domingo, 31 de julho de 2011

FULANO



Sábado.
Chuva.
Frio.
Solidão...
Solidão?
Não!

A saudade não deixa fulano se sentir sozinho.
Ela se disfarça em lembrança
Finge ser companhia.
Tira até sorriso dos lábios de fulano.
Que espia a chuva fazer baile na vidraça.
Mas fulano quer é ver estrela
Incandescendo o céu
E a lua de prata, rainha da noite.
Da noite que não tem lua.
Nem estrelas.

Só tem chuva.
E frio.
E solidão?
Não!






quinta-feira, 28 de julho de 2011

MINHA FLOR, MEU BEBÊ



E o amor não existe pra ser explicado. Dispenso as mais elaboradas teorias para esse fim, prefiro a incomparável emoção de senti-lo, venha de que jeito for, venha feito amor. Sim, estou piegas, estou clichê... E quem se importa?

Me permito viajar aos tempos idos, há vinte e poucos anos (Fábio Jr. me emprestou a frase) e lembrar daquele pingo de gente dos cabelos negros, olhinhos miúdos e brilhantes, sorriso a encantar a todos. A primeira sobrinha, a princesinha que roubava a cena aonde chegava, tamanha era a sua sapequice e inteligência. De repente tudo estava mais bonito porque ela havia chegado, feito o mais brilhante raiozinho de Sol.

E como a vida não gosta de seguir roteiros pra sempre felizes, é da sua prática mexer com o destino das pessoas, a miudinha partiu com a mãe para a dura poesia concreta das esquinas de Sampa (Caetano também me emprestou a frase) e era inimaginável o que faríamos com tanta tristeza. Me lembro do meu pai, Vô Luiz dela, lá no seu ofício, costurando chapéus, quando a levaram pra se despedir dele. Ouviu-se apenas um “Deus te abençoe, fia”, sem ao menos levantar a cabeça, deixando apenas as lágrimas continuarem falando. Um serzinho tão pequeno, nem dois anos de idade tinha ainda e foi embora deixando uma cratera gigantesca dentro do peito alheio.

O passar dos anos permitiu que recebêssemos sua visita algumas vezes, trazendo consigo o sorriso mais esfuziante do mundo e os olhinhos falando por ela. O mesmo amor, uma bem querência ímpar ao ponto de enciumar um tanto os outros sobrinhos. Mas a questão não era preferi-la em detrimento dos outros, apenas tentávamos manter vivo o elo que a distância e o tempo, por vezes tiranos, insistiam em fazer findar.

De longe acompanhava os seus movimentos, a construção da própria vida e ficava feliz com o que sabia. O meu bebê tinha se feito mulher, dona de si, linda e cheia de atitude. Então hoje falamos pela primeira vez no MSN (bendito seja o mundo virtual) depois de alguns desencontros, porque ela queria me contar uma novidade. E me disse assim: “ Tia, seu bebê vai ter um bebê”... “Ah, meu Deus!” foi o que respondi num impulso, entre a viagem ao passado na qual embarquei naquele instante, entre um tanto assustada e feliz... E por isso, por tanto, por tudo, meus olhos marejaram e eu só pude pensar no quanto essa criança vai ser querida, feito é a mãe dela.

No momento meu pensamento só se concentra nisso, na felicidade dela, meu bebê, e desse grãozinho de gente no seu ventre que virá cheio de saúde daqui a alguns meses. E eu hei de mimá-lo como um dia fiz com ela.

Ellen, minha flor, meu bebê... Te amo do tamanho do universo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

COM LAQUÊ E SEM MISERÊ




Hoje foi um dia especialíssimo aqui na terrinha. Recebemos a ilustre visita da Presidente Dilma Roussef e mais uma penca de autoridades nordestinas, todos bem intencionados, como é peculiar dessa categoria. Em virtude desse evento, foi decretado ponto facultativo nas repartições públicas municipais, deixando a cargo do funcionário ir trabalhar ou seguir rumo à um pista bem comprida aonde aterrissam os aviões de pequeno porte e o povo daqui chama gentilmente de aeroporto.

Com a dúvida me consumindo, bem pensei em ir à aeropista entoar gritos do tipo “oh Dilma, cadê você, eu vim aqui só pra te ver”, além do lançamento de coraçõezinhos emo, mas facultei uma terceira opção: fiquei em casa num importantíssimo processo de envio de bons fluídos, para que a chuva não fosse tirana e acabasse por estragar o laquê da Presidente.

Elazinha veio à terra do fumo lançar uns programas sociais, mais alguns que se juntarão aos dois milhões e novecentos mil já existentes. Tais projetos visam empurrar o Nordeste no elevador atômico e fazê-lo alavancar direto do miserê absoluto para o desenvolvimento... Bacaninha! “É preciso um Nordeste forte para termos um Brasil também forte”, afirmou a Dilma. Gostei disso... Vou até fingir acreditar nessa lorota de que tantos séculos depois de tanto abandono, um governante vai de fato espiar aqui pra cima com alguma atenção. A eleição nem é agora...

Mas gostei tanto que até pensei em convidar a Presidente para comer uma buchada lá no bar do meu tio. Será que ela é feito o povo todo do Sul/Sudeste e pensa ser a buchada de bode gênero principal do nosso cardápio até no café da manhã? Tolinha! Suponho que no Rio Grande do Sul, tchê, não se coma churrasco todos os dias, três vezes ao dia... Assim como os cariocas não o fazem com a feijoada ou os mineiros com aquelas delícias proibitivas para a minha indesejável Vê.

O dia acabou, elazinha se foi e eu não pude lhe fazer esse agrado. E vocês, meus caros, não fiquem enciumadinhos só porque recebi tão honrada visita, feito a minha prima Cida que ficou injuriada porque a moça não aportou no aglomerado de favelas lá de Maceió... Segundo ela não haveria lugar melhor pra se lançar um projeto anti-miserê. Cida também queria ter ido comer buchada com a Predidente... Presidenta? Mas relaxem, pessoas, a qualquer momento ela pode estar aí, sem um único fio de cabelo fora do lugar, alinhadíssima no modelito e no discurso, enquanto o ajuntado de hienas bem intencionadas ao seu lado no palanque sorriem e acenam.


domingo, 24 de julho de 2011

VERSOS TINTOS


O que há com minhas letras? Eu só desejei dizer o amor, saciar minha sede e descrevê-lo em versos lindos, bebê-lo feito o mais saboroso vinho sem deixar uma gota sequer escorrer pelos meus lábios. O que há com minhas letras? Elas não me obedecem mais... Vis, somem e me deixam perdida nesse deserto imenso sem nenhum verbo. Há dias as espero em vão, há dias não consigo atraí-las à folha em branco, então permaneço pagã. São o meu alucinógeno eu nem imaginava tamanha dependência. Preciso juntá-los, minhas letras e o amor, me deixar tomar por eles... Permitir que me levem por aí, onde o excesso de amor nunca provoque estranheza e eu possa cantá-lo com força, ou sussurrá-lo sutil. Mas já se faz tarde, elas não chegam. Preciso dormir. Talvez um sonho me venha e me derrame palavras, me soletre versos tintos feito aquele vinho e eu possa enfim dizer o amor. Enquanto não me vem, roubo os mais perfeitos versos alheios, que cantam assim: 

terça-feira, 19 de julho de 2011

COLCHA DE RETALHOS

Amizade pra mim é assim, feito uma colcha de retalho, cada pedacinho com uma textura e estampa diferente, formando um manto de alinhavo firme e protetor.

Dia do amigo se faz todo dia um pouquinho, entre gargalhadas e esporros, manhãs de sol ou tempestades. Quando você entra em pânico porque tem um exame chato pra fazer, daqueles que a borracha agressora invade sua garganta até o estômago e a amiga diz que nesse horário estará no trabalho, mas caso você precise ela vai até lá só pra segurar a sua mão. Ou na ocasião daquela excursão seus amigos se privam de almoçar num restaurante bacana do outro lado das pedras, à beira-mar, porque você não conseguiu caminhar até lá... E eles ficaram, famintos e palhaços, do seu lado, esperando o restante da trup voltar pra seguir viagem. É quando o amigo supera seu grau de dramaticidade e pede pra Deus jamais te levar antes dele, porque aqui não teria mais graça sem você. É quem lhe cobra responsabilidade com a sua própria saúde, mostrando que amar é também puxar carinhosamente as orelhas. É o telefone que toca e do outro lado alguém diz ter ligado só porque estava com saudades. Dividir um brigadeiro na panela com a desculpa esfarrapadamente bacaninha de não te deixar engordar sozinha. É a pessoa lá de longe, que você jamais abraçou, mas com quem compartilhou sorriso, alegria, dor e o desejo de sentir tal abraço porque esse amigo parece ter estado toda vida ao seu lado, no seu caminhar que se fez de flores e labirintos. E te achou merecedora da poesia mais linda. Cantou pra embalar sua noite... E fez-se todo dia amigo.

Amizade pra mim é assim, uma colcha de retalhos sem fim, sem a qual eu não saberia viver, pela qual me derramo em pieguice... O dia dos meus amigos foi ontem, é hoje, será amanhã e depois de amanhã... E pra todo o sempre, amém!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O DIA DELES


Último dia útil de férias acho que acordei meio desorientada. Qual não foi minha surpresa quando abri a internet e li nas manchetes: DIA DO HOMEM. Oi? Acho que não compreendi. Esfreguei meus olhinhos e reli. Isso mesmo, dia dos cuecas.

Mas não eram eles, cheios de ciúmes disfarçados de empáfia, que se orgulhavam de ter 364 dias do ano e nós apenas um? Entendi nadinha... Reivindicaram, foi? Querem ganhar flores e demais homenagens? Acho bacaninha essa carência travestida em marra.

Imagino o quanto o dia de hoje é significativo, a evolução do homem certamente não seria a mesma sem esse feito de vital importância, como tantas outras chaticezinhas inventadas pra se comemorar até o dia da nuvem.

Mas a data já existe há alguns anos e foi criada com a finalidade de promover uma reflexão acerca da saúde dos meninos. A ideia é louvável, visto que os homens tem muito mais resistência em cuidar da saúde do que nós, graciosos e sensíveis seres.

Bastou a notícia se espalhar e fez-se mais uma data comemorativa, mais um evento aonde as lojas todas se descabelam pra vender cuecas, gravatas, meias e afins, fazendo você se sentir a mais desalmada das criaturas por não mimar o seu amado. Se ainda não chegou nesse patamar, não tardará a acontecer. Nesse universo de alma comercial vender é a melhor opção, sempre.

Mas sigamos festejando a natureza lúdica da ocasião. Meninos, celebrem, é o dia de vocês. Até faremos vista grossa para aqueles detalhezinhos tão comentados, jamais remediados, tipo a tampa do vaso levantada, a toalha molhada jogada na cama, a gentileza perdida pelo caminho da tão buscada igualdade entre os sexos. Hoje nem pensaremos em discutir a relação, nem choraremos por datas importantes que esqueceram.

Rapazes, desprovidos do senso de observação (quando se trata das minúcias vaidosas femininas), charmosos, rabugentos, práticos, machões, metrossexuais, briguentos, viris, infantis, incompreendidos, valentes, pretensos sultões, apaixonantes, antagônicos, parceiros... Obrigada por continuarem matando as baratas.

Enquanto, entre incompreensão e fascínio seguimos adorando compartilhar a vida com vocês, continuamos esperando o homem perfeito. 



 GRUPO DE MULHERES ESPERANDO O HOMEM PERFEITO... 
ACHO QUE ESSA DE CADEIRA DE RODAS SOU EU... 

terça-feira, 12 de julho de 2011

ENQUANTO A CHUVA CAI

Quando pari o Inquietude um amigo me disse pra não mudar tanto o layout porque senão perdia a identificação. Eu coloquei os bracinhos pra trás, cruzei os dedos e jurei uma mentirinha de nada prometendo seguir seu conselho.  Algo em mim há de ser toda a vida mutante, já que outras coisas mais pertinentes não o são... Se alguém achar a identificação do meu blog perdida por aí, mande-a de volta pra casa.

Titia logo cedo me deu a má notícia, era meu dia de retorno lá no Posto de Saúde, pois faço parte do grupo de pessoinhas cuja pressão arterial gosta passear de elevador. Dei uma espiadela pela janela, maior toró... Pensei seriamente em privar a todos da minha fofa presença, já que não seria atendida pela médica e sim pela enfermeira. Mas enchi-me de coragem e fui. Qual não é minha surpresa quando a moça mede minha pressão e constata algo em torno de 18 x 10. Caramba! Não me lembro de ter estado tão alta, nunca. Aí me mandam colocar um remédio embaixo da língua e esperar pra falar com a doutora. Chaticezinha inesperada e impossível de ser driblada.

Gosto amargo do remédio se dissolvendo. Carinha vermelha pela alteração. Carinha mais vermelha ainda pelo constrangimento. A enfermeira pediu a atenção do povo todo na espera pra dizer que “a MilenA vai ser atendida assim que a doutora chegar, pra ser investigada essa elevação anormal na pressão, espero a compreensão de todos”... Tudo isso com o dedo devidamente apontado pra euzinha, rubra, encolhida, procurando o buraco que não se abria. Eu odeioooooo ter preferência. Odeio chamar atenção. Chegar e sair pra mim é um grande problema... Gosto mesmo é de já estar quanto todos chegam e usar o pó de pirlimpimpim pra ir embora na surdina.

Minhas idas a esse posto me trazem sempre recordações constrangedoramente bacaninhas. Há uns cinco anos debutei meu rubor por lá. Justo num dia de aniversário tinha consulta marcada e não havia como driblar, então cumpri esse programa perfeito para a ocasião... Uhuuu! Nesse dia se comemorava o Dia do Idoso (há controvérsias sobre a data), mesa posta com bolo e afins, uma turma animada de pessoas da melhor idade ao redor, eis que alguém diz: “Hoje é o aniversário da MilenA, vamos cantar parabéns pra ela”... Jesus! De nada adiantou a minha simpática recusa disfarçada de súplica para ficar quieta no meu cantinho, quando me dei conta estava no centro das atenções, cercada dos velhinhos acolhedores, num entusiasmado PARABÉNS PRA VOCÊ... Mero detalhe: no bolo havia uma graciosa plaquinha com os dizeres: FELIZ DIA DO IDOSO e eu linda e quase loira a soprar a velinha. Suponho que hoje, alguém que veja as fotos da ocasião não compreenda muito bem o porquê da minha fofa presença entre eles, visto que nada ali indicava ser o meu big, como dizem meus sobrinhos pestinhas.

Agora vou lá na janela, espiar a chuva cair, me deixar abraçar pelo frio que o povo do sul/sudeste soprou pra cá e esperar minha pressão cansar da brincadeira sem graça de pegar elevador... 

Uns tantos beijos...

domingo, 10 de julho de 2011

RETALHOS DE CETIM


Certas músicas ficam, por vezes, esquecidas num canto qualquer do passado. Injustamente esquecidas, eu diria. E de repente  surgem feito magia pra dizer arrepio e fazer a alma da gente ficar mais graciosa, o corpo leve...

Hoje foi um desses “de repentes”. Ouvi num programa de calouros, muito bem interpretada, uma canção do Benito de Paula. Caramba! Aquilo me arrepiou, que coisa mais linda! O quanto abençoado é um sujeito capaz de compor música e poesia numa junção tão perfeita. Tenho ouvido muito a mesma música na voz do Zeca Baleiro, mas me encontrar outra vez com ela na voz do seu criador foi indescritível.

Não, eu não sou crítica musical. Não, eu não entendo bulhufas de estilo seja lá do que for... Só entendo de sentir... É tão bom sentir.

E não, nem é carnaval. Emoções não seguem calendários, apenas fluem, reagem aos acordes atemporais da música. Boa viagem aos amantes da obviedade, boa andança nos seus caminhos previamente traçados... Prefiro mesmo andar de braços dados com a casualidade.

Também não vou me dar ao desfrute de espinafrar os tantos e diferentes estilos musicais desse mundo de país chamado Brasil. Pouco me importa os funks e axés com suas letras elaboradíssimas, sertanejos de mentirinha, forrós sem sanfona. O país é enorme, a diversidade existe, graças a Deus, e todo mundo tem o direito de se divertir com o que bem lhe aprouver, até mesmo promover uma festa no AP ao som de Latino (Deus é mais!). Mas, sendo assim grandão e marcante em suas diferenças esse nosso Brasil-il-il-il-il (segue o eco...), o que foi feito do lugar ao Sol pertinente a sujeitos feito o Benito de Paula? Até me ocorreu que lhe tiraram esse pedaço de Sol por causa do visual do moço, seu figurino de gosto duvidoso, cabelos desgrenhados, anelões e afins. O cara até pode se vestir  meio fantasiado, desde que se embrenhe pelos caminhos do humor feito o Tiririca e o Falcão, aquele do girassol na lapela. Mas não, essas coisas não acontecem mais, as pessoas estão receptivas quanto ao que destoa do padrão. Quanta bobagem essa minha! O mundo agora é tão mais bacaninha e tolerante e ninguém mais julga o outro pela aparência. O mundo é colorido... E lindo... E só vive o amor... Ser é verdadeiramente mais importante que ter...

E tomara que já chegue dezembro, estou sendo uma boa menina o ano inteiro pra esperar Papai Noel e suas renas bonitinhas.

Senhoras e senhores, RETALHOS DE CETIM:


sexta-feira, 8 de julho de 2011

DAS DESIMPORTANTES REFLEXÕES

Ah, a blogosfera e suas estranhezas bacaninhas! Tirei meu fusquinha dourado da garagem, ele descansou o suficiente e agora está outra vez pronto pra seguir comigo por essas estradas.

Um ano e meio depois de embarcar nessa viagem ainda me perco em suas curvas sinuosas, suas placas com indicação equivocada, os labirintos inerentes, mas permaneço firme na ideia de tirar daqui apenas diversão, sem levar as coisas a sério demais.

Estou inconsolável, pessoas. Perdi um seguidor. Como sofro, oh céus! Não é justo fazer isso com alguém de imensurável sensibilidade feito euzinha. Não sei o que fazer pra controlar minha curiosidade em saber quem se ausentou de mim... Seria uma boa ideia gritar um apelo emocionadíssimo pra trazer de volta pro meu aconchego esse ser desalmado? Cantarei feito a moça da canção da Blitz: Volta Arlindo Orlando, volta...

Sobre as blogosferices, me permito fazer algumas considerações: Continuo achando um tanto de coisa sem sentido, por exemplo, o maldito comportamento dos caça-seguidores, mercenários infames se importando apenas com números. O sujeito de ambos os sexos surge numa gentileza excepcional, como se dissesse: “vai lá no meu blog, se sentirá honrada em seguir uma  página tão incrível quanto a minha, vai lá que eu te deixo ficar”... E não profere uma mísera palavra sobre o maldito texto que você se esmerou (ou não) pra elaborar. Serei eu uma nota dissonante nesse mundo de estranhas gentilezas? Sigo achando estatísticas uma chatice e não me importa ter dois milhões de seguidores... Me importa ler nos comentários que aquele texto teve algum significado pra quem o leu. Se foi divertido, ou viu fragmentos de emoção, ou foi uma chatice completa... Quando se caminha comigo da primeira à última palavra, isso sim me instiga, não importa a besteira que eu tenha escrito.

Tento me distrair, abstrair, mas estou tensa, alma doendo com o abandono injustificável do Arlindo Orlando, destruidor de coração rosado. Volta, Arlindo Orlando, volta...

Esses dias recebi do Fie Cruz e da Ma Ferreira a mesma indicação para dissertar DEZ COISAS SOBRE MIM. Adoro essas brincadeiras “bestas e chatas”, como falou o Fie, meu inconstante preferido. Mas já fiz um tantão delas e nem sei aonde arrumarei outras frívolas coisas a dizer sobre mim. Há pouco tempo mostrei MEU AMOR EM DEZ ATOS, fiz o JOGO DOS SETE e até me fragmentei em 100 partes no MEME DA LU, entre outras lindezinhas descontraídas e outros causos. Se tiverem um container de paciência, confiram os links, mas vejam antes as postagens dos meus amigos Fie e Ma.

Minhas férias plenas de ociosidade estão acabando, semana que vem volto pro batente. Se eu fosse vocês, amigos pra valer, faziam um motim impedindo esse fatídico acontecimento. Façam uso de minhas ideias do cangaço hi-tech e venham ao meu socorro. Eu vos suplico! Enquanto isso permaneço esperando o retorno do meu insubstituível Arlindo Orlando. Volta, oh criatura impiedosa!!!

Beijos!


quarta-feira, 6 de julho de 2011

O CANGAÇO HI-TECH

Chegou a hora de fazer valer a lei do mais fraco. A ideia é revolucionar, mostrar que os cabras quando se unem em torno de uma ideia da moléstia de boa, o negócio muda por bem ou por mal.

Em séculos de boas e terríveis ideias vindas do homem, pseudo-racional, ninguém nunquinha teve a sabedoria de unir a brabeza do cangaceiro com a inteligência amalucada do terrorista das arábias. Uma facção jamais vista nesse mundão sem porteira.

Os cabras da peste se unirão, não em nome de Alá ou meu Padim Ciço Romão Batista, mas em nome da (in)justiça virtual. Marcharão até a sede da VIVO, será o primeiro alvo e eles hão de sentir a valentia do cangaceiro hi-tech, munidos de suas peixeiras poderosas e spray de farinha e eles se arrependerão por fazerem todo mundo de palhaço, todos os dias em que mal é possível manter a conexão. A operadora será tomada de assalto e internet grátis será distribuída aos excluídos digitais, impedidos por conta do desapalavramento dos poderosos gestores da empresa, de fazerem a ronda diária aos vitais Orkut, Facebook, MSN, além dos mini-boletins no Twitter, relatando, por exemplo, a cruel diarréia com que foi acometido. Os amigos do enfermo, por sua vez, tem o direito de twittar a criatura com palavras de ânimo, do tipo “se cuida miguxo”...

Como, em dias de tamanha evolução tecnológica, um sujeito pode viver sem twittar, oxente? Isso revolta demais a pessoa e dá vazão à criação de bandos ultra-radicais do sertão, dispostos a atrair seguidores do Brasil inteiro, destemidos em busca da internet sua de cada dia.

Justiça digital, já! Avante, companheiros do cangaço tecnológico, com auto-amoláveis peixeiras de aço inoxidável. O mundo virtual é de todos, Lampiões e Marias Bonitas moderníssimos, Robbin Hoods da era globalizada, novos bárbaros. Marchem, mostrem aos infiéis descumpridores de seus serviços que não se brinca assim com paciência de pessoas de bem.

Abaixo a repressão! Falta de internet causa depressão!

COMPANHEIRO RODOLFO, PRIMEIRO ADERENTE AO BANDO, FEZ UNS VERSOS DE APOIO À BATALHA:

1. COMPANHEIRO DE CANGAÇO

Padim Ciço, santo nosso
Disafasta o  enganadô.
Leva a alma desse crente
Lá pro céu diretemente
Junto de Nosso Sinhô.

2. MACACO DA VOLANTE

Coisa-ruim que venha logo
Levar tudo que eras tu;
Pro fogo essa roupa imunda,
Tua alma pras profunda



segunda-feira, 4 de julho de 2011

ALÔ, AGRIDOÇURA!


Ando achando tanta coisa uma chatice desmedida. Por que será? O problema é a minha pouca tolerância ou as chatice das coisas? Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais? Eu não sei se escrevi corretamente esses “porquês”, não estou com a mínima disposição pra procurar a resposta e o Rodolfo já foi dormir, portanto, certos ou errados, eles ficarão bem aí.

Ainda bem que hoje na TV ninguém ousou dizer a infame frase: “fiz aquele arroz com ovo que você adora”. Ah, vá... (Não posso completar a expressão pra não ser processada por plágio, eu nem tenho advogado). Odeio essa frase. A fulana esposa ou mãe sempre faz o prato que o fulano adora e ele nem tchun. Bem feito pra bajuladora!

 E também hoje eu não vi nenhuma entrevista de jogador de futebol dizendo: “eu acho que a gente ganhou de 2 x 0 e o resultado foi muito bom, a gente se esforçamo e fomo recompensado”... Como assim? O Seu Creysson tava jogando e ainda acha que ganhou? Quem haverá de ter a certeza desse resultado, se nem o sujeito sabe?

Daqui a pouco vai passar uma matéria no Fantástico, a qual eu não irei ver, sobre o repórter que tentará superar seus próprios limites atravessando territórios geladérrimos, numa tal maratona do gelo e blá, blá, blá... Será que ele espera que eu me comova com essa tolice? Acho engraçado quando os moços aventureiros decidem largar família, trabalho, amigos e se metem montanhas acima com o nobre intuito de fincar lá a bandeira do seu país. Fala sério! É frio, noites mal dormidas, isso quando não trazem um dedo necrosado ou ficam por lá, mortinhos da silva e o povo aqui embaixo que se vire com sofrimento e transtornos práticos. Tudo em nome do que mesmo? Ah, a tal superação, autoafirmação, besteirol total! Por mim eles passam as suas vidas aventureiras subindo e descendo tudo quanto é montanha e jamais vou achar a mínima graça.

Itamar Franco morreu, né? Morreu... Feito diz Almir Satter: “um dia a gente chega e no outro vai embora”... Chegou a vez dele. Chegará a de todo mundo. Chato isso de ter que morrer... Fico só imaginando os caras lá de cima franzindo o cenho quando perceberem a chegada de outro político... Que se compadeçam da sua alma, afinal o homem teve que governar essa nau ingovernável, ainda mais substituindo o meu conterrâneo maluquetes. Foi um teste e tanto... 

Eu, minhas imensuráveis doçura e sensibilidade, estamos indo dormir. Noite aquecida e bacaninha pra todo mundo. Talvez eu deva dizer que não mordo. Espero que acreditem. Eu pelo menos me esforçarei muito pra acreditar.

Beijos docinhos feito mel.

sábado, 2 de julho de 2011

SONHOS, ROSAS E CONTRADIÇÕES


Não preciso explicar o porquê. Explicações são chatas. Ando exausta de chatices e estranhezas. Apenas trouxe as palavras aqui porque elas quiseram sair de mim enquanto eu escutava essa canção. Lembrei do Relicário, senti saudades. Gosto de às vezes sentir saudades. Não me dói. Era tão querido e aconchegante o meu Relicário, mas o meu desassossego o colocou pra dormir pra sempre... Se bem que Renato Russo falou que “o pra sempre, sempre acaba”... Quem sabe?

Ando mesmo me achando um ser contraditório, digo de mim agora, desdigo ali mais adiante. Ser contraditório é cômodo, me livra da obrigatoriedade em ser uma coisa só. É bem chato ser toda a vida uma única coisa. É bem chato ser.  Prefiro a transitoriedade de estar. Ser implica compromisso e eu caminho em meio ao descompromisso... É absurdamente prazeroso não ser coisa alguma, ainda que me leiam por aí dizendo ser. Minhas palavras são brincalhonas e adoram me contradizer, é bom não esquecerem isso... Mas acreditem em mim, quase sempre me acreditem.

Não foi minha confusa alma em contradição, porém, o motivo desse escrever. Foi o Relicário. Foi Cartola dizendo que as rosas não falam. Foi a saudade. Gosto dos versos dessa música. Gosto de versos...

Tomada por uma reflexão torpe, divago sobre a existência das rosas, que são a própria materialização da beleza, e sua condição de poética contraditoriedade: testemunham o amor, enfeitam a morte. Silenciosamente sublimes e elegantes, são brancas, vermelhas, amarelas... ainda que sejam rosas.

Chega de queixar-me da vida. Silenciarei feito as rosas.  Vou ali, buscar uns sonhos. Que seja acordada,  sonhos. Ainda que eu, entre maciez e aspereza, pétala e espinho, contraditoriamente os despreze fingindo querer apenas a realidade, eles me pertencem e os permearei... Por fim.


Sob o olhar generoso de Rodolfo Barcellos.





A LEGÍTIMA IDEIA ERA TRAZER CARTOLA CANTANDO “AS ROSAS NÃO FALAM”, MAS O YOU TUBE ME DISSE QUE SÓ É PERMITIDA A VISUALIZAÇÃO DO RESPECTIVO VÍDEO LÁ NO SITE. TROUXE A LUCIANA MELO NUMA VERSÃO QUE SEMPRE ME ENCANTOU. GOSTO DESSA GURIA.

QUERENDO VER O CARTOLA, CORRA LÁ NO YOU TUBE, EMBAÇADOR DE POSTAGEM MINHA:

BEIJOS, ROSAS, SONHOS E CONTRADIÇÕES, EM BUSCA DA BATIDA PERFEITA...