sexta-feira, 25 de novembro de 2011

QUALQUER TÍTULO TÁ BACANINHA...

Pirei no rock’roll anos 80. São dez horas e vinte e três minutinhos nessa noite quente do agreste alagoano e vos aviso pessoas, cujo relógio caminhou mais que o meu: Esse horário de vocês foi fabricado depois da fronteira... O real mesmo é o daqui de cima. O tempo por aqui caminhou direito.

Mas não é sobre relógios que as palavras resolveram se acomodar na minha encardida e companheira folha branca. Ou é? Na verdade não há um tema, uma bandeira a ser defendida, uma queixa a ser gritada... Não há nada. Só o tempo. As músicas que estou ouvindo me esfregaram o tempo na cara e não pude me furtar a pensar nele... Primeiro Renato Russo entrou de sola cantando “todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou”... Putz, Renato! Precisava ser assim tão enfático para alguém craque na arte do “vou deixar pra amanhã”? Tudo bem, eu amo esse cara mesmo e adoro brincar de pensar que ele sabia da minha existência e do quanto suas músicas me carregaram pela mão. Depois veio Cazuza, o poeta, a me dizer: “eu vejo o futuro repetir o passado, vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para”.

Enquanto eu parava para refletir, filosófica, sobre o tempo, ele já havia partido sem me esperar... De nada adiantou minha meditação, invocação de todos os santos, encantos e axés - aí já é Moraes Moreira – para caírem sobre mim um tanto de erudição e rebuscamento e assim dissertar lindamente sobre o tempo. Me restou apenas a certeza de que ele está pouco se importando com o movimento burro... Inércia... Inoperância...  Boicote contra a minha própria fofureza de pessoa. Ele simplesmente passa na minha porta todos os dias, todos os ínfimos segundos. São miudinhas as contas no infinito colar do tempo, me disse o Luck. Mas sobre o Luck, sobre o seu afago generoso num instante em que tudo era um breu assustador, sobre as suas reflexões acerca da vida que segue além... além de tudo, eu conto depois.

Não há mais nada a dizer sobre o tempo. Não nesse instante. Por que enquanto meus dedos rabiscam, ele se foi e eu mais uma vez não o alcancei. Cabra arengueiro esse tal!

Acreditam que nos embalos do rocktrospectiva até me esqueci da bolsa vermelha... Vocês não sabem da história da bolsa vermelha? Como são desinformados esses meus amigos. Não sabem que euzinha tinha uma bolsa vermelha bacaninha, daí no meu aniversário ganhei um gêmea e resolvi vender a primeira, num precinho camarada pra uma amiga da escola? Então também não sabem que mais de um mês depois dessa transação importantíssima eu precisei dos meus documentos e depois de desgavetar até os meus miolos, não os encontrei e a alternativa para não me jogar da ponte – aqui nem tem ponte – era eles estarem na bolsa vermelha vendida na camaradagem? Pois é. Pois foi. Depois de tentar por horas enlouquecedoras ligar pra amiga compradora, consegui a resposta afirmativa. Os coisas estavam malocadinhos, silenciosos num bolso da bolsa. Ela não havia usado a comunista ainda... Eu recapturei os meliantes e agora vão pra um cofre forte do Banco Central. 

Tolices absurdas à parte, continuo minha viagem no rock’roll dos anos 80, retrô que só! Eu volto na minha máquina imaginária do tempo e ele não pode fazer nada pra evitar... Mas sigo sem bolsa, sem lenço, sem documento...

Ainda é tempo, vá ao Relicário, 





12 comentários:

  1. Sem lenço, documento e juízo....rs

    Eu desconhecia a história da bolsa comunista, mas deixa te falar, moça...boa mesmo tá essa tua escrita revolucionista, vc consegue uma rebelião das palavras que me faz admirar cada vez mais essa moça_arretada, embrenhada por nesse rock'roll que embalou a geração dos anos 80...

    A-DO-REI!

    Beijo, moça-querida!

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  2. Fiquei matutando um título alternativo, mas nenhum melhor achei.
    Pensei em outro marcador, mas "tolice pra dedéu" é inteligentíssimo.
    Pensei em postar um comentário poético e inspirado, mas você me deixa sem fôlego.
    Conclusão: vou passar a comentar primeiro e ler depois...

    Beijos, Mi.

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  3. Se ele não te conhecia antes, aposto que agora conhece, pois dizem que na outra dimensão conhecemos todo mundo!
    Abraços, Milene!

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  4. Há sempre tempo para o tempo; mesmo que não seja o nosso tempo:)!
    Bjo

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  5. Sem lenço pode inté sê...mas documento eu tenho aqui sua identidade. Diz assim: nome: Milene da Pétala Rosadinha Amada Minha
    Data de nasc: atemporal
    Local: mundo
    Tá baum assim?!
    Beijuuss minha Mi_nina

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  6. Não é rock, não é anos 80, mas é o retrato cantado mais bonito das dores e alegrias que a passagem do tempo provoca que já ouvi, Milene :

    "E gira em volta de mim
    Sussurra que apaga os caminhos
    Que amores terminam no escuro
    Sozinhos

    Respondo que ele aprisiona
    Eu liberto
    Que ele adormece as paixões
    Eu desperto..."


    http://letras.terra.com.br/nana-caymmi/47557/

    "Resposta ao Tempo", na voz da Nana.

    Se tu não conhece, garanto que vale a pena.

    Beijos, moça querida.

    Vou ao Relicário.

    ;)

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  7. Viajar no tempo assim é muito legal...Vai firme.Lindo domingo,beijos,chica

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  8. Mas é claro que qq título seria "bacaninha" oxente, mesmo porque aqui em especial, o texto é puramente Milene Lima, incluindo (lógico) o BACANINHA!

    Outra coisa, teus neologismos continuam arrasando, porque aqui tem um impagável, quer ver?
    "rocktrospectiva" - lógico que tem a ver com o texto em particular, mas foi uma sacada genial! :]

    Agora... Vamo combiná... A histporia da bolsa vermelha kkkkkkkkkk entre meliantes e comunistas salvaram-se todos teus documentos! Arre! rsrs...
    Blogada particularmente notável como tu, Pekena!
    bacios lindeza!!! :)

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  9. Jámeço avisando que vc está no meu post de quarta-feira... Penso que temos que ser no minimo inteligentes para ler teus textos...
    "Ela não havia usado a comunista ainda... " De onde tira essas idéias?! Sou sua fã já te disse?!

    E sim, concordo plenamente com vc, como podem mudar nossos relógios assim, confesso que não muda muita coisa para meu sono ou coisa e tal mas que é estranho ver só quase as 19:00 ahhh isso é!!! Tenho uma amiga que me chama de PESSOA DO FUTURO kkkkkkk Adoro!

    Quanto as musicas, fiquei chocada, então o Renato Russo te conheci tb?! Por que algumas músicas ele escreveu pra mim na mesa lá de casa ... kkkkkkkkkkkk

    Beijos!

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  10. Olá, Milene!
    Não sei o porque mas eu sempre concordo com você, até quando discordo de mim!kkkkk
    Bjs!
    Rike.

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  11. Milene,
    A sua capacidade de dizer as coisas misturando riso, ironia e uma pitada de afecto é qualquer coisa...!!!

    Beijo :)

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  12. E se você se der ao trabalho de fazer uma tradução, verá que letristas brasileiros como Cazuza e Renato Russo têm trabalhos muito superiores do que os internacionais.
    Adorei esse post de "Tempo Perdido", me fez lembrar os ótimos tempos de faculdade. Beijinhos!

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