sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PALAVREANDO



Queres estar melhor desta angústia? Então vai lá, escreve! Deita teus dedos sobre o lápis, segura-o com carinho e ele te mostrará as palavras, tão cúmplices, companheiras dos momentos mais nefastos.
Às palavras se recorre quando tudo parece imensuravelmente ruim, escuro, um labirinto de saída inimaginável. Então elas veem e fazem tudo ficar suportável... Respira-se melhor depois de lançá-las, gritá-las no papel, fazê-las comporem lindos dizeres de bem querência, ou raivosos desabafos e desaforos. 
Vê, há palavras em todas as nuances: as duras, que magoam e fazem chorar. As de amor, que afagam, acolhem e fazem alentar o coração. Diz-se por aí que uma vez lançadas, são feito flechas, não existe retorno, por isso se faz necessário ter cautela antes de proferi-las. Mas elas em si se libertam da cautela, rejeitam bula, gostam mesmo é de estarem livres. Agrada-lhes bem mais serem bumerangue, poder voltar se assim o quiserem, do que a obviedade de uma flecha, que preguiçosa e orgulhosa se recusa a refazer o caminho. 
Experimenta! Uma vez que teus dedos discorrerem sobre o lápis e houver o mágico encontro com elas, nada será mais como antes, não estarás tão a mercê da solidão.  Farás desenhos com elas, como se estivesses a imaginar um fantástico quadro e ele será traçado em palavras. Traçarás um desenho eterno... Palavras são pra sempre! E saiba, nem sempre as compreenderás. Muitas vezes virão pra te confundir, desnortear o que acreditavas ser imune a quaisquer dúvidas. Outras tantas trarão explicações, te apontarão a porta de saída dos teus conflitos mais perturbadores. 
Agora vem poetizar!

   Declama.
       Canta.
           Confessa. 
               Insinua. 
                  Declara.
                       Interroga.
                           Exclama.
                                 Invoca.
                                      Chama.
                                             Diz! 

                                                  Palavreia até o infinito...






13 comentários:

  1. Palavrearei, enormes palavras, palavrões, palavreados até me gastar em todas elas.

    Lindo demais isso heim...vc ta cada vez melhor, gata.

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  2. Afff , que agora vou dizer viu!

    Como palavreia bonito essa memem...
    Vou tentar posso? palavrear por aqui também.

    Quero declamar o imenso carinho que tenho por ti!
    Vou cantar aquela canção do alegre viver.. lembra?
    Quero confessar o inconfessável.. (ui)isso grita!
    Vou insinuar meu decote ao invés de palavras.. hihihi
    Quero declarar em noites de lua bonita o desejo de viver...
    Interrogar, já interrogo demais...rsrsr
    Vivo exclamando, sou o exagero em carne viva...
    Invocarei esse amor que mim'alma grita...
    Chamarei sem receio e continuarei dizendo sim
    que eu o amo, até num pra sempre sem fim e mais um dia..

    Uia me empolguei e palavreei...

    beiJO gigrande no coração da minha memem!

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  3. - Falou e disse.
    - Palavreou e poetou.
    - Discursou e dissertou.
    - E acertou... como um bumerangue acerta uma flecha, desviando-a da sua reta burra e traçando seu curso em espirais harmoniosas cujo destino final só o tempo dirá... com suas próprias palavras.
    - Gostei. Soltou-me o verbo. Abraços e beijos, Mi.

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  4. Pois é, a Mi está me saindo melhor que a encomenda, mas eu já sabia do talento da moça, bastava somente ela soltar-se ao sabor das palavras pra dar nisso.

    Eu to pra lá de orgulhosa de ti, cara mia!
    bacio!

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  5. Perfeita! Aliás estamos todos esperando seu livro. Quando sai? Montão de bjs e abraços poetisa , escritora, salve,salve!

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  6. Show de bola, Milene!
    Foi um recado para quem tem angústia?
    Uma herdeira de Rachel de Queiroz!
    Beleza em prosa e verso!
    Abraços!

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  7. Olá, Milene!
    Tens toda razão, parece que exorcisamos nossos fantasmas.
    Costumo dizer quando estou com alguma ideia na cabeça, que preciso "dar descarga", esvaziar a mente!kkkk
    Bjs!
    Rike.

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  8. As palavras são os suspiros da alma ...

    Beijo e bom fim de semana.

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  9. Milene,
    como sempre as coloca no lugar certo. Adoro ler suas palavras ...


    um beijo e obrigada, sempre, pelo carinho.

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  10. Me arrependo das vezes que usei as palavras como se fosse uma navalha...

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  11. Mi..
    Fico aqui quinem "Anú no Fio", só biservando...!

    Deussssskiajude
    Tatto

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  12. Essa é uma verdade, que só quem já passou por momentos muitos dolorosos sabem dizer.Melhor que analista, psicólogos( me desculpem todos eles), mas escrever as nossas dores, em papeis em branco, num desabafo,num falar oculto, só nós e o papel, nos dá essa sensação de leveza e alívio. Antes fazia poemas com as minhas dores, por que ao ler o que havia deixado no papel, tudo voltava para dentro de mim com mais força, ai decidi, vou escrever, tudo, tudo que meu coração pedir, mas não irei ler, não serei eu a poetisa das minhas dores...e então nunca mais li, apenas escrevi, "vomitava" tudo que sentia de mágoa, dores, e ninguém mais iria me julgar, nem mesma eu...e foi ai, que me vi acalmar definitivamente...pois queimava a minha dor, logo depois que deixava tudo que sentia naquela folha. Com isso queimei o meu passado, as minhas dores. Hoje escrevo mais o amor ( mesmo não tendo um amor), escrevo dores, mas nem sempre são as minhas, e pude perceber...que nada melhor, que várias linhas do registro daquilo que nos magoou, para jogar fora um passado , que jamais voltará igual.Hoje, sempre que possível, ensino minhas amigas, ou pessoas que sofrem do mal do amor, para fazerem isso ai que você sugeriu, mas que apenas não leia, para não captar de novo aqueles momentos.
    Muito bom seu post...bom poder ajudar as pessoas a se encontrarem
    Deixo-lhe um abraço e carinhos.

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