sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

TRINTA DIAS PARA UM ABRAÇO



É chegada a hora do acerto de contas... O balanço anual que se faz impreterivelmente, jurando mais esforço e atitude para o pobre coitado que chega a fim de tomar conta dessa absoluta maluquice chamada vida.

A velha história de jogar nos ombros do ano novo a responsabilidade das realizações, exige-se prosperidade, saúde, paz, amor e tantos outros ingredientes para se preencher lindamente um ano feliz. A questão é que esses itens estão disponíveis todos os dias. Há um cardápio diversificado de sentimentos e emoções a serem compartilhados a fim de tornar mais aprazível a figura da vida, mas a correria alucinada do dia-a-dia só permite a urgência e quando se  percebe, foi-se o tempo carregando as metas inalcançadas.

Pobre ser humano! Tão tolas são as suas prioridades. Tão egoístas são os seus quereres... Preocupa-se consigo, seu conforto, seu progresso. A cada dia fica mais extensa a lacuna que o separa do seu vizinho. Alimenta a solidão de ser um só, assim é mais prático e menos arriscado. Desaprendeu a estender a mão, a pedir em um colo, abrigo. “É a vida moderna!  É preciso ser objetivo, trilhar metas e percorrê-las a ultrapassando os obstáculos a qual custo. É preciso buscar sempre o primeiro lugar e dessa forma atingir a real felicidade”... Pensa o tolo racional.

A cada passo dessa corrida maluca em busca de quase nada, fragmentos de sentimentalidade vão se perdendo pelo caminho. E o que é o homem se não carrega em si uma porção generosa de sentimentalidade? Quem o salvará da sua própria racionalidade burra?

Os últimos trinta dias do ano são insuficientes para se amealhar quereres. Solidariedade com prazo de validade é ilusória. Há todo o tempo as gentes precisando de um pão... Ou uma mão. Toda a vida, um coração. A ampulheta acelera o tempo enquanto ainda se corre para um último abraço, daqueles guardados num baú qualquer, quando o dia-a-dia se fez urgente demais para dar espaço a esses detalhes sentimentalóides. Os perdões deverão ser lançados, a época é ideal para isso. E porque é Natal, porque caminha dezembro, os homens fingirão boa vontade, até que amanheça o dia primeiro do ano que chega...


Feliz Natal verdadeiro, aquele cujo espírito se mantém vivo a cada dia.

8 comentários:

  1. Tomara os propósitos e bons desejos, bons gestos permaneçam, não é?

    Que seja um NATAL cada dia...beijos,lindo NATAL!!!Muita LUZ e tuuuuuuudo de bom,chica

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  2. Brigado por me lembrar, Mi. Preciso fazer uma lista nova - a desse ano (lembra?) já tiquei todinha.
    Um conselho a quem vai fazer a sua listinha: NÃO PONHA NELA "SER FELIZ". A felicidade é uma consequência.
    Como exemplo, o primeiro item da minha nova lista vai ser: "Continuar amando a Milene". Esse eu tiro de letra, e já garanto uma boa dose de felicidade.
    Beijos.

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  3. Que seu ANO NOVO seja perfeito e cheio de tantos abraços quanto você desejar. Não espero todo um ano. Abrace sempre e preste contas com abraços em todos os momentos. Eles curam mais do que caixas de remédios... Grande abraço e FELICIDADESSSSS!

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  4. Fiz acerto naummm (será que tô fu e mal paga?)Aliás, chego a sentir uma felicidade pueril por ele estar acabando. Que 2012 venha sem lista, sem promessas (será que tô fu e mal paga?), mas venha trazendo você... minha Mi_nina ternura amaaada. E eu daqui já antecipo: OBRIAGADA! Deixo o que me escreveu no último natal (gostava de estar aí...) e vc nem sabe os efeitos que seu colo teve naquele dia 24...Só eu sei.
    "Madame Surtô... Queria-te aqui, à mesa do meu Natal não tão tradicional, mas feliz. Não cumprimos os ritos, é bem verdade. Mas há tanto sorriso e amor pairando no ar que é bem bacaninha... Adoraria que estivesses.
    Beijos, uns tantos, levando meus kandandos a não atravessarem tanto mar porque em Minas não tem mar (rsrsrs... não resisti. Amo a palavra "kandando". Amo o Kimbanda que a ela me apresentou através de ti.
    A blogosfera é mesmo mágica... Me deu você.
    Beijos, minha querida surtadinha.

    Então, FELIZ NATAL!!!
    Beijuuss, montes deles...hj, nessas bochechas rosadas de ser

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  5. Não consigo me adaptar ao espírito natalino comercial, nunca consegui.

    Um beijo, Milene.

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  6. "A questão é que esses itens estão disponíveis todos os dias."

    Gostaria de ter esse mesmo dom que tens de ir direto ao assunto e pôr em evidência as coisas fundamentais!
    Por isto é que não gosto de "dias" disso e daquilo!
    As nossas propostas, se autênticas, tem que estar presentes sempre e ser transparentes em nossas atitudes!

    Brilhante post, Milene!

    (Para "variar"!)

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  7. PERFEITO... ESQUECEMOS DE QUEM SOMOS QUANDO ÀS TAIS FESTAS APARECEM, TENTAMOS SER O QUE NEM COMBINA CONOSCO, INFELIZMENTE.

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  8. Verdade muito bem colocada. Se esse espírito estivesse mais presente, não ficariam todos nessa louca correria, quando o ano vai terminar.
    Até os abraços parecem ensaiados e vazios. Não há tempo para a ternura esquecida por 11 meses.
    FELIZ NATAL para você, também, com o mesmo espírito real com que formulou os votos.

    Bjs.

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