terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A ARTE DE FAZER CARA DE PAISAGEM



É preciso uma técnica apurada para lidar com situações tão embaraçosas. Sou ré confessa, pratico da total falta de sinceridade em momentos assim.

Euzinha, numa dessas visitas ao hospital, para a pratica do derramamento de soro na veia, ou tomar (in)delicadas injeções no bumbum(zão), encontro uma simpática senhora acenando enlouquecida para mim, correndo, entusiasmada para me abraçar... Eu cutucava a minha memória a fim de saber de quem se tratava. Ela, a memória, caduca, fez ouvidos moucos. Então vesti-me de uma cara-de-pau digna de “The Oscar Goes To Milene” e retribuí  sorrisos, abraços e afins. A mulher desconsiderou minha fisionomia dolorida e me bombardeou com perguntas para as quais eu não tinha resposta alguma: “Você ainda está lá?” (oi?), “Como está o pessoal todo?” (da onde?), “Mas você está fazendo o que por aqui?”... Mal balbuciei que minha vesícula indócil me conduziu até lá, a senhorinha não parava de falar e isso só me deixava mais aflita por desconhecer a figura. Intermináveis minutos depois, ela foi embora, não sem antes dizer que precisávamos nos encontrar com mais frequência, obviamente num canto mais convidativo... Eu? Concordei, é claro! Encontrarei com grande alegria aquela senhorinha que me tem tanto apreço e cujo nome e procedência nem desconfio.

Talvez eu tenha herdado essa habilidade para situações embaraçosas da minha mãe. Há muitos anos, na cidadezinha onde nasceu, um dos seus primos então candidato a vereador, contava com os votos dos seus amados familiares. Na seção em que Dona Lourdes votou, o pobre projeto de político não obteve um mísero voto, nem o da prima querida. Questionada pelo ex-futuro vereador desconsolado, ela disse que só podia ter sido um erro de contagem, só podia... O sujeito não lidou bem com esse "equívoco" e deixou de falar com a prima-eleitora distraída.

Não que seja do meu agrado me perder em situações inconvenientes, mas elas me perseguem, ora! Esses dias um moço foi com a esposa solicitar um histórico escolar e eu, numa atuação de maluquez absoluta, chamei a pessoa pelo nome da ex-esposa do sujeito. Não apanhei. Falei que os nomes delas me confundiram, acenei e mudei rapidão de assunto. As pessoas tem mesmo que se casar tantas vezes e me embaralhar desse jeito? Não é justo...

E quando a intenção é praticar a fofurice e o resultado é um absurdo desastre? Me refiro ao dia em que estava na porta de casa, fazendo nadinha, e lá ao longe caminhavam, a alguns passos de passarem diante de mim, a mãe (pensava eu) e uma irmã da minha vizinha. Eu não a via fazia um tempo, então aproveitei para cumprimentá-la, pois nutro uma simpatia por aquela senhorinha cativante:

- Dona Netinha, tudo bem?

Seguiu-se um risinho constrangedor e a resposta fatal:

- Não é minha mãe não, Milene, é minha irmã Fulana.

Desejei correr e fechar o mundo atrás de mim, mas pratiquei da minha habitual e rubra cara-de-pau e consegui formular uma frase com requintes de estupidez:

- Nossa, mas elas estão muito parecidas. É que Dona Netinha não aparenta a idade que tem, né?

As duas riram um riso amarelo e seguiram...

Para finalizar a lista de bizarrices milenares: Eu e minha amiga Lê, menina meio arapiraquense, meio paulistana, costumamos nos chamar afetuosamente de ‘palhaça’. Certo diz recebo uma ligação das bandas de lá e a moça insistia em falar com a dona Milene. Gênio que sou, atestei que era a Lê brincando comigo.

- Diz aí, palhaça!
- Como? A senhora é a dona Milene?
- Nem to achando graça na brincadeira, já sei que é você, palhaça.
- Me chame a dona Milene, por favor.
- Pare de frescura, oxente! (Nem foi ‘oxente’ o meu berro, foi um palavrão bacaninha mesmo) Aonde você acha que consegue me enganar, égua? É uma palhaça mesmo!
- Deve estar havendo algum engano, sou a Cicrana, atendente da Oi e gostaria de estar falando com a dona Milene, vou estar mostrando um plano especial para ela.

Não ouvi o plano superlotado de gerúndios da moça. A moça não ouviu mais nada a não ser a minha risada estrondosa, seguida do “tum-tum-tum” do telefone delicadamente batido na sua carinha.

Pois é...
Beijos!


14 comentários:

  1. uhahushuauhshuauhs

    grande textooo
    melhor ate aqui uhauhsauh

    os gerundios da moça

    uhahushuahus

    final massacre

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  2. Não te vejo de outra forma!.... kkkk

    o "Tum-Tum-Tum" do telefone foi D+ ... kkkkkkkkkkkkk

    Faz quinem EU, cumprimento e aceno inté pra POSTE... - Como diria meu irmão.... hehehehehe

    Beijo
    Sigo te amando
    Tatto/Xipan

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  3. Sou como você, Mi...
    Nunca me lembro dos nomes
    Em compensação
    Sempre me esqueço das caras...
    Essa crônica dá de dez a zero nas vídeo-k7adas do Faustão.
    Beijo.

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  4. kkkkkkk e eu que achava que minha caradijacarandá era soberana?! De fato são "situações madeira" bem diferentes rsrsrs. Não saberia me sair tão bem de roupas interinhas justas (saia é pouco pra tu minha Minina)apesar que agora uso e abuso dessa tal PIA para esquecimentos e afins.
    Beijuuss amaaaada minha

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  5. Ah meu pai, mãe e família inteira...acabo de ver que meu comentário saiu como toforatodentro. Será o Benedito??? Como faço pra mudar??? Aff que to perdendo o restinho que ainda me segura por aqui nesse blogger!!!

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  6. Ufa....sou normal...rsrrs

    S eu te contar o que ja aprontei com minhas distrações, daria um livro...]

    A ultima foi domingo. Fomos almoçar num restaurante.

    Na saida..eu com minha bolsa esbarrei
    nos copos de vinho da mesa ao lado...
    afff... vc precisava ver a cara a mulher..
    O homem até que foi simpatico...fiz aquela carinha de foi sem querer me perdoa..rsrs

    ele perdou..mas a moça..rs

    beijinho

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  7. quem nunca passou por isso, hein? rsss,,,bjs, doce amiga

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  8. hehehehhehehehehe...
    calinadas e tal,fazem parte e é sempre bom que aconteçam pois dão para depois você elaborar um texto maravilhoso como este,heheheh
    beijo

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  9. hauahuahauahua putz quanto fora! kkkkk. Já dei foras tb e é triste né?! Dá vontade se enterrar na terra de vergonha hahahaha

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  10. Dona Milene... num desdobramento de uma situação destas, aconteceu comigo que o cara insistia que me conhecia, que nós servimos juntos no exército, que fazia tempo e tals. Fui sorrindo o amarelo que a situação pedia e, gentilmente, fui dizendo que não me recordava. Aí o cara partiu pro ataque... começou a relatar situações vividas lá no quartel, falou de nossos outros companheiros e foi falando... putz...Não tinha outra explicação... Realmente nós nos conheciámos daquela época e cumprimos o serviço militar juntos... eu que, não sei cargas d'água porque, o apaguei totalmente de minhas lembranças e pensamentos, como se ele nunca tivesse existido. Te garanto que foi mais constrangedor ainda.... nem por isso deixa de ser cômido..rs... grande beijo.

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  11. kkkkkkkkkkk ai meus sais, vc é uma figura Mi! Fiquei imaginando tua cara de (quem essa mulher pensa que sou)oxente! kkkkk

    Depois o tum tum tum + gerúndios (que são super irritantes), ri a beça, menina!

    Grande Milene
    bacios caríssima
    blogada sensacional

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  12. Pra sempre vou estar adorando te ler, Mi_nha moça querida!!

    Quem já não deu um escorregadela e saiu com uma pérola ou deu um furo? Não tenho coleções de foras, mas já dei alguns memoráveis...rsrsrsrs

    Beijão, Mi!

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  13. Oi Milene, vim te conhecer atraves de citacao do blig da querida Ma Ferreira!
    Gostei da sua Inquietude!
    Bj Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com//

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