quinta-feira, 17 de novembro de 2011

DAS LARANJAS, NUVENS E OUTROS PENSAMENTOS


IMAGEM DA MARILUSTRA

Infértil. Alguns textos iniciados, pouca coisa relevantes pra serem ditas, os danados empacaram. Em dias assim me somem as palavras. Tudo é tédio. Tudo é chato. Pensei em escrever sobre datas cívicas. Está chegando aí mais uma entre duzentas mil cultivadas no Brasil, o dia da bandeira. Será inconstitucional escrever isso em iniciais minúsculas? Lasquei-me literalmente em verde e amarelo. Temas patrióticos são enfadonhos... Me privarei deles por um tempo indefinido.

Hoje eu e Denise trocando figurinhas eme-esse-ênicas, ela me falava sobre a insensatez em sentir saudades do que nunca se viveu. Pedi-lhe pra me reservar uma vaga no mesmo sanatório, pois padeço igualmente desse mal. Isso me fez refletir sobre a saudade, as minhas... Eu não as quero matar. Desejo guardá-las e vez ou outra comer um mordê-las um pouquinho, beber um tanto da alegria contida nas minhas lembranças. As saudades não são vilãs, são relicários, pedacinhos de vida deixados pra trás por imposição do nosso próprio caminhar. Sobre sentir saudades do que não vivi, como posso explicar? Eu apenas sinto... E sigo.

Numa nova etapa dessa prosa, Denise me diz que está “laranja chupada”, sem caldo. Bendita alma feminina que não cabe em si de tanta falta de ausência de praticidade. Compomos uma fórmula química encantadoramente imperfeita, somos feitas de sonhos, e fogo, e desejos... E doses generosas de amor. Vivemos numa eterna inconstância de sermos. Num dia fatais, no outro molecas e logo em seguida não sabemos onde foi parar toda a delícia de ser mulher. Só a dor e a saudade ganham corpo.

Falando em laranja chupada, contei pra ela sobre quando um sujeito me abordou num site de jogos (já contei isso aqui) e quando me perguntou a idade (ele tinha 17 anos, o infeliz) respondi quarenta e um. O projeto de cafajeste prontamente mandou a pergunta: “mas tá enchuta ainda ou tá só o bagaço da laranja?”...

Depois de respirar fundo e aceitar que naquele momento um monitor nos separava e eu não podia socar gentilmente a fuça juvenil, respondi feito uma lady (ga ga, segundo a ótica do meliante) que “ali eu podia ser quem quisesse, inclusive uma fatal que nem Jolie, você não saberia.  E pra terminar, melhor você se dedicar mais nas aulas de Português, porque a palavra é enxuta e não enchuta, como mobralmente escreveu”... E bati gentilmente a porta virtual na sua cara de projeto de cafajeste. Quando encaro a minha criação de rugas e pés de galinha, me questiono se já estou em franco processo de bagaceamento laranjal.

A moça do Tecendo Ideias foi dormir e prometi pra ela postar qualquer palavra tola, apenas na intenção de musicar com essa canção incrível, cantada por esse trio extraterreno. É o que temos visto quando erguemos a cabeça em direção ao céu, nuvens negras instaladas feito os mais radicais do MST. Amanhã exigimos um céu azul, amanhã queremos só a saudade sem dor, o amor que não derruba... Amanhã não haverá espaço para a ansiedade invasora, desnorteadora de seres aflitos. Amanhã... Bem, amanhã queremos mais que a vida aconteça ensolarada e nos leve de carona num vagão bem bacaninha.

Uns beijos, pessoas.



17 comentários:

  1. Enciumei...pronto falei.Nem fui convidada pra essa prosa, mas nesse trem sei que tem vaga preu (e isso acalma a alma). Se de cada conversa "jogada dentro" sair uma crônica dessas, como pode dizer empacaram, tédio, chato? Eu hein?! Ah, antes que me esqueça: uma das vantagens da exuberância de se ser é essa...pele lisinha e as rugas preenchidas naturalmente rss.
    Beijuuss pra duas amadas minhas.

    ResponderExcluir
  2. É assim que ela escreve quando as palavras fogem... imagino o que a Simone diria (ou dirá...).
    Larga de ser besta, Miminha! Já pensou quando as palavras voltarem do feriadão cívico?
    E olha... linda música!
    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Eita lelê, daquele oizinho saiu isso tudo, foi Mi??...rsrs

    Pois é, tem dias que o caldo escorre tamanha a energia que a gente põe no que faz...mas antes que se enganem, vou dizer que esse vazio fica cheio de uma deliciosa sensação de ter "gasto"a energia num trabalho e por pessoas que são minhas razões de viver...abençoada sensação de "bagaço"...

    Essa misturinha imperfeita que vc detalhou é a mais perfeita descrição de quem coloca a essência à excelência de seu Ser...ficou tri essa tua crônica, moça querida....um bjo da moleca que já amanheceu repleta de caldo...rsrsrs

    ResponderExcluir
  4. Sisqueci, voltei...rsrsrsrs

    Rê, enciuma naum mô bem, dá o ar da tua graça (e como gosto da graça que tu faz!) que a gente te põe pra dentro da janela...rsrsrs

    As nuvens, Mi, se dissipam, e o céu fica azulinho outra vez, olha lá pra ver, ouvindo o riso da Gal enquanto (en)canta...

    Bjo bem grande pras duas amadas e pro Mago tb, antes que enciúme...rsrsrs

    ResponderExcluir
  5. Já falaram isso (o Bruxo sempre me roubando os pensamentos!), mas se quando fogem as palavras sai tanta coisa, imagine quando elas estão presentes!
    Esta fusão de ideias acabou gerando conceitos muito interessantes, que encaixaram muito bem em algumas conclusões minhas...
    Quanto ao seu interlocutor (pra que você ainda perde tempo com isto?) ele pode ser classificado como "bagaço intelectual"!
    Abraços, Milene!

    ResponderExcluir
  6. Saudades do que não vivi?

    Sou especialista nesse assunto, declaro sempre isso.

    Existe um pouco de prazer em sofrer, pequena...Fato.

    Beijo grande, grande.

    ResponderExcluir
  7. Olá, que felicidade saber que o sol virá, com raios de luzes, sempre fortes e belos, pronto a aquecer a nossa vida! abraços

    ResponderExcluir
  8. Depois de ver esse trio da MPB pra lá de bom, dá mais saudades (ainda) do tempo que vivi e daquele que não vivi, porque tb sofro desse mal, sabe meninas (Mi e Denise).

    Mas voltando ao sumiço das palavra da Mizinha (coisa pouca né gente?)... rs como disse o RR... que será então quando elas (as palavras), resolverem aparecer?? MEUS SAIS!!!

    Quanto ao "fedelho" ousar que tu ainda dava bom caldo, miga... relaxa... pq o que vale é tua experiência como mulher, profissional e cidadã que já viveu pra crer, saca?
    Ele que CRESÇA E APAREÇA!

    Blogada genial e nem precisa levantar a bandeira pq sei o quanto és patriota!
    bjkas da Lu, essa doidivanas da pá virada.

    *amei a festa que fez pra mim em meu niver! =D

    ResponderExcluir
  9. E até quando não tem vontade, cria ótimos textos, e arruma vaga pra mais um no sanatório, beijão Mi :-)

    ResponderExcluir
  10. Muitos pensam que pensamos para escrever e nem sabem que escrevemos mesmo é para não pensar, né? rsss

    ResponderExcluir
  11. Mesmo quando vc ACHA que não está escrevendo algo, vem nos brindar com essa forma só tua de desenhar aqui!
    Quanto a sentir falta do que nao teve eu tb sinto isso, vou me internar com vc! Acho que todos sentimos porque idealizamos tantas cosias!
    Ahhh saudades do Hawai kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Beijooos!

    (te desafio no meu blog hj, passa lá! - Estou intimando as pessoas que acho que gostaria mde participar)

    Beijos de novo hehe

    ResponderExcluir
  12. E você ainda disse que não estava inspirada, oh céus quando crescer quero ser igual a você querida...Beijos perfumados

    ResponderExcluir
  13. OI MILENA..

    VOCE ESCREVE TÃO LINDO..ATÉ QUANDO O ASSUNTO É DOR OU VAZIO...SEI LÁ... SEU TEXTO SAI LINDO!

    TODOS TEMOS DIAS DE LARANJA CHUPADA.. AS VEZES ME SINTO UMA PANELA DE PRESSÃO..
    VAI ENTENDR..
    MAS O BOM DE TUDO ISSO É QUE PASSA!
    E SE VALE O CONSOLO..TODOS EM ALGUM MOMENTO SE SENTEM ASSIM!
    NÃO QUE ISSO SEJA MÉRITO..MAS É A VIDA..

    e SABE..BATE ESSA CASCA DE LARANJA COM MAIS ALGUNS INGREDIENTES E FAÇA um bolo!!
    EU VOU PENSAR O QUE FAZER NA MINHA PANELA DE PRESSÃO!

    UM BEIJINHO..COM CARINHO SEMPRE...

    ResponderExcluir
  14. Nem vou me derramar em elogios , porque
    bem sei que não preciso, tu sabes bem do
    meu pensar alto, da minha "fanzice" aguda..
    Qualquer elogio aqui daria muito na cara rsrs
    Então sigo lendo-te sempre..
    Admirando-te a cada letra ..
    E surpreendendo-me a cada texto!

    Meu beijo pra vc sempre minha querida..

    ResponderExcluir
  15. Olá querida e amada Mi


    SE PROVAR É CONHECER, EXPERIMENTAR

    SENTIDOS
    TOQUES
    REACÇÕES

    COMO É QUE SE PODE TER SAUDADES
    DO QUE AINDA NÃO ACONTECEU?

    Eu tenho saudades do que não aconteceu

    Saudades do que aconteceu também,
    mas mais ainda do que prometia vir a acontecer e não se deu.

    Beijo e kandandos a atravessar tanto mar

    ResponderExcluir
  16. "As saudades não são vilãs" - Excelente!
    "bagaceamento laranjal" - Hahahaha... achei esse termo genial!
    Esse trio realmente é demais!
    Abraço

    ResponderExcluir