sábado, 12 de novembro de 2011

SOBRE O AMOR QUE NUNCA MORRE


A amizade é o amor que nunca morre, quintaneou o Mário para absoluto deleite dos crédulos e sensíveis, pertinazes na arte de imergir nesse sentimento ímpar.

Sou Amigos Esporte Clube, sim senhor! Amo as suas minúcias e no transcorrer do meu caminho desejo sorver, apenas pelo tempo de uma vida, os seus inúmeros sabores até a última gotícula. Desconheceria a mim mesma tentando usar outro tipo de máscara.

Mas esse amor que nunca morre apresenta variedade no seu estampado. É preciso estar preparado para a colisão de idéias, conceitos e humores. Assim como não se pode viver sozinho um amor, a amizade não existe unilateralmente. Há de haver dois para serem amigos. Há de se ter cumplicidade e reciprocidade, ainda que tal reciprocidade não implique em imposição, do tipo “eu te dei carinho e agora quero em igual profundidade”... Esses temperos fundamentais para a fórmula (im)perfeita na arte de ser amigo soam espontâneos feito os banhos de chuva da nossa infância. Quando não é natural, outro nome pode ter, amizade não o é.

Deixando vagar os meus pensamentos, compus o retrato escrito da minha amizade... E gostei do que vi. É forte, frágil, humana.  Me apaixona o seu riso solto, contido, alto... Seu sotaque misturado. A pele que se metamorfoseia, num instante me vem brancura, outro é pura morenice, em seguida negritude. Brasileiridade linda tem a minha amizade.

Filosofa comigo desimportâncias, me instiga reflexão das coisas da vida, verseja lindamente, liga só pra dizer “senti saudades” e gostamos de nos falar todos os dias, mas quando isso não é possível, a bem querência se acomoda guardadinha na saudade, esperando o exato instante do encontro. Adoro dizer amores, mas também sou muito boa em proferir poesias sob forma de xingamentos. Discorda de mim o tempo todo, concorda comigo quando nem espero, fingimos indiferença, sabemos ser mutuamente egoístas e chatos... Sabemos amar o imperfeito.

Acho graça da sua TPM crônica, as crises existenciais constantes, a sisudez eventual... Me dói a sua ferida, lhe machuca sentir meu choro. Consola minha alma ouvir um “só podia ser você pra me fazer rir numa hora dessas”...

É bacana escutar a mesma música, numa descombinação surreal de gostos ou viajando no mesmo som... Bom mesmo é a companhia, o ombro cuja disponibilidade é imensurável, feito uma tatuagem escrito “quer deitar aqui agora?”.

Temos a idade dos sonhos. Somos maduros, jovens, adolescentes, infantis... Me chama de Mi, Mil,   Memem, Miminha, Milinda, MilenA... Aos seus olhos e coração sou lagarta listrada, flor rosa e vermelha, doce e igualmente ácida... Sou ironia e sarcasmo, melindre e sentimentalidade.  Amo seu jeito brejeiro, ranzinza, descolado, palavreando sobre tudo, me pedindo respostas impossíveis à minha vã filosofia... Procuro seu colo sempre que preciso, ouço seu sussurro me pedindo presença.

Descobrimos juntos o valor de nos aceitarmos como somos, embora seja ainda mais importante recuar quando preciso e compreender que a razão oscila e pode estar tanto lá, quanto cá. A razão não gosta de morada fixa.

De perto do mar, de onde vem o frio, da roça cibernética, do canto mais longínquo, ou aqui do meu lado... Minha amizade vem ao meu encontro e nossos braços abertos se entrelaçam... E isso parece mesmo ser o melhor amor que há.


Fora de contexto: 

Beijos!



14 comentários:

  1. Não tenho talento para definir amizade como realmente a sinto... essa lagarta listrada!

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  2. Amizade, para mim, inclui aturar um pouco o mau humor dos amigos e amigas, algumas dessas meio instáveis...
    Em compensação, ganhamos o privilégio de compartilhar também os bons momentos, mesmo que à distância...
    É o tempero da amizade!
    Abraços, Milene!

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  3. Hum... tomara que toooodas as suas amizades leiam essa declaração amorosa! Desejo que essa gata e rata retomem o "amor que nunca morre"...e tenho dito!
    Beijuuss, Mi_nina ternura, n.a.

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  4. Amiga minha, eu te amo
    Neste amor que nunca morre;
    E o Quintana me socorre
    Nesses versos que declamo;
    E se em crônicas cantares
    Este belo quintanear,
    Serão versos Milenares
    Com sabor de Quintanares,
    Em poesia milenar!

    Beijos, Miminha.

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  5. Milena,
    Sempre me surpreendo com os seus escritos, feitos de uma beleza que não se descreve...lendo essa mais que bela escrita, lembrei-me do meu AMOR, da minha irmã, minha mãe, minha avó, meus amigos - aqueles que são os irmãos que escolhemos para essa jornada, a vida.
    Um grande abraço,
    Cíntia

    www.estilotanodna.com

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  6. Lindo mesmo. Amor-amigo, dualidade que encanta, eleva e enleva...
    beijossssssssssssssssss
    Anônimo Luck

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  7. Que bonito isso tudo aí Mi!

    A vida nos ensina todos os dias o ser e o estar, assim como saber amar e aceitar o outro. Coisa difícil essa, mas essa amizade que vc desenhou em seu texto é puramente isso mesmo:

    Cumplicidade, aceitação, individualidade, confiança, colo, ombro e principalmente RECONHECIMENTO para com o outro!

    *É bom demais desabafar e desabar nos braços dos amigos e principalmente sabê-los presentes!
    O MSN que o diga KKKKKK
    Bacios lindeza mia!

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  8. É muito lindo tudo isso que você descreveu sobre a amizade titia, e pensar que eu já acreditei ter uma amizade tão boa assim.Mas amigos de verdade nunca se separam o sentimento fica vagando no coração de uma das partes envolvidas, que nunca o deixará morrer.Você sabe do quem eu estou falando. Beijos adoro você.

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  9. Poucas vezes vi uma descrição de amizade que se aproximasse tanto da realidade - pra mim....

    Mas, muito mais do que isso Mi, tenho voltado com tempo pra te ler, tamanho o assombro que teus textos me causam...de tão simples e lindos, se tornam numa preciosidade sem medida, que me causam puro prazer e provocam emoções que se misturam...

    LINDO DEMAIS!!!
    Bjo grandão, como é tua alma e teu coração!

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  10. Lindo... sei que você percebeu que em momentos falou sobre amor mais como paixão do que como amizade... Na verdade sei que você fez de propósito!

    Sei por que você sempre vai ser uma eterna amiga, uma incansável amante e um profundo amor não consumado... pena que minha inconstância não me permita que você seja a única. ;*

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  11. Dá vontade de pegar esse texto ,embrulhar, e levar para casa .

    Pela qualidade e pela enorme carga afetiva.

    Advinha se vou te deixar um beijo...

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  12. Qual a multa prevista pra blogueiro que faz leitor chorar em dois posts seguidos?

    Sim, porque chorei com a tua homenagem pra Jaciara e agora essa beleza aqui, pedaços de carinho coloridos grudados na tela, saltando aos olhos.

    Não sei se posso te perdoar por isso, guria, não sei, eu vou pensar.

    ¬¬

    Sua linda!

    Que prazer te ler, que bonitas as pessoas que sabem colocar a alma revestindo o corpo, no lugar da pele.

    Um beijo.

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  13. Você sempre será minha lagarta listrada.
    Beijos!
    Si.

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