quinta-feira, 14 de junho de 2012

O SANTO E A SOLTEIRICE

Antes da simpatia casamenteira,  
leia a COAÇÃO no RELICÁRIO
Tá bacaninha...

Treze de junho, dia do Santo, o Antônio, aquele casamenteiro que faz onze entre dez encalhadas  o mimarem, colocarem o dito de castigo, pagarem promessas absurdas a fim de somente serem expulsas da involuntária Sociedade dos Amorosamente Desfavorecidos.

Eu se fosse o santo, o Antônio, me divertiria horrores lá de cima, escondido de Deus, porque Ele, o Senhor, não curte essa parada de bullying, principalmente partindo dos seus embaixadores do milagre. Com a missão a ele atribuída, a de casar a todo custo as acometidas pela solteirice, fosse eu Santo Antônio também fazia uma mangação enquanto decidia entre uma presepada ou outra para mandar como motivo de casamento das mais desesperadas.

As simpatias são as mais... bizarras? Se comete até a tentativa de congelamento do santo num frigorífico, sob ameaça assombrosa de só tirá-lo de lá quando aparecer o sapo a galope motorizado, mesmo que seja para a princesa encalhada pagar a corrida do moto-taxista. O pobre fica sem alternativa, sob um frio insuportável, então envia qualquer estrupício para contentar a desesperada. Aquela simpatia de colocá-lo de cabeça para baixo é clichê demais da conta e o Tonho já deve ter desenvolvido uma técnica de respiração debaixo d’água, inúmeras são as tentativas de afogá-lo. Algumas me interessaram e talvez eu as execute para o próximo até o próximo dia treze de junho. Me armarei de velas brancas, lenços dos pretendentes, alianças, copos brancos, pétalas de rosa... Me aguarde, santo casamenteiro.

Aliás, o próprio é o culpado pela maluquice. Reza a lenda que duas moçoilas encalhadas não tinham dinheiro para o dote, o santo, generoso que só, teria jogado um saco de moedas pela chaminé das duas. A partir de então, tornou-se o protetor das contaminadas pela solteirice duradoura.

Com meus botões, indaguei: o santo não teria levado a sério demais aquela máxima de tomar um gole da cachacinha alheia de todo dia e acabou buscar nessa prática um refúgio contra o desembesto feminino em busca de um par de calças? O pobre deve ficar desassossegadinho da silva com tanta prece enlouquecida e vão-se os goles espirituais. Com “umas” a mais não há quem dê conta de entregar a contento as almas gêmeas.  Então, dá-se a confusão e Santo Antônio segue ouvindo lamúrias pelas mercadorias que entregou na casa errada.

A Santo Antônio não peço marido. Quero propor a ele uma promessa sem tanta dificuldade de cumprimento, que presenteie com intermináveis ataques de soluço a todos que costumam se dirigir a sensíveis mocinhas feito eu como SOLTEIRONAS. Caramba! Essa palavra é horrenda. Por que não posso ser solteirinha, solteiríssima ou simplesmente solteira? Solteirona me faz sentir culpada por não ter ajudado a superpolular o planeta, me tornando exímia parideira e também uma lavadora de cuecas em potencial.

Quando escrever o meu Manifesto da Solteirência, ele terá o seguinte lema: “Há vida útil, inteligente e prazerosa na solteirice”.

Por via das dúvidas, enquanto eu mesma tento crer nessa minha máxima, vou compondo uns versinhos pra Santo Antonio e até o próximo treze de junho, quem sabe, um arremedo de amor hei de encontrar:


Santo Antonio meu querido
Eu preciso te falar
Me arranje um bom marido
Bem queria me casar

Mas não mande bagaceira
Que eu não tô no desespero
Quero cabra de primeira
Viu, seu santo cachaceiro?

Brincadeira, meu santinho
Cachaceiro tu não é
Só anda meio azoado
Com reza de tanta mulher

E pro caso de defeito
Na tão desejada prenda
Sem nenhuma cerimônia
Eu devolvo a encomenda




24 comentários:

  1. Ahahahaha ficou demais! Copiei os versinhos.João Pedro vai morrer de rir e amar esse texto, como eu ri, amei e te amo!
    ( bora casar mais eu?! )

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  2. hehehehhehehhehehehhe
    casar, casar, pra quê?

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  3. rssssss...Tu és demais.Linda crônic e versinhos...Adorei!beijos,chica

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  4. Massa... muuuuito massa! Morrendo de rir.
    Vc é dmais!! O seu humor é incrível.
    Beijoss

    Cidah

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  5. Oi Milena,
    Bacana a forma com que escreveste seu texto.
    Coisas sérias, ditas com brincadeiras.

    Abraços.

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  6. Taí... enquanto as "acometidas de solteirice crônica" exercitam sua criatividade na invenção de técnicas sádicas de convencimento do Santo, os homens espertamente se defendem mantendo o Tonho bêbado o ano inteiro com o famoso golinho "para o Santo"! Somando tudo, quantos litros da "pura" não serão diariamente despejados goela abaixo do pobre?
    Não admira que a sagrada instituição do casamento esteja em crise...

    Beijos, solteiríssima do meu coração!

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  7. Olá, Milene!
    Como sempre, demais!!!!!
    Bjs!
    Rike.

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  8. kkkkkkkkk Tô aqui na Casa de Richard (antes de começarmos nossos trabalhos/orações dessa quinta)e apresentei vc prele com essa dilícia de crônica. Tamo rindo solto...ele (um lindo de viver de 72 aninhos)dizendo que vc tem toda razão rsrsrs e completa preu: tá vendo que não adianta amolá o santo?! Quer saber? Vou ali doar energia e rezar um cadiquim pros membros da Sociedade dos Amorosamente Desfavorecidos! E olha que é muié a dácumpau!!!
    Beijuuss, solteríssima amaaaaada minha, n.a.

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  9. Poxa vida... e eu consegui ficar tanto tempo sem passar por aqui, espero não cometer mais esse erro!!!

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  10. Lindona, Solteirona não! Livre, sim.
    Adorei o texto rs rs
    Muito bom.
    Um beijo milagreiro. rs

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  11. Divertidíssima essa tua crônica sobre a solteirice!
    O pobre Tonho foi ser bonzinho e agora vive sendo afogado, congelado ou emborcado pelas mal agradecidas mulheres!
    Você não é solteirona, mas livre, para voar, falar e pensar!
    E assim, pode produzir coisas criativas como este texto, que poderia estar nas páginas de qualquer revista de boa qualidade!
    Bjs, Milene!

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  12. Hauhauahuaha com esse versinho lindo ai não vai precisar nem esperar o ano que vem amiga! kkkk
    Jaja batem a sua porta e será teu principe kkk

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  13. hahaha me matou de rir com seu post!

    Solteironas são as encalhadas mal humoradas, solteiras são as bem humoradas inspiradas. Existe vida inteligente nessa seara dos solteiros, ah existe!

    Os versinhos estão um primor, bom pra serem usados nas quermesses!

    Beijos

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  14. Ri à brava:)!
    O poema é giro; mas não precisa do santo para casar:)!
    Bjo

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  15. Vou me repetir, que saída vc me deixa???

    Adorável, hilário, cheio de humor, informação,, regionalismo....simplesmente adorei a promessa dos ataques de soluço...o riso é tão feliz contigo, daqueles que só dão, os bons amigos!!

    Vou-me sentar aqui pra não perder a chegada do próximo!
    Beijos, moça cheia de talento!!!!!

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  16. O SILÊNCIO LIGA-ME AO MUNDO
    Vem ouvir mil palavras do meu silêncio


    Mágico beijo

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  17. Se o Sto Antõnio não te ouvir, me fala, vamos dar um jeito nele, rsrsrs

    Sobressai se tão bem nesta embaralhadas letras, gostei demais

    Beijos

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. :))
    Eis um perfeito exemplo duma crónica saudável.
    Ah, Milene, adoro o seu sentido de humor!

    Beijo :)

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  20. Perfeito tudinho aí acima, Milene.
    Além das mencionadas funções de casamenteiro, o pobre funcionário de Deus ainda acumula outras, e nada fáceis.
    Bem, uma pro santo então.

    "E pro caso de defeito
    Na tão desejada prenda
    Sem nenhuma cerimônia
    Eu devolvo a encomenda"

    Ainda bem que você pega leve.

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  21. O Santo Antônio também não anda muito legal comigo, não, Milene! Vc não está sozinha nessa! hahaha Adorei o divertido post! bjão!

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  22. Oi Milene

    Vim ler de novo e gargalhei de novo. Genial!

    Beijos

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  23. Hahahaha!
    Por medo de que o santo erre não me arrisco com simpatias.
    Mas, se existe a possibilidade de devolução da encomenda quem sabe no ano que vem...

    Bejus

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