terça-feira, 30 de agosto de 2011

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM BABACA



Roubei esse título de uma postagem do Quiosque, cuja imagem grita tão alto que se pode ouvir de cada canto do mundo. Roubei também a referida imagem, porque não consegui aval do Marcos e assim tive que cometer o delito. Mas caso ele não goste da minha esperteza, retirarei sem problemas.

Falei nos meu comentário que já fui forçada a lidar com babacas do gênero muitas vezes na minha doce vida e assim será pra todo o sempre. É preciso seguir apesar deles. Li uma vez do próprio Marcos que não adianta impor medidas de acessibilidade quando a sociedade não está preparada pra tal. Ou seja, cumprem-se as determinações impostas pelas leis pra ficar politicamente bacaninha, mas na vera as pessoas com necessidades especiais (que chatice esse termo) continuam sendo uma pedra no meio do caminho do setor trabalhista e da sociedade de um modo geral. Li certa vez alguém comentando uma determinada postagem sobre o tema, reclamando até das guias rebaixadas espalhadas em exagero, segundo sua lamentável opinião.

A empresa onde trabalha uma das minhas cunhadas (são muitas) contratou um cadeirante. Tudo muito bonito, nos conformes, não fosse a total falta de acessibilidade do prédio construído há pouquíssimos anos. Segundo ela, quando o garoto precisava ir ao banheiro era necessário ser carregado pelos colegas, já que no meio do caminho tinha um arquiteto babaca e o sujeito fez nascer infames degraus à porta do W.C. Para não desfigurar a arquitetura arrumadinha, o jeito foi arrumar o banheiro localizado fora do prédio e agora o garoto consegue fazer xixi sem tanto constrangimento. Vivêssemos numa sociedade em que as diferenças fossem compreendidas bem mais que suportadas, um xixi especial não daria tanto trabalho...

Bem queria ter iniciado a semana no melhor estilo Poliana Menina que se fez moça (essa garota me irritava achando lindo toda a feiura), mas não foi possível. Joguei a toalha no primeiro round. As miudezas humanas me deprimem e eu desacredito. No meu trabalho eu desacredito. A educação tornou-se um mero faz-de-conta e conviver de perto com isso é deprimente. O estado demonstra o seu imensurável zelo pela educação pública quando, por exemplo, destina um professor de Matemática pra lecionar Arte ou Geografia só pra fechar a carga horária do sujeito. E depois não se compreende os resultados pífios descaradamente maquiados pra fazer valer a evolução no IDH e sei lá mais quais siglas. Esse povo burocrático adora sigla, a gente não entende lhufas e tudo segue camuflado como eles querem.

Texto longo é uma chatice. Bem tento ser concisa, mas meu velho lápis de ponta gasta hoje está impossível. Por isso não posso me furtar a comentar sobre a bizarrice ocorrida no domingo passado, no jogo entre fRamengo e Vasco, quando do atendimento ao técnico Ricardo Gomes, do clube cruzmaltino. Enquanto conduziam o moço até à ambulância, soava em uníssono um coro lá na torcida rubro-negra dizendo amorosamente: Uh, vai morrer! Misericórdia, alguém por favor me diz aonde vai parar  a humanidade bisonha, em que buraco há de caber tanta gente? Claro que não era toda a gente e isso provavelmente ocorreria em qualquer torcida, sendo da mesma estranheza desumana.

Enquanto isso, na sala de justiça, a calcinha grande da Juliana Paes por baixo de um vestido de renda transparente é motivo de furdunço e questionamento alheio. Oh, pai do céu, pare o mundo só um pouquinho pra eu descer!

Agora vou. Azedume tem limite... Quero lindas mensagens otimistas que me façam acordar amanhã com a sensação de que há no mundo muito mais belezurinha bacaninha do que a feiura estampada em todo canto.

Beijo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A PORTA AZUL



Cora Coralina e os seus relatos sobre A Casa Velha da Ponte eram  minha companhia para as horas de espera. Mais de sessenta minutos era certeza de ficar ali, naquelas cadeiras desconfortáveis, ouvindo as vozes cruzadas formando um surreal estampado sonoro no corredor. Hospitais guardam frios e tumultuados corredores estampados.

A bem da verdade elas ecoavam, mas eu não as escutava. À minha frente estava a porta azul, larga, de soleira gasta, trancada. O que haveria por trás daquela porta da cor do céu? Eu desviava meus olhar do livro e fitava o pedaço de madeira morta, ela parecia me falar, vociferar silenciosamente, me intimando a um indigesto encontro comigo mesma.

Enquanto eu e a porta azul nos fitávamos, lembrei-me da mulher sábia com quem falara momentos antes. Suas palavras me ecoavam mais do que a confusa tentativa de comunicação das pessoas àquele instante. A mulher sábia me perguntara por que às vezes a caminhada é toda a vida em círculos, acabando por estacionar sempre no mesmo lugar... Ou em lugar algum. Imensuráveis e vãs andanças interrompidas, talvez, por não se saber ao certo o que se espera encontrar no fim da estrada.

A mulher sábia acendeu essa questão e eu não parava de pensar numa resposta. A porta azul parecia exigir que eu solucionasse imediatamente esse imbróglio interno.

Voltei-me às histórias contadas por Cora Coralina e ela me disse sobre a pedrinha de briante a qual nós todos procuramos, com afinco, pelos caminhos da vida.  E me pus a pensar que eu talvez tivesse até tropeçado na minha pedrinha de brilhante num caminho qualquer e nem me dei conta, tolamente ignorei o seu valor. Mas talvez ainda esteja por aí a minha pedrinha, esperando que eu a encontre.  Ela me dará todas as respostas e as voltas a lugar algum finalmente cessarão. Eu só preciso continuar caminhando...

A reunião findara. A mãe e o irmão chegaram acenando com a hora de voltar pra casa e antes que a porta azul continuasse a me destilar seu olhar inquisidor, pedi licença à Cora Coralina para guardá-la, levantei da desconvidativa cadeira e segui, deixando pra trás o corredor e seu surreal estampado sonoro.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

É BIG! É RÊ! - por Rodolfo e Milene


Diz Regina Rozembaum
Com sotaque das Gerais:
"Ser mineira é muito baum,
Ser mineira é baum dimais!"
Essa leoa indomada
Que se diz domesticada
Com sua juba dourada
Num divã enrodilhada
É em verdade comprovada
Uma gatinha mimada
Uma mulher encantada
Rainha, sereia e fada
Ora menina assanhada
Ora adulta equilibrada.
Essa querida menina,
Essa moça leonina,
Cujo nome é Regina...
Essa nossa amiga amada,
Preciosa e apreciada,
Nesta data festejada
Será homenageada.

Minha amiga querida,
Quero ofertar-te uma rosa
Que é de praxe no evento;
E meu único lamento
É que não é tão formosa
Que te seja merecida.
Na Lei Maior está posto,
Isso já foi decretado:
Em dezenove de agosto,
No Divã é feriado.
E quando esses versos leres
Ouve a cantiga das almas,
O pulsar dos corações,
No ritmo de mil canções
Na cadência destas palmas
Celebrando teus viveres

E tu pensas, minha amada,
Que os anos de tua vida
A ti foram presenteados?
Não te enganes, querida:
Pois de ti nasceu a vida
Que a teus anos foram dados.
Não celebres, minha amada,
A vida que os anos te deram;
Celebra antes, querida,
Os anos a que deste vida;

Não te aflijas com  a meta
Que não te foi alcançada;
Celebra a coragem tua
Em buscá-la, esforçada;
Pois da busca a aventura
Traz riqueza ao caminhante;
É mais sublime a procura
Que a alegria da conquista;
Melhor do que "ter" o prêmio
É "ser" bom competidor;
Pois dessa procura nascem,
Por mais que os anos passem,
Esperança, paz, amor!

Para pensar:
"Os anos dão vida à gente";
"A vida dá anos à gente";
"A gente dá vida aos anos";
"Os anos dão a gente à vida";
"A vida dá a gente aos anos";
"A gente dá anos à vida".

"Não podemos acrescentar dias à nossa vida, mas podemos acrescentar vida aos nossos dias".
Cora Coralina, por Valquiria, em comentário no Inquietude (Retalhos de Cetim, julho de 2011). 

FELIZ ANIVERSÁRIO, LEOA QUASE VIRGEM!

(RODOLFO BARCELLOS, compartilhando essa postagem especial cá no meu canto, por ter sido impossibilitado de publicar no blog dele em virtude de estar sem net)





Ela é feito uma música suave e ao mesmo tempo contagiante, daquelas inesquecíveis, parecendo tirar a gente pra dançar, braços abertos chamando a vida, rodopiando feito piões brincalhões e sorriso estampado nos lábios. E a gente se deleita, nunca mais quer sair desse bailado alegre e canto doce, carregado na mineirice que por si só envolve num aconchego de bem querência a quem dela se aproxima.

Mulher-leoa, menina faceira, moça vaidosa... Rainha. Regina!

Com ela as palavras jamais padecem do tédio. Enquanto segue sua dança da vida, feito uma leoazinha brincando na savana, faz-de-conta que a palavra vestiu roupa nova, ganhou adereços e todo o tempo se reinventa.

E se por vezes se faz triste a sua música, se brotam lágrimas em vez de sorrisos, quando supõe ter perdido a alegria festeira, eis que ressurge a bravura, a coragem adormecida num ímpeto desperta e vão-se em disparada todos os ETs.

Quando enfim, numa etapa longínqua da estrada, alguém descobre ter trilhado um caminho que já não lhe apraz, quando a velha canção da vida inteira se torna enfadonha e vã, quantos são audaciosos o suficiente pra comporem uma nova melodia?

Ela o é! Mulher admirável, valente, sonhadora, humana... Rainha. Regina!


QUE SEJAM TANTOS OS PEDACINHOS DE FELICIDADE, AO PONTO DE NÃO LHE SOBRAR TEMPO PRA MAIS NADA, A NÃO SER VIVER, IMENSURAVELMENTE VIVER A ETERNA CONDIÇÃO DE SER FELIZ.
E PELA PARTE QUE ME CABE NESSA TUA GENEROSA AMIZADE, AFIRMO QUERER DANÇAR CONTIGO CANÇÕES DE ALEGRE VIVER, POR TODA A INFINITUDE, 

OBRIAGADA!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A PEQUENA SUPER-HEROÍNA


Depois de falarmos de tudo e nada, rirmos sem economia alguma como é de costume, minha prima Cida, aquela a carregar nos olhos o azul-esverdeado do mar das Alagoas, se despediu assim no eme-esse-ene:

- Vou dormir... Manhã e tarde deveriam ter vinte e quatro horas cada uma, pra dar conta dos meus afazeres amanhã.

- Oxente, e o que é tanto?

- Sair cedinho pra trabalhar, levar o pequeno comigo pra minha escola, chegar em casa às onze e meia, preparar almoço, arrumar a cozinha e mandar o pequeno pro colégio...

- E o povo ainda fica procurando super-heróis...

- Comprar o presente pros papais (dos meninos e meu), voltar pra casa, treinar percurso pra prova de direção que será na quinta-feira...

- Misericórdia, tô cansada por vc...

- Conversar contigo (disso não abro mão).

- Uebaaaaaa!

- Lavar os banheiros, fazer o jantar e enfim me sentar na poltrona pra assistir o Capitão Herculano. Pronto, passei minha agenda, por hoje chega!

Nesse momento proferi digitalmente um palavrão exclamativo (poupo vossos olhos desse mimo), enquanto ela falava:

- Ah, esqueci do item “planejamento de aula para o dia seguinte”, que farei depois que os meninos dormirem...

- Só Jesus na tua causa...

- É fia, é de lascar! E depois de tudo isso ainda tenho que me manter bela pro maridão.

Minha pequena super-heroína despediu-se e foi encontrar o tal Morfeu, me deixando num redemoinho de inquietações. Me imaginei no seu lugar, funcionando feito uma espécie de elo de sustentação entre filhos, marido, casa, o mundo lá fora... Surtei, pessoas! Eu nem sequer tenho tentáculos, como conseguiria? Como ela consegue? Quão brava é essa baixinha, disfarçada nesse um metro e meio de altura, mas no fundo é uma mulher gigante, supermãe, que adora se fazer linda para si própria... Como eu a admiro!

O questionamento me perseguia... E se fosse comigo? E se o jantar tivesse que sair na hora certinha e euzinha fosse a executante dessa tarefa? E os filhos... Não poderia desligá-los nem meia horinha? Misericórdia! À medida que as respostas se desenhavam sem dificuldade alguma, eu só pensava em expulsar do armário o meu sapo de pelúcia, antes do sujeito fofo se meter a príncipe. Definitivamente não tenho o menor talento para princesa-heroína da vida urgente...

Nunca mais beijos, meu caro felpudo!


À Cida e a todas as mulheres pela capacidade 
em fazer funcionar feito mágica o mundo ao seu redor, 
meu beijo e admiração imensurável.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A IMPOSTORA



Ufa! Pelo menos por aquele dia estava livre das consultas maçantes na capital... Era hora de colocar o pé na estrada e devolver a lista de artigos emprestados: carro do irmão, cartão de crédito da irmã para abastecer e o cunhado, gentilmente cedido pela outra irmã pra dirigir o carro... Praticamente conduzindo Miss Dayse.

Todo mês era essa romaria bacaninha. Antes, porém, precisava passar no hipermercado a fim de fazer as “comprinhas” pedidas pela irmã caçula, a do cartão.
Agora era só passar no caixa e pronto, tarefa cumprida... Será?

- A sua identidade, moça.

- Oi?

- Sua identidade... Agora só podemos passar o cartão conferindo o RG do cliente.

- Oxente, que novidade é essa? Eu compro aqui há tempos e nunca teve essa frescura.

- Moça, essa “frescura” é pra segurança da empresa e também do cliente, caso tenha tido seu cartão roubado.

- Você por acaso tá insinuando que roubei o dito cujo?

- Não, Senhora Gisele. Me perdoe se me expressei mal... Eu apenas expliquei as normas. Me passe seu RG pra que seja possível concluir o ato da compra.


Senhora Gisele? Danou-se! Nesse instante deu-se conta de que se chamava Gisele, era o nome constante no cartão de crédito e por pouco não perguntou quem era essa a quem se referia a operadora do caixa.

- Moça, é o seguinte, eu nem sou daqui, sou do interior. Deixei meu RG em casa, e agora? Você não vai querer que eu devolva minhas compras, né? Até no posto de gasolina eu passei e não me pediram documento algum – Dizia em tom de súplica, enquanto a moça do caixa fazia cara de descontentamento.

- Isso eu não posso resolver, é norma da empresa, mas vou chamar o supervisor.

Enquanto o supervisor era chamado e nunca chegava, tomando um tempo que possivelmente dava pra contatar até o dono da empresa, a fila atrás da “Dona Gisele” se agigantava em tamanho e inquietação, até que chegou o fulano dono da solução. Vendo o carrinho megalotado de compras, a cliente rubra-rosada pelo calor e pela situação, falou:

- Mas a senhora é mesmo a Gisele?

- Claro que sou! – Falou a cliente cara-de-pau, cruzando os dedos num impulso, feito fazem as crianças ao proferirem mentirinhas.

- Moça, ela é mesmo a Gisele? – Insistiu o sujeito, dessa vez se dirigindo à prima da farsante, constrangida assistindo a todo o quiprocó.

- É sim, ela é a Gisele. Eu sou prima dela, pode confiar.

- Ok! Pode liberar as compras. Estamos abrindo uma exceção, mas da próxima vez só com a carteira de identidade, certo Dona Gisele?

- Ufa! Certíssimo! Que bom tudo ter se resolvido assim, com bom senso, né? Obrigada!

Como epílogo, faltava apenas passar o bendito cartão e assinar o comprovante de compra. Simples assim... Quer dizer, seria simples se a farsante tivesse um pouco mais de habilidade com o mundo do crime e o fato de ter jurado há instantes ser quem não era, não tivesse martelando ali feito um capetinha “você não é a Gisele”... Aquilo definitivamente não acabaria assim tão fácil. Deu-se a desgraça!

- Eita... – Murmurava a meliante enquanto cutucava a prima disfarçadamente – Não tem jeito, tenho que confessar, não me chamo Gisele, o cartão é da minha irmã, eu me confundi e acabei de assinar o meu nome aqui por engano. E agora?

A cliente trapalhona só desejava que surgisse, rápido e fagueiro, o Chapolim Colorado e a resgatasse daquele imbróglio no mínimo constrangedor. O cunhado espiava pro nada, praticamente fingindo não conhecê-la, a prima não sabia se ria chorava, já que havia sido cúmplice, enquanto a atendente lhe lançava um olhar fulminante, possivelmente querendo achar uma maneira de estrangular a sem noção por ter causado tanto fuzuê. 

- Muito bonito, Dona Milene! Eu que pergunto, e agora? - Bradou a moça depois de ter conferido a rubrica da usurpadora no tal comprovante da discórdia.

O resultado do pastelão é que a estelionatária, cujo curso para esse fim deve ter sido feito lá no outro lado da fronteira, não saiu do hipermercado algemada, passeando de camburão. Imagina-se que sua atuação lamentável tenha causado piedade cristã nos fraudados, sendo desnecessário outro tipo de punição.

Ninguém contava com tamanha falta de astúcia.

sábado, 6 de agosto de 2011

O ARCO-ÍRIS



Eu gosto das coisas assim, naturalmente simples, casuais. Planejar é um problema porque sou péssima em cumprir os compromissos que assumo comigo mesma... Sempre me atraso, ou não compareço... Desconfio de mim mesma quando digo que vou.

Mas é das coisas casualmente deliciosas que desejo falar. De como as pessoas conseguem fazer melhor os nossos momentos e talvez nem se dêem conta. É feito tivesse lá a nuvem negra, teimosa, pairando sobre a nossa cabeça e alguém lança o um poderoso sopro de amor, acabando por afastar essa nuvem praticante de brincadeira sem graça. Foi assim a postagem da Simone ontem, surgiu de um encontro rápido que tivemos no MSN, coisa rara hoje em dia, porque ela anda dormindo com as galinhas e acordando antes do galo cantar. Mas parece que nos falamos todos os dias, somos vizinhas de muro e berramos uma com a outra dos nossos quintais. Coisa de bem querência, cumplicidade... Pura sintonia.

Então, nesses dias em que meu coração esteve amargurado, quando todas as respostas me fugiam, ela segurou minha mão como já fez em tantas outras vezes e me fez sentir como se o mundo não fosse assim tão horrendo feito parece. Eu gosto de acreditar a partir da fé que vejo nela. Me sinto melhor assim... Sossega um tanto minha alma, ainda que eu amanhã acorde outra vez desassossegada.

É bem melhor acreditar no amor. É reconfortante espiar a vida com esperança. Eu bem ia gostar de seguir assim por um longo caminho, mas não me faço promessas. Só sei que hoje, só por hoje eu me sinto melhor. A incredulidade usou de maleabilidade para comigo e me deixou contente. E ao me deitar, quero a companhia do sonho mais lindo... E depois da chuva, o arco-íris virá... Virá! 



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

GRITO


“Um incêndio foi registrado na madrugada dessa quarta-feira, 03/02/2011 em uma residência do bairro Cacimbas. No local estava o policial militar cujo nome é “indigitável”, sua esposa, a professora Claudenice O.P.. de 40 anos de idade, e a filha da professora, K.O.P, de apenas 15 anos... Os vizinhos ouviram um suposto pedido de socorro do homem e o resgate conseguiu retirar a adolescente, que chegou ao hospital bastante queimada, apresentando sinais de estrangulamento e regurgitando gasolina. Alertados pelos vizinhos da existência de uma terceira pessoa na casa, o resgate encontrou então o corpo da professora, carbonizado. A polícia suspeita do envolvimento do policial de nome indigitável no ocorrido”.

A VIDA POR VEZES TEIMA EM APRESENTAR UMA FACE HORRENDA... 
TROUXE-LHE A FLOR PARA, QUEM SABE, COMOVÊ-LA...

Isso bem poderia ser um trecho de algum noticiário de jornal ou site, embora fosse um texto muito malacabado, montado a partir do que se falou na internet acerca do assunto. Isso bem poderia ser mais um entre tantos casos absurdos a nos indignar quando estamos bem sentados em nossa poltrona vendo telejornais. Daqueles que vociferamos contra a justiça, dizemos ser o fim dos tempos, que o mundo não tem mesmo jeito... E quando conhecemos a pessoa? E ela era parte do nosso cotidiano, no trabalho, até um tempo recente? É muito doido tudo isso. Eu lamento não compreender os desígnios de Deus, o que ele tem reservado pra cada um de nós. Como lamento! Mas não compreendo e talvez queira mesmo ficar ignorante, me recusando a aceitar o fato de uma mulher ter sido morta de uma forma tão cruel por um cretino psicopata, convicto de ser o proprietário da vida alheia. Não, não há nada de concreto a ser dito, o fato ocorreu hoje, a menina está no hospital e o psicopata também. Não são palavras oficiais sobre o caso. Há apenas suposições de que o sujeito ateou fogo na casa depois de ter jogado gasolina na esposa, tentou asfixiar a enteada e depois fingiu pedir socorro. Mas as marcas deixadas na vida (corpo e alma) dessa menina são impossíveis de serem dissipadas. A agonia vivida pelas duas se tornou a agonia de todo mundo, dos que conheceram Claudenice, de quem apenas ouviu falar na história. Aqui é apenas um desabafo de alguém cuja compreensão para determinadas situações se escondeu não se sabe aonde, deixando no lugar uma série de questionamentos e revolta. Não vou falar das suas qualidades como mulher, profissional, colega, essas coisas proferidas quando as pessoas se vão. É redundante... Não quero falar mais nada. Era um grito o meu propósito. Embora baixinho, quase sussurrando... Eu acho que gritei.

Caso alguém queira conferir 
a história com mais clareza, siga aí...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SOB O SOL, A VIDA


Será que ainda chove
pingos batidos do lado de lá?
Será que frio não some
ou será que o calor chegou
com um chega p'ra lá
na solidão e a dissipou?

"Tanto Mar" - Guma - CLIQUE E VEJA IMENSA BELEZA

A luz do Sol acordou-se, trouxe raios dourados e alegres pela janela. Quis até aprisioná-los um pouquinho pros dias em que a solidão viesse com os pingos de chuva fazer baile na minha vidraça... Vã pretensão! Senhor de si é o Sol. Vem quando tudo parece estar envolto numa crosta gélida e mal conseguimos abrir os braços... É a inércia do corpo refletindo a alma. Então quando eles chegam, corremos pra abrir todas as janelas e portas... da casa, do espírito. Convidamos à invasão radiante de tanta luz e calor, e toda estranheza se dissipa, as nuvens densas, constrangidas, vão-se embora. Elas não querem ser antagonistas nessa peça de especial beleza. E os meninos raios de sol brincam de irradiar a vida. O inverno, taciturno, finge ir embora até recarregar as suas nuvens sombrias, que até parecerão leves e bonitas apesar do aspecto carrancudo. Eu não tenho medo...