sexta-feira, 4 de maio de 2012

COTIDIANEANDO


O CHÁ

CENA 1 – Manhã sem tanto movimento naquela secretaria escolar. A senhorinha aparentemente ansiosa questiona porque o histórico da filha não foi preparado ainda, pois há muito já tinha solicitado. São várias as tentativas de fazê-la compreender a necessidade de pedir um histórico na escola onde a filha estudara anteriormente. Aflita, se achando incompreendida, fantasiando má vontade por parte de quem a atendia, a senhorinha garra num choro sem solução, afugentando quaisquer tentativas de acalmá-la. A funcionária responsável pelo atendimento, visto que a secretária se ausentara momentaneamente, tenta em vão solucionar o chororô desproposital, afastando de si todo mau pensamento que a fizesse invocar um santo qualquer, com um humor ainda pior, que segurasse a senhorinha pelos ombros e perguntasse, aos gritos: “a senhora apanhou, pra estar chorando?”... Por sorte, a secretária assumiu a missão que lhe era devida, a funcionária à beira de um terceiridadecídio sacou o fone de ouvidos ao som de Nando Reis e não mais foi personagem da cena tragicômica, estendida ainda por seculares minutos. Obrigada, Nando!

CENA 2 – Era uma simples ultrassonografia de tireoide, uma visitinha rápida à clinica no turno da tarde e pronto, mais uma etapa dos pré-operatórios resolvida. Tudo muitíssimo bem se uma das médicas não houvesse faltado no turno matutino e a outra ganhasse de presente todos os pacientes do dia. Clínica lotada de grávidas e outras espécies sem nenhuma paciência, algumas no local desde às sete da manhã. Quase cinco da tarde e a atendente chama uma tal Milene, que havia chegado lá pelas três, alimentada e descansada. A paciente levantou-se querendo estar metida numa burqa, a fim de não olhar pros lados e conferir o olhar de “bora matar essa gordinha” das pessoas em volta. Crescente a vontade de explicar: “gente, é a lei, sou de especialidade ímpar, sabe?”... A doutora deve ter visto injustiça nessa proteção legal e apertou com gosto a garganta da fulana, que gritou em pensamento o arrependimento por não ter providenciado um testamento antes. Os CDs ficariam órfãos, afinal. O exame ocorreu numa velocidade furiosa e na saída outra senhorinha desavisada se ofereceu ao terceiricídio, falando: “quando a pessoa é mais gordinha o exame é bem rápido”... Cicinha, a inexorável guardiã, respondeu antes que o olhar furioso da paciente quase esganada se transformasse em berros: “o dela foi mais rápido porque foi ultrassonografia de tireoide, só por isso”... Ufa! Por que certas pessoas acham simpático proferir inconveniências?

CENA 3 – No afã de conseguir logo o risco cirúrgico, a opção foi levar os retratos do coração para um médico um tanto desconhecido pelas bandas de cá. A paciente, aquela mesma quase esganada e terceiridadecida, contou ao médico da sua ansiedade em conseguir pra ontem o tal atestado, afirmando que o seu coração, embora batesse em descompasso, estava bacaninha de lima silva e os planos cirúrgicos poderiam seguir. Médico mais simpático nunca se ouviu falar. Ordenou à Cicinha, fiel guardiã, que ficasse de olho na paciente, pra seguir direitinho a posologia do remédio de acalmar coração. “Está tudo em ordem pra sua cirurgia, mas não custa sossegar esse rapaz ansioso só um pouco, né?”... No mais, aconselhou-a a escolher uma cerveja bem gelada quando fosse fim de setembro e remoeu-se em vontade de experimentar o “chá” tão bem falado pela paciente com leves tendências etílicas, embora dissesse que jamais ouviu falar em viciantes chás servidos em copinhos, armazenados em barris, oferecidos nos botecos da cidade. Consulta terminada, tudo sacramentado num abraço gloriosamente alvinegro e na promessa de brindar setembro, doce primavera de doutor e paciente ansiosa. Um salve às adoráveis coincidências a criarem laços.


6 comentários:

  1. PARA NOOOOOOOOOOOOOOOSSA ALEGRIA....

    MilenA.... Meu lóvi, rss

    Amo o que tu escrevinha muié e desnaturadamente e inconsequentemente delirei com a foto pois tenho uma muiiiiiiiiiiito parecida de EU, com uma garrafa de tequila ao lado e um copinho na mão quase que adentrar nos bêiços sedentos desse véi doido aqui.... kkkkkkkk

    Sigo te lóviando... rss
    Beijo
    Tatto

    ResponderExcluir
  2. ...e tim maia cantava a pleno pulmão:

    oh Bela, faz a primavera
    assume o teu condão
    oh Bela faz da besta-fera
    um príncipe cristão...♫


    e vamos que vamos por ai caçando primaveras....



    beijo

    ResponderExcluir
  3. Esta tua série paramédica está na fase crônica, mas provoca crises agudas de alegria e bom-humor...

    Beijão, Milene.

    ResponderExcluir
  4. Botafogo Campeão dez de 1910? Faz muito tempo que vocês não ganhava um titulo né menina poetisa?......kkkkkkk Parabéns Menina.

    Beijoss!

    ResponderExcluir
  5. Seu Cotidianeando, que acabo de ler, mostra bastante personalidade.
    Já esperava o que nosso amigo comum R.R. chama "crises agudas de alegria e bom-humor". Tive. E a foto então ... Ê vontade de provar chá.
    Fico, claro, na torcida pelo bom êxito do que de sério se encaminha.

    ResponderExcluir
  6. 1º caso: Quase desmaiei de tanto rir. Tercericídeo? Isso existe?! kkkkkkkkkkk. Mas tem horas que rezo por poder usar um fone de ouvidos sabia... Muito bom!

    2º caso: Algumas pessoas gostam de falar coisas indesejaveis as outras por pura maldade, geralmente são pessoa mal amadas, é assim mesmo!

    3º caso: Salve! kkkk Meu avô (92 anos) vai ao médico, faz a consulta e ao final pergunta: - Posso beber meu vinho. - E quando a resposta é negativa sabe o que ele faz?

    MUDA DE MÉDICO!!!!!

    Amo meu avô kkkkkkkkkkkkk Ainda faço uma crônica disso!

    Beijos!

    ResponderExcluir