domingo, 2 de outubro de 2011

EU NÃO ESTIVE LÁ


Meu pai diria: “Fia, esses caras devem estar esculhambando você, ouve uma música nacional, pelo menos vai saber o que eles estão dizendo”... Dizia ele, contraditoriamente um fã do vozeirão e melodias envolventes do Frank Sinatra, da malemolência de Elvis Presley e a magia dos Beatles... Eu diria: “Mas pai, esses caras são bons. Preciso conferir se o show deles é bacaninha mesmo”.

Do inglês só sei dizer “I Love you”, mas isso não me impediu em absoluto de me deixar levar pela catarse que foi o show do Coldplay, ontem no festival que naquele momento parecia ser de fato um templo do rock’n roll. Eu que ainda não havia me empolgado pra ver ninguém (deixei passar Red Hot Chilli Pepers e Steve Wonder com dorzinha no coração, mas meu sono foi mais valente), me propus a assistir cá da minha poltrona porque gosto do som dos caras, embora esperasse um show normal... Eles derramariam seu cancioneiro, as pessoas cantariam e finito, estaria cumprida mais uma etapa do evento que bem poderia se chamar Ecletic in Rio. Ledo engano, Milene Lima! A cada canção tocada se fazia mais forte a ideia de quanta emoção a música pode causar, por si só, sem a necessidade de parecer um espetáculo arrumadinho, ensaiado à exaustão feito uma peça teatral. Eu quis ser parte daquilo. Quis dançar, sentada e enlouquecidamente feito fez o Chris Martin. Devo a ele uma nova possibilidade de soltar os bichos numa dança frenética sem sair da minha cadeira.

O bichinho do rock’n roll está vivinho da silva em mim, graças aos deuses e ao Coldplay. Os caras são astros mundiais e era evidente a alegria com que compartilhavam daquele momento com o público. Estavam felizes e gratos. Eram todos iguais naquela noite (Ivan Lins, licencinha) e o resultado foi sublime. Não estou brincando de ser crítica musical. Estou falando muito sério sobre aquelas emoções que parecem frívolas, mas deixam a alma da gente contente pra caramba.

No fim, meu pai provavelmente diria: “É, até que esses malucos fazem direitinho essa bagunça. Pelo menos não ficam só no Iaiá-ieiê-salvador”. Será que Seu Luís se comoveria com as vaias gentilmente recebidas pela roqueira (?) Cláudia Leite, no primeiro dia do evento? Não, não vou estragar as minhas memórias perfeitas dessa madrugada lembrando dessa moça com síndrome de Madonna do axé.

Pasmem, no Rock’ in Rio teve de um tudo, inclusive rock’n roll.

Viva la  vida!
Viva a música!


8 comentários:

  1. Esta é Milene, meio apaixonada, meio contundente...
    Mas sempre excelente...
    Eu não estou muito familiarizado com estas bandas "novas" (com menos de 30 anos na estrada), mas apreciei muito sua escolha.
    E mais ainda sua sinopse desta incursão no Rock in Rio...
    Abraços!

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  2. Vim conhece-la Milene através do Barcellos e te deixar um beijo!

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  3. Simplesmente fantástico, envolvente, contagiante...embarquei tb Mi...dancei enquanto a música tomava conta de mim, naquele coro de vozes tomadas pela emoção...nesse momento, tb quis estar lá, no, finalmente Rock' in Rio.

    Não assisti tudo tb, mas Coldplay foi incrível, muito prazer!
    Bjos

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  4. Hey Mi, gosto dos caras... Tenho 1/4 de rock'n roll na veia rs.
    Curto esse rock mais romântico e essa voz meio rouca no balanço generoso da música... Agradeço!

    Dilicinha de blogada pekena Mi, carinhosamente.

    bacios

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  5. é Memém, concordo contigo...meu inglês não passa de duas ou tres palavrinhas mal faladas, mas que a música dos carinhas é boa, ah isso é sim...ainda não parei, contaminada que fui...
    Bom saber que a música não é só feita de "acelera aê", "meteoros", "lembranças na mala", "é o amor" e outras coisinhas esquisitinhas de se ouvir!!!


    adorei o post, adorei o coldplay, e adorei imaginar você saracoteando em sua confortável cadeira!!


    beijocas

    Loisane

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  6. Não sou muito chegado, e por isso mesmo posso dar minha opinião isenta:
    "Tudo o que fizer você dançar é mágico... viu, pererequinha?"
    Beijos.

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  7. Então sabe, da língua inglesa, o que universalmente importa! Fui apresentada a esses mininus por um outro, irmigo, num natal...e segui gostando desse "U2" do séc.XXI.
    Beijuuss n.a.

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  8. Milene, te encontrei por aí e agora estou aqui! Lendo e adorando tudo que vejo. Já sua seguidora fiel, voltarei sempre, beijos

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