grito de repúdio a toda essa situação. Me privarei de indicar os cinco Blogs amigos, deixando livre a quem quiser carregar o selinho como uma forma de protesto e súplica para que tudo se encaminhe para o fim do terror. Além disso, Pérsio sugere que sejam respondidas três questões acerca do cenário de horror que tem se transformado o Rio nesses últimos dias.

Eis as questões:

  1. O que é paz para você?
  2. O que faria para mudar a situação do Rio de Janeiro?
  3. Doe uma palavra aos cariocas!
A PAZ que imagino supõe que um cidadão possa ter o sagrado direito de desempenhar todas as suas atividades diárias e rotineiras, sem receio de ser de repente forçado a descer do seu carro, ou ônibos a caminho do trabalho porque esses tem que ser queimados. Numa situação de paz esse mesmo sujeito pode sentar na poltrona de sua casa, à noite, após um dia cansativo de trabalho e ver televisão sem que uma bala vinda não se sabe de onde atinja sua cabeça. A PAZ deveria ser simples. A PAZ deveria ser ‘normal’.

Desde sempre ouço falar que se houvesse vontade política boa parte dos problemas existentes no Brasil seriam resolvidos. Ora! Vontade política pressupõe-se a atitude dos moços lá de Brasília, dos que estão mais perto das questões nos estados e municípios, enfim. Assim sendo, se não há vontade política pra se resolver o problema da seca por aqui, da violência que se alastra Brasil afora, mais contundentemente no Rio de Janeiro, devemos fazer um mea culpa? Quem escolheu o povo engravatado que se alterna no poder anos a fio? Por que deixamos isso acontecer? Por que fazemos tão pouco caso da força que temos? Por que achamos normal entregar o poder nas mãos de quem temos certeza nada fará pra que as coisas efetivamente evoluam? E não me refiro especialmente às últimas eleições. Estou falando de muitas eleições, aonde os erros de escolha se repetem e votamos sem o mínimo de consciência e comprometimento. O resultado é gradativo, piorando o quadro a cada em todo o país, porém de forma mais dolorosa na cidade maravilhosa. Lá, como em tantos cantos do país, o descaso com as questões sociais é gritante. Pelo que li no Blog do Caurosa, o RJ ficou em penúltimo lugar no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), perdendo apenas pro Piauí, que há anos segura essa lanterna. Esse papo de que falta isso, falta aquilo, vem desde quando? Imaginemos que medidas de cunho preventivo houvessem sido tomadas desde que se percebeu o agravamento do problema, a situação teria chegado a esse nível de horror? É muita conversa fiada, muita estatística e nenhuma atitude. Aí o caos social se instala pra nunca mais querer ir embora. Aí danou-se!

Me perdi aqui. Era pra tentar escrever palavras otimistas sobre as possíveis soluções na tentativa de resolver o problema. Me perdi num misto de indignação e sentimento de impotência, espírito de solidariedade e um tanto de comiseração. Me perdi numa desesperança momentânea, mas já estou providenciando o regresso da minha esperança, forte e incansável, carregando o bálsamo necessário para esse desalento.


É justo pedir que o povo carioca tenha paciência?
É o que resta.
A PAZ virá, terá que vir. 
Que ela seja urgente.


SOBRE A CULPA

Alguns aqui sabem que possuo outro blog além do Inquietude, um canto especial o qual utilizo especialmente pra prestigiar meus amigos postando seus textos, poesias e afins. Andava porém inquieta por ter duas contas de blogs, pois ao criar o Relicário não sabia ser possível criá-lo com a mesma conta deste que estão a ler.
Sabendo que essa inquietação não me abandonaria, resolvi excluir o meu caçula, criando outro vinculado aqui, nesse mesmo perfil. Pois bem, quando me ocorreu essa genial idéia de unificar minhas contas, visando exclusivamente a praticidade de login, não tive noção do quanto indelicada (pra dizer o mínimo) estava sendo com as pessoas que me confiaram seus textos e poemas para serem postados lá. Muita coisa se perdeu. inclusive  comentários em reconhecimento aos posts, enfim, tudo foi pelo ralo.
O que me resta além de me desculpar incansavelmente?
Talvez reconhecer a minha falta de traquejo nesse mundo aqui e na ausência total de sensibilidade em lidar com as coisas da arte. Foi uma atitude infeliz e não teria me dado conta disso se não fosse pelos carinhosos puxões de orelha do Léo e Poeta, que além de outros amigos, foram ‘vítimas’ da minha insensatez inquieta, tendo seus textos reduzidos a pó virtual.
Lamento.
Me desculpo.
Espero mesmo que compreendam e não percam a confiança em mim no que diz respeito a me permitirem postar seus textos.

É isso.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FLORESTA EM FESTA



Era uma vez uma floresta encantada, que ficava longe, muito longe, onde só era possível chegar pegando carona nas nuvens e delas escorregar até cair nas macias folhagens das árvores. 


Lá vivia um bichinho muito especial, um macaco alegre e arteiro que adorava brincar de ser o dono da floresta. Subia bem no topo das árvores e se divertia pulando de galho em galho, tal qual um malabarista do céu.

Todos os bichos amavam Xipanzeca. Adoravam estar a sua volta ouvindo as histórias mais fantasiosas e divertidas, oscilando entre gargalhadas a ecoarem por toda a mata e momentos de total silêncio, tal era o poder desse macaco em atrair a atenção dos outros animais.


As casas dos seus amigos eram todas decoradas com quadros presenteados por ele, retratos lindos e coloridos e acima de tudo carregados de querer bem, porque provocar em alguém um sorriso, a sensação de felicidade ainda que momentânea tornava-o mais feliz e em paz consigo mesmo. Lá, entre seus amigos, a brincar por entre as árvores, a fazê-los rir com suas adoráveis macaquices, era possível adormecer suas próprias dores d’alma. Se permitia esquecê-las por alguns instantes mas sabia que elas sempre estariam a sua espera. Era preciso encará-las e ele o fazia resignado, em nome de um amor genuíno, desinteressado, generoso. Gostava de estar protegido, acarinhado, muitas vezes era apenas isso que queria, mas carecia deixar de lado o seu querer, pois era hora do pequeno macaco arteiro se encher dessa resignação e assumir seu papel de anjo da guarda com enormes e acolhedoras asas peludas.

Assim, por força das circunstâncias nem sempre favoráveis, aprendeu a compreender os que involuntariamente viviam no seu universo particular, os que estão na maioria das vezes ausente de si mesmo, recolhidos numa fortaleza impenetrável, aonde impera o silêncio e por isso é de lei usar pantufas mágicas ao caminhar. Elas conduzem a viagens imaginárias, em que os monstros e fantasmas malvados são deixados pra trás pra nunca mais voltar.

O macaco é assim, adora bradar suas malcriações. Mostra a língua, lança um palavrão a cada piscar de olhos, alguns bem característico do seu macaquês indecifrável. Tem a vodka barata como cúmplice dos seus momentos de devaneio e tantas vezes mergulha sozinho nos tais devaneios. É um sonhador na essência, o macaco. Possui uma alma grandiosa, composta por uma boa dose de generosidade, ainda que à primeira vista camuflada por uma braveza que desaparece ao primeiro afago no seu pêlo extenso.

Hoje é aniversário do macaco mais querido que se tem notícia, todos os bichos estão a celebrar e agradecer pela existência desse que sabe como ninguém fazer nascer sorrisos nos momentos mais improváveis.

Deve ser mesmo por isso que ele escorregou das nuvens até a copa macia das árvores, e fez dessa a mais feliz de todas as florestas.




AMIGOS SERÃO AMIGOS,


QUANDO VOCÊ ESTÁ PRECISANDO DE AMOR 
ELES TE DÃO CUIDADOS E ATENÇÃO.
AMIGOS SERÃO AMIGOS,
QUANDO VOCÊ ESTIVER CHEIA DA VIDA 
E TODA ESPERANÇA ESTÁ PERDIDA,
ESTENDA SUA MÃO PORQUE AMIGOS SERÃO AMIGOS ATÉ O FIM.


MEU CARINHO E AMIZADE...
BEIJOS, TATTO!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A VÊ E EU - A SAGA CONTINUA...

Hoje foi dia de levar a Vê ao médico. Anda indócil a quase criatura. Fui  sabendo exatamente o que iria ouvir, mas tinha que ir, né? Levei ultrassonografia e endoscopia digestiva e estava com receio de sair de lá direto pra mesa de cirurgia. Receio duplo, da própria cirurgia em si, porque mesmo com todo mundo dizendo que é um procedimento simples, e tal, mas é uma cirurgia, oxente! Tem pelo menos 2 milhões de coisas mais prazerosas pra se fazer do que está à mercê de médicos num centro cirúrgico. Além disso, será que o Lula descolaria um emprestimozinho no Banco Central pra eu financiar essa intervenção? Por que o povo lá é tão bacana, né? Generosos, cordiais... Pensei poder contar com eles. Mas o Lula poderia alegar que o SUS_to está aí pra isso, pra acolher os pobrinhos como euzinha. 

Acho mesmo que o Presidente tem razão... Quão ingrata sou! O Sistema Único de Saúde é um órgão que funciona tão perfeitamente. Uma agilidade admirável desde quando se descobre o problema, daí vem os exames e até chegar na cirurgia quase nunca o paciente se estressa, tudo acontece automaticamente. É uma beleza! A não ser, claro, que algum equipamento esteja quebrado, aí você remarca pra daqui a seis meses, com sorte, porque o Natal e Carnaval complicam um pouco o meio de campo. Vocês podem estar se perguntando: e porque a moça não tem um plano de saúde? Resposta simples: eles não me aceitaram. Os fofos sempre encontram respaldo nas leis contratuais e bloqueiam minha entrada nas suas corretoras de saúde. Você tem patologia demais, alegaram certa vez.

Bom, mas o importante, pra alívio de euzinha, é que o médico é desses que não saem de imediato negociando o preço da cirurgia. Não é um corretor de saúde alheia. Me pediu pra fazer dieta, como se eu já não viesse fazendo há meses. Eu quase interferi no seu discurso na tentativa de dizer: Doutor, me conte agora uma novidade! Mas foi válido, porque me esclareceu sobre coisinhas na minha alimentação as quais eu não considerava danosas e são um bocado. Porém, ninguém jamais ouse pedir pra eu fazer receitas daquela moça pálida e chata que aparece na TV com um prato horrível na mão, dizendo que rende seis porções e custa R$ 0,002. Sempre tive vontade de pedir a ela pra tomar aquelas vitaminas de chuchu, abacaxi, casca de mandioca, alface, fígado bovino, tudo junto e misturado, entre outros ingredientes que compõem o troço que mais parece algo saído do caldeirão da Cuca do Sítio do Pica-pau Amarelo.

No final, já na porta pra ir embora, lembrei-me de mandar um abraço à esposa do médico, a qual eu já havia feito uns trabalhos de decoração pra sua escola, num tempo longínquo. Milene de verdade tem que bancar a fofa, então, com um genuíno e largo sorriso falei: abraços à Vera. O moço deu um sorriso amarelo e respondeu, quase num sussurro: tá! Minha amiga, que me acompanhou à consulta, olhou espantadíssima, mas nada falou. Assim que a porta se fechou atrás de nós, ela perguntou se enlouqueci de vez, quem seria essa Vera??? Ué... Mudou de nome a mulher e ninguém me contou??? Ela na verdade se chama Marta, e isso me ocorreu antes mesmo que minha amiga me corrigisse. Desandei a gargalhar no meio da recepção do hospital, a rir de mim mesma, da minha falta de simancol, da cara de paisagem do pobre médico que não tem uma esposa chamada Vera.

Eu bem que podia ter ido embora sem essa...

No frigir dos ovos fritos que não posso comer, a Vê e eu continuamos na tentativa de convivência pacífica.

Um tanto de beijos, meus queridos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CRÔNICA DE DESENCANTO

Precisamos nos (des)entender de vez. Careço falar que tua presença não mais é bem vinda. Na verdade nunca estivesse presente, nossa relação, se é que algum dia houve uma relação, sempre foi unilateral. Silenciosamente te chamei, tantas vezes implorei. mas que nada! Nunca viesses, pelo menos não por inteiro. E quando apareceste assim, incompleto, rapidamente fragmentou-se me deixando mais uma vez perdida em meio a sentimentos confusos que aos poucos se transformaram num vazio absoluto. Agora percebo, o tempo inteiro fugiu de mim, esgueirando-se feito um gato sorrateiro enquanto eu me derramava em conjugações patéticas do teu verbo. Não, agora chega! Quero estar indiferente a ti. Estou indiferente a ti. Nunca existisse de fato, foste mero faz-de-conta criado pela minha tola imaginação. Tantas vezes partiste depois de fingir chegar. Eu sempre te abria novamente a porta antes mesmo que bateste, feito uma criança ao ganhar o brinquedo que nunca teve, e tu vindo sem jamais querer ficar. E de novo me via vulnerável, inquieta, ansiosa. Tu despertavas meu lado mais egoísta, me fazias querer o que jamais poderia ter. E mais uma vez olhava ao meu redor e tu já havias partido sem nunca existir de verdade, nunca! Não me achaste digna de seres verdadeiro comigo e hoje já não tenho vontade de compreender o porquê. Não quero mais seguir-te, perseguir-te. Preciso que jamais voltes. Não preciso mais de ti, entendes? Não preciso mais de ti... Vai pra sempre embora, AMOR... Sentimento maluco!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FOI BOM, MÃE...

Neste último sábado briguei com minha covardia e decidi sair de zona de conforto que me faz todo o tempo estar protegida contra o escuro, o desconhecido. Depois de afirmar categoricamente que não iria, listar todos os meus motivos reais e criar outros tantos pro dramalhão ficar mais convincente, não houve jeito. Meu irmão, cujo poder de persuasão é imbatível, me disse que os problemas da Vê e companhia não deixariam de existir se eu ficasse em casa, então não tinha desculpa. Lembrei-me de uma redação de minha sobrinha Maria Clara justamente nessa época, em outra viagem feita pela família em que consegui driblar o povo e não fui. Na redação ela dizia mais ou menos assim: “Fui pra praia e foi maravilhoso, só não foi melhor porque minha tia Memem não quis ir. Ficou com medo de ter calçada alta e não poder subir, mas a gente ia ajudar ela”. Isso nunca me saiu do pensamento. A minha covardia não atingia só a mim e eu não podia deixar isso acontecer de novo, então decidi ir, não importasse quais dificuldades me aparecessem. 
Nem tentei assuntar em relação a (in)acessibilidade da casa e depois de chegar lá percebi ter feito a coisa certa. Justamente na porta de entrada me deparei com três famigerados degraus que impossibilitavam meu acesso sem que houvesse ajuda e certamente teria desistido se soubesse disso. Em uma dessas ocasiões estava na porta esperando alguém pra me ajudar, e antes que meu irmão viesse ao meu encontro, sem que eu o chamasse, Isabella, minha sobrinha pestinha de três aninhos, correu até mim com um sonoro “eu azudo”, estendendo a mãozinha... O que são degraus diante disso? O que são degraus diante das gargalhadas que dei fazendo minha mãe ralhar porque já era madrugada e a maioria já estava dormindo? Mero concreto! Todas as vezes eu os subi com um tantinho de medo, mas confiante porque sabia não estar sozinha, jamais estive.

Amo o mar, e de tanto falar isso aqui algumas pessoas acharam que eu morava na praia. Mas não, minha cidade fica no agreste alagoano, bem no centro do estado. E esses dias estive a fazer o que me enleva, me faz ficar em paz, apenas me pus a admirar a imensidão azul, linda, soberana. Até planejei lindas fotinhas do por-do-sol, mas persegui o danado em vão, pois resolveu se recolher num lado contrário à praia. 

Meu amor por ele, o mar é antigo. Eu o observo, admiro incansavelmente, em silêncio. Ele me lava a alma sem que seja necessário me molhar. Sou sua eterna apaixonada.


Luck me pediu seu nome eternizado na areia da praia. Combinamos compartilhar isso assim como ele tentou compartilhar comigo um por do sol em Saquarema na última aventura sobre sua motoca envenenada. Coisa boa é ter amigos, coisa muito boa... 

Na volta, minha mãe que chegou a chorar em função da minha recusa em ir (drama de mamãe tambem contou pela minha mudança de idéia), me olhou com um sorriso encantador e disse: Foi bom, né filha?

Foi, mãe. Foi muito bom!


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

FRIVOLIDADES - A TRILOGIA

EUZINHA E OS SELOS (Continuação)

Já me indagaram acerca do que me move aqui na blogosfera, a que é direcionado meu Inquietude, enfim... Tais perguntas sempre receberam como resposta minha cara de paisagem e um balbuciar de palavras desconexas, porque de fato não sabia o que dizer. Acho que agora sei a resposta: GENTE. É o que faz valer a pena, o que me apetece e me recompensa. Amo gente, amo conhecer, descobrir, as mais diferentes, simples ou complexas e por isso estou aqui. Falando em recompensa, Regina Laura, querida, carinhosa, simpática, espirituosa, lá do No Balanço das Horas, cantinho mais que aconchegante, convidativo, balançou meu ego meio besta com esse selo estiloso. Meu blog está ficando metido, pessoas! Mas afirmo que o selo é apenas um símbolo, a recompensa de vera é a gentileza, alguém gostar de minhas frivolidades sentimentalóides. Depois fico insurpotável e não adianta mais tentar remediar. 


Regina, obrigada por tanto. Obrigada por sempre estar aqui com seu bom humor e amizade.

Léo, Simone, Poeta, Graça(acho que ela já tem todos os selos lançados sobre a face da blogosfera), Rodolfo, Uelton ... Adoraria compartilhar com vocês. Mesmo se não postarem, é bom que saibam que amo vossos cantinhos.

EUZINHA E A GENTILEZA

Avivando vossa memória, caro amigo, moro numa avenida de nome até pomposo, embora feia, além de ser o cúmulo do vai e vém de carros. Acho que o povo quando sai do trabalho pensa desse jeito: Vamos lá pela rua daquela moça rosadinha, a essa hora ela está chegando do trabalho, vamos dar uma canseira pra ela não atravessar assim tão fácil. E ao contrário do Trem de Ferro, de Manuel Bandeira, que por ele passa boi, passa boiada, passa galho da ingazeira, por aqui passaam carros, caminhões, motos, bicicletas, carroças de burro... E  lá vem outros tantos carros, e motos... Tudo outra vez, misericórdia! Já estou até providenciando um pedido de licença médica sob a alegação de trauma pós-trânsito. Então hoje, estava esperando minutos que pareciam séculos, quando um caminhoneiro parou seu veículo, com alertas acionados fazendo com que os outros também parassem, me fez sinal que atravessasse. Um gesto rápido, com segundos de duração, mas de uma gentileza ímpar. Já na minha calçada, feito uma criança serelepe, gritei um sorridente OBRIGADA.

Gnomos existem e são minha escolta... (CAZUZA)

EUZINHA E O ESPELHO

Sou a mais preguiçosa das mulheres no quesito ‘melecação’ de cútis rosada com milagrosos cremes anti-rugas. Esses dias, porém, numa DR com meu espelho, tomei tento do quanto minhas rugas de estimação estão salientes... Gritantes, eu diria! Me rendi e encomendei a uma colega de trabalho um pote daqueles cremes carérrimos os quais até já adquiri algumas vezes, mas todos acabaram por perder a validade sem que eu usasse ao menos 10%. Dias depois ela me disse que por não ter conseguido falar ao celular comigo, pensou em trazer o tal produto no grau adequado para mulheres acima dos 30 anos, mas a filha a aconselhou a não fazê-lo, dizendo: “Mãe, a Milene não tem mais de 30 anos nunquinha! Ela deve ter uns 28, então o adequado pra ela é o creme para mulheres de 25 anos” Eita gota serena! Fiquei besta demais, pessoas! Então depois de gargalhar horrores, deixando a bichinha constrangida, falei que ela teria que arranjar uma vítima para ficar com o produto, pois euzinha, uma senhorita de 41 anos de idade, não me daria bem com o tal. Ganhei o dia, claro, né? Mas aí, como alegria de quarentona com suposta carinha de garota dura muito pouco, logo caí na real. Uma amiga pôs-se a me fazer trança (alerta vermelho ligado: cabelo apto à tranças significa urgência de tesoura) quando me descobre nada menos que DOIS assustadores, monstruosos, horripilantes fios de cabelo branco!!! Ai de mim! Terei eu que me submeter a torturantes sessões em salões de beleza, a fim de camuflar os tais no meu pobre couro cabeludo in natura? Não, não e não!!! Pensando bem, não quero ser o Cid Moreira de saia, então talvez... É, talvez. 


Nunca mais DR com o espelho, nunca mais!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

WOLBER, UM BRASILEIRO

Muitas vezes tenho que conter minha vontade de discorrer sobre os assuntos que pintam a realidade em cores feias, embora exprimam a realidade. Hoje contenho meu grito de protesto, de socorro. Subverto feliz a ordem pra dizer aqui que as coisas podem sim ser melhores. Não irei reproduzir um daqueles lindos textos de auto-ajuda, os quais tenho preguiça de ler e assimilar... Augusto Cury tava lascado se dependesse de mim pra comprar seus livros... Trata-se de contar sobre alguém que se importa. Um homem que não teria porque sair de sua poltrona confortável e encarar de frente os problemas alheios, tentando ao menos amenizá-los. Mas ele vai lá e encara, e o faz cheio de alegria.

Curiosa que sou, fui parar no Crônicas de Um Brasileiro certa vez e de lá não mais consegui sair. Entrei devagarinho no sertão nordestino e me percebi emocionada a cada palavra lida. Há muita vida ali, muito amor pelo ser humano e um imenso respeito pela sua essência.

Wolber é dentista, menino paulistano, que uma vez por semana atendia os moradores de rua num consultório improvisado numa igreja. Deparou-se com a oportunidade de viajar com o Rally dos Sertões e foi amor à primeira poeira na cara. No início fazia uma viagem por ano, passava por lá (cá) 15 dias e hoje o moço dedica quatro meses de sua vida ao povo sertanejo, com o pessoal do IBS (Instituto Brasil Solidário), atuando em educação, saúde, meio ambiente, inclusão digital, enfim, tentando preencher as lacunas gigantescas que seriam de obrigação do estado.

CANUDOS

Lagrimazinhas teimosas já fugiram de mim em muitas das histórias que li no Crônicas. À primeira vista se percebe que o povo nordestino é para Wolber muito mais que um bando de Severinos e Raimundas perdidos no meio da seca, precisando de caridade. São histórias tão lindas, tão vivas contadas ali que me ponho a compará-lo com os doutores cheios de arrogância e menosprezo pelos seus pacientes com quem muitas vezes tenho tido contato nos corredores do SUSto. 


Ele é pura humanidade.

Me transporto facilmente pras suas histórias quando as leio. É como se estivesse ali, sentadinha num daqueles alpendres, ouvindo sua conversa com uma das tantas senhorinhas de pele castigada pelo sol, lenço amarrado na cabeça, o chamando de ‘meu fio’ e dizendo que a casa é de pobre mas sempre tem um carocinho de feijão pra quem chega. Ouvir junto consigo as prosas com os senhores, verdadeiras enciclopédias ao reproduzirem o que ouviram de seus pais narrativas sobre Lampião ou Luiz Gonzaga, deixando-o extasiado com tanta cultura viva. E o arremesso de criança então? Não pasmem! Me refiro as brincadeiras numa lagoa lá no sertão baiano, na terra de Antônio Conselheiro, ao lado de quem o doutor gostaria de estar na Guerra de Canudos, se pudesse voltar no tempo.

São inúmeros os personagens, todos pacientes dele, mas sobretudo pessoas dos quais o doutor passou a fazer parte da vida. Por que vai muito além de um simples tratamento odontológico. É o sorriso sempre pronto pra acolher, é o carinho com as crianças, o zelo, o ‘se entregar’ sem nada esperar em troca, a não ser o abraço das várias mãinhas que o adotam por onde passa.

O motivo principal pelo qual escrevo sobre Wolber é acima de tudo gratidão. Sim, gratidão. Eu nem moro no sertão, não tenho família por lá, enfim, mas a seca que já levou até as lágrimas daquele povo faz penar a todos os nordestinos. E me perdoem se pareço tonta, mas encontrar alguém que os trata com tanto respeito, gratuitamente, apenas porque ama o que faz, é maravilhoso! Faz com que a parte feia da humanidade perca um tanto de sua nuance... E me traz de volta até uma esperançazinha em nós, tolos humanos.
CRATÉUS - CE - Imagens extraídas do Crônicas de Um Brasileiro


Os 15 dias


Foram quinze dias intensos. Muito trabalho, viagens longas, reencontro com amigos, novidades (apresentações de seminários), alguns passeios e até uma festa de formatura no Maranhão, tão comentada neste blog

Enfim, tudo que amo fazer e que me faz uma pessoa mais feliz. Estou de volta. Sorrindo.


(Wolber Campos)

Doutor e anjo.


domingo, 7 de novembro de 2010

EUZINHA E OS SELOS

O que posso fazer além de ficar docemente constrangida e contente? Já havia recebido da Graça um selo muito esteticamente e filosoficamente bacana, que visa brindar aos blogs que transmitem valores culturais, éticos, literários, pessoais etc, que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras (definição descaradamente roubada do De Tudo Um Pouco). Então hoje as queridas Loisane, a garota, futura mamãe, de um astral fora de série, carinhosa, linda e a Otília, recente aqui no meu Inquietude, mulher brava, que conta no seu blog suas aventuras, desventuras e sobretudo a benção de ser mãe... Eis que as queridas citadas me presentearam com o mesmo selo, o Prêmio Dardos. Sou mesmo muito grata por conseguir esse tipo de retribuição (me refiro aqui a carinho e amizade) e é tudo realmente compensador. As pessoas lêem meu paiol de bobagens... E tem quem goste. Viva la vida, então! Meninas, obrigada por estarem sempre aqui e por me acharem merecedora. Humildemente aceito.

Contraventora que sou, ignorarei todas as regras inerentes aos selos e o presentearei a apenas uma pessoa. Poderia listar os tantos motivos que me fazem indicá-la, mas tentarei ser concisa: Essa moça ( não a chamem de culta porque ela é mas não gosta desse rótulo) faz coisas lindas no Balaio dela. E tudo com um cuidado, um desvelo que me causa admiração. E não se importa se poucas pessoas vão lá e lêem, apenas gosta do que faz. E o faz por prazer e não pra receber em troca reconhecimento sob forma de elogios bajulativos. É essa entrega despretensiosa que me comove nessa moça e me fazem admirá-la mais a cada dia.

O Papo Literário que ocorre no Balaio da Si é maravilhoso, então quando li a descrição do selo, não lembrei de alguém mais merecedor pra recebê-lo.

Apenas um detalhe: a moça, que carrega em si uma bagagem cultural maravilhosa, que se esmera em minúcias quando publica seus papos... A moça além de tudo isso é minha amiga. Eu diria muito amiga. Já me ensinou tanto que nem ela mesmo tem noção. Mas nem posso agradecer, pois ela não gosta de agradecimentos. E espero ter conseguido ser um tanto impessoal, porque ela gosta que as postagens sejam impessoais (apanhei agora), então nem direi que a amo.

Simone Fernandes, só queria dizer o quanto tenho sentimentos admirativos por ti, moça da Lapa.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CELEBRAÇÃO



Bem verdade que hoje não é o dia mais apropriado para uma celebração. Dia de Finados, em que homenageamos os nossos queridos que se foram, vamos aos cemitérios, enfim. É como se buscássemos um reencontro e disséssemos: estaremos sempre aqui, jamais os abandonaremos.


Esse ritual não se aplica a mim. Homenageio àqueles a quem perdi em cada instante que eles me vem à memória. Homenageio sorrindo ou até mesmo deixando cair uma lagrimazinha de saudade. Ir ao cemitério, acender velinhas, parar inerte em frente a um túmulo não me diz absolutamente nada. Serei eu um ser de total insensibilidade?

Voltemos à celebração.

Meu cantinho estava feiosinho, tadinho, e morrendo de ciúmes do meu Relicário, que está uma belezura (quem ainda não conhece, favor ir lá ou teje pra sempre preso). Acometida por uma inquietação crônica, mudei tanto a carinha dele que certamente perdi um pouco da identificação. Paciência! Quer dizer, paciência nada! Impaciência mesmo, essa sou eu! Hoje enfim consegui montar um desenho (como diz o Poeta) bacaninha, charmoso. Por favor me permitam essa ausência momentânea de humildade, mas gostei deveras do resultado. Claro que isso nunquinha seria possível sem o banner maravilhoso do macaco mais generoso da blogosfera.

Vamos combinar que o negócio ficou classudo, heim Lu?

E como se trata de celebração, ainda ganhei um mês depois do aniversário, esse scrap luxuoso feito pela artesã digital, Graça Lacerda.
Hoje estou boba demais, sério!

Segundo Pessoa, “a única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova”.

Bom, construir uma alma nova nem é assim tão fácil. Mas que hoje a minha está bem mais leve, isso com certeza.
Então celebremos.

Celebremos à vida,
ao Sol que hoje está um espetáculo.

Celebremos a musica que ontem foi um bálsamo nas minhas dores d’alma.

Celebremos os amigos que estão juntos ainda que distante,
que nos resgatam de nós mesmos.

Celebremos a sensação de olhar pra dentro de nós e dizer:
Ah, nem tudo está tão ruim assim!

Celebremos ao que ainda estar por vir,
num desenho bonito que podemos fazer do próprio existir.

Celebremos!