quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

OS QUERERES


Inevitável a essa altura do ano as pessoas listarem os seus quereres a fim de assoberbarem o ano que chega sem ao menos o pobre adentrar. Lista-se um tanto de desejos, atribuem-se inúmeras metas a serem cumpridas e põem-se a esperar o moço novo chegar para que as coisas aconteçam.

Mas as coisas, para acontecerem, dependem muito mais de nós, pobres seres confusos, do que do ano novo, que já se apresenta cansado do enorme peso que carrega. Hoje ouvi uma frase que me soou como um verdadeiro tapa com luva de pelica, embora eu já soubesse ser essa a realidade: “Milene, o tempo não para pra esperar que você se decida. As coisas continuam normalmente e você que fica pra trás. Ninguém pode agir por você”...

Sorri com a peculiar “cara lisa” e quase falei que ela não estava me dizendo novidade alguma. Levei vários tapinhas desses, tapinhas necessários.

Então me propus isso. Vou maneirar pro lado do ano novo tão atarefado, vou caminhar devagarinho, sem muitas falsas promessas a mim mesma, mas caminhar. Por que esse meu caminhar fará contente outras pessoas e isso verdadeiramente me motiva. Levanta-te, mulher!

Os meus quereres não se resumem apenas a esse agir a meu favor. São muitos os meus quereres... São clichês, implicando na fundamentalidade dos clichês. Que as pessoas se encham de amor; que a paz se espalhe pelo mundo; que não haja tanta injustiça... E tantos outros desejos sentidos e compartilhados, mas que de forma alguma depende do ano. Depende mesmo das pessoas e aí está o xis da questão... O ser humano é o xis da questão.

Mas deixemos pra lá a desesperança e acreditemos. E lutemos! E percamos os medos, ou pelo menos os tentemos enfrentar. E jamais esqueçamos os quereres no fundo de algum baú. Não é possível viver sem os quereres.

Eu os tenho aos montes. Todos os temos aos montes. Portanto, seja quais forem os nossos quereres, que eles não se percam em meio à correria enlouquecedora do dia-a-dia.

Agora me dêem licença. Tenho que ir ali... Vou ver a imensidão do mar no encontro com o azul do céu, num retrato perfeito... Vou buscar 2011 que vem além do horizonte, ansioso e temeroso com os nossos quereres.

Mas eu volto, eu sempre volto. Teclaremos mais, muito mais. Compartilharemos um tantão de sentimentalidades aqui, ali... Acolá! Compartilharemos.
Um ano novo com um tanto de quereres realizados.

Beijos, meus amores.
E até já!


“Ah, bruta flor do querer.
Ah, bruta flor, bruta flor!”


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O EMBRULHO


De repente ela se percebe novamente tomada por aquele sentimento tão especial, grande demais! Precioso demais! Avassalador! E agora, o que fazer? Nada mais lógico do que pegar tal relíquia e oferecer a quem o causou. Doá-lo a quem na verdade fez transbordar esse sentir tão pulsante ao ponto de não conseguir guardá-lo. Pensou na ideia de embrulhar tudo, fazer um lindo pacote e bater à porta do motivo de sua querência. Ele decerto iria gostar. Toc...Toc...Toc!
- Oi. É vc?
- Oi... Não gostou de me ver?
- Que é isso! Só fiquei surpreso, não avisou que viria. Tudo bem contigo?
- Tudo bem, e com você?
- Estou ótimo. Mas fale aí, o que te trouxe?
- Vim te trazer isso, esse embrulho... Está lindo, concordas?
Ela começava a perceber, surpresa, a total falta de empolgação do sujeito alvo de sua querência. Ele a olhava num contentamento completamente ausente... Parecia que não estava ali de fato.
- É lindo sim. Tu que o fizeste? E do que se trata?
- Ué! Não o reconheces? É o amor... O meu amor. Trouxe-o pra te dar, afinal já te pertence ainda que eu não quisesse. Só queria que soubesses que é realmente teu. Vê, abre... É teu!
- Deve ter dado um tanto de trabalho fazer esse pacote. Tu és mesmo doidinha, menina!
- Nem tanto. Bem sabes que já estava pronto e lindo. Embrulhei apenas como forma de simbolizar o meu sentimento. Mas parece que não curtisses muito a idéia.
- Não é bem assim. Fiquei lisonjeado. Tu és muito carinhosa, meiga... Uma simpatia!
- Xiiiiiiiii... Conheço bem esse papo... Tu és muito carinhosa mas...
- A verdade é que muitas coisas aconteceram, não percebeste? Digamos que encontrei um embrulho que tomou de assalto todos os meus encantos. Tu sabes que essas coisas acontecem além do nosso querer, tu sabes!
- Mas... Pensei que... Eu... Nós...
- Estou usando de toda a minha sinceridade contigo. Nunca te prometi nada... Aliás, não adianta prometer sentimentos, porque eles simplesmente não nos obedecem. Te afirmo: Estou feliz, muito feliz.
- E eu ? O que faço com esse embrulho? Aonde guardo tudo isso? Não sei se consigo...
- Claro que consegue. És forte! Aos poucos vais percebendo o quanto és corajosa. Quero que estejas bem, compreende?
Nesse momento ela já não o escutava. Não queria ouvir tais palavras de gentileza enquanto era conduzida sutilmente à porta de saída. Sentia-se uma vendedora de enciclopédia, tendo sua venda sendo gentilmente negada por alguém que considerava o seu produto incrível, mas não poderia adquirir naquele momento. Quis sair dali correndo, sem rumo, desvairada... Apenas correndo feito Forrest Gump, sem bagagem, sem embrulho... Queria mesmo era que o maldito embrulho que não era bom o bastante se fragmentasse em minúsculas partículas irrecuperáveis a cada passo sem rumo que dava. Correria até se deixar cair. Até cansar de tanto soluçar, esgotar sua última lágrima... E nesse momento perceberia que era hora de trilhar o caminho de volta... Haveria de caminhar lentamente de volta a si mesma.


domingo, 26 de dezembro de 2010

CARTA PARA SIMONE



Arapiraca, 26 de dezembro de 2010.

Bem tentei pensar, repensar, esmiuçar os porquês... Desisti, confesso. Ultimamente tenho praticado um tanto a conjugação do verbo desistir... A vida definitivamente nos conduz, nos deixamos levar, ou escolhemos... Sei lá!

Só sei que quando nos damos conta a trilha foi feita e nem sempre a contento de todo mundo.

Mas o assunto aqui é o seu aniversário... A impessoalidade que você acha bacana, sabe bem que não consigo fazer uso, nem adianta tentar. E o que falaria sobre o seu talento gigante como moça das letras? É sabido. Seria redundante. Ter amizade por alguém, valorizar ao extremo essa amizade já é muito bom e quando aliamos a isso o quesito admiração, então tudo fica ainda mais especial. E minha admiração por ti continua intocável, crescente eu diria. A convicção como aborda os temas, teus comentários com embasamento, jamais palavras ao vento... Bem sabes.

Mas o assunto continua sendo o seu aniversário. E no seu Natal, como diz Regina, é momento de concentrar em ti todas as energias, os melhores sentimentos e desejos. Bem sabes...

E os sonhos, que jamais adormeçam. Que venha o Café, ainda que eu jamais esteja presente por questões de logística... Ainda assim ficarei daqui feliz quando isso acontecer. E novos amigos estarão presentes alternando nas apresentações com o Poeta. Será mágico!

E que teus filhos continuem teus cúmplices, amigos acima de tudo, companheiros de todos os passos. Não me canso de olhar João, sem jamais vê-lo, mas o vejo através do teu amor, que o faz tão especial. Ou é o jeito especial dele que te faz tanto amor? 

E a amizade... Ah, a amizade! Que seja eterna enquanto dure? Que seja eterna... Apenas eterna. 

Sê alegre, Simone Fernandes...
Esteja feliz sempre que possível!

Beijos...




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O PACTO


Me propôs um pacto. Falou pra pensarmos em algo simples que pudéssemos cumprir até dezembro de 2011. 
- Tenho que cortar o dedo? Por que aí eu tô forinha da silva. 
- Não! Um fio de bigode já serve... - Respondeu o engraçadinho às gargalhadas. 
- Ah, sim! Melhorou bastante! Pegarei um fio de bigode emprestado afim de consolidar o proposto. 
Fizemos o pacto, eu e ele. Um pacto de AMIZADE, de cumplicidade para esse ano que chega. Um pacto que nem era necessário, pois já o tínhamos apesar de nunca firmado. Quando nem nos dávamos conta, já éramos fundamentais um na vida do outro pra ficarmos bem. Ele me joga suas angústias, suas inquietações e eu retribuo lhe dando as minhas com um tanto de carga dramática a qual o moço já conhece. Dividimos tudo. Nos acolhemos. Nos ajudamos a recolher os fragmentos de nossas desilusões. Rimos muito do quanto somos tolos e patéticos. Compreendemo-nos mutuamente por sermos tão parecidos. Somos melhores e mais fortes por estarmos próximos, de coração estamos próximos. Percebemos que o elo se tornou forte demais e como gostamos disso! Ah, sobre o pacto... Me disse ele:
- Promete estar comigo apesar da minha insanidade?
- E não tem sido assim?
- Então esse é o pacto. Estaremos um ao lado do outro não importa o grau de insanidade. Quanto mais insanos mais próximos...
- Fechado!
Difícil saber qual dos dois é mais desassossegado. Mas sabemos... Estaremos juntos porque somos mais fortes assim, nos protegemos de nossa própria atração à loucura. Por que temos uma amizade que se tornou tão intensa e linda que me emociona.
- Tenha um ano novo feliz, Milene. Tô mandando!
- Você também, Luck! Trate de me obedecer... Sabe bem a peste que sou quando tô brava!
- E sou besta em te desobedecer?
- É bom mesmo...

Eu só queria brindar à amizade e dizer do quanto ela pode ser especial.

Ah, é Natal... Tudo já foi dito sobre o Natal. 
Que o AMOR e AMIZADE sejam constantes. Que venham em tamanha quantidade sem jamais nos exaurirem. Que tenhamos respeito e tolerância. Que sejamos alegres e felizes, bem como nos receitou a doutora do Divã. Que vivamos!

Vamos brindar à AMIZADE?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

AS PALAVRAS


Havia um amigo, o Patrick... Congolês legítimo. Ele tinha medo das minhas palavras escritas. Falava que era completamente diferente me ouvir e me ler. Minhas palavras faladas eram doces e as escritas rudes. Sempre ficava confusa com tal afirmação, pois eram as mesmíssimas palavras... Quem sabe o fato dele me recitar poemas em francês, embora eu não compreendesse bulhufas, tornasse a minha voz mais suave ao fone. Talvez esse fosse o truque pra adocicar o azedume de alma minha?

A bem da verdade, acho que as pessoas, os leitores, dão as palavras escritas o peso que querem dar. Tantas vezes recebo respostas dessas tais palavras, num tom de mágoa como se houvesse proferido um soco na boca do estômago de alguém e na maioria absoluta nem foi essa a intenção. Foram apenas palavras e essa minha mania de esmiuçar as coisas. Talvez eu deva parar de tanto esmiuçar as coisas e deixarem-nas acontecerem, simplesmente.

Na minha última postagem devo ter causado uma impressão equivocada acerca de minhas considerações sobre o Natal. Nada ali representa o que eu não penso, em absoluto! Mas à primeira leitura pode dar a entender que passo o período de festas natalinas e afins deprimida, com raiva do mundo que está feliz quando tantas pessoas estão tristes e famintas. Não! Nunca! Meus sentimentos não são diferentes dos de ninguém, de vez em quando consigo seguir o raciocínio comum. Eu só quis dizer que lamento que todos se encham tanto de bons desejos, boas energias e elas se esvaiam tão cedo, assim que começa o ano e tudo volta a ser como sempre, no estilo “sai da frente senão eu te atropelo”.

Eu lamento sim pela humanidade e não me considero hipócrita por isso, ainda que reconheça as minhas culpas... E reconhecer as culpas pode me fazer ser uma pessoa um tantinho melhor.

Amanhã não vou estar em casa trancafiada dentro de mim mesma, vou sair, passear, estar com minha família e amigos, coisa que amo fazer a qualquer dia do ano... Mas se será no Natal, que bom! Vou dar um sossega leão na Vê e mandá-la às favas só um pouquinho, vou beber sim! Eu não culparia o Natal pelo que por (des)ventura não tiver dado certo pra mim... Mas eu lamento sim! Por um bom tempo sei que ainda vou lamentar, embora isso não me impeça de seguir.

E também como todo mundo, me vejo cheia de planos pro ano vindouro. Quero que coisas determinantes me aconteçam. Preciso que elas aconteçam. E farei o máximo pra não atrapalhar minha própria sorte, porque sou cátedra nisso. Está pulsante em mim o desejo de voltar a estudar e não quero que se apague... Mas a firmeza dos meus planos tem a força de um sopro, quase sempre. Quem sabe dessa vez faço diferente... Quem sabe!


Não é possível finalizar essa postagem sem me render em encantos, agradecimentos e tanto carinho pelo que Rodolfo, o bruxo cujo poder de magia atinge inevitavelmente a quem o conhece, me proporcionou em sua postagem PASSEIO. Por favor, nos acompanhem na viagem mais bacana que se teve notícia. Repito aqui um tanto do que lhe falei em coment: Me comoveu tua atitude em enviar-nos emails sugerindo que fôssemos ao Altar de São Francisco acender velinhas virtuais, pois o Tatto iria gostar. Fizeste isso apenas pra que um amigo se sentisse melhor... Fizeste pelo outro, pura e simplesmente. Sei da indelicadeza em tornar isso público, mas achei a coisa mais linda do mundo. Você sim é o Natal, bruxo querido. Verdadeiramente e constantemente o Natal. E se não houvessem outros motivos de agradecimento ao ano que se vai, merecer a amizade e o cuidado de alguém como você, já seria motivo o bastante pra isso. 


Abaixo, a singeleza encantadora do poema que mereci. Roubei do Sete Ramos sem ao menos lhe pedir permissão... Prenda-me se for capaz!


PARA MEMEM

Da rosa roubaste a cor,
Da violeta, o perfume;
Em nós despertaste amor
E um pouquinho de ciúme.

Um Principezinho amável
Já disse, em palavras vivas:
"Serás sempre responsável
Por aquilo que cativas."

Tantos corações roubaste,
Tantos risos há agora,
De alegria e emoções;

A todos nós cativaste
E a inquietude hoje mora
Dentro de mil corações.

(Rodolfo Barcellos)



Obrigada por tanto, moço!

E que tenhamos todos um Natal esplendoroso.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SOBRE QUASE NADA


Acometida de uma bisurdês desinspirativa (Regina que pense que só ela cria vocabulário por aqui), havia me proposto um recesso nas postagens... Faltava o que dizer.

Mas saracoteando por aí me deparei com o Rike, de novo ele, trazendo à tona minha vaidade tímida, citando minhas tolas palavras entre as coisas bacanas que leu durante o ano que se vai. Acho essa atitude de um carinho e cuidado extremos, ter todo esse trabalho de pesquisa, garimpar textos remotos dos amigos e prestigiar. Louvável, Rike, louvável! Obrigada por ter incluído o meu despretensioso BRINDEMOS na sua lista.

Assim sendo, me pus a escolher um tema para construção da postagem. Mas como escolher se é tão óbvio, Milene? Fale sobre o Natal, ordenei-me. É momento para isso, para se falar do amor, dos desejos, perspectivas e planos a se realizar com a conivência e companhia do moço que já se encontra na soleira da porta, o tal 2011.

Nem é assim tão difícil discorrer sobre o tema. Todos temos tais anseios. Todos queremos. Só não tenho lá a certeza de que todos buscamos... Buscamos?

Me remeti à época em que falei educadamente ao Papai Noel que ele se dirigisse às favas, pois a mim me era indiferente... Envolta em meus infantis pensamentos lhe disse que parasse de cantar aquela música mentirosa em que se diz “seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem”... Que é isso? Que história é essa, bom e mentiroso velhinho? Tem noção de quantas crianças jamais sentiram sua presença mais rosada do que euzinha e de quantas jamais verão? Mas devo te agradecer porque me fizeste desenvolver desde cedo uma certa consciência acerca das injustiças sociais. És um capitalista inveterado, Papai Noel dos outros! Há muito deixei de te esperar, pois tu só vinhas pras crianças lá da casa aonde minha mãe lavava e passava roupa. Sem ressentimentos, segue aí tua vida de fantasia...

Como é perceptível, postar sobre o Natal não é uma boa opção para essa que cá escreve. Penso principalmente em todas as coisas que se promete e tem curtíssima duração, uns 8 a 9 dias pra ser mais precisa. Então apartir de 01 de janeiro, tudo como antes...

Vamos lá, Milene! Chega de pessimismo! O ano novo sempre vem transbordando de energia e esperança, vista-se delas e siga, mulher!

Me vestirei então de um otimismo eufórico e pensarei que esse ano as coisas serão sim diferentes. Haveremos de praticar o que freneticamente discursamos nas tantas celebrações de fim de ano. Seremos tolerantes e usaremos de empatia para com o outro. Harmonizaremos. Nos espantaremos com as mesquinharias que pateticamente nos acostumamos a achar normal. Repensaremos nossas atitudes de fato. Sentiremos muito e isso não será sinal de fraqueza, apenas sinal de humanidade, percebendo que ser humano implica na convivência com erros e acertos, num ir e vir incessante. Não mataremos mais em nome de um suposto amor à Deus, amor ao time do coração, amor... Não mataremos! Se essa máxima houvesse sido praticada antes, eu provavelmente não teria quase presenciado um assassinato em frente a minha casa, por um motivo que não se sabe, cometido por quem não se viu, fazendo 03 filhos órfãos e uma família com o seu mais triste Natal. Mas agora será diferente... Não mataremos! Dissiparemos quaisquer indícios de corrupção, ganância e tantos outros sentimentos e atitudes que causam feridas expostas e até então incuráveis nas sociedades por esse mundão sem porteira. Acharemos absurdo que alguém durma com fome, que países inteiros vivam na mais absoluta miséria e isso será também problema nosso. Seremos conscientes. Compreenderemos que o que acontece na nossa casa, na nossa rua, no bairro, cidade... Temos muito a ver com isso.

Definitivamente, teremos um ano diferente...

Pra não finalizar esse texto como uma desalmada, cuja ausência de clima natalino é gritante, me rendo comovida ao texto do Tatto, coisa mais linda de mim, meu amigo querido, sobre o Papai Noel de verdade que ele teve o prazer de ver e conviver. É lindo de ler e saber... O macaco tem em si tanta sensibilidade e insiste em ocultar. Então quando libera os sentimentos doídos e contidos, é emoção na certa.

Meus kandandos a todos, que tanta paz se faça presente. Que tanto amor seja constante...

sábado, 18 de dezembro de 2010

RUDOLPH E A BRUXINHA

Rudolph andava triste. O Natal estaria a qualquer momento batendo à porta e não conseguia tirar de si a angústia herdada pelos redemoinhos enfrentados nos últimos tempos, em que teve que se vestir de uma armadura a qual nem ele próprio se achava capaz de fazer uso com tanta coragem e segurança. Havia sido necessário. Era preciso enfrentar sem se permitir desabar. Mas agora que tudo acabara, que fizera o possível para evitar o fim, percebeu-se sem ânimo, sem vontade de seguir.

Envolto em seus pensamentos, sob a nuvem negra que insistia em não abandoná-lo, mal pode perceber a aproximação silenciosa de alguém que o observava um tanto à distância. Deu-se conta que havia quem o espiasse e pôs-se a esperar... Era um menina. Uma menina, não! Uma bruxinha! Mas não tão simples assim... Uma bruxinha carregando duas muletas a cada passo.

- Olá! – Falou a menina bruxinha, com sorriso um tanto tímido.
- Oi. – Respondeu Rudolph, sem entusiasmo algum.
- O que fazes aqui tão cabisbaixo? Por que estás triste?
- São problemas de adulto, menina... Tu não compreenderias!
- Como podes garantir? Não quer tentar? Pelo menos te ouvir eu sei que posso.
- Estou triste sim, bem observasses. Perdi há pouco alguém que muito amava e está sendo difícil essa minha nova realidade. Mesmo tentando, não consigo levantar, compreendes?
- Claro que compreendo. Como te chamas?
- Rudolph. E tu, como te chamas?  Pareces uma bruxinha... Mas bruxinhas não existem de fato, fazem parte do nosso imaginário.

A menina bruxinha pôs-se a rir, um riso aberto e alto, que lhe fazia apertar os olhinhos, despertando assim um certo ar de descontração em Rudolph. Fazia-lhe bem vê-la sorrindo, ainda que não soubesse explicar o porquê.

- Chamo-me Enelim! E sim, sou uma bruxinha... Mas não temas, existem bruxinhas boas, acredites. Mas não te sintas assim tão seguro, bruxinhas boas, ainda assim são bruxinhas...

Falava num tom de pura brincadeira, divertindo-se com o ar de surpresa do moço ao ouvir sua confirmação. Por um momento ele pensou tratar-se apenas de fantasia para alguma festa infantil.

- E o que houve com tua perninha, porque usas essas muletas?
- Ah... Às vezes as poções mágicas dão um tantinho errado. Acho que faltou um ingrediente lá que ninguém achou tão importante, aí deu nisso. Preciso de muletinhas pra me fazerem caminhar. Mas eu caminho, isso que importa, né?
- É sim! – Respondeu encantado com a espontaneidade da menina que se dizia bruxinha.
- Sabe, Rudolph. Você falou que perdeu alguém que amava muito, e essa pessoa também devia ter muito amor por ti... Estou certa?
- Estás certa. Ela foi, comigo, a minha própria vida. Minha companheira, cúmplice. Nada haveria sido sem ela.
- Que bonito isso... Quando eu crescer quero ter um bruxinho que me diga coisas assim. Que fui com ele sua própria vida... Mas Rudolph... E as outras pessoas? Como elas estão?
- Muito tristes também... E ainda mais por me veem assim.
- Elas precisam de ti, eu suponho... Devem pensar que tu existe pra que elas não se sintam tão desamparadas. Mas estás que é desamparo só!
- Por que não tentas fazer uma magia pra que eu me sinta melhor? Vês essa nuvem sobre minha cabeça? Afasta-a de mim, te imploro! Não és bruxa? Prova-me!



- Então vem cá antes de irmos. Posso dar-te um abraço?
- Ah... Como sabes que adoro abraço? Acho que és bruxo também! 

Dessa vez as gargalhadas de ambos ecoaram, fazendo a nuvem negra acelerar seu des A menina pôs-se a rir novamente, deixando-o um tanto aborrecido.

- Ora! Estás a chacotear da minha tristeza? Mas que raios de bruxinha boa és tu?
- Não ri de ti! Apenas da confusão que fazes a pensar que careces de alguma magia a te fazer sentir melhor. Não precisas disso! O que procuras esta aí, bem dentro do teu coração... Olha a ti mesmo! Percebe o tanto de amor que tens e quantas pessoas nesse momento querem senti-lo, sentir teu abraço e aconchego. Aí te encherás da mesma coragem que tivesses durante os momentos em que não pudesses chorar, apenas ser forte. Agora podes chorar! Mas só isso não basta... Sei que ela, aquela que foi tua vida, estará bem mais tranquila sabendo que aqui estás a cuidar das outras pessoas que também choram, e elas a cuidarem de ti.
- Engraçado! A nuvem negra foi-se. Foi como se tu tivesses lançado-lhe um feitiço involuntário... Enquanto falavas ela deve ter se sentido constrangida e partiu... Sinto-me mesmo melhor. Acho que já posso voltar a caminhar. Preciso ir pra casa, bruxinha, o Natal está para chegar.
- Também tenho que ir para casa. Bruxinhos gostam do Natal, sabia?

Rudolph sorriu enternecido com a firmeza inocente da menina.
aparecimento, enquanto davam-se um abraço cheio de ternura... Nunca mais ouviu-se falar nelas por essas bandas.


Texto: Milene Lima
Imagens: Rodolfo Barcellos




EM TEMPO: ESSAS IMAGENS ME FORAM ENVIADAS PELO RODOLFO, PRA QUE EU AS USASSE DA FORMA QUE QUISESSE. HÁ UM TEMPO ESTAVAM GUARDADAS, JAMAIS ESQUECIDAS. ARRISQUEI ESSA HISTORINHA, COM MINHA PECULIAR INSEGURANÇA... SALIENTO QUE NÃO É UMA ALUSÃO A COMO ELE SE SENTE EM VIRTUDE DO QUE LHE ACONTECEU, ELE NÃO ANDA PRECISANDO DE MAGIA A FAZÊ-LO SENTIR MELHOR. SÃO APENAS PALAVRAS... UMA TENTATIVA DE DIZER O QUANTO SUA AMIZADE ME É CARA E DO QUANTO DESEJO SEU BEM ESTAR, SEMPRE!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SEM RIMA (SEM RUMO)


Não sou canção
Não percebo a métrica da poesia
Não inspiro poemas
Não sou tanto
Ou quase nada
Sem lirismo
Sem assunto
Sem bom senso
A loucura é minha opção
Escolhi a amargura
Simplesmente respirar
Sem buscar obviedades
Nas coisas
Ou sentimentos
Tudo ficou tão surreal
Percebo o paradoxo de amar o impossível
Como é possível?      



Por : Luck e Milene




Frases colhidas apartir de um papo entre dois amigos, inquietos irrecuperáveis, que abrem suas almas um ao outro sem cortina alguma... Fazem mais fácil o seu caminhar porque estão um ao lado do outro, ainda que distantes. Surreal! O papo foi promovido à frases arrumadinhas sem que ele soubesse... Oxalá o resultado o contente.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O TAPETE ROSADO

Ansiosa, esperava a irmã para pegarem a estrada. Achava um desrespeito atrasar para o almoço, todos os esperavam e lá os horários das refeições são cumpridos, senão religiosamente, ao menos dentro de um atraso tolerável. Parecia que nunca havia ido ao sítio, aquele lugar que guardava tantos momentos mágicos de sua infância e adolescência. Tantas promessas de visita fizera à prima, quando da vinda dessa de Maceió para os fins de semana na casa da mãe... Promessas jamais cumpridas, sempre proteladas. Custava a se permitir levantar da bendita poltrona confortável e não podia reclamar por ninguém acreditar que dessa vez iria de fato. Agora era diferente, queria ir... Precisava aquietar o seu desassossego. Quinze minutos após saírem de casa chegaram ao destino, Sítio Cadoz. O cunhado gosta de pensar que é piloto de uma dessas Fórmulas por aí e se recusa a praticar o verbo desacelerar, sob protestos dos demais passageiros, a irmã e a tia. Até acha bacana a adrenalina, mas se contém para que o moço não se empolgue ainda mais ao volante. Os ares da zona rural se pintam diferentes, isso é fato! O lugarzinho até que vem incorporando tons de progresso mas mantém o encantamento do interior, o bucolismo, a tranquilidade e paz que, apesar das vozes alegres a se encontrarem, a euforia das crianças a correrem livres como a voar feitos pássaros libertos, ainda assim em nada lembra o vai-e-vem ensurdecedor da cidade. O almoço, como era previsível, foi numa descontração só. A deliciosa galinha de capoeira à mesa estava deveras convidativa. preparada sob as mãos mágicas da mãe e tia, a dona da casa, a senhora meiga dos olhinhos infantis, tão acolhedora que não cabe em si tanto mimo aos que chegam. A prima se enche de orgulho em dizer que especialmente hoje as duas foram coadjuvantes no preparo do almoço, ela sim havia preparado as delícias. Tudo conspirava a favor. Até a Vê, sua implacável fiscal de saúde, afrouxou um pouco o nó e nem lhe cobrou os excessos da gula e a cerveja, a qual não resistiu em bebericar num momento ou outro. Lembrou-se de comentar sobre o que havia visto na sua chegada, uma árvore com um imenso tapete rosa formando no chão o desenho de sua copa. A prima falou em meio ao seu sorriso de menina, olhinhos pequenos da cor do céu: “Tá vendo aquele tapete rosa? Coloquei até a poltrona lá pra você”, falou num tom de carinho e zelo comoventes. E lá estava o sofá bem embaixo da árvore, numa sombra maravilhosa, o que a fez lembrar do mormaço cruel que havia deixado na cidade. Aquela sim era uma poltrona aonde se deveria sentar sem remorso algum, sentindo o vento na cara, admirando aquele visual de uma beleza surreal, se não visto ali, de pertinho, confirmando o quanto a natureza pode ser mágica. Era um pé de jambo. esplêndido, frondoso. Em todos esses anos que visitava o lugar, não havia ainda presenciado essa aquarela pintada pela natureza. Encantador! As horas se passaram perfeitas. E a noite chegou sem que alguém se animasse a abandonar o lugar. A noite, na intensidade do seu escuro, não permitia mais a vizualização do tapete e mesmo assim continuavam ali as vozes alegres, as gargalhadas incontidas... Mas a vida é urgente... Havia-se de ir embora, com a promessa de não demorar tanto a próxima visita Numa tarde de sábado de um verão qualquer... Sobre o tapete rosado.



AQUARELA EM FLORES


TAPETE ROSA-CHOQUE


ELAS CAEM... E FAZEM UMA LINDA PINTURA...


UM TANTO DE AMOR INCONTIDO (É A TERCEIRA VEZ QUE ESCREVO ESSA LEGENDA PRA ESSA IMAGEM - REAFIRMANDO)

A PRIMA, A PROTETORA, A MOLECA DOS OLHOS AZUIS-ESVERDEADOS FEITO O MAR DAS ALAGOAS

EU NÃO MATEI O BATMAN, APENAS FOTOGRAFEI...


MEU PRIMO ME DISSE SOBRE A ORIGEM DESSA MOÇA BRANCA, MAS ESQUECI...

ADOREI! FOI AMOR À PRIMEIRA ESPIADA, MAS O SERELEPE FUGIU DO MEU FLASH... CIDA QUE O FOTOGRAFOU NO DIA SEGUINTE

VÁRIOS QUEIXOS... É PRECISO TER MUITOS QUEIXOS PRA ENCARAR A VIDA DE FRENTE...

sábado, 11 de dezembro de 2010

MEU INQUIETO CANTO - PRIMEIRO ANO

Arapiraca, 12 dedezembro de 2010.
Mimo do TATTO - bacaninha se quiserem levar.

Parece que foi ontem. Estacionei nesse canto minha inquietude trazida num fusquinha envenenado – os amigos mais antigos lembrarão do meu layout com o fusquinha indo, não se sabe pra onde, como se estivesse a me levar por aí, a me descobrir. E nessas andanças me deparei com esse mundo de proporções imensuráveis que é a blogosfera.

Quando criei o Inquietude jamais pensei que as pessoas viriam e muito menos que me seguriam... Por que haveriam de me seguir? E hoje tem esse tantão de gente a florir e colorir. Deveras bacaninha! A bem da verdade me importo muito pouco com essa questão de números de seguidores. Aliás me importo nada! Sei perfeitamente que a maioria desses sequer leu uma palavra do meu abobrinhês.

Imagem gentillmente roubada do Google, usada como banner por longo tempo.

Esses dias, proseando com aquele sujeito homem que se percebe macaco, ele lançou uma frase tipo “vocês que são escritores”... Vocês quem, cara pálida? Euzinha não! Recuso o título, embora me envaideça pela analogia. De forma alguma é falsa modéstia, como bem me defendeu o Rudolph. A questão é que ser escritor requer um tanto de inspiração, talento e responsabilidade num grau que jamais possuirei. Li um comentário da Lu no Nota Preta, em que ela dizia que escrever não é um ato de empilhar palavras... Concordo plenamente! Nesse papo com o macaco lhe respondi que sou apenas uma pessoa que fala pra caramba e acostumou-se a anotar suas falas. Simples assim! Fui mordida pelo bichinho do bobagear, é bom pra dedéu! Claro que não me faço de rogada e me permito presunçar só um pouquinho quando alguém cita um texto meu entre os 10 melhores que leu no ano – ao Rike, obrigada um milhao de vezes – mas essa presunção logo se vai, deixando fluir  o bom senso que às vezes consigo fazer uso.


O que move nesse enorme mundo sem abraço é poder estar aqui a conversar... E como conversamos! Nos sentamos aqui nas almofadas grandes e coloridas enquanto o tempo segue num passar agradável. E é sempre incrível quando me dizem afagos. Quando riem comigo. Quando deixam vermelhinhas as pontas de minhas orelhas com seus puxões de cuidado. E abrem as portas de suas vidas pra que eu possa entrar. Me juram amor... Fazem mais constantes os meus fragmentos de felicidade.

É fácil concluir, portanto, que nada verdadeiramente valeria apena se não fossem vossas presenças a me borrifarem tanto bem querer. Não posso me furtar em dizer um gigantesco OBRIAGADA (pagarei os royalts, Regina) pela companhia e amizade que muitas vezes me peguei a imaginar o porquê... Eu, ser espiritualmente marginal, me sinto assim abençoada, como o sou em tantas outras situações.

Em virtude da ocasião especial, fui presenteada pelo moço da floresta, aquele cujo sobrenome bem poderia ser generosidade, com a linda imagem a abrir a postagem. É claro que ficaria imensamente feliz em me deparar com ela pendurada em alguma sala de estar blogosfera afora. Mas é igualmente óbvio que a vida continuará caminhando normalmente se isso não acontecer. Bem que ensaiei um drama carregado mas em boa hora desisti. Chega de dramas, chega! Sintam-se à vontade para pegá-lo... Ou não!

Meu texto certamente estaria mais ‘fofo’ e no melhor estilo bajulativo, mas hoje não vou lhes mentir um sorriso, embora esteja feliz em poder compartilhar esse dia com vocês, embora sejam a causa maior de tudo... Não posso lhes mentir.... Não posso!
De tudo, devo dizer com todo o amor que guardo em mim:




terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PARA LOIS E RIKE

Hoje eu me permito. Dei um passo adiante, pequeno, para recomeçar algo que havia estacionado na minha vida. Contenham sua curiosidade, é assunto pra depois. Só peço que torçam por mim, torçam por essa vossa amiga escritora de asneiras que anda carregando na acidez em palavras e atitudes, magoando (Regina agora me bate), se magoando, mas buscando incansável o equilíbrio, o acertar em contraponto com tanto (des)acertar.
Mas hoje me permito falar aqui... Ah, uso sim o verbo “falar” porque é como se estivéssemos numa imensa sala de estar (eu já pensava isso, aí o Poeta fez esse comentário no Relicário... é como vejo também), com enormes almofadas espalhadas e sentados conversamos espontaneamente sobre tudo: dores, amores, alegrias, fantasmas, enfim, sobre o quanto somos humanos. Mas acho que almofadas pelo chão não é tendência, como diria Simone.
Havia pensado em desacelerar um pouco as postagens, dar um descanso a vossos olhos generosos, enfim. Mas sou desassossegada por demais, misericórdia! A impulsividade chegou em mim e extasiou, não quis mais ir pra lugar algum. Na distribuição da ansiedade, passei umas 487 vezes na fila. Peguei quase tudo pra mim!

Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, parei no Blog do Rike e qual não foi  minha surpresa quando li sua postagem, indicando os dez melhores posts que eles (não sei mais quem leu com ele) leram durante esse ano e lá estava nada mais nada menos que euzinha  logo no início da citação. Imagino que não tenha havido uma ordem na listagem dos posts, mas de qualquer forma me senti lá, encabeçando a lista. Caramba! Ele escreveu que a escolha foi puramente por questão de ter gostado do que leu, dando de ombros pra os blogs mais populares, ou coisas que bombaram na net. O meu texto, SOBRE SER DIFERENTE, é bem do início do Inquietude, cheio de errinhos de gramática. Tive até que consertar coisinhas, mas não mudei a essência, está tudinho lá. E nele desnudei meus fantasmas, frustrações, um tanto de coragem ainda que eu não admita. É a minha verdade, a qual eu não precisaria jamais falar e ninguém saberia. Acontece que aqui eu sou eu mesma... Patética conclusão, coisa de quem assiste reality show demais. E a intenção em falar sobre minha (d)eficiência foi apenas a de fazer as pessoas conhecerem um tanto de mim.
São coisas assim, atitudes como a do Rike que faz isso ser bacana. Alguém ter o trabalho de vasculhar outros cantos em busca de postagens interessantes, é de uma generosidade ímpar! E eu nem o conhecia na época. E ele foi lá esmiuçar e trouxe do fundo do baú a minha história. Ah, passaria horas aqui a dizer obrigada. Justo ele que tantas vezes me fez chorar de rir com tantas maluquices, hoje me emocionou muito com seu gesto.


Outro motivo pra meu Blog se rebelar e querer postar apesar da minha intenção de quietação foi a Miss Lois_Lane. A moça encasquetou que vai apagar as luzes do seu canto e eu sei que não é frescura, conheço seus motivos mas mesmo assim quero bater nela. Loisane é uma das pessoas com o astral mais bacana dessa maluca blogosfera. Espirituosa, embora geniosa, é daquelas pessoas que nos encanta rapidamente. Sem pretensão alguma a não ser de ter amigos junto de si, encara esse negócio um pouco como eu, sem se levar a sério demais, se se exigir demais,  na total descontração. Mas agora ela está triste e quer ir embora. Está machucadinha, eu sei.
queria falar pra namorada do Superman que isso aqui vai ficar menos alegre sem as palhaçadas dela e que... Loisane, você realmente importa!

Portanto, não ouse ir embora! Trate de levar muito a sério as minhas ameaças... Se oriente, garota!

Aos amigos não me canso de falar jamais.
Rike e Lois, obrigada por estarem comigo por aqui.
Beijos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PINGOS DE AMOR



Sujeito ímpar! Vadio, boêmio, maloqueiro, bonachão, gente boa pra caramba! Desde cedo começou a travar grandes embates com o pai em virtude desse seu comportamento porra-louca, o que implicava em pouca responsabilidade em casa, já que era o primogênito. Mas para ele não havia regras. ou melhor, o grande barato era transgredi-las. Casou-se aos 17 anos com uma guria de 14, casou “apuço”, porque desonrou a donzela. E como era de se esperar, pouco durou esse casamento. Não deixou nem por um segundo sua vida de boemia. Não amava a guria. Amava a vida, os prazeres que foi descobrindo a cada dia, entre eles a bebida, causadora principal dos seus embates com o pai. Era daqueles, bebia, chegava a casa sabe-se lá que horas, ouvia todos os impropérios do seu genitor, abria um sorriso encantadoramente cara-de-pau e ia dormir. Em tempos em que alta tecnologia resumia-se em poder ligar pra longe usando fichas em orelhões, era um designer quando nem se sabia o que isso significava. Pintava letreiros, faixas, cartazes em supermercado. Todas as funções que o computador se encarregou de desempenhar ao passar dos anos.

Numa dessas inúmeras situações de vadiagem, sofreu um acidente sério, o carro em que vinha com mais dois amigos capotou e ele foi o único a ter graves lesões na cabeça. Todos diziam: se escapar dessa, não morre mais! No hospital as moçoilas se alternavam incessantemente olhares ressabiados de uma pra outra, como se querendo descobrir quem de fato era a namorada oficial.  Eu dizia: Aquela minha amiga lá da escola, aquela morena, disse que é tua namorada. Ele replicava: minha??? Bom, ela deve me namorar, mas eu não a namoro não. To soltinho! E não era bonito o sujeito! Mas tinha lá aquele sorriso despudorado, um carisma incomparável e agradava bastante o público feminino. Na volta pra casa, toda a família estava convicta de que agora o cabra se aprumava, impossível que não houvesse  aprendido a lição. Ledo engano! Logo o pai teve que sair furioso à caça do sujeito, que estava a passear nos cabarés, seu reduto preferido, a desfilar a cabeça inchada e toda enfaixada. Escapou de levar uma baita surra. Herdou do pai o carisma e sedução que em nada se relacionava à beleza física. O pai,  aquele seu companheiro de embates, e que de certa forma foi responsável pela sua ida pra Recife, aonde foi tentar a vida, buscar novos horizontes. Uma vez, numa de suas raras visitas depois de estar morando lá, apareceu com um Black Power estilosíssimo, porém, um pouco além do tolerável pra os costumes da época. Logo ouviu-se de Seu Luís: Aqui na minha casa ele só entra se cortar esse cabelo! Tá decidido! Voltou pra Recife sem que os dois se vissem, pois não abriu mão do look provocador.

Certa vez recebi uma carta sua, se derramando em amores por mim, como era o costume, afinal eu era a sua bonequinha galega. Disse que qualquer dia viria me buscar pra passar férias com ele e iríamos passear muito. Escrevi uma cartinha pra lhe responder, mas qual não foi minha decepção quando a tal missiva retornou, constava o CEP errado. Me entristeci com medo dele achar que eu não mais o amava... Que tola! Sei que não pensou isso de mim, não desacreditou do meu amor por um segundo! Me amou até o último instante...

Numa manhã de janeiro do ano de 1984, acordo com minha mãe aos pés de minha cama, trazendo consigo um olhar penoso e antes mesmo que eu perguntasse o porque ela estava a me acordar, foi logo dizendo: Filha, seu irmão ouviu no rádio agora, o Niraldo está morto!

Ele estava morto! Eu chorei... Eu chorei! Mas não acreditei! Ele não morreria lá, sozinho, sem ninguém pra o socorrer... Ele não faria isso comigo! Tá errado isso, mãe! Não dá pra acreditar em notícias de rádio!

Mas era sim verdade. Ele havia sido assassinado em circunstâncias que até hoje não se sabe bem quais foram. Uma moça, sua amiga, conseguiu ligar pra uma rádio daqui da cidade na tentativa de que a família escutasse. E seguiram pra Recife meu pai, um dos meus irmãos, um tio e um amigo dele. Pedi ao meu pai que o trouxesse pra casa, mas sabia que era impossível. Não tínhamos grana. Apenas essas 4 pessoas se despediriam de um cara que foi popular como poucos, que agregava, atraía a atenção por onde passava. Estava com ar de riso ele, falou meu pai, sem esconder o nó na garganta ao contar como foi chegar num necrotério de um lugar que não é seu e se deparar com o filho morto, jogado no chão, coberto por um saco preto.

Aqui, a casa ficou cheia, muita gente veio nos abraçar e chorar, incrédulos e tristes.
Durante muito tempo esperei que ele viesse, à noite, me dizer que era tudo um grande engano, que estava bem e pra eu parar de me sentir culpada pela carta que jamais havia chegado. Esperei, chamei tanto que no meu sonho ele veio, com sua habitual alegria e o sorriso que só significava coisa boa.

Ainda hoje me pego pensando em como seria se a carta tivesse chegado. Eu nem ia mais querer saber da boneca que chora, pedido interesseiro que seguiria junto com o tanto de amor a lhe enviar. Só queria saber que ele teria me doado lá de longe o seu sorriso... E teria certeza de que o amava... Eu o amava muito!

Até hoje qualquer um de nós ao ouvir casualmente essa música fala rapidamente: A música do NIraldo!

E o mais bacana é que o Paulo Diniz  está a cara dele na imagem...

Beijos a todos!