quarta-feira, 29 de junho de 2011

A VIDA FEITO UM POEMA



Sempre foi de minha vontade parir um poema. Me concentrava a escutar o grito vindo lá do meu silêncio e ele toda a vida se recusou a me dizer coisa alguma além de inaudíveis sussurros. Onde estavam os meus dizeres poéticos? Que fossem poemas abortados, que fossem versos roubados, eu queria poemas!  


Parti em busca de caminhos que me levassem a eles. Haveria de encontrá-los. Os passos se moldavam ora bem ligeiro, ora devagar. Era preciso muita atenção porque em qualquer átimo o poema se faria e eu poderia perdê-lo. E eu tinha urgência... Queria poemas!

Desiludida, receei ter caminhado em vão. Não os encontraria esperando por mim feito uma fruta madura pronta pra ser colhida do pé... Eles estão intrínsecos nos próprios fragmentos da vida comum, retratados sob a verve genial do poeta. Meus pensamentos me remeteram aos passeios de bicicleta, nos fins de tarde, do meu vizinho com sua esposa louca, passeios esses que só findaram quando ela foi levada pela morte, após quase 30 anos de casamento. Ficaram juntos um tempo ínfimo, porque em poucos anos sua mente decidiu vagar, deixando ali só o corpo. O homem nunca desistiu de tentar trazê-la de volta e quando se deu conta do insucesso, deixou-se ir um tanto, viveu um pouco a sua loucura... Viveu pra ela, por eles.  Amor, lealdade, dor, insanidade... Eu havia encontrado um poema feito em retratos pela própria vida.

Me dei conta da grandiosidade do poema. Se veste fantasias das mais variadas. É liberto pra dizer a vida em verbos vermelhos de paixão ou frases serenas de amor. Se banha em lágrimas, grita a dor e a delícia, delata a feiura mundana, exalta a beleza de ser. E nessa caminhada, percebi que ele existe onde está a vida em toda a sua complexidade... E mesmo que no fim dessa caminhada eu não tenha parido nenhum, lamberei gulosa a cria alheia e ouvirei com mais clareza os sussurros já um tanto audíveis do meu silêncio.

O poema está logo ali...


  

sábado, 25 de junho de 2011

ACORDAI, ACORDAI JOÃO



Me rendo em admiração pelo capricho com que ocorrem as festas juninas no Nordeste e em todo o Brasil. Viraram referência de eventos organizadíssimos e de muito sucesso. Pra mim não há festa popular mais fantástica que as juninas, adoro desde sempre, mesmo sendo a fumaça e os fogos de artifício (cujo barulho eu odeio por motivos justos) ingredientes indispensáveis.

Mas é pela singeleza da festa o meu apreço. Embora a simplicidade caipira tenha perdido um tanto de espaço para os tais eventos organizadíssimos, as quadrilhas que mais parecem espetáculo teatral, com seus figurinos impecáveis e coreografias ensaiadas à exaustão, é a casualidade da fogueirinha na porta de casa que carrega pra mim o verdadeiro sentido da época.

As quadrilhas juninas hoje parecem ter voltado ao “glamour” dos seus tempos de origem, nos salões franceses. Os vestidos das moças, todos num mesmo modelo, são tão bem elaborados que mais parecem vestidos de baile. E todos os caipiras estilizados dançam suas coreografias ágeis, quase num compasso de frevo, preocupados em não cometer falha alguma, senão a vitória na disputa se torna difícil. Antes que eu pareça ainda mais ranzinza do que o sou de fato, afirmo novamente minha admiração pela dedicação, investimento cuidado com a realização de eventos assim. Mas minha tola alma se rende à simplicidade, não tem jeito...

Retorno à casualidade da fogueira na porta de casa. Acrescento as bandeirinhas recortadas de revista velha, crianças a girarem suas chuvinhas e outros artifícios iluminadores do céu, milho assado, gente alegre a prosear e um bom forró pé-de-serra tocando, fazendo os corpos dançarem “dois-pra-lá, dois-pra-cá”, feito pedia Gonzagão. Caminhe-se pelo rincão mais escondido desse Nordeste véio de luta e nas noites dos santos festeiros uma cena assim não há de faltar. Eis o maior fascínio dos são joões de meu Deus, o dom de acolher desde os componentes chiques das quadrilhas estilizadas, às mocinhas de vestido de chita e os moços das calças enfeitadas de remendo. O ingrediente maior é a espontaneidade e a desobrigatoriedade em se cumprir ritos, como ocorre em outras festanças durante o ano. Os ritos são cumpridos apenas pela sugestão da alegria, ela pede, os matutos se danam a pular fogueira, iô-iô.

E é evidente que São João é o cara, né? A festa é em homenagem aos três santos, Mas João não apenas nomeia o período como também fez do seu dia o mais importante dentre os três. Dizem por aqui que quando chove muito na noite de São João é o São Pedro um tanto enciumado, abre as porteiras da represa do céu. Deve ser intriga tudo isso, os três se entendem e fazem uma festança maravilhosa, esperada o ano inteiro.

Santana é um cantadô lá do interior de Pernambuco, cabra bom da gota serena, que eu não me canso de ouvir enquanto meu corpo saculêja na cadeira. O cabra faz forró e poesia dos mió que há. Meu pai não conheceu. Posso imaginá-lo a tarde inteira envolvido na confecção da fogueira, pra mais tarde colocar o som na calçada e fazer Gonzagão cantar “Luís, respeita Januário” até jamais cansar. E se sentaria confortável numa cadeira na calçada, cigarro no bico, levantando vez em quando pra supervisionar o milho assando, enquanto ralhava pras crianças terem cuidado pra não pisarem nas brasas.... Eu apresentaria Santanna pra ele, que me diria: “Fia, o cabra é bom mesmo. Isso sim é cantor.”

Meu pai vive também nesses momentos únicos.
Meu pai vive.

"Eu nunca mais vou ser triste. Desse tempo eu já passei. O verbo se não existe"
O Verbo 'Se'
(Accioly Neto e Santanna)





sexta-feira, 24 de junho de 2011

MENINA TONTA DE TRANÇA


Era uma vez uma menina que bem poderia ser uma princesa, de tão graciosa se apresentava. Uma princesinha de tranças caipiras e um tanto estabanada, lá do interior de São Paulo.

Certa vez, já mocinha, a princesa quis andava a passear de bicicleta, toda serelepe, em frente à loja em que o namorado trabalhava. Envolta em seus pensamentos românticos, estabacou-se feito uma jaquinha faceira e saiu rolando até cair literalmente aos pés do moço, que não sabia se corria pro buraco mais próximo ou a ajudava a se recompor... Não é atoa que alguém lá das Alagoas tem por costume chamá-la amorosamente de “tonta”. Mas é a tonta mais bacaninha que já se ouviu falar.

A mocinha fez-se mulher, mãe, lutadora. A aparência doce acolhe uma leoa que não teme encarar situação alguma para colocar seus três filhotes sob sua proteção, bem debaixo de sua fortaleza disfarçada de asas.

Mulher de fé, encara a missão de ajudar ao próximo como algo natural, do tipo que um irmão deve instintivamente fazer pelo outro. Não pensa meia vez em limpar a sua dispensa se alguma família, sob o alcance do seus olhos, tiver em maior necessidade do que ela.

É comum vê-la a capinar campinhos de futebol pra fazer feliz a vida da molecada. Molecada, aliás, da qual ela é parte. Por que ali, além das tranças faceiras, é um misto de menina, moleca, mulher que a vida, apesar de ter se esforçado desde cedo para fazê-la esmorecer, não conseguiu. Ela é do tipo que estufa o peito, apesar de tudo (e esse tudo nunca foi leve) e diz: EU SOU FELIZ!

Admirável essa Roberta, dançarina de country lá pelas bandas de Mogi que eu nunca sei se é guaçu ou Mirim... Hoje é seu aniversário. Nem vou fazer conta porque a sujeita petulante é mais nova que eu, então relevemos essa informação.

Tonta, mais tonta de todas as tontas, bendito seja o dia em que, por causa do amor, nos conhecemos. Me honra ter sua amizade... Então, se a felicidade já está aí contigo, que ela permaneça só pelo tempo infinito que durar a vida...

Beijo!
Amo você!!!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MATIZES


IMAGEM POR CIDA, EM FEVEREIRO DE 1994

A madrugada se apronta pra deixar o cenário. Em meio a quase total escuridão o mar faz valer o seu som no cantar de suas ondas, desassossegado, num ir e vir imponente. O Sol ameaça surgir e, generoso, lhe oferecer o seu dourado. À postos, o coqueiro, a cerca e os degraus de madeira grosseiros cumprem distintamente seus papéis de coadjuvantes numa paisagem que não é senão poesia. As matizes dispostas na aquarela viva produzem um resultado que de tão perfeito parecem ter sido projetadas em minúcias... Tudo conspira, o mar segue excitado no seu balanço feito música. A madrugada sabe que se faz tarde para ela, é preciso se recolher e deixar brilhar o Sol num sublime derramar por sobre o mar. Fez-se o milagre, o dia nasceu...

Estou lá. Olho e sinto uma alegria indizível por vivenciar essa magia. Quisera nunca me deixassem, o fim da madrugada, o mar e o Sol nascendo. Que encontro! Me deleito! Eu fotografo, simulo pegar com a mão o Sol em formato de bola dourada. Lindo! Espio em vezes incontáveis, cada olhar a esse quadro vivo e mutante é único, num simples descuido o que era já não é mais. Os clicks da máquina fotográfica novinha soam macios, sem pressa, há um filme inteiro a ser utilizado. Talvez, se daqui a quase duas décadas e uma história inteira de nulidade política, as autoridades resolverem que é hora da natureza sair de cena para dar lugar ao progresso, se estenderem tapetes de honra para a construção de estaleiros salvadores do futuro, se na época longínqua da odisséia no espaço, lá pelos anos de 2010, os rastros de beleza desse lugar tiverem sob a iminência de serem levados não pelas ondas do mar, e sim pelas mãos engenhosas do homem, eu poderei dizer e do quanto tudo aqui se confundia com a mais fascinante poesia.

Pontal de Coruripe-AL, fevereiro de 1994.


Há pouco mais de dezesseis anos estive nesse lugar (entre tantas outras vezes) que não é nem de longe o mais badalado do litoral alagoano, mas é o meu canto de sonhos. Está mesmo na iminência de acabar, em nome do progresso, mas isso é outra história. Apenas quis compartilhar. Ousei ofuscar o sol com meu cotovelo inconveniente, mas não há como desfazer... Por que essa fita ridícula na cabeça, no pior estilo Rambo?  Nem quero tentar lembrar. Melhor mesmo reparar na paisagem, é o sentido de tudo

Fotografia e companhia nesse momento de sonho: Cida, prima, cúmplice... Parte de mim.

Sugestão de música: Simone, amiga, cúmplice... Parte de mim.

Arapiraca-AL, 22 de junho de 2011.

domingo, 19 de junho de 2011

ENTRE TULIPAS E FOLHAS SECAS


A Tulipa

Ao observar uma flor -
tulipa amarela, muito bela -
um jovem pensa e revela
todas suas faces secretas.

“Ignorando o ditado,
com essa flor eu bateria
numa mulher - pura esquizofrenia!
Preferia comê-la com aspargos.”
Proclama a máscara do palhaço.

“Queria ser como a abelha
que voa de flor em flor.
Experimenta cada aroma e pólen
sem nenhuma vergonha ou pudor.”
O manipulador sussurra inquieto.

“Cultivá-la ou arrancá-la;
controlar morte e vida.
Brincar de Deus
com uma tulipa.”
Diz secamente o anjo caído.

“Queria ser como ela
possuidora de belas pétalas simétricas,
mas sou um trevo quimérico:
quatro folhas incertas,
difusas e transgênicas.”
O jovem pensa sem vida.

 Fie


Quando se vive o suficiente pra conhecer por completo a própria alma? Sinto que isso jamais me será possível, pois quando as respostas me chegam, eu as recuso, questiono sua veracidade e opto por seguir trilhas inimagináveis, feito as folhas secas do jardim levadas pelo vento a lugar algum. Sou eu, alma vadia, marginal, rechaçadora de lugares comuns, amante das curvas sinuosas ao invés das linhas retas com acostamento. Sou eu quem busca tanto o amor, delineia paixões avassaladoras e num átimo percebe que são apenas miragens. Paixões são névoas. Amores não batem à porta dos desafortunados. Sou eu seguidora das reticências por não dar muito crédito ao final dos felizes. Alterno meus olhares de serenidade e alegria com outros de absurdo desdém e escassez de vontade... Sobram-me as vontades para o nada. Às vezes o inócuo nem é tão ruim, ao menos não me enche o espírito de pseudos e tolos desejos. Eu que só quero ser folha seca no jardim, levada pelo vento à lugar nenhum...

Milene Lima

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PARA FAZER DORMIR A MINHA INSÔNIA


Hoje eu não queria falar de dissabores. Eles existem e se perfazem sem que eu precise propagar as suas existências arrogantes. Hoje não tenho a intenção de ser engraçada, até porque quando se busca voluntariamente isso e não se é um comediante por essência, o resultado é patético.

Eu queria mesmo era cantar pra fazer dormir a minha insônia... Que na verdade nem é a ausência do sono e sim o desconforto físico que afugenta o pobrezinho... Eu bem tento gritar pra que volte, mas essa negociação demora um tanto.

Mais cedo, quando Rodolfo foi dormir, falei pra ele cravar as unhas no sonho e não o deixasse escapar. Em seguida o indaguei se, sendo o sonho fofinho, ele não iria se derramar desse jeito. Rodolfo disse que sim, derramaria cores, música, amores, afagos... Achei lindo isso.  Acho que vou tentar cravar as unhas no meu sonho quando enfim minha insônia deixá-lo se aproximar e talvez coisas bacaninhas assim caiam sobre o meu sono.

Depois eu me despedi da Si, mas não foi de forma tão poética. Eu fui muito deseducada com ela, por merecimento, é claro... E xinguei um pouco também. Ela ficou tirando onda da minha carinha fofa (tirando onda é o similar em nordestinês para “zoando”) só porque eu falei que na sexta vou “tirar” uma ultrassonografia. Chataaaaaaa, pessoas! Agora eu sei que o termo correto é “realizar uma usg”... Mas eu gosto muito da chatice dela. E conto aqui em segredo que estou bem contente por ela estar espiritualmente, devagarzinho, trilhando outra vez o seu caminho. Ela e Deus formam um duo especial (eu quase plageei uma frase feita por ela em parceria com Os Tribalistas).

O DJ, agorinha, disse que ia sair e ler um romance espírita. Uau!!! Falei pra ele fazer mesmo isso, aproveitar o tempo livre e fazer algo em prol do seu crescimento e dessa forma me dar o exemplo. Por que eu tinha que nascer tão preguiçosa, Pai do céu? Mas ele riu e disse que tem também uma tendência absurda a ser Garfield. Aleluia, não me sinto tão só no reino dos amantes da ociosidade.

Tentei falar com a secretária da escola pra dizer que amanhã eu não irei mais uma vez, mas ela caiu antes que engatássemos um papo no melhor estilo “razões de uma funcionária faltosa”... Pelo menos não me podem acusar de não ter tentado dar alguma satisfação. Qualquer coisa, caso haja alguma reclamação mais intensa, posso argumentar como o moço da novela que eu sou “concursada”... Adorei isso.

O Fie também já foi. Nossa, como me faz bem a amizade desse menino. Às vezes penso que nossas idades são invertidas, porque ele sempre tem um caminho a me mostrar, mesmo quando estamos os dois mergulhados nos nossos labirintos interiores, é bacana compartilhar isso com ele. Hoje é o aniversário da mãe dele e eu já pedi que a abraçasse por mim.

A Lu deu-se o título de “bipolar” por hoje. Misericórdia, a mulher é braba, pessoas, imagine no estado de bipolaridade. Mas comigo é sempre um doce... Proseamos um tanto e estou ainda negociando com meus verbos pra tentar oferecer minha contribuição pro desafio proposto lá no Escritos na Memória. Mas já falei pra ela que estou infrutífera e como resposta obtive o seu habitual “haushaushaushaus “... Eu nem sei como se escreve esse troço, porque a minha estimada preguiça me orienta a usar o bom e velho “kkk”.

Agora que já entreguei todo mundo, vou pra cama, cantar pra minha insônia. Amanhã minha mãe vai estar aqui, vem me dar um beijo e tudo ficará melhor. E se alguém pensa que vou ficar constrangidinha por ser o bebê da mamãe, ledo engano... Fico numa fofurice ímpar.

Beijos...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

MOMENTO VERGONHA ALHEIA



Todos já devem ter usado ou escutado a expressão “vergonha alheia”. Por muito tempo eu sentia esse troço inquietante, mas não conhecia a denominação, apenas era tomada por um constrangimento crescente quando via alguém cometendo bizarrices contra si próprio.

É comum ter esse tipo de sentimento despertado por componentes da classe artística. Vejam bem, não se trata de achar bizarro esse ou aquele estilo musical, nunquinha! A questão é que muitos ultrapassam o limite do ridículo, como é o caso do meu “vergonha alheia” número um, o estupendo dublê de artista, Latino. O que aquilo significa, pelamordeDeus? Um dia, num passado não tão distante, alguém falou: “Meu querido, vista-se numa roupa ridícula, invente uns passos de dança nonsense total e arremate com umas letras de música que digam absolutamente nada. O público brasileiro te chamará de artista”... O problema é ele ter acreditado nisso tudo e está até hoje me fazendo ficar rosada ao cubo por ele... Tenho um amigo lá no Rio que vive dizendo sobre a belezura da nossa amizade, que é “tudo junto e misturado” e eu falo pra ele, peloamordemeupadimciço parar de falar isso, porque me remete ao moço rebolativo e logo em seguida uma nauseazinha me acomete.

Mas hoje o meu momento "vergonha alheia" vivi com aquela moça, que já não bastasse ser irmã da Gretchen, inventa de cantar pra piorar a situação. Lembram da Sula Miranda, né? Movimentando o controle remoto, parei no Programa do Ratinho (por favor não espalhem essa informação) e estava lá a Musa dos Caminhoneiros e atual cantora Gospel, toda  serelepe cantarolando uma canção tirada lá do fundo do seu baú, cujo nome mimoso é Caminhoneiro do Amor... Lindo! Pois é, um dia também fizeram-na acreditar que era cantora e por culpa desse inconseqüente estou eu aqui, carregando esse trauma. Pai do céu! Não acreditei naquilo! A coreografia da música era algo inenarrável. Quando a letra falava em “caminhão” ou “volante” ela dava uma sutil reboladinha (nada a ver com o Conga La Conga da irmã) e fazia com as mãozinhas o movimento de direção. E eu ali, hipnotizada, sem conseguir desviar meu olhar. Só me restou cruzar os dedos e torcer pra agonia acabar logo... Sou solidária, pessoas, me preocupei com elazinha.

Por que a vergonha alheia tem disso, ao mesmo tempo em que a gente se constrange, quer tirar o outro imediatamente daquela situação terrível, há um ímã prendendo a atenção na cena dantesca, como se fosse preciso ver até o fim pra crer na realidade daquilo. Na festa de confraternização lá na escola senti gritante o constrangimento pela minha colega quando achou uma boa ideia tocar Os Incríveis e ela liderando o coro (des)entoando “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo”... Desacreditei! Procurei olhar pra qualquer outro lugar, menos focar ali, porque minha vontade era rir muito... Ou chorar de desespero pelo king kong das minhas colegas.

Outro que desperta meu instinto de compadecimento é o Pelé... Ou o Edson... Sei lá! É justo isso, quando um deles está dando entrevista, falando sempre na segunda pessoa. Não  há no mundo maior publicitário da marca Pelé do que o Edson... e vice-versa, chega a ser irritante. Ele(s) deve(m) nem dormir de noite com medo de sere(m) esquecido(s), eu sinceramente penso que é caso de dupla personalidade. E cantando, misericórdia!  "A, B, C... A, B, C, toda criança vai ler e escrever", lembram? Ele realmente pensa que é cantor e cometeu outros atentados além desse.

Bem quis postar o vídeo da Sula cor-de-rosa Miranda, mas não encontrei nenhum com a coreografia bacaninha, então trouxe o Latino. Vejam esse vídeo de fazer Tom e Vinícius se revirarem de inveja pela belíssima poesia e deixem fluir a vergonha alheia que existe em vocês. A expressão dramática dele, a letra incrível, enfim, todo o conceito é fantástico, mas adoro especialmente quando ele urra “estou vivendo um triangulôoooo...”. Arrepiante, no pior sentido da palavra. Sejam fortes e vejam até o final.

Minha solidariedade.
Beijo!



domingo, 12 de junho de 2011

CINZA


Permaneço com o olhar fixo nessa página em branco. Tantas já foram amassadas, descartadas com seus conteúdos vazios e continuo aqui, esperando que me venham as palavras. Reparo na parede vermelha, as janelas brancas... Gosto disso. Reparo nas minhas unhas cinzas, elas me causam estranheza. Sinto saudade do vermelho nelas, como sempre foi. Por que tive que mudar? É a cor da moda, me disseram, é a cor do inverno... Tento compreender onde está a verdade do meu espírito, se no vermelho dessas paredes, quente, flamejante, ou no cinza sem vida das minhas unhas cheias de estilo.  Se eu pudesse escolher, não seria inverno... Seria verão e na praia eu ouviria o canto do mar, naquele azul imenso e balançar sereno. Caminharia na areia e as ondas lamberiam as minhas pernas. E talvez eu não encontrasse tanto inverno quando espio pra dentro de mim. Agora quase não consigo entrar, por que lá, aonde se escondem os meus sentires, está tudo tão frio. Escolho permanecer fora de mim, no embate com a folha em branco prestes a ser amassada e atirada no fundo da lixeira, porque ela me recusa verbos, expulsou os poemas que jamais foram meus e desdenha das pobres rimas de amor que outrora ousei fantasiar. Enquanto meus verbos não voltam, tento achar que o cinza das unhas não está assim tão ruim. E talvez daqui, do meu sonho, eu até escute o canto do mar... E o inverno de dentro de mim não se demore tanto pra ir embora.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

O OLHO E O SONHO


Quem imaginaria, em tempos distantes, que dentro desse objeto frio tantos encontros poderiam se dar? Gosto dessa magia, gosto das tentativas que muitas vezes naufragam, mas em outras é absurdamente recompensadora.

Esses dias eu e minha intensa curiosidade fomos parar num blog bacaninha, cujas palavras me ganharam de cara. O sujeito desanda a escrever lá do fundo de sua alma, esmiúça os sonhos mais loucos, sem pudor de se deixar desvendar, assim como eu insistentemente faço. Embora meio desconfiada com aquele “olhão” me espiando, pensei: “esse sujeito é dos meus, vou ficar”... E de repente estávamos os dois nos identificando com os nossos devaneios.

Um dia ele me emprestou o vento. Roubei um pouco da sua chuva. Um dia nos percebemos preocupados com o bem-estar mútuo. Combinamos que passearíamos na praia, num fim de tarde qualquer enquanto conversávamos sobre tudo... Ou compreenderíamos nosso silêncio. Sentimos vontade de nos abraçar e desse jeito fazer o outro ficar melhor. Quando nos demos conta, numa dessas madrugadas insones... estávamos amigos.



HÁ MOMENTOS EM QUE ESTAR LONGE É UM TANTO MAIS DOLORIDO, QUANDO SE QUER DAR UM ABRAÇO NUM AMIGO É UM DESSES INSTANTES DESPRAZEROSOS. FIE, ESSE É O MEU BOA NOITE A TI, MEU ABRAÇO CÁ DISTANTE, MAS QUE DE TANTA FORÇA HÁ DE CHEGAR AÍ... 

BEIJOOOOOO...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

DESPEDIDAS


Há quase três semanas em crise de relacionamento com minha Vê, hoje a levei ao médico mais uma vez. Sou do time do diálogo, faço o possível pra não ter que tomar decisões drásticas, mas não tem jeito, ela me desafia. Falei pro médico: “Doutor, receite aí um tanto de remédio pra essa viciada, enquanto não a encaminho pra adoção”... Cozinhei em banho-maria esse nosso (des)amor por muito tempo, é hora de dar tchau, como diziam os esquisitinhos Telettubies. A meta a curto prazo é desinflamá-la com uma tonelada de remédios, assim a sujeita petulante me deixa dormir um bocado melhor.Vejam aí ao lado o tanto de entorpecentes que sou obrigada a comprar pra alcamá-la...
                                                           
Feliz com as alternativas sobre a Vê completei minha terça-feira bacaninha assistindo a despedida do Ronaldo (de novo?). Gosto do sujeito, merece todas as homenagens. Sou parte da minoria de mulheres que apreciam futebol, tanto é que sou botafoguense e não se torce pro time do escudo mais lindo do mundo se não gostar muito de futebol. Mas o assunto aqui é Ronaldo, a sua despedida... E o Galvão! Ah, meu pai do céu! Torci muito pra que os 15 minutos do Fenômeno em campo passassem rápido, por dois bons motivos: Primeiro porque me solidarizei com o cara, sei o que é excesso de fofurice e a consequente falta de fôlego em função disso. Minha amiga Michele desvendou meu segredo certa vez, quando caminhávamos pra um lugar razoavelmente distante e eu parava trocentas vezes pra “ajeitar a blusa”. Dizia ela saber muito bem que eu parava era pra descansar, porque tava pedindo arrego, cansada. Fia da mãe observadora! Então, o Ronaldo nos primeiros segundos já caminhava de boca aberta, como quem perguntava “o que diabos estou fazendo aqui?”... A sua protuberante pança, tão bonitinha, me fez lembrar o meu pai, barrigudo por excelência. Ele ainda terá a barriga que meu pai teve, enorme, no melhor estilo grávida. O outro bom motivo para que voassem os 15 minutos atende pelo nome de Galvão Bueno. Oh, sujeito chato, misericórdia! Depois do jogo parecia que a volta olímpica em marcha lenta do jogador não terminaria nunca, tendo que suportar a bajulação desmedida do tal narrador, queria eu poder dizer-lhe um dia da minha desadimiração por ele, o quanto é pedante e acha que o futebol só existe para fazer propagar sua voz irritante. Enquanto o Galváo não calava a boca, Ronaldo seguia na sua marcha atlética em câmera lenta, sorrindo e acenando. Por que não inventaram um “ronaldomóvel” pra carregá-lo nesse passeio? Caminhar, sorrir e acenar estando os bofes praticamente saindo pela boca, foi judiaria demais com o moço fofo.

Agora vou dormir, feliz porque a Vê está drogada, não vai me importunar. Feliz pelo Ronaldo, tadinho, nunca mais vai ser obrigado a tamanho sacrifício. Feliz por mim que continuo em greve, pelo menos até sexta-feira. Estar em greve é uma delícia, o ócio e eu temos um tórrido caso de amor e quando nos é possível esses encontros, é maravilhoso! O sindicato está esperando uma proposta oficial do governador... Eu já conversei com meus botões preguiçosos e eles me aconselharam a continuar pensando por pelo menos mais uma semana em relação a qualquer proposta do nobre governante. Ora, não se pode tomar uma decisão assim sob pressão, não é mesmo? É preciso estar muito tranquila para não haver dúvidas.

Ah, essa terça-feira foi mesmo de despedidas. O Palocci foi-se, né? Mas ninguém confie nessa sua saída estratégica... Assim que as pessoas se desinteressarem em saber como ele conseguiu juntar tanto dinheirinho, haverá “O Retorno de Antônio”. Mas já pensou se a moda pega e essa curiosidade se der em relação a todos os “cadeirantes” lá do Congresso? Quem iria interrogar quem?

Agora que a Vê se dopou, o Ronaldo aposentou, o Galvão se calou, o Palocci renunciou e ninguém interrogou... Vou-me!
Boa noite, pessoas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A CADA ESTAÇÃO UMA DOCE LEMBRANÇA


Gosto da saudade. Ela jamais foi pra mim uma tirana, ao contrário, é o meu elo de ligação com o mundo deixado pra trás a cada passo do meu inevitável caminhar. Consigo sorrir em quase todos os momentos nesse trem de ferro viajante no caminho de volta. São minhas lembranças, algumas marcantes, outras frágeis feito um cristal... Elas me trouxeram até aqui e lhes devo gratidão.

Sorrio quando dessa viagem paro lá nos quintais da casa da Madrinha. Me lembro que brincávamos de “rouba-bandeira”, eu, irmãos, primos, amigos... E eles fingiam não conseguir me alcançar nas vezes em que eu me aventurava a atravessar o campo adversário e eu voltava orgulhosa com a bandeira "inimiga". Aprendi desde então o significado da palavra “companheirismo”, na forma mais lúdica e genuína possível.

Seguindo adiante, recordo as tardes invernosas na rua sem calçamento. Pobres tanajuras, o chão se tornava um tapete preto tantas eram as bichinhas bundudas sobre ele, atordoadas tentando fugir dos caçadores implacáveis. Falava-se até em comer as pobrezinhas fritas, mas jamais tive o infortúnio de presenciar tal banquete exótico.

Adorava o cheiro da terra molhada, mas sobre isso só podia pensar. A Vó dizia que “fazia mal” se admirar desse aroma e eu jamais entendi porque a chuva ou a terra se zangariam por alguém dizer que gostava do encontro delas. Eu perguntava e ela apenas respondia que “fazia mal “ e pronto, me dando as costas, se dirigindo ao minúsculo quartinho de costura. Lá também moram muitas das minhas saudades, dos retalhos acumulados numa caixa, guardados feito um tesouro pra vestirem minhas bonecas, especialmente a que chorava, presente de minha tia, trazida de São Paulo.

Espiava minha tia com cara de veneração desde que ela havia voltado de São Paulo. Pra mim era um lugar inimaginável, distante toda vida e só as pessoas destemidas conseguiam chegar até lá. Olhava pra minha boneca e pensava: “esta não é qualquer uma, é mais especial, veio de São Paulo e até chora”.

Nessa minha incursão às memórias pueris, me vejo saindo desse trem para subir numa carroça de burro que me conduziria tal qual uma Miss Dayse caipiria à fazenda onde moravam meus pais, num dia de São João, num vestido vermelho de bolinhas brancas, trancinhas loiras, achando toda aquela viagem sacolejante o máximo. A ocasião era bem conveniente a essa aventura rústica... na falta de transporte adequado, incorporamos o espírito junino e ganhamos as estradas esburacadas. Meu pai era o melhor dos anfitriões, muita gente, fogos (ainda que eu os deteste), sanfoneiro, milho verde... Tudo conspirava pra alegria nem pensar em sair dali.

Ah, nenhuma viagem pode seguir sem interrupção. Devo parar numa próxima estação. O trem, movido à lembranças, há de ficar esperando outro embarque em busca das doces saudades. Feito o Trem de Ferro de Manuel Bandeira, cuja leitura era a minha preferida nos livros didáticos das primeiras séries, “vou depressa, vou correndo, vou na toda”... O presente me espera, ávido.

A vocês que docemente me acompanharam nesse breve passeio, uma semana bacaninha.
Beijos!!!

sábado, 4 de junho de 2011

O HOMEM QUE MATOU A TV... E OUTRAS TOLICES


Fosse eu evangélica, especialmente da Igreja Adventista como minha irmã, certamente veria algo que prestasse no sábado. Ela, tadinha, já cansou de tentar me convencer que Deus escolheu este dia tão bacaninha para ser guardado, assim como minha mãe ficou tão brava porque eu tinha homéricas crises de riso nos terços que acabou por desistir da minha participação neles. Acho hilário o coro das senhorinhas desafinadas rezando incansáveis.

Mas não é a minha (falta de) religião o tema a ser abordado nessas tão preciosas linhas translúcidas. É o sábado que ocupa a minha mente e o quanto me afronta esse dia petulante. Sinto como se me dissesse: “Qual é, mulher, vai criar raízes nesse seu particular universo inerte? Levanta e age!”

Me irrita profundamente quando me intima desse jeito. Ah, se ele pudesse se materializar só um instante, eu adoraria enchê-lo com umas porradinhas carinhosas. Não chegaria ao extremo de um sujeito fanfarrão aqui do meu bairro, que sob o efeito de umas tantas pingas, prostrado na sua poltrona num fim de tarde de domingo, achou que a gaiatice do Faustão era algo pessoal contra ele. Incomodado, sacou sua arma no melhor estilo Duro de Matar e alvejou a TV. Orgulhosíssimo do seu ato de bravura saiu à calçada bradando que tinha matado o Faustão e queria ver quem era homem o suficiente pra prendê-lo por isso. Perdeu a TV, mas o fofo apresentador iria parar encará-lo com sorrisinho debochado na cara... Pelo menos o aparelho de televisão ele assassinou...

Não, não seria tão extremista. Eu só teria com ele, o sábado, uma prosa sincera, do tipo “fica na tua e segue, vê se me erra”. Ele faz aflorar a minha impaciência para as pequenas bizarrices do dia-a-dia. Por exemplo, passei a semana sem atentar para o evento inexplicável na ABL, cujo homenageado foi o jogador de futebol e não menos importante, dançarino, Ronaldinho Gaúcho. O cara recebeu a medalha Machado de Assis, a máxima honraria da casa. Se ainda lhe restam ossos, o escritor deve estar doloridinho da silva em se remoer de um lado pra o outro, sem compreender tamanha insensatez. Eu um tanto constrangida por ter não ter no meu currículo um número considerável de livros lidos, o cara ganha uma medalha desse porte sem ter lido nem gibis. Me falta esperteza pra entender certas coisas... Ou será excesso de esperteza alheia?

Bem andei pensando em me candidatar a pelo menos um tamborete numa academia qualquer pra ver se cai uma medalhinha Tiririca, qualquer coisa do gênero, mas desisti. Acho meio constrangedor a pessoa lançar sua própria candidatura a seja lá o que for, vou ficar quietinha esperando o Tiririca aprender a ler e apreciar minhas crônicas. Mas convenhamos, essa coisa de premiação é uma chatice desmedida, né não? Acabei de pedir ajuda ao Senhor Google e descobri que o Paulo Coelho é membro da ABL. Perdoem a minha ignorância de MSC (Movimento dos Sem Cadeira), mas desconhecia o fato. Bacaninha isso, o mago milionário é um imortal. Lembrei de quando tentei ler alguns dos seus livros imortais, consegui chegar ao fim de O Alquimista, mas ao chegar Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, literalmente. Não me recordo bem, mas eu devo ter começado a ler num sábado, com a minha tolerância gigante feito uma ervilha, por isso, ao invés de me empolgar com a leitura, sentei e chorei irritada com aquele papo chato.

Antes que eu profira mais insanidades contra o imortal e sua cadeira, o dublê de jogador e dançarino e sua medalha, vou-me embora com meu azedume não tão nobre, mas igualmente imortal... Tudo culpa do sábado.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

O BRUXO E A FLOR - Sonhando em Prosa e Verso


Quem sou? Resto de sonho, de loucura?
- Ou serei a essência, o sumo final?
- Sou luz clara? Nasci da noite escura?
- Sou retalhos de sonhos? Sou real?

- Os sonhos que um dia foram chamas
- Em cinzas se aquietaram afinal;
- Mas novos surgem, irrompendo em flamas
- Das brasas apagadas mal e mal.

- Erguendo-me do leito, inda cansado,
- Percebo ao lado o teu vulto indistinto
- Testemunha de meu sonho realizado.

- Não é delírio, engano do instinto; 
- É a prova que em meu sonho foi sonhado
- Que é real todo o amor que por ti sinto.




(Rodolfo Barcellos)





O SONHO - Picasso


Eles me chegam sem que eu os convide, invadem e fazem festa no meu sono. Me deito, deleito, aceito... Embarco nas minhas ilusões e me sinto viva. Por eles sou eterna caminhante, errante, livre das amarras do impossível. A cada passo mergulho mais fundo em meio aos devaneios, divago frases desconexas, me alimento delas. Enquanto sigo no meu caminhar flutuante, percebo que eles podem se fazer gigantes ou anões, de acordo com a intensidade do meu anseio. Então se apresentam curtos, fortes, quentes, doces. É preciso não parar de seguir ao seu encalço... Se caminhar mais rápido tenho a impressão de poder tocá-los e é indizível  a sensação, sinto como se me voasse a alma. Não posso faltar a eles, são meus, únicos e intransferíveis. Lá onde me levam posso ser quem eu quiser. Sou louca, anjo, fúria, santa.... pássaro livre. Me atiçam as fantasias mais surreais. Sou quietude e movimento, calmaria e ressaca. Quero-os benditos e insanos, etéreos e profundos. Venham coloridos, me contem mentiras reconfortantes, elas serão a mais absoluta verdade. E no meu despertar, que não me deixem só, extravasem, invadam também o meu dia, permeiem meus passos acordados. Enquanto me guio pela luz do Sol, quero manter acesa a sensação de que meus sonhos estão ali, por um triz, a qualquer instante posso alcançá-los. Sem eles, os sonhos, eu nada sei... Eu pouco sou.



(Milene Lima)