sábado, 7 de janeiro de 2012

SEM TÍTULO (MEIO MUDA)



Já na primeira semana desse imenso livro em 366 páginas em branco, não sei aonde foi parar o meu discurso de que sou eu o fator determinante para que o ano novinho em folha discorra bacaninha. É preciso atitude, fazer valer, correr atrás e todo o blá-blá-blá sabido.

Queria mesmo era ter tudo prontinho, jogar nas mãos do ano corrente todas as responsas e esperar, apenas esperar. A pior parte de ser adulta é essa coisa de tomar decisões, peitar os obstáculos, ser corajosa... Isso me dá uma preguiça desmedida. Essa medida é um disfarce do medo, eu sei. Ele gosta de máscaras, se esconde por trás da inércia e fica cochichando feito um diabinho: “assim tá bom, vai arriscar pra quê?”... E a gente não arrisca. E a vida não perdoa. Ela me força a enfrentar o que eu nem queria e fico brava com ela por isso. E depois agradeço, porque se dependesse da minha iniciativa a tal zona de conforto jamais seria maculada.

Macular é preciso, assim como o “navegar” do poeta, só não posso garantir que o sentido do “é preciso” seja o mesmo. Macular, cometer (feito disse o Ivan alguns posts atrás), provocar a vida, gritar pra ela um sonoro “eu estou aqui e não vou passar desapercebida”.

A impaciência tem sido minha fiel companheira nessas primeiras páginas do ano. Um prefácio, talvez, visto que em terras brasilis só depois do carnaval é que o caldeirão ferve pra valer. Enquanto isso se acompanha as mesmas matérias televisivas feito fossem velhas reportagens. Chove nos mesmos lugares, casas vão  por água, pessoas morrem e os moços de gravatas se reúnem... Suponho que as pautas sejam arquivadas e todos os anos atualizem apenas as datas a fim de poupar trabalho. Falta-me léxico. Sobra-me impaciência... E eu nem queria essa companhia.

Na próxima terça-feira o país novamente arruma um assunto de suma importância para discutir. Começa o BBB, cuja sigla é de conhecimento geral e os pouparei. Então a população se divide entre os fanáticos pelo programa e os que repudiam o formato besteirol. E as redes sociais se tornarão uma chatice ainda maior, com os compartilhamentos prol e contra, a arrogância dos que supõem possuir o título de intelectual-mor do país, versus a alienação partidária de boa parte dos telespectadores. Confesso que ambos os lados me causam tédio. Provavelmente me sentarei à poltrona para ver alguns “capítulos”, fazendo valer minha curiosidade, enquanto lanço um xingamento e outro e que o programa é uma grandissíssima porcaria. Mas tenho estado apreensiva se vou mesmo cometer esse grave delito. Receio perder o direito a minha cadeira na ABL , além de ser expulsa do convívio com meus colegas intelectuais, cujo grau de cultura é algo incomparável, não admitindo atitudes medonhas como essa. Refletirei.

Sobre isso, somente mais uma indagação: Não seria mais inteligente por parte dos que não gostam do Reallity Plim-Plim, simplesmente ignorar o tal programa, do que gastar tanto tempo e palavrório se dedicando à execração do mesmo?

Essa é uma questão extremamente importante, apenas os grandes filósofos serão capazes de solucioná-la e isso requer tempo... Talvez mais umas doze edições bebebenianas.

Parafraseando Martin Luther King, eu tenho um sonho. Um dia viverei numa nação aonde assuntos de fato relevantes sejam levados tão a sério quanto os que compõem nosso cardápio diário. Nesse sonho sou movida à paciência para assuntos tolos, preconceitos idiotas disfarçados em brincadeiras descoladas e aturo com maestria a pseudo-filosofia do intelectual metido à deus da cultura.

Me deem licença, preciso ir ao boticário mais próximo comprar meia dúzia de frascos cheios de paciência. Metade deles usarei para aturar a mim mesma e essa minha tendência à abordagem de assuntos idiotas. Dito isto, vou ali macular e cometer a vida.

Abracem-me!


10 comentários:

  1. Oi Milene!

    Interessante o conteúdo das postagens
    no seu blog. Vi seu link no Empório
    e fiquei curioso rs daí estou aqui.
    Voltarei mais vezes pra ler, abraço!

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  2. Milene, seus rabiscos têm vida, alma, são apaixonantes! Como você consegue extrair de um assunto tão árido um texto assim primoroso, é um mistério para mim.
    Quanto ao BBB, seguirei seu sábio conselho e o cobrirei com a pesada indiferença de meu silêncio indignado.
    Beijos, rabiscadora de nossas telas e almas. Beijos e aplausos.

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  3. MIlene, muito bem colocadas suas posições.
    Acho este programa uma diversão como qualquer outra, assim como CQC ou outros besteróis do mesmo genero.
    Eu mesmo já assisti a alguns, apenas pela curiosidade de ver um espetáculo onde muita coisa sai de improviso e os escorregões são quase inevitáveis.
    O que eu não faço é acompanhar, pois não me desperta tanto interesse.
    Entretanto, também acho uma babaquice os "cultos" ficarem criticando quem assiste!
    Ora, TV é isso mesmo!
    Se quer cultura, vá ler um livro! Ou assista a TVE, o History Channel ou Nat Geo!
    Ridículo ficar discutindo coiss assim...
    Ainda mais que programas deste tipo estão aí porque deram IBOPE, e não só no Brasil!
    Mas acho que você parafraseou foi Martin Luther King...
    Beijos, querida!
    P.S. Aquele comentário no início do meu post da saudade foi dirigido a você, sim, pois foi quem me inspirou a falar mais sobre o tema!

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  4. Leonel, acabei de (re)parafrasear, graças a sua observação generosa. Pra não bestar, eu sempre pesquiso quando tenho dúvidas, mas ontem tava num sono doente, daí, desatenta, roubei a frase alheia para atribuir à John Lennon.

    Obrigada... Beijo, querido.

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  5. Memem

    adorei...e confesso: julguem-me como quiserem, eu gosto do besteirol, assisto o besteirol, mas defendo até a morte o direito de quem quer que seja de não gostar...

    beijocas

    Loisane

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  6. Realmente estamos nesse mar para nadar, Milene... e até o que parece péssimo nos traz qualquer lição. O BBB é realmente uma amostragem do purgatório de Dante, onde o autor nos coloca diante da nossa própria realidade repugnante para aprendermos a diferenciar o certo do errado. E com essa visão podemos usar o infame programa para reavaliarmos alguns valores que existem em nós e que certamente ignoramos. Assim, com a ajuda daquele bando de loucos poderemos nos espelhar em quantas atitudes devemos rever e aperfeiçoar, para não agir em nosso dia a dia loucamente assim como eles agem naquele confinamento. Eu não assisto porque não tenho paciência, mas aconselho os mais fanáticos a apreciá-lo com sabedoria e procurar extrair bons julgamentos a partir dele.

    E vamo que vamo, que estamos só começando mais um ano!!

    Grande abraço!

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  7. Faço parte destes que repudiam...
    E polpo minhas palavras quanto o assunto.

    Compartilho dessa preguicinha!
    Mas te abraço te dou colinho também.
    Porque mesmo com preguiça você é "gigrande" em letras!

    Te beijo o coração.
    Te abraço a alma..

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  8. Eu to abraçando (sempre) tá? Ou vc ainda naum sentiu? rs...

    Crônica excelente. Desenhada na palavra popular e que tem teus alinhavos particulares daquele de bom humor (negro) que eu A-DO-RO!

    Tu falaste em BBB - e eu já to rabiscando algo bem devastador sobre o assunto pra botar mais um foguinho lá no Coluna da Lu! rsrss

    Quanto à preguiça macabra de janeiro nem tem o que fazer. Já fevereiro aparece colorido pagão e pecaminoso.

    Vc tem razão, caríssima o Brasil só pega no breu depois da cavalaria rusticana desfilar no sambódromo.

    bacios amada mudinha, lindinha que eu amodoru!
    :)
    FUI

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  9. Do abraço tem meus braços sempre! Do programa sempre abismei com o público... é o maior e mais rentável reality da TV por conta "culpa" de quem mesmo??? Agora o que gosto muito, muito mesmo, são das crônicas que Bial tece. De resto sigo aqui com minha vidinha chinfrim que posso assegurar-lhe é bem REAL e só da IBOPE pra mim mesma.
    Beijuuss,minha Mi_nina ternura, n.a.
    P.S: tirou a tv antiga por conta da inquietude natural que lhe habita?

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  10. Só mesmo vc para amar e odiar o bbb. Acho que não conheço outra pessoa com tal dualidade tão intensa.Eu detesto o bbb e odeio comentar a respeito. Acho até que é a última vez que vai me ver falando a respeito.

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