domingo, 30 de outubro de 2011

ANTES QUE OUTUBRO ADORMEÇA


O amor e eu adoramos simulações. Ele, na sua natureza livre, finge me pertencer quando na verdade é de ninguém. Eu disfarço a minha pouca fé, não demonstro perceber a sua volubilidade e enquanto ele me rodeia, bebo até a última gota da sua prazerosa mentira. Por vezes parecemos perfeitos um pro outro, cúmplices, amantes, urgentes... Suplico, em lágrimas,  que jamais me largue a mão, sem ele eu seria feito a imensidão do céu numa noite em que todas as estrelas se deitaram mais cedo. No caminhar das horas, porém, as minhas certezas se desintegram dando lugar à efêmera conclusão de que somos incompatíveis. Com ele sou contradição, passional, infiel. Sem ele, terra infértil, espaço vazio. Oscilo entre a vontade de trancafiá-lo para que jamais parta e a vontade enorme de gritar “escute aqui, seu ordinário manipulador de corações, vê se sai por aquela porta, carregue sua bagagem de fantasia e não me apareça nunca mais”. Em horas assim eu desinvento o amor até o breve instante em que meu coração não suporta ser espaço desabitado e, tolo, abre a guarda mais uma vez. Somos bons fingidores, o amor e eu...

FORA DO CONTEXTO: 
Então, eu, inconstante, voltei como meu Relicário... 
Quem achar que eu sou louca, mas mereço um afago, caminhe até lá. 
Adorarei. 

E para uma madrugada de sábado, insone, Chico! 
Ele me faz, por instantes, pensar que o amor está logo ali.




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SOBRE A POLÍTICA E OUTRAS DESIMPORTÂNCIAS

Hoje é dia de paralisação nacional dos servidores da educação. Liguei dias atrás pro sindicato para confirmar se eu ia mesmo poder me separar do despertador nesta data, a moça disse que sim, haveria a paralisação em todo o Brasil com o intuito de promover a reflexão acerca das questões inerentes à educação, como por exemplo, o piso salarial. “Pode deixar, vou refletir bastante”, respondi toda serelepe. Refleti na minha cama até as dez da manhã. Que bacaninha!

Agorinha eu li uma notícia com a seguinte manchete: CAIU ORLANDO SILVA Oxente, já não morreu faz um tanto, o Cantor das Multidões? Mas logo recobrei o bom senso e lembrei-me do Orlando Silva em questão, o Ministro dos Esportes. Parece que ele conseguiu o malabarismo de ajudar as ONGs com verba federal. ONG não quer dizer ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL? Talvez todos eles (quem ofertou, quem aceitou, quem solicitou) tenham se confundido, né? Como eu faço pra tornar a me surpreender com esse tipo de notícia? A impressão é de que agora os conceitos se inverteram, o mundo político é formado por gente sem um pingo de escrúpulo, até que se deseje provar o contrário. Sim, porque desde que a falcatrua alheia não atinja a minha sagrada rotina, não tem problema, é mesmo assim o andar da carruagem, eles estão lá pra isso, pra cumprirem sua missão em desonestidade. Fico brava mesmo é quando vejo a fila do Bolsa Família e todos aqueles miseráveis que não querem trabalhar indo buscar mesadinha a partir do impostos pagos por mim. Não é assim o pensamento? Quem vai se importar então com trapalhadas ministeriais? Quem se importa se vamos pagar uma Copa do Mundo pro Ricardo Teixeira posar de todo poderoso no planeta inteiro? E daí se sustentamos os parlamentares mais caros do mundo (fato) com seus auxílios moradia, Daslu, Fernando Almeida, drenagem-linfomaníacas, todos confortáveis em seus gabinetes luxuosos, trabalhando quando não tiver nada melhor pra fazer? Deixemos pra lá essas tolices corriqueiras, continuemos a não gostar de política... Como se não fôssemos nós que fizéssemos a política. Esses filhusdiumaégua não foram parar lá sozinhos. Por que nos conformamos? Descanse em paz, Orlando Silva. Aproveite dos bônus aos quais o senhor certamente foi obrigado a aceitar. Quem não aceitaria? Nós compreendemos.

Ontem fui novamente à Maceió. Dessa vez fiz um caminho diferente, não vi os bois penduradinhos. Lamento. Gosto de vê-los e filosofar sobre o nada, olhando suas imagens branquinhas lá de longe. Ontem fui novamente à Maceió, ao Hospital Universitário cuja privatização (de todos pelo Brasil afora) foi aprovada pelos políticos que ajudei a eleger. Me pus a pensar como será não poder mais contar com um hospital que, se não funciona perfeitamente, já que é parte do caótico sistema nacional de saúde, ao menos cumpre de forma guerreira a função de não deixar ao léu pacientes de um estado inteiro.

Cá estou eu com esse papo chato de política outra vez. Não é da nossa conta, esqueci-me por um instante.

O bom é que fui novamente à Maceió e pasmem, fiquem felizes por mim: a consulta não havia sido no dia anterior. Bem quis contar isso pros bois branquinhos e pendurados feito estátua nas colinas, mas eles não estavam.

Para o Orlando Silva não mais governamental, o seu homônimo Cantor das Multidões.

Uns beijos procês.


domingo, 23 de outubro de 2011

POR UM MUNDO COM KKKKKs

Estou reflexiva. Algumas tolas inquietações assolam o meu ser e pretendo deitar aqui no meu divã virtual e contar com a ajuda de todos para compreender. Estou consternada acerca do estado vegetativo em que se encontram os kkkks. O que houve com os kkkks? Por que tanto preconceito contra as pobres letras transmissoras de alegria escancarada?

O ser humano é mesmo muito ingrato, pronto, falei! Sou da época em que se escrevia (risos) no final de qualquer frase metida à engraçadinha, para dar ao leitor torpedista a ideia do nosso estado de graça. Aí o negócio evoluiu para “rsrs”, já exprimindo um riso mais contido, civilizado. Qual não foi minha alegria quando adentrei ao mundo internético e encontrei o kkkkk. O tempo passou e combinações estranhíssimas praticamente colocaram os tais em extinção. Agora a onda é rir no  aoshahsoshas, kaoskaoskaoskaos, hahahahaha, hehehe, hihi... Eu não sei escrever direito esses troços. A Dayse Sene me disse que essas outras linguagens de riso mais rebuscadas (?) é coisa de adolescente, por isso não nos sentimos à vontade para expressá-las. Ah, bom. Agora entendi que tem a ver com a minha caduquice precoce. A única solução é aderir ao movimento modernista das risadas internéticas, mas demonstrarei gratidão e fundarei um Memorial KKK.

Amanhã tudo recomeça. Não vou dar audiência pra segunda-feira, ela já está se achando com o tanto que eu a divulgo. Mas não há como esquecer que chegarei à escola e encontrarei pessoinhas me esperando em busca de declarações ou históricos escolares. Em dias bem humorados eu costumo brincar: “Quer uma declaração de amor?”... Mas no dia mundial da chatice não tem condição. É mais provável eu ralhar com pais e mães por causa dos nomes toscos com os quais castigam seus rebentos. Fosse eu uma escrivã de cartório seria demitida na primeira semana, porque me recusaria a registrar certas aberrações. Diria assim: “Meu senhor, tem noção do trauma que vai causar na sua criança com esse monte de letra misturada aleatoriamente? Vá pra casa e pense num nome melhor, ou então nada feito!”... Nada de Gleyciannes, Mykaellys, Wyllyanne-Rayanne, Jhonny-Mikael, Jackcilene (isso mesmo que leram), entre outras estranhezas. Se fosse cobrada uma taxa para cada K, W e Y utilizados nos nomes próprios, essa nomecídio seria bem mais restrito. Fundarei uma ONG protegendo os recém-nascidos contra essa agressão às suas identidades.

Reparei que o mês de outubro cá no inquieto canto foi praticamente homenageativo aos meus amigos aniversariantes. Como evitar se eu adoro dizê-los? Me remeteu àquelas empresas de tele-mensagens que nos ligam em dias de aniversários para ouvirmos textos longos, no intuito de nos fazer derramar um rio de lágrimas no final. Já passei algumas situações embaraçosas desse tipo e depois tratei de espalhar que ninguém mais fizesse uma presepada dessas. É um erro sugerir a mim qual emoção devo sentir em determinada situação. Não me conte uma piada dizendo antes um “você vai morrer de rir”... Meu riso se trancará até a pessoa sem noção ir embora. Aliás, sou péssima ouvinte de piada. Gosto bem mais do riso casual. Da mesma forma quando me querem roubar o choro. Não funciona! A moça simpática da tele-mensagem dizia: “Temos aqui uma mensagem para o seu aniversário, uma pessoa que gosta muito de você está enviando, gostaria de ouvir?”... E o pior é a pessoa contratante ficar na linha esperando o chororô. Euzinha do lado de cá dizia um amarelo “ nossa, muito lindo!” e a vida seguia. Depois, pessoalmente eu sugeria: “olha, da próxima, em vez de gastar dinheiro com tanta besteira, vem e me dá um abraço. Precisa dizer nada não”... Criarei uma empresa chamada PÉTALA ROSADINHA TELE-MENSAGEM – Para fazer chorar a quem você ama... Nem que seja chorar de constrangimento.

Agora que já causei reflexão, inquietei Sócrates e Platão em seus túmulos filosóficos, dormirei. Deixo aqui para mim e vocês essa música tão linda, pra começarmos a semana (a partir de terça-feira) com muito amor.

Boa semana, pessoas.
Uns beijos

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sábado, 22 de outubro de 2011

O HOMEM SOB O CÉU ESTRELADO


 NOITE ESTRELADA - Vincent Van Gogh

Em passos trôpegos o homem caminha e à sua sombra, os sonhos que outrora ousou aprisionar. Embrenha-se num labirinto imaginário e teme não encontrar a saída. Ouve sussurros em gritos de dor, sorri da própria insanidade, sente-se perdido entre anjos e demônios...  Numa breve pausa, sob a cumplicidade do céu enluarado, espalha seu corpo cansado no asfalto. Ali, combalido, revive os passos deixados pra trás; relembra o beijo interrompido, a palavra que jamais foi falada, a semente inadvertidamente brotada longe do seu olhar da cor do mar. São companhia as lágrimas, chora o maior amor vivido que jamais foi seu, o amor que o inebria e o fere a alma. Numa assustadora quietude, tenta ouvir o que dizem as estrelas, elas decerto lhe apontarão um norte, mostrarão que naquele antigo memorial todos os sonhos despertaram e serão a sua escolta. Outra vez de pé, ele beija as estrelas com seu sorriso de menino antes de retomar a trilha cheia de curvas jamais traçadas. Segue por aí o caçador de quimeras... Ele sabe que sem elas um homem não pode viver.

Para Luck.
Por que estará a minha mão na dele entrelaçada 
seja qual for o labirinto.
Por que é dele o natal.


S

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A MENINA QUE QUERIA SER ABELHA


Era uma vez, numa vila distante chamada Tangará, uma guria que sonhava se tornar abelha. Desde cedo começou a desenvolver seu espírito solidário, a ser amiga dos amigos. Não era raro vê-la ao “pé” da televisão tentando contar pra Narizinho sobre as peraltices da Emília. Não achava justo a boneca de pano aprontar tantas sem que a pobre menina do nariz arrebitado soubesse de nada e por isso jamais desistia. Embora não visse seus avisos surtindo efeito, continuava dia-a-dia cochichando no ouvido de Narizinho acerca das artes de sua boneca.

 A menina foi crescendo, abrindo largos braços para os sentimentos. Pegava-os todos para ela e por isso as emoções não lhe chegavam feito mar sereno. Quando se trata de sentir, a menina que queria ser abelha não sabia ser senão intensa. E por isso o choro valente, a risada escancarada, o senso de justiça e indignação, a capacidade de amar e também guardar em si um tantinho de mágoa, vieram em cores fortes.

Feito mulher, cresceram também seus sonhos. Eles, aliás, nunca a abandonaram, mesmo quando se pôs a chorar achando que tudo estava perdido e caminhar pela vida havia se tornado enfadonho. Os sonhos lhe disseram que voar perto do céu era a saída, ainda que o percurso não fosse tão fácil assim. Os sonhos lhe deram asas de abelha. E a menina voou...


Hoje é o seu aniversário. Ela que se chama Loisane, cujo sobrenome é Abelha, mas bem poderia ser AMIZADE. Ela com quem compartilho tanta risada, troca de xingamentos fofos (égua é um deles), ombro recíproco. Para ela eu vasculho cá dentro de mim meus melhores sentimentos, meus pensamentos mais puros e bons e envio num sopro intenso. Que lhe beije o vento, leve a ela o maior abraço possível, cá tão distante, lá tão pertinho desse coração maluquinho, o qual adoro.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

AMOR EM BRANCO E PRETO

É fácil falar desse amor. Desnecessário fazê-lo emergir porque nunca esteve submerso. Se fez intrínseco à minha condição de estar viva... E caso me perguntem desde quando é assim, saberei responder?

Na casa da Vó, onde fui criada, era um habitat de torcedores daquele time cujas cores não foram harmonizadas com tanto bom gosto quando o manto alvinegro. Era um reduto de nuances estranhas, sombrias, cuja atração jamais senti. Mas lá na casa do pai era diferente. Embora fosse a mãe apaixonada pelo time das combinações esquisitas, desprovidas de charme, foi no brilho no olhar de meu pai, enquanto desfiava histórias de sua paixão gloriosa, que percebi despertar em mim o fascínio pelo Botafogo. E quando vi na TV aquela gente toda, numa grande comoção pela morte de um certo Mané, quis saber do Seu Luís o porquê daquilo tudo, por qual motivo as pessoas gostavam do sujeito. Meus olhos se arregalavam, felizes e curiosos, a cada palavra acerca daquele sujeito cujo talento para driblar os joões encantou o mundo, embora tenha me entristecido a sua pouca aptidão para driblar os obstáculos que se apresentavam em sua vida feito água corrente. De repente senti por não ter conhecido aquele cara, não ter sentado com ele num banco de praça qualquer e ter ouvido dele suas próprias histórias, ter diminuído um átimo a sua solidão... Oh, pretenso desejo!

Meu pai descreveu seu amor improvável, de um alagoano que jamais pisou no Rio de Janeiro e nunca teve o prazer de ver seu Glorioso no Maracanã ou em qualquer outro canto. O rádio dos jogos inesquecíveis e os jornais haviam sido seu elo indissolúvel E ainda assim, e também por isso, sentia pelo time da estrela solitária uma paixão avassaladora. Era como se Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo, entre outras estrelas dessa constelação genial e inigualável fossem seus companheiros de pelada num campinho qualquer de terra batida.

Quando me dei conta já amava o Botafogo através do brilho no olhar do meu pai. Era início dos anos 80, período no mínimo complicado pra se começar a torcer por um time há tantos anos amargando jejum de títulos. Foi um teste difícil, era preciso ignorar as chacotas de outrem e seguir confiante. Aos poucos fui percebendo que torcer pelo alvinegro carioca era algo sublime, muito além da confortável e bem-vinda situação de conquista de campeonato. Em virtude das dificuldades inerentes a quem carregasse no peito o símbolo mais lindo do mundo, se arraigava um sentimento incondicional, com uma intensidade talvez inexistente caso a situação fosse mais favorável. Foram 21 anos sem nenhuma conquista, mais de duas décadas de espera, aflição e jamais abandono. Os pseudo-torcedores, os entusiastas ocasionais encontraram a desculpa perfeita pra abandonar o barco e migrarem para os clubes aonde o amor não era tão posto à prova. Restou um amor reiterado pela lealdade, o respeito absoluto pela história de glórias, o que me permite questionar se tivesse sido esse jejum em outras cores, como se desenharia essa lealdade.

Então, naquela noite de quarta-feira de 21 de junho de 1989, quando daquele cruzamento do Mazolinha e a maravilhosa conclusão do Maurício, meu camisa 7 do coração depois do imortal de pernas tortas, pude sentir o que é de fato ser botafoguense. E em silêncio dei graças por meu pai ter me permitido contaminar por esse amor único. Não me imaginava capaz de sentir tamanha alegria, desenhada em lágrimas e sorrisos incontidos. E a partir daquele momento me vi sonhando com o dia em que choraria de emoção lá no Maracanã, eu e os meus irmãos apaixonados feito eu, vendo um jogo do Fogão... E meu pai lá do céu acenaria pra nós.  Não vou deixar adormecer esse sonho de jeito nenhum!

Como seria o meu amor, não fosse eu amante do Glorioso? Simplesmente não seria, porque só é amor sendo Botafogo de Futebol e Regatas...

A crônica acima é parte de um livro a ser publicado pela Editora Livros Ilimitados em parceria com o Botafogo de Futebol e Regatas, site oficial, resultado do 1º Concurso de Crônicas Alvinegeras, onde constarão as sete melhores enviadas. Euzinha estou la, a sétima entre mais de duzentas. Uhuuu!!! É prazeroso ter algo escrito por mim reconhecido como coisa que valha, ainda mais sendo hoje o dia do aniversário do meu pai... Seu Luís lá do céu deve estar orgulhoso de mim. E eu fiz tudinho por ele... A capa é essa lindíssima acima. Fiquem feliz por mim, comigo... Beijos!



sábado, 15 de outubro de 2011

MENSAGEM ZODIACAL


Hoje eu quis conferir meu horóscopo. Libra é o signo da vez, decerto só vai ter coisinha bacaninha, otimizei. “Libra, o único signo do zodíaco não representado por um ser vivo, é regido por Vênus, a deusa do amor e dos relacionamentos (e onde essa fulana se meteu que não regeu nadinha que prestasse pra euzinha até hoje?). Não começou muito bem minha peregrinação astrológica, mas segui.

Depois de caminhar em algumas páginas zodiacais, faço uma breve reflexão de como consegui sobreviver sem dicas tão importantes, eu diria até fundamentais para o bom desenvolvimento de minha existência.

Eis algumas preciosidades referentes:

 “Dê mais atenção às necessidades de sua cara metade. Esteja atenta às evidências.” – Como pude ser tão relapsa? Não atentei o suficiente e minha cara-metade perdeu-se por aí numa galáxia qualquer. Deusa Vênus, socorra-me!

“Procure ter uma alimentação mais equilibrada e faça exercícios com regularidade” – Genial! Eu culpo a humanidade pela minha hipertensão, excesso de fofura e afins. Nenhuma boa alma havia me dado um conselho tão relevante. Passará pela cabecinha astrológica deles que, na ausência de uma dica tão primordial, a pessoa vai se jogar com tudo na gordura saturada? Sendo a previsão apenas válida para um dia, amanhã já não mais morrerei de sedentarismo. Ufa!

“É provável que surja oportunidade para dar andamento a um projeto que tinha parado” – Eu gosto do grau de complexidade desse negócio. Com tantos librianos sobre a face da terra, algum ser há de ter um projeto engavetado e aproveitou a liberação astral para realizá-lo.

Ai, odiei uma moça que me deu o seguinte diagnóstico: “dia de verdadeiro estresse se você se apegar a todos os detalhes e sair por aí cobrando das pessoas” – Quem essa fulana pensa que é pra me difamar desse jeito? Injúria, viu? Sou madura e centrada.

Outro canto me diz que “Saturno sinaliza as inadequações, os receios, os bloqueios, as limitações” – Saturno fofoqueiro do caramba!

É bacana quando orientam cores para os signos. O problema é o sério risco do sujeito surtar, quando lê, por exemplo, que a cor do dia é magenta... A pessoa corre no armário e não tem uma mísera peça. O que fazer depois, correr pra ponte mais próxima e se jogar, porque tudo mais vai dar errado? Talvez deixar o corpo nu até o dia seguinte seja uma boa saída, quem sabe a cor sugerida venha a ser presença mais comum no armário do bitolado astrológico. 

Dormirei agora. Embora um tanto insegura, pois não li em nenhuma página se devo deitar do lado esquerdo, direito, de bruços, de costas... Oh, dúvida cruel! O que será do meu dia amanhã, sendo assim desobediente com os astros? Deusa Vênus, clemência!



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

JK, UM BRASILEIRINHO



O menino dorme. No seu sonho lúdico ele até sorri, um riso inteiro e puro.  Ele gosta da companhia do super-herói imbatível que o mantém a salvo dos perigos do seu pequeno mundo cheio de conflitos. O Super-Herói Amigo envolve com suas enormes mãos de pelúcia as orelhas do menino e nenhum ruído monstruoso o amedronta.

JK gosta desse seu sonho, queria mesmo era viver pra sempre nele. Mas aos poucos começa a perceber a ausência das enormes mãos de pelúcia a lhe protegerem. Pensa que talvez o Super-Herói Amigo  tenha saído às pressas, sem tempo de avisá-lo. Estava mais uma vez sozinho diante do ruído monstruoso e sente medo. Sua inocência de quase oito anos não o permite compreender porque é preciso acordar do seu sonho e viver tudo aquilo de novo: seus pais, quase tão meninos quanto ele, e o tio gostam das festas na madrugada, quando voltam da rua. E o miúdo JK , desperto pela música alta, gritos e brigas constantes, não consegue mais dormir. Talvez, pelo menos dessa vez eles não peguem seu caderno... Quem dera pudesse escondê-lo e não permitir que lhe arrancassem folha por folha pra fazer aquele cigarro estranho. A Vó tanto reclama e de nada adianta, eles sempre fumam o caderno do menino. JK espia e não compreende.

O menino não gosta de ver a Vó zangada, se preocupa com ela. Muitas vezes a ouvia tentando aconselhar os filhos, dizendo que a madrugada foi feita pro sono, eles apenas riem, debocham dela. Uma vez o menino ficou com muito medo; tanta era a baderna em sua casa que ela, num desespero compreensível, tentou machucar o pai de JK, seu próprio filho, com uma faca. Por sorte nada mais sério aconteceu. O moleque gostou de pensar que o seu Super-Herói Amigo veio ajudá-lo, mesmo ali não sendo seu sonho.

Em noites assim o menino nem dorme. Assiste resignado, torcendo pra tudo acabar e logo chegar a hora da escola, mesmo descansando só um pouquinho. Ele gosta da escola, lá tem merenda todo dia. Lá ele brinca com a turma e nem se importa quando a molecada fica rindo do seu chinelinho gasto ou fazem algazarra do seu cheiro pouco agradável. Ele prefere ouvir isso é do que estar estar em casa vendo o pai, a mãe e o tio bebendo, dizendo aqueles nomes feios que a Vó diz pra ele nunca falar, cheirando uma farinha esquisita e fumando o seu caderno.

E a tia da escola é boa com ele. Quando o menino chega muito atrasado ela já imagina o acontecido durante a noite. A Vó um contou tudo pra ela. Então a tia espia JK com olhos de lamento, coloca a mão em sua cabeça num gesto instintivo de proteção e diz pra ele entrar na sala. No armário há sempre um caderno pra ser reposto, até virar o cigarro estranho novamente. Uma dia a Vó pediu pra professora tirar umas fotos do menino. A pobre senhora queria mostrar pra mãe de JK como o menino era feliz na escola e se nunca saísse de lá, podia crescer gente de bem.

No dia combinado pra sessão de fotografia, chegou JK vestido na sua camisa menos judiada, abotoado até o pescoço, carregando um sorriso nos lábios e um brilho no olhar de um menino comum dos seus quase oito anos, ao invés do olhar perdido trazido das noites não dormidas. Feliz, a Vó levava pra casa as fotos reveladas pela professora, feito fossem peças de um valioso relicário.

Quando era outra vez de noite, o menino esperava ansioso pelo seu sono. Quem sabe o Super-Herói Amigo com suas enormes mãos de pelúcia passaria com ele a noite inteirinha, a proteger seus ouvidos de qualquer barulho monstruoso, amém!


Qualquer semelhança com a realidade NÃO é mera coincidência. Ouvi da minha prima CIDA, a tia da escola, relatos sobre esse menino e isso volta e meia visita minhas lembranças. Ontem, quando perguntei mais detalhes dizendo a ela que gostaria de escrever algo sobre o assunto, a moça chorou lembrando especialmente do episódio das fotografias. Segundo me disse, foi contagiante a alegria dessa avó levando pra casa as fotos do seu menino. Não é a primeira vez que me emociono ouvindo Cida, emocionada, contar dos seus alunos. Assim sendo, rendo através dela as minhas homenagens também ao DIA DO PROFESSOR, essa pequena e brava mulher, porque é uma professora que se importa. A ela, meu beijo e meu orgulho. Quanto ao Super Herói Amigo e suas imensas mãos de pelúcia, foi costurado por mim nesse enredo, mas espero que JK tenha qualquer outro amigo imaginário, que o ajude a suportar provação tão cruel para uma criatura de oito anos de idade.


domingo, 9 de outubro de 2011

A POESIA É A MENINA DOS OLHOS DELE...


“Adoraria ver você declamando esse belíssimo poema.
Um beijo!”


São palavras dele, Moisés Poeta, meu querido amigo, semeador de poesia com sua flor de fogo entre os dentes, seus verbos vermelhos, cortantes feito a mais afiada das navalhas. Moço do olhar inconformado, caminha por aí a avivar as chagas, sangrando a carne, pulsando a dor pelo mundo que agoniza, desnudando a feiura camuflada por trás das falsas cortinas de beleza. Oh, Poeta! Que maravilha de contradição: O guerreiro valente da palavra em punho; o sujeito doce, que não sabe ser senão carinho, sensibilidade, gentileza, além de uma petulância extremamente charmosa. Eu não cometeria a insanidade de cantar pra ele o mais lindo blues, mas me atrevo a dizer-lhe esse poema, como foi de sua vontade.

Que se faça flor, fogo e poesia a cada passo dessa caminhada.

Beijos.

FELIZ ANIVERSÁRIO!



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A BOIADA E O SERESTEIRO


Não há no mundo coisa mais obediente do que despertador. Na hora marcada o infeliz berra, fazendo qualquer pedra sair da cama aos pulos. Hoje não foi diferente, às cinco e meia da matina estava eu querendo estourá-lo no chão, mas recobrei o bom senso e fui logo pro chuveiro. Daqui a pouco era momento de seguir em mais uma viagem a Maceió.

Às seis estávamos saindo. Em quase meados de outubro pensei ser um disparate levar casaco, o Sol havia surgido, lindo e imponente feito os melhores dias de verão em plena primavera. No som do carro tocava um sujeito meio seresteiro, misturando MPB, forró pé-de-serra, uns trashs nacionais dos anos 80... Suportável até ouvi-lo cantar Marisa Monte “Amor I Lhove You”... Lhove foi demais pra minha cabeça sonolenta. A muito custo sufoquei o riso, afinal o moço motorista estava sendo muito gentil em conduzir Miss_Lene e não seria bacana constrangê-lo.

No caminho a paisagem agradava. A chuva dos dias passados dispôs os tons de verde nos pastos e lá no alto dos morros, as boiadas branquinhas ganhavam destaque no colorido cheio de vida... Gosto de observá-los ali, pendurados no terreno íngreme, quietos, mais parecendo peças sem vida de uma imensa maquete. Mergulhada na minha vã filosofia, constatei que sempre os achei um tanto taciturnos. Devem saber o quão efêmera é a sua existência.

Dessa vez a viagem não se dá pelo litoral, então não há nada senão asfalto, casebres e os bois a me inquietarem com sua vida vulnerável . Aqui e acolá uns pedaços de mata esquecidos nas serras surgem às minhas vistas tornando menos enfadonho o caminho... Fragmentos da natureza, firmes no propósito de não desaparecerem por completo.

Definitivamente o verbo ir é um dos quais aprecio desconjugar, mas percebi que maturidade é colocar adiante dos meus melindres o que realmente tem significado na minha vida. E essas viagens são decisivas na retomada por uma vida que deixei escapar lá atrás. Preciso ir.

Quase duas horas depois das seis da manhã, estávamos na lanchonete do hospital providenciando um desjejum. Peço ao meu irmão que vá confirmar se a doutora já chegou e quando ele volta com o meu cartão hospitalar ainda na mão, estranhei um tanto, pois no ambulatório eles o recolhem pra acrescentar ao prontuário do paciente no ato da consulta. Sem mais, ele me diz: “Eles não quiseram recolher o cartão simplesmente porque não tem nenhuma consulta marcada pra hoje”... Tentei retrucar um “como assim?”, ao tempo em que dava uma espiada no dito cujo e para minha total palidez de alma, estava lá muito bem assinalado o dia CINCO DE OUTUBRO e não SEIS feito euzinha havia memorizado...

Infelizmente a máquina do tempo só existiu em De Volta Para o Futuro e assim sendo não pude ser atendida numa consulta que aconteceu ontem.

Minha mãe solidarizou comigo. O motorista gentilíssimo não soube que saiu de casa e rodou em vão tantos quilômetros. Meu irmão toda hora me olhava e balançava lenta e negativamente a cabeça...

Na volta, os bois continuavam penduradinhos no mesmo lugar, mas dessa vez mostravam uma cara branca mais descontraída. Eu diria irônica. Debochariam de mim os ingratos?

O seresteiro voltou a cantar Amor I Lhove You... E dessa vez, solidária com outro integrante do movimento do “sem-noçãonismo”, até cantarolei com ele.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

LADO A LADO


O bichinho escrivinhador tomou conta do meu ser... Precisei contar alguma coisa, nem que fosse uma mentirinha, uma mentirinha daquelas sinceras que interessam, segundo tentou me convencer o Cazuza. Mas nada acontece. Não quero falar de coisas chatas. Não quero lamentar. Imagina se alugarei vossos olhos generosos falando palavrões homéricos contra o meu trabalho?  De jeito algum!

Pensei em encomendar champanhe e bolo para comemorarmos os meus cento e oitenta seguidores. Isso mesmo, pasmem! Há pelo menos cento e oitenta pessoas que passaram, gostaram, se identificaram, ficaram, acharam chato pra caramba, fugiram, se perderam e jamais voltaram, nem se lembra que estão... E cá está meu Inquietude com esse número pomposo.

A questão é que esse negócio de viver contando me causa certa estranheza. Lá atrás, quando ainda cursava o Magistério, euzinha odiava as aulas de Estatísticas e ainda me lembro da chatice do Professor Jânio, com seu olhar incisivo feito dissesse: “Se você não sabe nem a tabuada, o que raios faz aqui?”... Exagero dele, eu sabia a tabuada sim, tinha aprendido depois de ficar sem recreio muitos dias, em épocas de Primário. O fato é que fui, fiquei, mas nunca peguei amor por essa história de gráficos e tabelas.

Então, virão seguidores – tomara! Chegarei aos duzentos com esse meu azedume e padrão pouco convencional ao mundo blogosférico? Difícil saber. Mas se vierem, cumpram papel bem mais interessante do que serem molduras em minha parede. Gosto mesmo é da interação, colaboração, compartilhamento... As surpresinhas sob forma de gente que volta e meia aparece e faz meu estampado ficar mais interessante. A palavra “seguidores” repudio com veemência. Como podem ser meu seguidores se caminhamos lado a lado?

Agora que todos já brindamos, devo ir pra caminha. Meu momento Cinderela acaba às onze da noite e já estou meia hora atrasada. Pra esse baile em especial eu trouxe meia dúzia de pares de sapato... Perderei todos os “pés direitos”. Um príncipe que demora décadas pra das as caras só pode ser muito distraído, então não custa dar uma ajudinha, né?

Chega de mentirinhas sinceras, descomemorações e papo-cabeça-sem-pé-nem-cabeça...

Uns beijos, pessoas queridas. 

domingo, 2 de outubro de 2011

EU NÃO ESTIVE LÁ


Meu pai diria: “Fia, esses caras devem estar esculhambando você, ouve uma música nacional, pelo menos vai saber o que eles estão dizendo”... Dizia ele, contraditoriamente um fã do vozeirão e melodias envolventes do Frank Sinatra, da malemolência de Elvis Presley e a magia dos Beatles... Eu diria: “Mas pai, esses caras são bons. Preciso conferir se o show deles é bacaninha mesmo”.

Do inglês só sei dizer “I Love you”, mas isso não me impediu em absoluto de me deixar levar pela catarse que foi o show do Coldplay, ontem no festival que naquele momento parecia ser de fato um templo do rock’n roll. Eu que ainda não havia me empolgado pra ver ninguém (deixei passar Red Hot Chilli Pepers e Steve Wonder com dorzinha no coração, mas meu sono foi mais valente), me propus a assistir cá da minha poltrona porque gosto do som dos caras, embora esperasse um show normal... Eles derramariam seu cancioneiro, as pessoas cantariam e finito, estaria cumprida mais uma etapa do evento que bem poderia se chamar Ecletic in Rio. Ledo engano, Milene Lima! A cada canção tocada se fazia mais forte a ideia de quanta emoção a música pode causar, por si só, sem a necessidade de parecer um espetáculo arrumadinho, ensaiado à exaustão feito uma peça teatral. Eu quis ser parte daquilo. Quis dançar, sentada e enlouquecidamente feito fez o Chris Martin. Devo a ele uma nova possibilidade de soltar os bichos numa dança frenética sem sair da minha cadeira.

O bichinho do rock’n roll está vivinho da silva em mim, graças aos deuses e ao Coldplay. Os caras são astros mundiais e era evidente a alegria com que compartilhavam daquele momento com o público. Estavam felizes e gratos. Eram todos iguais naquela noite (Ivan Lins, licencinha) e o resultado foi sublime. Não estou brincando de ser crítica musical. Estou falando muito sério sobre aquelas emoções que parecem frívolas, mas deixam a alma da gente contente pra caramba.

No fim, meu pai provavelmente diria: “É, até que esses malucos fazem direitinho essa bagunça. Pelo menos não ficam só no Iaiá-ieiê-salvador”. Será que Seu Luís se comoveria com as vaias gentilmente recebidas pela roqueira (?) Cláudia Leite, no primeiro dia do evento? Não, não vou estragar as minhas memórias perfeitas dessa madrugada lembrando dessa moça com síndrome de Madonna do axé.

Pasmem, no Rock’ in Rio teve de um tudo, inclusive rock’n roll.

Viva la  vida!
Viva a música!