sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SOBRE UM DOCE SETEMBRO


Querido Diário.

Há tanto tempo não compartilho contigo dos meus dias, perdoe-me a provável falta de jeito, mas o tempo passou, aquele velho moço sábio, me arrastou com ele pela vida afora e foi inevitável me deixar marcar pelas suas ações. Ou seriam as minhas?

Setembro se foi. Hoje é seu último dia e o primeiro dessa minha nova primavera. De repente, nesse arrastar implacável do tempo, quarenta e dois anos depois, cá estou: Filha da Dona Lourdes e do Seu Luís, irmãs daqueles seis e daquelas duas, tia Memem de todos os dezenove, sobrinha de tantos tios, prima de não sei quantos, amiga de mais que alguns e bons...

Você lembra? Num mesmo dia vinte e nove de setembro, há quarenta e dois anos, aquele moço,Neil Armstrong, comandou a nave espacial Apollo 11 rumo à lua pela primeira vez. Na época foi um feito e tanto, memorável, determinante.  Agora esse passeio está tão banal que eu pretendo comemorar o meu próximo aniversário em órbita. Quem sabe as companhias de turismo tenham pacotes em até 36 meses, sem juros, e eu faça essa viagem bacaninha, né? Meus amigos vão gostar, porque farei coraçõezinhos emos prateados pra eles.

Às vezes eu quero ralhar com o tempo, sabe Diário? Ele tem umas manias de nos jogar na cara as suas verdades, impõe as suas marcas e não resta alternativa a não ser encará-las e aprender a melhor maneira de lidar com elas. Confesso que sou do tempo uma aluna não muito aplicada. Mas algo a gente sempre acaba aprendendo. E nesses irremediáveis instantes em que me proponho a avaliar meus passos trôpegos, gosto dessa PPS imaginária. Vejo um uma história anos luz distante de ser ruim. Foram meus passos, as minhas escolhas, tantos erros e acertos... Fragmentos felizes, tristes, inertes, intensos... Meus fragmentos! Amor, empatia, melindre, ansiedade, amizade, abraço, esporro, beijo, carinho, teimosia, egoísmo, carícia, impaciência... Meus temperos! Ombro doado, ombro alheio explorado, lágrima, tanto sorriso compartilhado, saudade, perdas, presentes, palavras... O meu estampado!

Como posso me queixar?

Ontem eu vivi emoções das mais variadas. Chorei na primeira hora do dia lendo o imenso abraço escrito pelo Rodolfo. Eu bem poderia fingir surpresa, mas como poderia? Rodolfo é a gentileza personificada, ele só sabe ser amor e eu sabia que mereceria um fragmento dessa bem querência. E que imensurável fragmento! Depois fui seguindo um caminho feito de pétalas e me deparei com um pequeno embrulho me deixado pela Denise. Não mensurei o quanto de carinho e amizade poderia sair dali... Desconfio que a caixinha linda e minúscula é fonte inesgotável desses itens, querido Diário. Quando amanheceu, Regina me chamou no Divã e eu mais uma vez não vou fingir surpresa. Supunha o seu abraço a atravessar agrestes e sertões e como ela tem a “veia homenageativa” feito eu, fez-se a belezura. Há, quanto amor aquela mulher tem por mim... Será que ela desconfiou da imensidão da minha bem querência e está querendo disputar quem ama mais? Um pouco mais tarde fui ver a mesa lindíssima preparada pela Lu. Tudo encantador e charmoso, feito é do seu costume. E ali, naquelas imagens, nas palavras que não foram tantas, estavam implícitas o amor a mim doado. Aprendi a ler nas entrelinhas emaranhadas dessa amizade, apesar das suas (nossas) peculiaridades. E eu gosto disso... É bom vez em quando puxar um cabelo, beliscar devagarinho, espiar de cara feia e lá na frente concluir que esses ingredientes alicerçam com mais segurança o amor dos amigos.

E por aí saí colhendo palavras, afagos, beijos reais e virtuais que se misturaram, os braços esticados que me acolheram lá de longe... Deliciosa sensação.

E por aqui eu estive rodeada por tanto amor. Em meio à gritaria dos meus pequenos pestinhas, entre gargalhadas despudoradas, percebi da felicidade que se apresenta mesmo quando a espio apenas de soslaio. Considerando a sua efemeridade, eu sei que ela vai estar me rodeando e mais atenta, vou poder sorver de cada pedacinho de sua presença.

Diário, guarde segredo do que te conto agora, perdoe a petulância, mas preciso gritar o mais alto possível: EU SOU AMADA! É fato. É maravilhoso. E é tal amor o meu combustível. É dele que preciso pra seguir esse meu incerto caminho. Com ele quero dançar à vida, dizer alto e desafinado o meu canto alegre, fazer poesia nos meus dias... Queria dizer aos que me beijaram, me disseram longe ou perto, aos abraços dos quais eu não largo, eu também quero ser pra eles esse tanto de AMOR. Petulantemente eu quero.

Gostei de compartilhar minhas emoções e tolas reflexões contigo. Agora tenho que ir, porque tenho a incurável mania de testar a paciência das pessoas com meus textos portadores de elefantíase.

Uns beijos. 

E quando eu pensava que havia sido o fim dos abraços, pelo menos por ontem, eis que havia lá nos Botões e Anjos Scraps, da Graça, esse mimo bacaninha pra mim. Desatenta, apenas hoje o percebi. 

Graça Lacerda, sempre gentil, obrigadinha... Libriana que sou subi e desci a barra de rolagem um milhão de vezes antes de perceber a minúcia que mais me agradava... Beijo!



POR QUE AMO ESSA MÚSICA... POR QUE SOU FELIZ POR TER VOCÊS NO MEU CAMINHO... 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

AMANTES



Há muito eu ansiava por revê-lo, mesmo de longe. Queria sentir outra vez a sensação de contemplar seu imenso corpo deitado sobre si mesmo... Fascinante. Gostava de pensar que seus movimentos se davam por saber que eu o observava distante. Ora parecia dormir, beijado pelo dourado do sol, num sossego convidativo... Em instantes seguintes se exibia numa dança cheia de charme, gracioso, sedutor...

Eu, cativa, fixava na sua imensidão o meu olhar. Me rendi aos seus encantos. Desejava tocá-lo, sentir sua temperatura, me misturar nas suas águas. Talvez ele quisesse ser tocado por mim. Gostava de ter naquele momento tal pensamento. Éramos cúmplices. Eu, a amante submissa, atraída incondicionalmente por inigualável beleza. Ele, minha poesia de amor, canção de alegrar minha alma, quadro vivo de infinita perfeição.

Eu o cobicei. Desejei correr pra ele, me deixar envolver por seu beijo salgado, mas não havia tempo. Da janela do carro em movimento eu o perdi de vista.

Hoje eu vi o mar...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

AS LEMBRANÇAS VÃO NA MALA... ???


Não, eu não faço crítica musical. No máximo eu critico o Latino, mas isso até meu sobrinho Davi, de dois aninhos faz. Aliás, ontem estive de péssimo humor ao ter me deparado com o projeto de cantor e dançarino num zapeamento televisivo.

Mas não é sobre esse venerável artista a minha desimportante pauta. Gostaria de compartilhar com vocês questionamentos filosóficos relevantíssimos acerca de uma letra de outro astro da música popular: Luan Santana. Sim, meus caros, o jovem rebento a quem o Vilmar chamou carinhosamente de “boi de exposição” tem nas rádios uma canção sua tocando exaustivamente, o que me levou a prestar atenção na sua escrita rebuscada. Obviamente não é a letra mais esdrúxula já publicada, mas é um negocinho esquisito, é sim.

O moço diz à amada, aquela que lhe enfiou um pé bem dicunforça: “sua consciência não vai te deixar dormir, pois ninguém mais faz palhaçada pra te ver sorrir”. Acendam a luz, por favor, pois estou às escuras. O que raios tem a ver a consciência da moça com a quantidade de risadas emitidas por ela? Seria a própria uma depressiva e ele um doutor da alegria? Assim sendo, a história ganha mais nexo. Seria bem mais garantia de diversão à musa do moço de ombreiras naturais se desdobrar em risos assistindo os episódios do Chaves,os quais são exibidos no Brasil desde 1500 (eu nunca assisti o Chaves... sou a única no planeta?) do que carregando na mala as lembranças dele... Ou "o mala" seria o próprio?

Seguindo o momento pérola, destaco o verso (verso?) “ninguém vai te abraçar pra ver o sol se por, ninguém vai escrever no muro uma história de amor”... Bom. Dizer o que disso tudo? Essa moça deve ser antipática e chata pra caramba, porque só esse sujeito faria o enorme sacrifício de esticar o braço e envolvê-la num fim de tarde à beira-mar, esperando o deitar do sol? Qualquer amigo sem tendinite faria um troço desses! Quanto à segunda parte, sobre escrever no muro uma história de amor, eu bem queria ver um cara correndo da polícia depois de flagrado pichando um muro escrevendo uma história de amor pra euzinha. Mas não sei aonde foram parar os homens desmedidamente românticos desse mundo...

O refrão com essas frases explicitamente poéticas é repetido em incríveis cinco vezes e sem juros! Praticamente a música inteira se concentra no refrão estranhíssimo, com ele erguendo os ombrinhos de astro teen, dentro da sua camisa xadrez tatuada na pele. Enquanto isso, as roupas da moçoila são todas jogadas ao chão, dando lugar para as lembranças abarrotadas na mala, as quais seguirão atormentando-a aonde quer que a pobrezinha vá. Será pesada uma mala cheia de lembranças? Esse guri faz claras ameaças a ela, usando como arma as lembranças dele, que devem ser de uma tolice sem tamanho. Chamem os Direitos Humanos!

Essa obra sertaneja-surreal é de fácil acesso na internet. Caso alguém queira se inspirar, peça ajuda ao senhor Google digitando o título descolado. Lhes pouparei de linkar o vídeo correspondente. Sou boazinha, estão conferindo? Mas não se atrevam a deixar outrem fazer palhaçada para lhes verem sorrir...  

Beijos!


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O INEVITÁVEL ADEUS




Sigo sem compreender certas coisas da vida, embora ela pouco se importe com isso. Segue além da minha vontade, dos meus questionamentos e dúvidas... Ela caminha e a solução é tentar acompanhá-la a qualquer custo.

Às vezes me vejo feito um Forrest Gump às avessas, o que desistiu de correr e sentou-se, perdido, no meio do caminho. E olho pros lados em busca de um alento, espio lá no céu as nuvens e suas formas diversas... Espio pra baixo os meus pés bem fincados no chão.

Nesse momento eu não queria manter os pés no chão. Alcançar as nuvens talvez fosse uma boa ideia, passear sobre elas e deixar por aí os pedacinhos de dores da alma. Definitivamente eu não sei lidar com as perdas. Não sou sensata e madura o suficiente, não tenho a necessária espiritualidade e tudo isso nem me causa orgulho.

 O Cris, aquele primo sobre o qual publiquei uma postagem dizendo da sua doença, ele se foi. Saiu inexplicavelmente da vida de tantos que o amavam, aos incompletos 27 anos e não me resta outra alternativa a não ser aceitar a máxima de que Deus sabe o que faz, os seus desígnios não são questionáveis. Eu, se encontrasse o Todo Poderoso não resistiria a perguntar-Lhe: “O Senhor tem certeza disso? Tem certeza que tirar o Cristhiano da nossa convivência é a melhor solução? Mas por que? O que esse menino grande, de alma quase ingênua fez de mal pra ter que ir embora assim de repente?”... De nada adiantaria esse meu tolo interrogatório, eu bem sei. Ele certamente diria pra eu me recolher a minha insignificância e confiar na Sua imensurável sabedoria.  De pronto eu retrucaria: “Prometo tentar”...

Enquanto as nuvens não me permitem essa fuga da realidade fincada na terra, sigo aqui, sem revolta, sem desespero... Apenas um canto triste, um lamento incontido de quem agora se contentará com as lembranças do menino de sorriso doce que se fez anjo.

Obrigada pelas orações, bons pensamentos, abraços, afagos.
Obrigada, meus amigos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

RETICÊNCIAS...


Cai o pano. Ouve-se um estrondoso e questionador silêncio. As paredes pichadas de poesia e música reclamam do salão vazio. Num canto, o imenso balaio acomoda poemas de Manuel Bandeira, canções de Caetano, riquíssimos textos retratando as escolas literárias... Noutro canto do balaio guarda-se com semelhante carinho a paródia do filho prodígio, que reinventou a Canção do Exílio (Canção do Emílio) com genial desenvoltura.

O balaio é enorme, acolhedor. Guardará zeloso o relicário imenso desse amor pela arte, transbordante nessa camaleoa. Não é tão comum encontrar por aí alguém com tamanha facilidade em lidar com as coisas da arte feito essa mulher. Parece fácil feito respirar. A cultura é algo intrínseco à sua personalidade. É a sua pele, o seu cabelo, as roupas que veste... Arte deveria ser o seu codinome, porque ambas se confundem e formam a nuance perfeita.

Então, o pano cai. O Balaio da Si sai de cena por tempo imprevisto. Oxalá seja apenas um recesso, um descanso preciso até que a próxima temporada esteja preparada e a camaleoa outra vez disposta a ocupar o seu lugar de missionária da arte...





Há pouco mais de uma hora eu ajudei à Simone a fechar as portas do Balaio da Si. Espero que seja apenas um breve descanso, um sono necessário e logo e eu possa trilhar o caminho até lá a fim de comentar as palavras cortantes e certeiras da moça. Não vou lamentar, porque ela odeia novela mexicana. Me limito a brindar às parcerias que seguirão ainda que o Balaio esteja em pausa e dizer um imenso OBRIGADA por ter me deixado aprender tanto com ela.

“É só um blog. Ainda estou viva...” (palavras dela)

Amém!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MEU SONHO ALHEIO



Rodolfo Barcellos é um sujeito massa! Me perdoem se uso uma referência tão vulgar, mas ser  um “sujeito massa” é qualquer coisa de muito bacaninha... Quietinho, determinado, talentoso que só ele, foi lá e fez valer o seu sonho.

Cabra valente! Sonhei com ele esse sonho. Acompanhei cada etapa e para minha honra fui até uma das prefaciadoras do seu filho em páginas, O Outro Nome da Rosa. Quando recebi dele esse convite todos os meus fantasmas me rondaram dizendo pra eu fugir dessa roubada, afinal todo mundo iria ler e comentar: que raios de prefácio malacabado é esse dessa tal Milene Lima? Mas o moço-bruxo comprou a briga, disse que sim, sem talvez, de qualquer jeito eu teria que atender o seu pedido e mesmo me fazendo de rogada, fi-lo porque qui-lo, feito diria o eterno presidentíssimo Jânio Quadros.

O rebento nasceu. De longe pude escutar seu choro de alegre viver e me enchi de orgulho pelo meu amigo realizador de sonho. A sensação de me sentir minimamente como parte dessa história não sei quantas moedas de ouro seriam capazes de pagar.

Eu quero sonhar outros sonhos semelhantes. Urge em mim esse desejo de ver mais amigos talentosos e sonhadores parindo seus rebentos assim como fez Rodolfo. Gosto dessa história de me realizar no sonho alheio, confundir os meus com os de outrem e misturar tudo numa só celebração.

Loucos delírios, fantasias inatingíveis, vou estar aqui vendo “brotar do impossível chão” o meu sonho alheio... Eu vou estar. 



Música sugerida por Si Fernandes
cujos sonhos eu não sei se ainda são os mesmos, 
mas seguirei sonhando com ela sejam quais forem... 
Por que é assim quando se ama o amigo, 
a gente segue junto.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O DIA



Querida segunda-feira.

Como vai?

Estou bem e confesso, nem um pouco ansiosa para a sua inevitável chegada. Não daria para tardar só um pouquinho?

Sim, eu sei, não é nada bonito isso de fugir às responsabilidades impostas pela vida real. Sim, eu também sei que deveria dar o exemplo e me comportar feito uma pessoa ciente dos deveres de adulta e estar a postos e sorridente, para mais uma jornada semanal.

Mas moça, eu sou um tanto arredia a essa coisa de ser exemplo ou seguir os tais. O mundo realmente ficaria melhor se eu despertasse às cinco da manhã com um entusiasmado “bom dia, Sol”? Se for assim, eu temo seriamente pelos passos desse mundo tão bacaninha, porque serei a eterna antagonista dos dias dispostos. Misericórdia, viu?? E tem gente ( minha tia, por exemplo), que desperta com uma disposição incrível pra prosa... A bichinha deve ter medinho da minha cara de pouquíssimos amigos, e acaba por desistir de narrar a comida. É, ela narra a comida. E como a essa hora da manhã me falta até coragem pra dizer: “Tia, eu to vendo tudinho o que está aqui, eu entendo também o que não está”, me mantenho taciturna, espiando para o nada.

Sei direitinho o que acontecerá amanhã cedinho: Estarei com Hipnos (adorei descobrir sobre ele, agora não largo mais), no melhor do sono, também acompanhada por Morfeu (sonhando lindamente) quando o despertador berrará me dizendo da urgência em levantar. Aí acordarei abruptamente e ficarei muito brava quando lembrar da sua chegada.

É um tanto irritante essa sua insistência em se fazer presente, mesmo constatando o quanto é indesejada. Você me faz lembrar crianças berrando no corredor e pessoas chegando antes mesmo que eu abra a secretaria da escola, a fim de pedir o que eles nem sabem direito. É um tal de mãe pedindo o “histórico da Patrícia” e eu a ensaiar a resposta dos meus sonhos: “Moça, a senhora sabe quantas Patrícias a gente tem nessa m@#%$ de escola? Faça o favor de dizer o nome da sua cria direito, se quiser que a gente encontre o maldito documento”... Mas imediatamente me lembro do quanto sou educadinha e guardo a minha efêmera antissociabilidade no bolso, tratando com eu gostaria de ser tratada, sorrindo e acenando.

Vê só o que você me causa? Avassaladora dos meus dias!

Por que lá em Brasília, aqueles moços exemplares, aqueles parecidinhos com os Irmãos Metralhas, não trabalham no seu dia e nós, todos tão bacaninhas, temos que ir logo cedo pro lerê? Deve ser porque os aeroportos ficam muito tumultuados no início da semana, né? Daí os pobres (?) homens de bem (?) não conseguem chegar à tempo aos seus gabinetes confortáveis, onde se respira trabalho (?). Solidarizo-me com eles... É tudo culpa do seu alvoroço!

Falando nisso, já se faz tarde, vou correr agora pra cama antes que o Sol, ligeiro, apareça te trazendo à tiracolo. Não farei boa figura para agradar à vossa significância, lamento. Mas de qualquer forma, tentarei manter contigo uma convivência tolerável... Até quando enfim a lua venha e te carregue pra longe por uma prazerosa semana.

Até!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O POEMA DO DIA ENSOLARADO



IMAGEM DAQUI

O embate. Nos olhamos fixamente, eu sedenta por rabiscar a sua brancura, estampar ali uma poesia do dia ensolarado... Ela franze o cenho diante da minha proposta e antecipadamente se desagrada de cada palavra desinventada, rejeita meus verbos repetitivos... Insisto. Desejo banalizar o amor. Tento convencê-la de que ele jamais perde a nuance, sua vivacidade se mantém não importa quantas vezes tentem a sua vulgarização. É imortal o amor. Ela, arredia, desconfia de toda argumentação. Desdenha das minhas frágeis intenções em perpetuá-lo. “Se contradizem as ideias e atos”, retruca a fulana. Ela descrê da poesia capenga por trás das palavras acesas. Mantém uma firmeza de opinião a me causar inveja. Impiedosa, esfrega a borracha bicolor no rascunho do poema natimorto. A mim, resignada, não restou outro caminho a não ser guardá-la outra vez no fundo da gaveta, no velho móvel de canto e sair à procura de novos dizeres de amor. Enquanto não vem o verso perfeito, não se importa em ser amarelada pelo tempo a folha branca... 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

NA PRIMEIRA MANHÃ



Escrever é a missão, não importa o tema. Preciso de motivo pra postar essa música do Alceu Valença, porque ela habita há dias meus ouvidos e mente. Por que talvez eu esteja por aí a cruzar ruas, estradas e caminhos, como um carro perdido em contramão... Eu realmente precisava.

Tenho travado uma luta inglória com a segunda-feira, clamo para que ela me erre, mas não tem mesmo jeito. As sete da matina ela me sorri sarcástica e diz: Lascou-se, Dona Milene, cheguei! É bom sair dessa inércia e pegar o rumo do trabalho.

Chatíssima ela, pessoas!

Mas tudo ganhou outros ares quando me lembrei do feriado de quarta-feira. Bacaninha! Tá chegando o dia da pátria. No meu tempo de colégio escrevíamos isso em iniciais maiúsculas, tamanho era o respeito pelas coisas do nosso Brasil varonil. Cantávamos o hino. Quer dizer, eu enrolava direitinho, porque essas coisas de ritual sempre me deram sono. Mas ficava lá na fila com cara de paisagem, fingindo acreditar que “Já podeis, da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil”... A liberdade já raiou, mas se perdeu aonde? Alguém é livre sem poder colocar o nariz pra fora de casa por medo de perder até a roupa que usa, ou apanhar se não tiver nada pro moço meliante levar? Alguém consegue sentir o cheiro da verdadeira liberdade com tanta feiura pelas calçadas e becos? Com escolas perdendo a sua identidade e não sabendo mais pra onde caminhar? Ah, os clichês! Como retratam bem a realidade... Inexoráveis clichês!

Espero que dê tudo certo no desfile lá em Brasília e os moços da pirâmide humana não caiam uns sobre os outros. Seria lamentável. Aquele desfile empolgante perderia em muito a sua beleza. Aliás, alguém sabe que horas passa na TV? Preciso programar meu despertador pra não perder um segundo do espetáculo... Tem cavalos lindos.

Acho que já enrolei o suficiente, agora já posso postar o vídeo e correr pro ninho. Brava gente brasileira, vou-me! Final de mais um post aonde o título não tem lhufas a ver com o texto, mas é mesmo assim, “um canto demente, absurdo”... 


sábado, 3 de setembro de 2011

JARDIM DE SONHOS E ESPERANÇAS


Setembro chegou de braços dados com a chuva me causando estranheza. A essa altura não deveria a chuva já ter aquietado e permitido o primeiro papel a outrem? Não me venham com explicações científicas. Não me digam frases práticas do gênero “ a natureza apenas está dando a resposta às insanidades humanas”... Não me imponham as suas verdades cruas, é de lirismo que careço. Mentirinhas poéticas me apetecerão e eu seguirei colhendo sonhos e esperanças. Quero um jardim inteirinho com pés de sonhos e esperanças. Eu os cultivarei com devoção, descobrirei a magia de vê-los florir numa primavera cheia de viço. E verei ir embora a efêmera desesperança. Faço ouvidos moucos para as palavras de irreversibilidade. Venham me dizer da transitoriedade. Me abracem forte, me fixem o olhar lacrimoso, quero a frágil garantia de que esse inverno não vai acompanhar setembro. Preciso de jardineiros a capinarem meus canteiros de sonhos e esperanças, arrancando pela raiz as ervas daninhas, endiabradas na intenção de estragarem o meu jardim. E no fim, a planta inerte, cujo vigor não se acreditava mais, será a mais forte planta de todos os jardins, amém!

As palavras acima dão voz à minha angústia, embora não seja uma angústia desesperada, é uma tristeza e sensação de impotência passageiras. É pro meu primo Cristhiano, de 27 anos, que há uma semana deparou-se com uma enfermidade poderosa, uma bactéria intrometida em sua garganta e o resultado disso é a paralisação dos seus membros e a perda da voz. Vive-se por aqui momentos incertos, mas não quero dar espaço para as lamúrias porque elas não ajudarão. Eu só quero emprestado um pouco da sua fé... Você que me lê, deixe aqui uma porção de sua fé e eu me farei certamente mais forte. Brindemos à vida! Obrigada.