segunda-feira, 28 de março de 2011

Palavreando




Palavras, apenas, palavras pequenas”... Cantarolou Cássia Éller. Elas tem o dom, possuem a magia, provocam milagres e na mesma proporção causam estragos.

Tudo depende do modo como alguém se propõe a ler o escrito. Tem-se a opção de armar-se para tal ato, numa desproporcionalidade absurda, ou ler sem amarras, simplesmente ler, o que invalidaria qualquer interpretação infiel ao texto.

Nesse mundo onde não é possível sentir a emoção a não ser através da das letras reunidas, tudo se torna delicado, as relações são ao mesmo tempo intensas e sensíveis, caminhando na linha tênue entre a bem querência e a total indiferença. Frágeis fronteiras. As certezas se esvaem, restando apenas indagações tolas.

Quando se percebe o mistério se desfez, o encanto se quebrou, dando espaço a um vazio, estranho vazio. É ruim essa sensação principalmente quando se aposta todas as fichas num sentimento que se apresentou tão merecedor. Não se diz EU TE AMO         em vão. São palavras de raro sentido, só deveriam ser lançadas levando consigo uma porção generosa de verdade, implicando na determinação em se amar de fato.


E amar, o que é?   

Tantas são as alternativas de respostas, todas pertinentes, nenhuma suficiente. Amar abre um campo imenso de possibilidades, mas deveria fechar todas as mínimas frestas para a incompreensão. Quão pequeno é um amor que responde com palavras corrosivas ao que supostamente compreendeu ser uma tentativa de golpe. Olhos pouco curiosos tem esse amor, do contrário saberia ler nas entrelinhas que frases desconexas tantas vezes querem dizer “vem cá, me dá um abraço”.

Obriga, assim, ao outro vestir-se de uma armadura de ferro, imune aos iminentes perigos vindos sabe-se lá de onde, sob forma de estilhaços de letras, que ferem mortalmente se pegam o sujeito desprevenido. Sugere ao outro desistir, simplesmente desistir da hipotética luta ilógica por um sentimento tantas vezes causador de alegria, mas que agora descuidado, fere. Impaciente, leitor incompreensivo das palavras tolas e por vezes inconclusas se transformou, vestiu a roupa feia da intolerância e ironicamente desdenhou.

Resta ao amor recolher suas inócuas palavras espalhadas ao chão e ir embora sem titubear ou olhar pra trás, fazendo-se de forte no seu propósito mais sublime, o de fazer vingar a amizade propagada, replantá-la em outro terreno quando um se torna infértil.

Beijos.

16 comentários:

  1. Belíssimas e sábias divagações tolas...
    Não importa o assunto tratado..
    Todo e qualquer ele saido de seu coração
    é no minimo sofisticado , são sempre
    emoções ou alegrias merecidas de aplausos...
    Compreendidas por qualquer coração sensível...
    Euamo'você'enorme!

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  2. Milene, hoje você teve o seu dia cabeça!
    Essas ponderações dissecativas sobre o relacionamento humano e suas contradições me deixam meio confuso!
    Talvez seja referência à um fato ocorrido, mas para mim fica difícil comentar!
    Abraço!

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  3. Se todo alguém que ama
    Ama pra ser correspondido
    Se todo alguém que eu amo
    É como amar a lua inacessível
    É que eu não amo ninguém
    Não amo ninguém
    Eu não amo ninguém, parece incrível
    Não amo ninguém
    E é só amor que eu respiro...

    Espalhemos, então, sementes de amor...uma há de vingar.
    beijos

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  4. Ah Milene,
    como vc escreve bonito!
    Bjs.

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  5. Memem

    tens aqui uma horta inteira de terreno fértil a te esperar...e que fez brotar e faz crescer um amor enorme por ti

    beijocas

    Loisane

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  6. Amar é amar. Não existe sofisticação, só sentimentos.
    Quando há.

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  7. Acho que o poder da palavra pode ser representada pela frase, "A pena é mais poderosa do que a espada" adoro seus textos Mi um beijão.

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  8. Só passei pra dizer do meu amor (que não cala). Embora a boca esteja trancada, há burburinhos em torno dos abraços. E um deles deixo aqui contigo.

    afeto quieto!

    Lu C.

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  9. - Não contei nem contarei
    - As vezes que escrevi
    - O nome que amo e amei
    - Nos versos que fiz pra ti.


    - "Faz como o sândalo, que perfuma o machado que o fere".
    - Um beijo, um abraço, mil carinhos e muito amor, Mi.

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  10. Oi minha flor, belo texto .Deixo um carinho bem grande aqui pra vc

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  11. Tem algo para você em meu blog...
    Um lindo dia.
    Beijinhos.

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  12. Minha branca rosada...
    Amoooootu, viu?
    No nosso amor, ninguem tasca!
    Bjosss da sua prima e fã.

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  13. Êita minina arretada essa...serve lembrá-la assim? AMOTE sem frestas.
    Beijuuss n.a.

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  14. "Tudo depende do modo como alguém se propõe a ler o escrito." Uma maravilha de texto, com verdades e sentimentos. Bjão, minha querida.

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  15. Milene querida,
    suas divagações a cerca do amor, são pertinentes pois o amor é assim ... sem explicação lógica, sem razão, sem porquês.

    Adorei o texto !

    PS: A repaginada no blog ficou show !! Lindo !!

    beijinhos

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  16. Nusss...

    Ficou bacaninha.
    É dirigido ou uma divinação?
    Divaguei.. A ideografia denota o desprimor de meu afago removido a contragosto.

    DeusssssssssskiOlhe
    Tatto

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