quinta-feira, 17 de maio de 2012

BOLETIM INFORMATIVO SEM QUALQUER SERVENTIA



Recém-acordada depois de uma indesejável, inexorável, insuportável enxaqueca, para minha alegria (essa frase de novo não!) meu estimado PC, também conhecido como computador está de volta ao lugar de onde jamais deveria ter saído.

Para não ficar totalmente desinternauta, me apropriei do tal tablet do meu irmão (que ele chama carinhosamente de tablete, e eu aperfeiçoei com o singelo título de “tablete de caldo Maggi... ou Knorr... ao gosto do freguês). Gostei desse troço não. Sou retro. Sou retro! Meus dedos gordinhos penaram para se adaptarem ao teclado do sujeito, que parece ter vida própria.

Mas eu queria estar aqui novamente e dizer que ontem estive a espiar os boizinhos reflexivos nos montes ainda verdes e outra vez tive vontade de lhes perguntar porque tem fisionomias tão tristes. Bois branquinhos e quase estáticos vistos por mim nas estradas, podem sim estar intuindo a pouca validade das suas vidas, ora!

Deixemos pra lá a mísera significância dos bovinos e sigamos viagem, cantando The Fevers e lacrimejando com a melhor Dona Lourdes do mundo. Isso porque o motorista, taxista, gente boa demais, um tanto constrangido porque no seu porta-cds não havia nada a me causar euforia musical. Ralhei pra ele deixar de bobagem e aumentar o som com qualquer coisa... Sugeri propositadamente a banda citada, queria testar a memória emotiva da mamãe, a minha. Cantamos entusiasmados as canções populares lá dos anos idos. Éramos quatro corpos cheios de calor (a quentura de Maceió é mesmo duzinferno), fome e cansaço. Queríamos chegar logo em casa depois daquela manhã que durou uns dois séculos, corredores hospitalar megalotados e gritantes... Enfim, voltávamos e cantávamos.

As músicas foram acontecendo, até chegar à armadilha emocional a qual de forma amorosamente tirana submeti Dona Lourdes. Eis que toca “Nathalie” e eu pergunto:
- Gosta dessa música, mãe?
- Claro!
- Por que?
- Por que me lembra você –

Então explicou aos outros dois navegantes, Cicinha, amiga e cuidadora de todas as horas, e o motorista bacaninha, de uma certa galega lindinha que se balançava, sentadinha no chão, visto que não caminhava, ao escutar os primeiros acordes dessa música. Mamãe disse da minha belezura infantil e eu bem acredito. Mamãe não mente, jamais!
- Quando você estava internada naquele navio-hospital infantil, essa música tocou lá em casa, eu chorei, me desesperei e no dia seguinte fiz seu pai me levar pra buscá-la – disse isso com olhinhos lacrimejantes, lindos!

Como é amor essa mulher, meu Deus! O motorista ralhou me sorrindo, que eu era má por tê-la emocionado. A mim coube a imensurável sensação de me obrigar a fazer darem certo as coisas, principalmente por ela, por eles, meus pilares consanguíneos. Não tenho o direito de recuar ou ao menos estacionar. Sem a minha realização, a deles será toda vida incompleta, é assim quando verdadeiramente se ama.

Assim será!
E mamãe me acha linda. Massa! E o taxista, sujeito ímpar, me deu o CD contendo a música-retrato-de-infância. 

Bem bacaninha estar de volta, pessoas!
Beijo!

15 comentários:

  1. E que bom que pudeste voltar! Sempre é um prazer te ler, com papos variados! beijos,tudo de bom,chica

    ResponderExcluir
  2. Ô coizinha... rss
    Milouquinha minha, que bão que mãezinha é anssim meRmo né!!

    Di computa ou sem computa, sinto farta docê di cárqué jeito... rss

    Beijãozão Tableteado
    Tatto

    ResponderExcluir
  3. É essa a responsabilidade que o amor lhe incumbiu, sua mãe é seu ouro pode crer...por isso você é essa pessoa que é, maravilhosa de coração de diamante
    Proibidíssima de qualquer pensamento que não seja a sua viajem...
    beijinho

    ResponderExcluir
  4. Olá, Milene!
    Nada do que você escreve é em vão amiga, nada!!
    Bjs!
    Rike.


    P.s.: meu blog fica desatualizado talvez porque eu fico programando postagens, e claro tenho que postar pra saber como ficarão, mas depois eu as retiro. Normalmente posts novos sabem às terças e quintas lá no Sozynho.

    ResponderExcluir
  5. Bacaninha é estar cercada por pessoas que te amam e interagem com os teus sentimentos...
    E voltar a postar, é claro!
    Mais uma vez, nos encantas com uma das tuas aventuras do cotidiano!
    Bjs, Milene!

    ResponderExcluir
  6. Não, vc não vai recuar...

    Se
    "Sem a minha realização, a deles será toda vida incompleta"...vcs todos a terão, realização por inteiro! ...porque "é assim quando verdadeiramente se ama"...

    Estas informações em serventia fizeram o maior sentido, visse, moça querida?
    Bjo-te, sempre encantada com tua facilidade no labor com as palavras!!

    ResponderExcluir
  7. E o que é música despertando sensações antigas, cheias de novos cenários? abraços

    ResponderExcluir
  8. É impossível ler suas coisas e não imaginá-la ao lado, dizendo cada palavra informalmente, como toda boa conversa deve ser. Um abraço.

    ResponderExcluir
  9. Tablete Knorr já lhe disse que a-do-rei e independente da espessura dos meus dedos sei mexer naum! Coisa boa é ter Dona Lourdes ao lado pra viajar... seja em memória afetiva ou realidade de um calor infernal (por aqui baixou um friiio danadu). Coisa boa é ouvir seus causus simples assim...Du jeitim, igualim de nossas prosas aqui. Se dissesse que foi em volta duma mesa com fogão a lenha aceso afirmava que é mineirinha!
    Beijuuss, Mi_nina amaaada, n.a.

    ResponderExcluir
  10. Bois plácidos, montes verdes, mãe aoonchego, hospital esperança, corpo prova e amor amigo....

    ResponderExcluir
  11. Sua mãe deve ser uma fofura...
    Que bo mque está de volta Mi!
    Agora quanto ao tablet... To doida por um... kkkkkk

    Meu celular é quase um kkkk

    Beijos enormes e um lindo final de semana pra vc!

    ResponderExcluir
  12. O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
    Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
    Nem mudar água pura em vinho tinto...
    Milagre é acreditarem nisso tudo!
    Mario Quintana


    [tão bom a gente ter esses lances
    de mãe...é como se aquela centelha divina , que às vezes fica fraquinha, reacendesse toda nossa fé e esperança)

    beijos a todos os passageiros...

    ResponderExcluir
  13. Ai que texto lindo, Milene!

    O amor é mesmo combustível pra qualquer estrada. Siga... Na sua estrada um coração imenso igual ao da foto faz as coisas darem certo.

    Senti sua falta. Sem tablete é bem melhor mesmo. Ô trem ruim! (isso foi bem mineiro)

    Beijos!

    ResponderExcluir
  14. "Sem qualquer serventia."
    Serviu para afundar-me no teu dia-a-dia, quente e aconchegante, entre boizinhos pendurados, música-tema do amor de D. Lourdes, cinesíforo mais-que-humano, Cicinha cúmplice...
    Serviu.

    Beijo, Miminha.

    ResponderExcluir
  15. Ah Mi....(posso?), fico encantada com as suas cronicas.
    Juro!
    Chego a me emocionar com a maneria com que voce escreve tão naturalmente.

    Bacaninha mesmo ter voce de volta. Voce faz falta e faz a diferença!!
    Um beijo..fique forte e bem!! sempre!!

    ResponderExcluir