quarta-feira, 14 de março de 2012

BOM TOM OU BOM SENSO?



Não lembro quem ou quando, mas um dia me disseram que as listras, pobres listinhas horizontais, eram inimigas de toda a minha vida excessivamente fofa. Elas aumentavam uns quilinhos e isso me incluía no roll dos desafortunados demodés. Eu gostava das bichinhas, mas se o povo fashion falasse que eram proibidas pra mim, eu fingia odiá-las.

Ah, as ditaduras de comportamento, como me causam preguiça! Aos poucos fui percebendo que meu corpo é feito coração de mãe, haverá sempre um lugar cativo para os quilos desconvidados, até a minha irrefutável decisão de expulsá-los. Acabei por aderir às listras, sem culpa alguma, mandando às favas quem ousasse podar minhas escolhas pouco aconselháveis para quem caminha à margem dos padrões.

Andava pensando em dissertar sobre o tema, munida de um intenso desconhecimento na causa, pois de modinhas e tendências entendo lhufas.  Ter visto esse vídeo lá no blog novo do Rike me despertou fortemente a intenção de plágio temático. Querendo, vejam lá que massa  a cara da “repórter” na intenção desastrada de oferecer consulta de moda à uma transeunte... O vídeo é curtinho e bacaninha.

A sensação é a de que temos que carregar, feito uma Bíblia, um livrão do tipo pode-não pode. Há regras de vestimenta para gordinhas, baixinhas, negras, loiras, altas, magrinhas, mulheres de ancas avantajadas, peitudas, cabeludas, as de cabelo curto... Ufa! Glorinha Kalil deve ter uma vida muito ocupada, isso dá um trabalho da gota!

Solidária com essa árdua missão, consciente de que é dever de nós blogueiros provocarmos reflexões, instigarmos e observarmos o comportamento humano, nós que praticamente formamos uma espécie de sociedade antropológica virtual, proponho uma intensa pausa para pensarmos acerca desse tema tão relevante, os tons, os bons e as etiquetas. Cá com meus botões reflexivos, pensei: Enquanto Isaac Newton despertava a criação da sua Lei da Gravidade, observando a queda da maçã universal, talvez um sujeito em outro canto do mundo já tivesse arquitetando as famigeradas leis da etiqueta. Não, né? Essa teoria fabulosa deve ter surgido muito tempo depois. Mas, enfim, o cabra, depois de sentar-se à mesa provavelmente cheio de vermes, o que deve ter lhe tirado completamente o apetite, encontrou tempo para iniciar a construção da cartilha do “bom tom”. Inventou um milhão de talheres, duas centenas de copos para a mesma refeição e sugeriu a condenação máxima para quem ousasse usar a faca na mão errada. Facas na mão esquerda, sempre! Cotovelos à mesa, nunca! Guardanapos sei lá aonde... 

Devo imediatamente pedir asilo político numa tribo indígena da Bolívia, pois eu, ré confessa, proferi intensas facadas na minha porção de carne grelhada, usando a mão direita. Clemência, eu imploro a Glorinha Kalil, patrulheira-mor dos tons, bons ou não. Postei o garfo na mão direita, finquei-o na carne e passei-lhe a faca sem dó nem piedade. Considerando o pouco tempo do ocorrido, é possível que eu vá embora, bem ligeiro, a fim de não ser presa em flagrante delito... Só não sei se usarei listras horizontais azuis ou vermelhas. Oh, dúvida cruel!

Mas não irei sem antes proferir meu grito de guerra do dia:

ÀS FAVAS O BOM TOM! VIVA O BOM SENSO!
Beijos fugitivos!


8 comentários:

  1. De bom tom é ser feliz.
    E você é e sempre será minha lagarta listrada.
    Beijos minha lindeza!

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  2. E eu faço coro contigo! Às pitangas, pra não dizer outra coisas!!! rs beijos,chica

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  3. Lagarta listrada... tô lembrado, querida "anônimo". Mas, Mi, essa mania que homens e mulheres têm de escravizar-se aos "modismos" tem mais de 5000 anos. Você ficaria linda com um adorno de cabeça como o da rainha Schub-ad... veja em
    Moda Sumeriana

    Beijos.

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  4. minha amiga, se não for por um relaxamento absurdo, acho respeitoso,elegante e sensual uma gordurinha a mais que insiste em ficar numa mulher que deu a luz a um filho, que trabalha muito e que sente prazer numa comida gostosa, mesmo que a malhação depois seja insuficiente...rsss, bjs

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  5. Bom conhecer seu espaço. Agradeço por ter botado os pés no meu vale. Você tem razão, perdemos tempo demais moldando tudo. Ando procurando cada dia mais minha maneira de fazer. É claro que há uma coisa ou outra que pede adequação. Mas como apontou no seu texto, bom senso é o caminho. Um abraço grande.

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  6. Eu acho que as regras de etiqueta deveriam ser (dizem que algumas são) para facilitar a convivência entre as pessoas, não para complica-las!
    Em resumo, para evitar que um incomode ou cause constrangimento a outrem.
    O problema é diferenciar o que é etiqueta e o que é simplesmente FRESCURA!
    E na dúvida, o bom senso, que é o que geralmente dá certo!
    O mais engraçado sobre as listras é que parecem não existir, nem nas lojas nem no meu guarda-roupa, camisas pólo com listras verticais!
    Ou são lisas ou com listras...horizontais!
    (A única exceção é a velha camisa do Fogão!)
    Assim, tenho que mandar a chata da Glorinha K. para pqp, juntamente com as opiniões negativas dela sobre a minha linha de cintura!
    Sobre a crônica: invocada como nunca,inspirada como sempre!
    Abraços, Milene!

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  7. Olá, Milene!
    Como sempre, concordo com suas ideias!
    Bjs!
    Rike,



    P.s.: obrigado por linkar e fique sempre à vontade!

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  8. ahahahaha, só você para me dar leveza, pois ando super complicado!
    adoro seu jeito humorado de cortar nos convencionalismos bacocos...
    beijo

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