domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Labirinto Imaginário



O parco cômodo de paredes frias parecia mover-se lentamente. Encontrava-se ali, inerte, enquanto em pensamentos surreais elas, as paredes frias, certamente viriam ao seu encontro. Era o momento exato de escolher entre permanecer nessa condição de refém dos seus monstros invisíveis ou sair em busca do que ainda nem imaginava. Sabia tão somente que precisava abandonar esse cenário taciturno, livrar-se dos devaneios que a enlouqueciam. O tédio a sufocava. As paredes eram o tédio que esmagaria a qualquer instante a sua existência patética. Escancarou a porta ao extremo e lançou-se pela noite. Sentia um fascínio absurdo pela nobre senhora protetora dos ébrios, poetas e solitários. Gostava dos seus labirintos. Caminharia sem rumo até que a última estrela se fizesse adormecer. Pelos becos escuros, livre de todos os medos, fragmentos de suas confusões interiores eram deixados para trás a cada passo. Despia-se deles e se sentia leve. E se cantasse naquele momento, se soltasse sua voz o mais alto que pudesse acordando homens e mulheres que talvez estivessem trancafiados dentro de suas próprias paredes frias num risco iminente que estas se movessem, esmagando sem piedade suas vidas sem sal? Sorriu ao imaginar as janelas dos velhos casarões se abrindo, sonos e gozos interrompidos, olhares entremeados entre irritação e curiosidade. Não convidaria ninguém a lhe seguir. Queria ir sozinha, faria companhia à noite, até o último instante, sob o orvalho fresco, naqueles becos que se irritavam com a lua por desmantelarem o breu total. Becos não cultivam a claridade, se propõem a intimidar e as luzes advindas dos céus lhes tiravam um tanto desse ar de mistério e pavor. Ora estreitos, ora mais largos, eles pareciam intermináveis. Sabia que caminharia muito até encontrar o Sol e cumprir sua missão de guardiã da noite. Por fim, voltaria ao seu pequeno quarto exaurida e plena. Os monstros interiores teriam sido deixados por onde nem se lembra e agora se vestia numa carapaça resistente, imune aos fantasmas convidados pelo tédio, preparada para descobrir essencialmente a maravilha da arte de existir, cheia de riscos e surpresas inebriantes.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Da Patética Arte de Amar




IMAGEM SUTILMENTE COPIADA DO BLOG MARGINÁLIAS SUBVERSIVAS

O amor é mesmo bichinho complicado de ser esmiuçado. O tempo caminha, as sociedades mudam e lá está o tal entranhado nas vidas alheias, alternando estragos com alegrias.. Reinando absoluto entre tantos sentimentos.
É cego, sabiam? Comprovadamente cego. Traduzindo um estudo feito por uma Universidade lá no Rio Grande do Sul, o sujeito apaixonado perde o senso. Ocorre o desmantelamento das certezas, do ponto de vista equilibrado e racional quando se dá conta que abriu fronteira pra invasão desse sentimento atordoante.  Para ele, o sujeito amante, o motivo de sua querência não apresenta defeito de fabricação. O cérebro bloqueia as informações negativas e de jeito algum processa julgamentos críticos acerca daquilo que as emoções sugerem ser a própria perfeição. Assim a pessoa embasbacadamente enamorada se permite viver sem nenhum pudor emocional aquilo que projetou como sendo o troço mais porreta que jamais viveu, incontrolável, imensurável... A partir de então a vida já não é mais imaginada sem a presença desse ser sob a moldura colorida do amor . A vida definitivamente só terá sentido trazendo o mô, benhê, fofucho (essa é de lascar), bebê, lindo, vida, nêgo... Transforme-se todos esses apelidinhos mimosos para o gênero feminino também, pois os homens abusam da capacidade de serem melosos quando apaixonados.
Parece que além de cego o amor implica numa certa ridicularidade...  Bacaninha ridicularidade.
É fato que com o passar do tempo, fadados à convivência, essa visão dourada acerca da pessoa amada vai se transformando e passa-se a percebê-la de uma forma mais coerente. Observa-se desnudo, sem as fantasias projetadas, com todos os desajustes tipicamente humanos. O amor então deixa parcialmente a condição de completamente cego e já faz uso de uma bengalinha charmosa, ou de um cão labrador que não permita o embarque absoluto nas insanidades amorosas.
A verdade é que viver é bem mais prazeroso quando se tem um amor pra sentir. Acordar e abrir um sorriso ao remeter o pensamento à determinada criatura, que por sorte estará fazendo exatamente a mesma coisa, no mesmíssimo momento, é deliciosamente tolo. Ouvir mil vezes a mesma canção, lembrar da pessoa nos momentos mais improváveis, tudo traz uma sensação de prazer um tanto doído que de fato não tem explicação. Camões diz do amor: “é o fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”.  Coisa mais genialmente maluca isso. Consente-se que esse fogo se faça chamas. Vive-se melhor assim, mesmo a ferida latejando e o coração sangrando como retratam os poemas mais românticos.
Estar sem amar é se perceber num vazio. Existe ali um espaço desabitado que parece ecoar com urgência um inquilino, a bem da verdade um proprietário é o desejo maior. Se some o amor, esconde-se não se sabe aonde, há os que aconselham que se viva um amor inventado, pra se distrair, como dizia Cazuza. Um amor a cada dia, escancaradamente se deixar amar. Se parece volúvel, frágil, artificial, ao menos servirá para desempoeirar o coração, acordar um tanto as emoções para que jamais se esqueçam de como amar pode ser... divertido, patético, nobre, doloroso, fundamental ...

Ah, l'amour ...

Para vossos ouvidos de amor, 
uma canção que a síndica desse negócio descobriu totalmente por acaso, 
apaixonou-se e largou jamais.
.



Venha cá, me abrace, oxente!



Os temas andaram escassos por aqui. Envolta numa tristezinha doída, guardei as palavras no fundo da minha gaveta bagunçada até ter vontade de tirá-las do castigo. Então agora posto-me aqui, peito escancarado, fazendo valer o máximo da inseparável pieguice, a fim de me derramar em amores, como tantas vezes fiz.
Sim, estou sendo repetitiva. Esmiucei tanto esse tema que acaba por perder a graça e ainda assim não me canso.
Não vejo outra forma de dizer aos que me cuidam por meio dessa tela fria, o quanto lhes sou grata. Percebo que pegam um pouco da minha tristeza, mostrando como amigos de verdade fazem, compartilham inclusive as dores. Principalmente as dores.
E é reconfortante.
Esses dias chorei, não de tristeza, lendo Regina escrevendo palavras de esperança aos amigos, citando a minina ternura dela especialmente. Lágrimas e sorrisos se misturaram.
Hoje, outra vez sucumbi à emoção e chorei lagriminhas de contentamento, ao ler o que a minha Lois escreveu pra mim, com a clara intenção de me dar colo e dizer que tudo há de ficar bem.
Sei que vai.
Esperarei.
E será breve essa espera.
E será mais fácil porque tenho ao meu lado, confortaveizinhos no meu coração pessoas que me devotam amor da forma mais singela, sublime, pessoas que fazem menos tempestuosa a travessia.
Hei de falar por toda a minha vida sobre amizade e nem sei se serei capaz de dizer tudo. Gosto dos vários ingredientes que a compõe. Quero o doce, o amargo, o ácido. Gosto do afago, da bronca, do desaforo. Adoro o melindre, o afeto, o bico desnecessário. Ralhem, falem, cantem... Se desencontrem de mim. Me achem novamente e jamais me percam. Digam poesias. Me digam nada, apenas sorriam. Estejam sempre comigo como, mandando às favas a falsa modéstia, sei que gostam de estar. Isso me faz grande, blindada contra as amarguras e forte o suficiente para contornar as tormentas.

Venham cá, me abracem, me deixem dizer OBRIGADA, oxente!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Monólogo



Eu que chamo por Ti, mas aqui quietinha, do meu jeito, eu que não sou de ficar propagando e gritando aleluia ou rezando novenas, estou aqui, numa súplica como jamais fiz na vida.
Bem que tentei ter Contigo o papo íntimo que Rodolfo consegue lindamente. Gostaria também de ter a fé e a certeza de minha irmã, que tudo será resolvido por Ti, mas me perdoa, não tenho. E Tu bem sabes do meu pensar ressabiado, bancar a hipócrita aqui seria patético.
Tentarei um monólogo, onde só eu falo e Tu me escuta, paciente, magnânimo, Senhor da razão e do amor.  Tentarei conter um pouco da minha intolerância e impaciência com as coisas malucas desse mundo que Tu criaste e nós cá embaixo tratamos logo de sapatear em cima. Não entendo de injustiça, jamais entendi e hoje compreendo ainda menos. Sempre me falam que Tua justiça é sábia, que sempre acontece, mas é cruel que aqui na Terra as pessoas tripudiem sobre as vidas das outras e disponham delas da maneira que quiserem. É covarde escolher alguém pra ser culpado apenas porque é necessário ter um culpado, mesmo que se fabrique algum, pouco importando se famílias sangrarão por dentro diante de tamanha provação.
É ruim demais a sensação de impotência e incredulidade.
É igualmente ruim perceber que uma vez no meio do furacão é difícil não ser apontado e julgado sumariamente. Assim são os Teus filhos. Sentam-se em suas poltronas em frente à TV e dão seu parecer às noticias assistidas. Todos são culpados. Os que se meteram em encrenca é porque assim o mereceram e o dizem sem clemência alguma. Julgam com ar de superioridade, condenam senhores de si e submetem à quarentena. Estão acima do bem e do mal, jamais errarão como aqueles “bandidos” dos noticiários. Sim, porque se estão lá é porque são bandidos de fato, não há outra explicação. Tu já ouviste quando proferem aquela frase de que “bandido bom é bandido morto”? Pois é, falam isso cheio de orgulhos e é pouca a preocupação em perceber quem é de fato bandido ou não. Se a situação é comprometedora, foi-se a possibilidade da pessoa ser inocente, é assim que funciona.
Não compreendo como essas mesmas pessoas dizem Te ter em seus corações. É isso que aprendem na Bíblia, a julgar e condenar, apontar seus dedos cheios de arrogância e sem nenhuma comiseração? Tenho certeza que não. A Bíblia deve ensinar coisas lindas. Ando em dívida Contigo... Muito mais comigo... Não conheço o livro que diz a Tua palavra. Nem prometo fazê-lo agora porque não vou dizer mentiras. Talvez um dia conheça. Talvez não... E sinceramente não me acho pior que essas pessoas que vivem a urrar aleluia ou desfiam um rosário a cada meia hora... Algumas delas esquecem de Ti na hora de dar a mão ao seu semelhante no momento em que ele mais precisa. Essas só sabem odiar.
Vê? O tempo foi passando, me perdi em indignação e nem falei o que me trouxe aqui. Não vim Te pedir por mim. Sabe, minhas dores, as físicas e emocionais, se tornaram ínfimas diante de um tormento gigante que se abateu por essas bandas. As minhas dores não são coisa alguma se comparadas ao sofrimento que tenho presenciado. As pessoas tem definhado e temo que não suportem tanto penar. Então, Te peço que interceda, aponte o caminho justo, apenas isso, o caminho justo, a porta da saída desse labirinto infame. Faz um afago na cabeça de quem tanto chama por Ti, em muitos e comoventes bilhetes e crê na Tua justiça, no Teu amor.  Acalenta, protege, abraça o Teu filho que tanto carece. Veste-o de fortaleza e fé, fazendo assim suportável a tormenta... 
Não quero abusar da Tua paciência infinita, me fiz escutar e isso me basta. Agora sigo, com um pouco de quietação nessa minha alma cheia de dúvidas que se misturam a dor e esperança. Dela, a esperança, não me afasto.

Boa noite e obrigada!


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Flor e o Fogo


O Silogismo da Amizade

Onde estavamos que eu não te percebia ?
nem viu voce meu mundo confidencial 

onde desnudo-me por inteiro.

no inicio dificil nasceram as raizes.
vi um feixe de primavera nos teus olhos...

agora ...ah ! e agora...!
agora eu peço aos ceús que prolongue nosso ciclo
para que não partamos tão depressa.



Moisés Poeta 
(Para Milene Lima)




Brincamos assim, que se fôssemos música, ele seria um desses blues cheios de charme e eu Yesterday, a mais linda canção dos Beatles, sob o seu conceito tão rebuscado.


Quisera eu cantar pra ele, feito aqueles velhos negros americanos, que mais parecem dizer em música todos os sentimentos do mundo.


Combinamos assim, que nos encontraremos qualquer dia, num lugar qualquer, ao pôr-do-sol. E brindaremos com vinho a materialização desse encontro que se perpetuou quando trocamos as primeiras palavras. 


Declamará pra mim os mais incríveis versos... Ouvirei atenta e admirada, observando como brilha enquanto lê, seu olhar que é só poesia.


Ele, liricamente, viu um feixe de primavera nos meus olhos.

Enxerguei nele a erudição desprendida, uma capacidade incrível de saber sem ser esnobe... A poesia intrínseca, inerente, genuína.

Me embrulhou um poema.

E eu que não sou poeta, eu que só sei verbalizar o amor, sem métrica, sem rima, sem o justo léxico, tento apenas mostrar-lhe, mesmo no meu silêncio, o quanto me é importante poder compartilhar dores e alegrias com ele.

Assim, feitos de emoção, sensíveis, melindrosos, petulantes (ele diz que o é), ranzinzas (ele é sim), librianos, botafoguenses, fogo, flor, poesia... Somos fundamentalmente amizade.

E os céus, comovidos com tamanha bem querência, não relutarão em prolongar o nosso ciclo...






segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Pássaro



Há tempos os meus sonhos adormeceram. Não que fosse de minha vontade, eles foram se desintegrando de mim e se perderam por aí. Quero-os de volta, anseio por isso em dias em que a realidade tem se apresentado tirana. Devo voltar e resgatá-los.  Buscar os sonhos de mãos dadas com a esperança. Que eles jamais se percam de mim. Quero ver livre o pássaro cativo, vê-lo outra vez ganhar asas. Não saberá viver preso o pássaro triste. Sonharei por ele. Me encherei de força para suportar a espera de ver em liberdade o pássaro que nem mais canta. Que mal fez o pobrezinho, que só gostava de ver correr a bola para lá e para cá? Só cantava, alegremente cantava enquanto corria a bola. Engaiolaram-no porque cantava o mais alto que podia. Merece a imensidão dos ares, o bichinho. Não lhe são dignas as grades de uma gaiola. Sonharei com o instante em que lhe será devolvido o justo direito de voar. Acordarei esse sonho todos os dias e sorrirei em breve ao senti-lo real. É por ele, o pássaro, que não há de ser feliz cativo, que encontrarei meus sonhos e esperanças perdidos. Serão meu alimento, saciarão minha sede. Me vestirei deles a cada amanhecer. E que seja em breve esse voar...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Poções Mágicas


QUE BACANA TÊ-LOS AQUI COMPARTILHANDO DESSA HOMENAGEM A ESSE HOMEM DE ESPECIAL ESSÊNCIA. SUGERIMOS QUE CLIQUE AÍ E OUÇA A MÚSICA, SE DEIXE EMBALAR PELO SOM PREFERIDO DO BRUXO QUE MAIS PARECE ANJO.




LEONEL, AMIGO PESSOAL DE RODOLFO, GENTILMENTE ESCREVEU SOBRE ESSA AMIZADE TÃO LONGA E ESPECIAL. ACHO QUE O BRUXO ATÉ DESCULPARÁ A AUSÊNCIA DO MOÇO NO CHURRASCO.

Adicionar legenda

Quando a Milene propôs a idéia desta pequena homenagem ao meu amigo de longa data RR Barcellos, eu comecei logo a escrever. Como sempre acontece, escrevi demais e depois tive que “enxugar”, pois do contrário eu me tornaria maçante para os leitores e nem o homenageado gostaria que eu ensaiasse a ser seu biógrafo não-autorizado.
Bastaria dizer que nossos caminhos se cruzaram duas vezes na vida, antes deste terceiro reencontro na blogsfera, onde pude reve-lo cercado dessas pessoas maravilhosas que ele parece atrair como um imã, além de velhos amigos comuns a ambos.
Mas, neste presente, que mais me parece o futuro que eu imaginava quando garoto, eu posso interagir com seu avatar, o cavaleiro jedái que chamam O Bruxo, e eu prefiro chamar de El Brujo, talvez por lembranças das nossas jornadas castelhanas.
E, por incrível que pareça, ele ainda me reservava mais surpresas, revelando habilidades que eu desconhecia. Pois não é que além de sua incrível capacidade de assimilação de informações, de sua cultura geral, e do seu desenvolvido raciocínio lógico e matemático, o cara ainda tem dotes artísticos, e se aventura na música e na poesia?
Isto tudo além de ser um hábil enxadrista e ótima companhia para jogar conversa fora, enquanto se deleta algumas cervejas!
(Deleta, mesmo, acaba com elas!)
Como a perfeição é reservada para os deuses, lamento informar que meu amigo é tricolor! Pois é, tinha tudo para ser mais um alvinegro, mas enfim a vida é assim...
É a este cidadão que queremos homenagear pela passagem do seu aniversário de 65 anos bem vividos.
Mas, usando seu aniversário como pretexto, estamos aqui é para transmitir a ele nosso apertado, caloroso e emocionado abraço virtual !
Parabéns, amigo, desfrute destes momentos no agradável convívio de sua maravilhosa e simpática família!
E continue a nos deliciar com suas interessantes e belas postagens!


REGINA IDEALIZOU ESSA HOMENAGEM AO NOSSO AMIGO, COM A SUA PECULIAR CAPACIDADE EM DEVOTAR AMOR. CONTRATEMPOS, FIZERAM COM QUE ELA QUISESSE SE AFASTAR DO PROJETO, ALEGANDO NÃO SE ACHAR EM CONDIÇÕES DE ESCREVER ALGO DIGNO DO MERECIMENTO DO BRUXO. EIS AQUI UM TRECHO DE UM EMAIL ENVIADO POR ELA, SE JUSTIFICANDO LINDAMENTE PELO AFASTAMENTO... PRECISA FALAR MAIS O QUE? NADA MAIS JUSTO QUE ESTEJA AQUI, DIZENDO-LHE AMORES MERECIDOS.


Escrevo com certo temor de não vou conseguir dizer pro Bruxo o que sairia naturalmente para um ser tão especial que habita meu coração sem carecer de pagar aluguel. Rodolfo chegou ao divã no dia 30/09/10, logo depois do niver da Memem... E  quando vi aquele comentário primeiro com uma intimidade de grandes amigos aguçou meu olfato de afinidades. Me chamou de Regina, hoje já é Rê entre outros chamamentos e escreveu:

- Regina, você precisava estar no velório do meu pai (morreu de câncer)... Os oito filhos, com suas famílias, conversando e rindo com as lembranças boas que ele nos deixou... Até minha mãe (que também, já foi), deixava escapar um meio-sorriso quando relembrávamos alguns "causos" que a tocavam especialmente.
- Numa capela próxima do mesmo cemitério, outro velório transcorria num clima pesado, e alguns participantes olhavam-nos com ar de reprovação...
- Quando chegar a minha vez quero um velório bem festivo, como o do meu pai.
- Abraços.

Nem disse de onde veio, como e coisa e tal. Entrou, sentou, fuçou (foi lá no primeiro dia de divã e comentou também, pode???) e eu aconcheguei em alegria... Como faço com AMADOS DA BOCA PRA DENTRO! Daí começou o ir e vir e o encantamento por cada comentário, poesia, palavras de carinho e até mesmo leves puxões de orelha...Tudo com uma amorosidade de quem é AMIGO! E como posso agora homenageá-lo nesse natal que tem um gosto diferente? O primeiro sem sua amada, companheira de tantos anos... Com os filhos alçando seus próprios voos e euzona aqui nesse emperramento? O mais maluco é que esse terreno sempre me foi fértil... Deixar as palavras dizerem da minha admiração, amor por aqueles que moram no meu coração! Mas não vou conseguir... Não nesse estágio em que me encontro...
AMO DE VIVERRR esse Bruxo prá escrever uma bobagem que não fará jus ao tamanho de sua GIGANTESCA MANEIRA DESER!





PALAVRAS POÉTICAS DE SIMONE, PARCEIRA DE POESIA DO BRUXO, AGORA SUA AMIGA DE ABRAÇO (O QUE CAUSOU EM MIM E REGINA UM ENCIUMAMENTO INCONTROLÁVEL), UMA DE SUAS TÃO QUERIDAS E PROTEGIDAS NOTAS MUSICAIS... AQUI TAMBÉM HÁ MUITA AMIZADE, PORQUE RODOLFO É DESSES, DESPERTA BEM QUERÊNCIA A CADA CAMINHAR.


És como som de Mozart, um minueto 

Um homem anjo, bruxo, alquimista de palavras
Erudito menino, coração que vive a explodir como
Som das sete quedas, com a simplicidade dos sete ramos
É na perfeição incansável dos sete que quando se adiciona mais um
vira infinito...
São infinitamente maiores seus gestos traduzidos em palavras
Em cuidado, atenção de amor, de amigo, de irmão
No interlúdio da sua vida - ópera, pára apenas para criar e gerar mais amor
Produzindo e espalhando sonoras letras gentis
Podemos falar de enganos, podemos falar de alegria, podemos falar de paixão
Podemos falar de tristeza
Sabes sempre encontrar em cada momento um motivo para reconstruir a beleza
És como o primeiro minueto de Mozart, onde anjos e crianças dançam ao seu redor
Onde pisas conquistas, aonde tocas enobreces, onde olhas encanta, com uma simplicidade infantil e com a consciência madura de quem já sabe que o mundo pode ser bem melhor
Num dia alegre de verão, em um dia luminoso como esse, mesmo que mil chuvas caiam
Desejo a você todo esplendor como a Voz de Primavera de Strauss...



TODAS AS IMAGENS SOB A MAESTRIA GENEROSA DE TATTO, QUE NÃO FARIA DIFERENTE EM SE TRATANDO DO HOMENAGEADO, SEU AMIGO E PARCEIRO DE PAPOS BEM HUMORADOS. ELES SE ENCONTRARAM PELA VIDA VIRTUAL E LUCRAMOS NÓS EM TÊ-LOS A NOS ENGRAÇAR.




ME PUS A PENSAR NO QUE DIZER A ESSE HOMEM QUE É TUDO, QUE É MUITO. FICARIA POR INSTANTES INFINITOS E NÃO SERIA O SUFICIENTE PRA DIZER-LHE DA HONRA EM SORVER DO SEU SABER, SER VÍTIMA FELIZ DE SEUS CUIDADOS... TENTEI CONTAR UM POUCO SOBRE ELE...

Voa o bruxo pelos céus sem fim. Voa a procura das estrelas...São suas todas elas, dançando em órbita, em pares numa valsa eterna.
Voa o bruxo sob as asas de um avião, que por toda a vida o levaram para lá e para cá, em viagens mágicas entre céus e terra.
Vez ou outra ele aterrissa... Pousa inusitadamente num lombo de um camelo, feito um personagem de algum épico que devora com uma gula que só os grandes sábios possuem. E novamente ganha asas o bruxo, prum canto e outro, seguindo suas estrelas. Gosta de ser o dono delas, suas eternas namoradas a brilharem apaixonadas, que só se escondem para lhe presentearem com a neve, branquinha e tão próxima como só nos filmes havia visto. E brinca feito um menino até cair-se em tombos inesquecíveis.
Põe-se a voar o bruxo, senhor maior da arte de amar, que não sabe ser senão ternura, senão carinho, senão cuidado. Faz poesia, conta o amor, diz por aí das coisas da vida. Acalanta, se veste a rigor e tira a dama pra dançar. Incansável perseguidor de sonhos, o faz por si e pelos que ama.
Não sabe ser amargura. Não sabe ser sofrimento. Só sabe ser alegria esse poeta disfarçado de bruxo... Devolve à vida, em sorrisos, os percalços que ela o impõe.
Bendito seja o dia 13 de fevereiro do ano em que aterrissou por cá um sujeito poeta, disfarçado de bruxo, que nas horas vagas se faz maestro, cujo coração é o mais lindo que há, chamado Rodolfo Barcellos.
Voa, bruxo...
Vê que lindas as tuas estrelas...
Lá, pertinho do Cruzeiro do Sul, estrelinhas brilhantes, se derramando inteiras de amores por ti.
Voa sem nunca se esquecer de voltar.






PARABÉNS, BRUXO DE TODOS!



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Assalto Fofo



Conta-se que há uns meses, após mais uma noite de aula na UFAL daqui da cidade, os professores que residem em Maceió eram tranquilamente conduzidos de volta pra casa, na besta (aquele carro que tem um nome diferente em cada canto do Brasil: topic, van, sabe-se lá mais o que...), quando de repente são convidados a parar no acostamento, fechados por dois outros automóveis que os seguiam sem que se dessem conta.

Dos carros seguidores, lotados, desceram moços munidos de armas e definitivamente não queriam brincar de polícia e ladrão. Alguns entraram no veículo dos professores e anunciaram o assalto, já alertando que não iriam fazer mal algum aos passageiros, o que foi de uma gentileza ímpar, pois o povo estava esperando no mínimo a habitual truculência dos criminosos. Levaram o veículo até um canavial, aonde seria realizado o evento com maior tranqüilidade para os executores e em seguida orientarem a todos, moças aflitas e rapazes não menos, a como se comportar:

- Nós vamos fazer um corredor lá embaixo, vocês vão descendo, calmamente, um por um, nos entregando seus objetos. Não queremos suas bolsas, pois devem constar os trabalhos dos alunos e não há intenção prejudicar o trabalho de ninguém.

Que atitude mais cavalheiresca!

- Queremos apenas os notbooks, celulares e jóias

Aí os sujeitos gentis sofreram um surto geográfico e certamente acharam que estavam assaltando na Suíça, onde poderiam encontrar educadores usando jóias.

Os passageiros desceram da besta (aquele veículo multinominal), nervosos, porém tentando se controlar, pois os moços pareciam terem feito um intensivão de como manter assaltados sem pânico, enquanto entregavam seus objetos aos moços enfileirados como num corredor polonês sem espancamento. Era o que se pode chamar de um assalto fofo.

Ao finalizar o processo, deram uma pequena palestra de como as vítimas chegariam a um local aonde fosse possível pedir ajuda:

- Vocês vão caminhar alguns quilômetros até conseguir ajuda. Não parem de jeito nenhum, porque pode haver bandido pela estrada, estuprador. Está escuro, é muito perigoso... Por isso é melhor andar sem trégua. Aí lá na frente já haverá sinal de celular e podem encontrar alguém que os ajude.

Não se sabe ao certo se eles proferiram um “vão com Deus e obrigado pela colaboração”, mas o fato é que o evento finalizou-se sem maiores turbulências, graças ao fino trato dos moços assaltadores. Talvez eles tenham uma forma peculiar de tratar com cada grupo de vítimas e como se tratava-se professores, cuidaram em ensaiar textos bem palavreados antes de executar o negócio.

Quem sabe esses moços empreendedores sejam agora freqüentadores da blogosfera, utilizando os notbooks que eles gentilmente solicitaram aos passageiros e talvez leiam essa postagem? Seria uma boa idéia o líder deles – sim, porque nos modelos modernos de gestão não se aplica mais a palavra “chefe” e sim “líder”, é sabido por todos – criar um blog para orientar moços marginais truculentos a agirem com boas maneiras ao abordarem suas vítimas, mantendo assim um clima amistoso entre ambos. O mundo verdadeiramente precisa de paz e harmonia entre as pessoas.

Qualquer sugestão para o título desse blog inusitado registre-se aqui.

Abraços solidários, amistosos e muitíssimos bem educados a todos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Menina Que Não Morreu


Ouvia sempre a avó dizer que não podia misturar abacaxi com leite. Os olhinhos curiosos tentavam sozinhos buscar a resposta, mas não resistia a perguntar... E como gostava de perguntar a menina.
- Mas porque não pode misturar, Vó?
- Por que não! Abacaxi e leite junto é que nem veneno, a gente morre na hora – Dizia a avó miudinha, de olhinhos pequenos e cheios de vida, passando adiante aquilo que havia aprendido com seus pais, sem também ter muita certeza do por que.
Cultura popular é assim, se arraiga sem muita precisão de explicação. Aprendeu-se que é assim e ficou valendo o dito. Pelas bandas do Nordeste era comum se ouvir falar que fulano morreu de uma dor, de repente apareceu-lhe a dor e catapimba, foi-se!
Ela sabia da venenosa combinação do leite com abacaxi, estava caduca de ouvir tal comentário, mesmo sem alcançar a compreensão do verdadeiro motivo. Mas naquele almoço estava por demais afoita para ir à escola. Vestiu sua galeguice com o uniforme, cabelos loirinhos bem penteados e sentou-se à mesa para almoçar. Queria que a hora passasse ligeiro, teria festa e era sempre divertido. E assim almoçou sem ao menos mastigar direito, queria mesmo era acabar rapidinho.
Mas do abacaxi bem lembrava. Estava delicioso, amarelinho, suculento.
Mal terminou de devorar a rodela generosa do fruto quando ouviu do irmão:
-Oxente, tu não comeu o arroz de leite que a vó fez?
- Comi sim, porquê? – Perguntou a bichinha um tanto dispersa.
- E é doida? Quem já viu misturar abacaxi com comida que tem leite? Agora lascou-se, vai morrer, viu?
Misericórdia! O pequeno mundo da menina despencou! Como pode ter esquecido isso e ter ingerido o tal veneno? Agora não tinha mais jeito. Morreria! E todos pensariam que a morte foi causada por uma dor, simplesmente uma dor. Se ao menos o irmão lembrasse de espalhar que a culpa foi do leite misturado ao abacaxi e assim evitar que outras pessoas sucumbissem... Mas ele nem parecia muito preocupado. Deu-lhe a notícia fatídica e saiu pro mundo, brincar.
- Vó... – Falava enquanto puxava na saia da senhorinha a fim de ser percebida com urgência, antes que fosse tarde demais.
- O que foi, menina? Tô ocupada, tenho que cozer a calça do seu avô que descosturou na bainha – A avó se perdia nas horas no seu cantinho de costura, pequenino como ela, imenso em acolhimento.
- O Jean disse que eu vou morrer porque comi abacaxi depois do arroz de leite – Os olhinhos marejados pediam amparo.
- Que besteira. E tu liga pras doidices do Jean? Ele disse só pra te aperriar... Tinha pouco leite no arroz e faz tempo que você comeu, não deu pra fazer estrago não.
- Deixe eu ficar em casa hoje, acho que minha barriga vai doer. – Se era pra morrer, que pelo menos fosse em casa, pensou.
- Deixe de manha! Num tava tão ansiosa pra ir pra escola hoje? Pois vá! Vai perder a festa que tanto queria ir, fia?
A avó deu-lhe as costas, saindo pra cuidar dos seus afazeres, deixando a moleca absorta em seus últimos pensamentos. E agora? O irmão disse que não passava de 24 horas vivo a pessoa que por desgraça se via em tal armadilha.
Seguiu para o quintal. Um terreiro generoso, embora não tão grande. Lá havia a pequena horta cultivada tão amorosamente pela Vó de todos, a pequenina senhorinha cujas mãos faziam brotar o que se propusesse a plantar. Tinham também os pés de comigo–ninguém-pode, lindos, viscosos, a decorar o oitão da casa, entre outras plantas menos vistosas. E os coqueiros eram dois, com seus enormes cachos lá no esplendor de sua altura. A mangueira era emprestada. Vinha do quintal do vizinho e doava metade de sua sombra, além das mangas-espada em generosa doçura a se deixarem cair do lado de cá. Adorava brincar de fazendinha, aonde os bois eram feitos com as pequenas mangas verdes que não vingavam e caíam no quintal. Era só espetar quatro palitinhos e pronto, fazia-se uma boiada.
Lá se pôs diante dos comigo-ninguem-pode. Fascinavam-lhe aquelas folhas verdes em tons de amarelo, lustrosas, imponentes. Pôs-se a conversar e chorar. Chorava baixinho, temendo que a qualquer instante a morte, que ela nem sabia bem o que era, viesse lhe buscar. Havia cometido um erro imperdoável e agora tinha que partir.
- Eu queria me despedir de vocês. – Falava entre soluços copiosos, acariciando as folhas como se as consolando, fazendo surgir uma vermelhidão em seu rostinho como se houvesse ficado horas ao Sol – Meu irmão disse que vou morrer hoje por causa do leite e do abacaxi. Eles não podem ficar juntos, vocês sabiam? É, eles não se gostam e eu esqueci. A Vó não deixa eu ficar em casa. Talvez se eu ficasse em casa ela esquecesse de mim, a morte. Mas a Vó disse que tenho que ir, então acho que não vou mais ver vocês, nunca mais!
As folhas seguiam o ritmo do vento e balançavam como num balé, parecendo compreender a angústia naquele coração tão pequeno.
Na escola, todo o tempo olhava para a porta da sala. Pensava em como seria ela. Devia ser muito feia, já que todo mundo tinha tanto medo. Ouviu uma vez alguém dizer que a tal carregava uma foice. A qualquer momento ela entraria para lhe pegar pela mão, trazendo a foice sobre o ombro.
A tarde findou-se e nada aconteceu. Já em casa, de banho tomado para o jantar, não tinha fome. Beliscou qualquer coisa a fim de que ninguém lhe perguntasse o que havia. Resolvera que não ia mais falar no assunto, ninguém estava muito interessado em seu sofrimento, era o que parecia. Todos em casa agiam como se nada trágico estivesse prestes a acontecer. Aquilo lhe doía muito. Ninguém gostava dela de verdade?
Tentou ao máximo evitar entregar-se ao sono. A fulana não lhe pegaria de surpresa, ah isso não! Fitava o telhado do seu quarto, por vezes imaginava a porta levemente empurrada, dependurava-se a espiar embaixo da cama... E nada! Quando se deu conta, os raios de Sol davam as boas vindas a um novo dia, pelas frestas do telhado e ela saltou incrédula, quase a se beliscar.
- Estou viva!
Correu o que podia para chegar até o irmão e fazer-lhe compreender que o fato de ser mais velho não lhe garantia saber de tudo.
- Estou viva, tá vendo? – Dizia antes de exibir-lhe o tanto quanto uma língua infantil pode ser posta em exibição.
- Pronto, endoidou de vez. E era pra ter morrido por quê?
- Oxente... O abacaxi e o leite... Você falou.
- E tu acreditou? – Ouviu-se uma gargalhada estrondosa do irmão, enquanto a menina que não morreu o espiava, enchendo-se de raiva... Não por não ter morrido, percebam, mas por ter tolamente caído na conversa daquele menino que nem lembrava mais da brincadeira de mau gosto que havia feito.
Num impulso, rapidamente antes que ele se escafedesse e fugisse ao seu alcance, marretou com gosto uma das muletinhas, na época de madeira, no dedão esquerdo do pé do moleque, que saiu a pular num pé só feito saci branquelo, chorando a procura da avó para fazer a queixa...
Foi assim a história da menina que não morreu.




domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Mulher Que Inventava Amores



Vivia a inventar amores, um a cada dia, das formulas mais diversas.
Intensos,
frágeis,
avassaladores,
ternos,
platônicos,
confusos...
Amores.
Pulsava com mais verdade a vida quando ela inventava os amores, ainda que esses fossem irreais... Surreais. Ali, onde os compunha, eram tão verdadeiros quanto o seu amanhecer diário. Ela os esperava, pacientemente ansiava que viessem. Gostava de imaginar que chegariam por ela... Vestia-se linda. Guardava pra esses seres inventados o seu melhor sorriso, suas palavras de compreensão e no mesmo tom a voracidade de seus sentimentos vis, camuflados e quietos naquilo que pretensiosamente ousou chamar de amor.
Entristecia se não vinham os amores, sentia-se só naquele mundo de faz-de-conta quando os seres irreais se perdiam no caminho.
E de tanto amar o que não existia, de tanto esperar quem jamais chegaria, cansou-se. 
Não mais queria ser a dona dos amores inventados.
Por um momento apenas quis que o amor a inventasse...



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por Uma Música Apenas



Se pudesse, dançaria por alguns minutos, uma única música... Por minutos que lhe valeriam toda a vida. Se permitiria embalar nos movimentos sublimes da dança, de olhos fechados, peito escancarado, sem carecer se olhar ao dançar. Era sentir-se que queria. Sentir-se rodopiando no seu vestido branco esvoaçante, embriagada pelo som e passos numa perfeita sintonia, se deixando levar absorta pelo fascínio etéreo que a música lhe proporciona. Valsaria pelo salão vazio, descalça, a não ser pelas meias de seda já desfiadas nas farpas do assoalho, braços abertos como a chamar pra si todas as possíveis sensações daquele instante de absoluta magia. As cortinas a balançarem ritmadas pelo vento, cúmplices, testemunhariam o espalhar de seus passos por cada canto como uma solitária bailarina, arrebatada, em êxtase, quando das vezes que sua alma a levava pra dançar os mais diversos ritmos. Era um deleite sair a passear com sua alma festeira, infantil, inquieta, que jamais se conformou em obedecer à vida quando essa lhe disse serem impossíveis aqueles momentos ímpares. Sentia-se livre feito uma libélula, num balé individual frente ao bico de um colibri... Alegre! Por toda a vida alegre quando fazia suas viagens fascinantes, a dançar por aí. Agora, só agora, por um único instante, queria ter a sensação de girar na sua coreografia aleatória, com seus pés descalços e olhos fechados... Dançar por minutos de imensurável contentamento e levar o corpo a sentir o mesmo prazer que se permitia através do seu espírito bailarino, entre um rodopio e outro. Ela só queria dançar, por uma música apenas...




Beijos gratos ao Tatto pelos pitacos 
que tornaram mais prazerosa a construção desse texto...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ela Decidiu Viver



Esses dias minha mãe teceu suas considerações sobre uma amiga, comentários não muito favoráveis, pois a moça é um tanto difícil de lidar, não anda a distribuir sorrisinhos fáceis. Eu falei que ela tinha razão, a garota é realmente meio pedante, mas sei que tem amizade verdadeira por mim, é carinho real. E falei, mãe, eu gosto de quem gosta de mim. Ponto! Esse é o maior requisito pra o início de uma amizade, depois a gente vai percebendo se o negócio dá liga ou não. É assim que sempre funciona pra euzinha...

Me ponho a imaginar como seria a vida sem amizade. Inconcebível! Me torno piegas ao extremo quando abordo esse tema e como amo a pieguice! Perdoem os que torcem o nariz para quem vive a vida a sentimentalizar como eu. Perdoem! Certamente por aí haverá inúmeros perfis bem mais interessantes, inteligentes, rebuscados... Explore! Aqui só encontrará sentimentalidades, as mais intensas e variadas... Sentimentalidades!

Assusta às vezes a forma com que algumas pessoas demonstram carinho por essa pessoa aparentemente doce, cuja dose de acidez não pode ser jamais ignorada, que sou eu, aqui no mundo virtual ou cá no mundo do abraço... A vida me deixou de fato mal acostumada. E numa dessas vezes de questionamento de tanta bem querência gratuita, esbarrei por aí, por aqui com uma menina que volta e meia estava a espiar minhas inquietações. Então ela veio mais a cada dia, sempre carregada de palavras gentis e amorosas e eu espiando meio ressabiada. Oxente, mas porque ela é tão carinhosa? E aos pouquinhos fui fazendo o caminho contrário, indo lá conhecê-la. A história dela com a sua Débora é das mais lindas de amor, encantou-me, causou espanto e admiração imediatas. Então percebi que estava no lugar certo, que não era média de alguém querendo mais um seguidor. Ali era gente de verdade! E quando me dei conta, estava querendo abrir meus braços, querendo-os gigantes pra acolhê-la e garantir que todos os bichos-papões, os mais perversos que machucam a alma da gente não iam jamais lhe fazer mal algum. E consegui enxergar as suas palavras como algo bem mais forte do que sentimentos tolos de alguém que se recusa a seguir em frente. É a sua vida exposta ali, sem maquiagem, máscara alguma. Sem medo do julgamento alheio, das soluções simples que os outros sempre tem pros nossos problemas.

Ainda permanece em mim a vontade de ser bruxinha, daquelas boas que Rodolfo diz que sou... Quem dera fosse e pudesse espantar por tempos eternos todas as nuvens negras da cabeça dessa menina. Quem dera causar-lhe muitos tantos kkkks, os quais me fazem ir dormir feliz quando consigo roubar dela... Eu penso: A Déya sorriu, agora posso ir...

Petulante, eu sei. Mas é uma petulância cheia das boas intenções... E se o inferno já está cheio delas, ponto pra mim que nem vou poder entrar lá.

Eu só queria dizer isso. Precisava dizer a ela o quanto me importo e o quanto quero vê-a bem, seguindo, caminhando ainda que a passos lentos... Caminhando sempre!

Seguirei roubando suas imagens, as mais lindas da blogosfera. Seguirei acompanhando ela e Caio, nessa costura bacana.

Gosto dela um tantão!!!