quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Da Patética Arte de Amar




IMAGEM SUTILMENTE COPIADA DO BLOG MARGINÁLIAS SUBVERSIVAS

O amor é mesmo bichinho complicado de ser esmiuçado. O tempo caminha, as sociedades mudam e lá está o tal entranhado nas vidas alheias, alternando estragos com alegrias.. Reinando absoluto entre tantos sentimentos.
É cego, sabiam? Comprovadamente cego. Traduzindo um estudo feito por uma Universidade lá no Rio Grande do Sul, o sujeito apaixonado perde o senso. Ocorre o desmantelamento das certezas, do ponto de vista equilibrado e racional quando se dá conta que abriu fronteira pra invasão desse sentimento atordoante.  Para ele, o sujeito amante, o motivo de sua querência não apresenta defeito de fabricação. O cérebro bloqueia as informações negativas e de jeito algum processa julgamentos críticos acerca daquilo que as emoções sugerem ser a própria perfeição. Assim a pessoa embasbacadamente enamorada se permite viver sem nenhum pudor emocional aquilo que projetou como sendo o troço mais porreta que jamais viveu, incontrolável, imensurável... A partir de então a vida já não é mais imaginada sem a presença desse ser sob a moldura colorida do amor . A vida definitivamente só terá sentido trazendo o mô, benhê, fofucho (essa é de lascar), bebê, lindo, vida, nêgo... Transforme-se todos esses apelidinhos mimosos para o gênero feminino também, pois os homens abusam da capacidade de serem melosos quando apaixonados.
Parece que além de cego o amor implica numa certa ridicularidade...  Bacaninha ridicularidade.
É fato que com o passar do tempo, fadados à convivência, essa visão dourada acerca da pessoa amada vai se transformando e passa-se a percebê-la de uma forma mais coerente. Observa-se desnudo, sem as fantasias projetadas, com todos os desajustes tipicamente humanos. O amor então deixa parcialmente a condição de completamente cego e já faz uso de uma bengalinha charmosa, ou de um cão labrador que não permita o embarque absoluto nas insanidades amorosas.
A verdade é que viver é bem mais prazeroso quando se tem um amor pra sentir. Acordar e abrir um sorriso ao remeter o pensamento à determinada criatura, que por sorte estará fazendo exatamente a mesma coisa, no mesmíssimo momento, é deliciosamente tolo. Ouvir mil vezes a mesma canção, lembrar da pessoa nos momentos mais improváveis, tudo traz uma sensação de prazer um tanto doído que de fato não tem explicação. Camões diz do amor: “é o fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”.  Coisa mais genialmente maluca isso. Consente-se que esse fogo se faça chamas. Vive-se melhor assim, mesmo a ferida latejando e o coração sangrando como retratam os poemas mais românticos.
Estar sem amar é se perceber num vazio. Existe ali um espaço desabitado que parece ecoar com urgência um inquilino, a bem da verdade um proprietário é o desejo maior. Se some o amor, esconde-se não se sabe aonde, há os que aconselham que se viva um amor inventado, pra se distrair, como dizia Cazuza. Um amor a cada dia, escancaradamente se deixar amar. Se parece volúvel, frágil, artificial, ao menos servirá para desempoeirar o coração, acordar um tanto as emoções para que jamais se esqueçam de como amar pode ser... divertido, patético, nobre, doloroso, fundamental ...

Ah, l'amour ...

Para vossos ouvidos de amor, 
uma canção que a síndica desse negócio descobriu totalmente por acaso, 
apaixonou-se e largou jamais.
.



20 comentários:

  1. Aiii postar assim devia ser proibido. Ainda mais com esse lindo do Pedro Abrunhosa cantando, é covardia.Foi voce quem me apresentou essa música, ele cantando com a Sandra de Sá, aí eu me apaixonei e tenho todas quanto posso encontrar...

    Sobre esse troço, isso que não ouso dizer o nome... é bem assim ó - Um amor a cada dia, escancaradamente se deixar amar.
    Como disse a voce , eu adoro um amor inventado
    Beijos amorosos minha pombinha romantica.

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  2. Ainda estou a procura desse amor pra ficar cego, até hoje nunca me perdi como descrito pela universidade do rio grande do sul, mas eu ainda chego lá, beijão Mi :-).

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  3. Milene, acho que em nome do amor, vale topar qualquer "ridicularidade bacaninha"!
    Não se pode é perder esse calorzinho...
    Tem que topar qualquer joguinho, principalmente quando vale a pena!
    Cada vez melhor e mais solta nesses textos, hein?
    Abraços!

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  4. Mememmmmmm


    ah o amor...

    tenho uma amigo que diz que depois de uma certa convivência, o bichinho cresce...

    Quem era gatinha vira vaca...

    Quem era potrinho vira cavalo....

    uiiii...
    dá um medo isso..ainda to na fase do amorzinho...vida...


    beijocas

    Loisane

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  5. Ahhh

    e imagem sutilmente copiada é ótimo...

    voce surrupiou mesmo não foi???


    beijocas

    Loisane

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  6. Mi...

    "Quero te dizer que o amor mudou minha vida"...rsrs

    Bom... e continuo cantando à la Cazuza..." O nosso amor a gente inventa"...

    É muito amor, fia... tu não tem noção! rsrsr

    Bjosssss recheados de amor.

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  7. O amor é infantil, nos enche de denguinhos, palavrinhas carinhosas e nos convence a entregarmos de corpo e alma, sem medo, sem preconceito e somente nesse momento de malícia e ousadia,de dois corpos é que nos tornamos adultos.
    O amor é sentimento nobre, jamais poderá morrer. Jamais.
    Um carinho.
    Boa noite minha querida.

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  8. Amor é tudo de bom e tu foste mais uma vez maravilhosa aqui...Lindo!beijos,chica

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  9. Olá, Milene!
    Mais uma vez maravilhoso! Suas palavras são delicadas e encantadoras ao digitar sobre tão confuso/polêmico assunto!
    Bjs!
    Rike.

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  10. - Pegue uma folha limpa e marque dois pontos - A1 e A2. Trace uma linha do ponto A1 ao ponto A2.
    - Ponha no ponto A1 um macho alfa dominante e uma fêmea no cio. No ponto A2, ponha um anjo e uma anja (dos autênticos, capazes de sacrificarem sua vida imortal para o bem do outro).
    - Bem, onde está você? Quanto você, ser humano, avançou no caminho que vai do animal ao anjo? Não deve ser difícil essa auto-avaliação...
    - Mas não tente marcar um ponto sobre a linha e chamá-lo de "Amor". Porque o Amor acontece quando a linha se encurva e toca suas extremidades, provocando um curto-circuito. E a esse círculo - vicioso, viciante e viciado - chamamos Amor.
    - E tinha que ser a Milene a explicar isso de forma tão simples e completa... moça, vamos marcar um encontro em algum lugar dessa linha? Ou talvez no centro do círculo?
    - Beijos, Memem...

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  11. Linda (d)'escrição do amor!

    Você como sempre é explosão em letras...

    beiJO minha memem amada...

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  12. Avacagá carinhoso... só isso!! rss

    Tatto

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  13. - Como disse o poeta: "O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa" Mas o texto é magnífico (publiquei no meu blog Linkando Poesias) Um abraço

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  14. Mi, cara mia, passando rapidinho pra te ver e deixar-te beijokas!

    Até mnais
    com carinho da Lu

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  15. Amar é uma arte complicada, mas vale apenas essa adorável dor de cabeça rsrs. Tem texto novo no Sub Mundos. Bjus.

    http://submundosemmim.blogspot.com

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  16. Infelizmente, esse "apelidinhos mimosos" com o tempo somem e dão espaço muitas vezes a apelidos cruéis. Não deveria jamais acontecer.
    "O amor é muito mais que todas essas "insatisfações". É como o luar e as rosas. É o dia a dia, é acolher e participar. Amor é vida que se vive juntos". Lindíssimo texto. Bjssss

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  17. Então é assim...efeitos de afagamentos produzem crônicas com o lado mais doce de sua autora. Por favor, peça a Dona Milene que faço uso e abuso desses efeitos! AMEI!!!
    Beijuuss n.c.

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  18. eu num sei pq mas me identifiquei com saparada aí!
    rss
    beijos, meu amor...

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  19. Como diria Bukowiski : ¨o amor é um cão dos diabos¨. ah! mais isso são so delirios que mal cabem por dentro. ou sera que o proprio amor é um delirio?

    ou talvez um anseio vital...


    lembro-me dessa musica ,uma das que me apresentou.
    so faltou a Sandra de Sá , com sua voz lamentosa . mas assim mesmo a postagem ficou magnifica.

    Beijaço!

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