segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A IMPOSTORA



Ufa! Pelo menos por aquele dia estava livre das consultas maçantes na capital... Era hora de colocar o pé na estrada e devolver a lista de artigos emprestados: carro do irmão, cartão de crédito da irmã para abastecer e o cunhado, gentilmente cedido pela outra irmã pra dirigir o carro... Praticamente conduzindo Miss Dayse.

Todo mês era essa romaria bacaninha. Antes, porém, precisava passar no hipermercado a fim de fazer as “comprinhas” pedidas pela irmã caçula, a do cartão.
Agora era só passar no caixa e pronto, tarefa cumprida... Será?

- A sua identidade, moça.

- Oi?

- Sua identidade... Agora só podemos passar o cartão conferindo o RG do cliente.

- Oxente, que novidade é essa? Eu compro aqui há tempos e nunca teve essa frescura.

- Moça, essa “frescura” é pra segurança da empresa e também do cliente, caso tenha tido seu cartão roubado.

- Você por acaso tá insinuando que roubei o dito cujo?

- Não, Senhora Gisele. Me perdoe se me expressei mal... Eu apenas expliquei as normas. Me passe seu RG pra que seja possível concluir o ato da compra.


Senhora Gisele? Danou-se! Nesse instante deu-se conta de que se chamava Gisele, era o nome constante no cartão de crédito e por pouco não perguntou quem era essa a quem se referia a operadora do caixa.

- Moça, é o seguinte, eu nem sou daqui, sou do interior. Deixei meu RG em casa, e agora? Você não vai querer que eu devolva minhas compras, né? Até no posto de gasolina eu passei e não me pediram documento algum – Dizia em tom de súplica, enquanto a moça do caixa fazia cara de descontentamento.

- Isso eu não posso resolver, é norma da empresa, mas vou chamar o supervisor.

Enquanto o supervisor era chamado e nunca chegava, tomando um tempo que possivelmente dava pra contatar até o dono da empresa, a fila atrás da “Dona Gisele” se agigantava em tamanho e inquietação, até que chegou o fulano dono da solução. Vendo o carrinho megalotado de compras, a cliente rubra-rosada pelo calor e pela situação, falou:

- Mas a senhora é mesmo a Gisele?

- Claro que sou! – Falou a cliente cara-de-pau, cruzando os dedos num impulso, feito fazem as crianças ao proferirem mentirinhas.

- Moça, ela é mesmo a Gisele? – Insistiu o sujeito, dessa vez se dirigindo à prima da farsante, constrangida assistindo a todo o quiprocó.

- É sim, ela é a Gisele. Eu sou prima dela, pode confiar.

- Ok! Pode liberar as compras. Estamos abrindo uma exceção, mas da próxima vez só com a carteira de identidade, certo Dona Gisele?

- Ufa! Certíssimo! Que bom tudo ter se resolvido assim, com bom senso, né? Obrigada!

Como epílogo, faltava apenas passar o bendito cartão e assinar o comprovante de compra. Simples assim... Quer dizer, seria simples se a farsante tivesse um pouco mais de habilidade com o mundo do crime e o fato de ter jurado há instantes ser quem não era, não tivesse martelando ali feito um capetinha “você não é a Gisele”... Aquilo definitivamente não acabaria assim tão fácil. Deu-se a desgraça!

- Eita... – Murmurava a meliante enquanto cutucava a prima disfarçadamente – Não tem jeito, tenho que confessar, não me chamo Gisele, o cartão é da minha irmã, eu me confundi e acabei de assinar o meu nome aqui por engano. E agora?

A cliente trapalhona só desejava que surgisse, rápido e fagueiro, o Chapolim Colorado e a resgatasse daquele imbróglio no mínimo constrangedor. O cunhado espiava pro nada, praticamente fingindo não conhecê-la, a prima não sabia se ria chorava, já que havia sido cúmplice, enquanto a atendente lhe lançava um olhar fulminante, possivelmente querendo achar uma maneira de estrangular a sem noção por ter causado tanto fuzuê. 

- Muito bonito, Dona Milene! Eu que pergunto, e agora? - Bradou a moça depois de ter conferido a rubrica da usurpadora no tal comprovante da discórdia.

O resultado do pastelão é que a estelionatária, cujo curso para esse fim deve ter sido feito lá no outro lado da fronteira, não saiu do hipermercado algemada, passeando de camburão. Imagina-se que sua atuação lamentável tenha causado piedade cristã nos fraudados, sendo desnecessário outro tipo de punição.

Ninguém contava com tamanha falta de astúcia.

11 comentários:

  1. Nooooooossa, bota trapalhada nisso que ela, pelo "despreparo" aprontou.

    Tu contas de um jeito que não dá pra parar de ler. ótimo! beijos,chica

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Vixe Maria, já imaginou a cena... vc dando entrevista nesses programas sensacionalistas?
    Minha fia... a prima aqui não saberia se ria ou chorava... Afff... só vc... pelamordedeus!
    Estou aliviada... és muito atrapalhada pra ser uma trapaceira.

    Bjossss

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  3. Sen-sa-ci-o-nal....

    Tô ligado aew maninha! mó trêta e tu nem querêu !!
    Fiquei imaginando tu aqui ... nesse inferno de malácos véios... rss

    Deussskiajude
    Digno de Best Seller....
    Beijo
    tatto

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  4. Um fato "corriqueiro" que vc transforma numa deliciosa crônica, Mi! O cenário e os atores ganharam vida na tua narrativa, adorei!
    Beijo de graça por essa "desgraça" contada com [tamanha] graça!

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  5. Me desculpe o que vou fazer agora, você sabe que te adoro mas, hahahahahahhahahahahahahahahahahaha que situação, e posso te dizer que logo logo essa onda e pedir RG acaba, aqui em Brasília teve muito disso depois passou, beijão Mi :-)

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  6. Que trapalhada, hein, mocinha?
    É sempre assim: se fosse mesmo um cartão roubado, na mão de um vigarista, ele teria o RG (falso) com o mesmo nome e assinaria certo!
    Mas, caiu na mão de alguém que não tem vocação, foi um fiasco!
    Da outra vez, faça um saque com o cartão e pague em dinheiro!
    O caixa eletrônico não pede RG!
    Abraços, Milene!

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  7. O Mico de Ouro é seu! Não tem pra ninguém!
    PS: Estarei postando, hoje ou amanhã, uma encomenda especial pra você. Beijão.

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  8. kkkkkkkkkkkkkkkkk agora que parei de rir um bocadinho vou te contar: nunquinha que daria conta nem do início dessa história! É que meu supereu é um ditador fdp...rs Aqui "Gi" se fosse eu a prima, ou o/a cunhado/a já tava entregue pela minha carinha (verméia) de a-bo-ba-da! Guento cê naum minha minina...guento nauuummm...Êita que ri!!!
    Beijuuss, risos, n.a.

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  9. Minha amiga, me desculpe, mas eu estou rindo muito. Você é ótima, Milene. Escreve de um jeito espetacular, ímpar, gostoso de ler! Amo as suas crônicas e digo sem pestanejar: Você é uma escritora de mão cheia! Mas mentirosa, você definitivamente... Não é. Como você assinou seu nome depois de tanto dizer que era a Gisele? Depois que vem um cara não sei de onde, a fila está quilométrica, o calor imenso, e você diante de tudo, firme, ainda assina como Milene? Minha amiga, só rindo! Seria trágico se não fosse cômico. Ou como você diz... Tragicômico!
    Ai Mi, você é uma linda, muito querida mesmo. Saiba que eu a admiro muito, como escritora e como pessoa. Tenho tanto orgulho de ter uma amiga tão sensacional... Fico toda "ancha"!
    Bem minha amiga, da próxima, ou entrega o jogo ou assina o nome que tá no cartão. Não esquece ein?!

    Beeeeeijos, te adoro!
    Débora.

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  10. Só sendo mesmo...
    Minha querida Chapolim Rosada,não precisava partir para o crime, me pedisse um trocado, eu daria,oras.
    Beijos minha pombinha estelionatária!

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  11. Hoje estou passando apenas para lhe fazer um convite.
    Estou falando do www.superlinks.blog.br que é um site agregador que vale a pena visitar, pois é mais um espaço no qual você poderá publicar seus links de matérias, pois é um site sério e com critérios bem positivos.
    Espero que goste da dica.
    Um grande abraço

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