sábado, 11 de agosto de 2012

ESQUIVE-SE E SIGA!



Foi-se outra vez pelo ralo a medalha de ouro tão desejada pelo futebol masculino do Brasil. Totalmente desprovida de amor pela seleção brasileira na categoria onze cabras por uma bola, confesso que a minha maior frustração acerca dessa insuperável perda foi não imaginar a cara de desgosto do Galvão Bueno vendo o povo todo comemorando o feito inédito sem a sua milagrosa voz ao fundo.

Sim, porque ele tem sérias desconfianças de que todas as grandes conquistas do esporte brasileiro desde o seu surgimento nas narrações televisivas, se deram pela ilustre presença da sua voz. Impagável seria ele querendo invalidar a conquista, pois o principal atleta, elezinho, não estava presente. Se alguém souber de cabra mais emproado, enjoado, penteado e mais outros tantos ‘ados’, levante a mão e me aponte... Euzinha sigo no desconhecimento.

A Olimpíada cruzando a esquina da partida e outra vez o desempenho do Brasil foi uma coisinha de nada. Um brasilzão desses, né? Pela lógica era pra competir de desigual pra igual com as potências esportivas feito China, EUA... Quem mais? Minha tepeême é amnésica. A lógica de um país que insiste em disputar medalhas enferrujadas nas categorias mais importantes feito saúde, educação, segurança, igualdade social, vergonha na cara, é sempre disputar de desigual para igual com quem tem os resultados no esporte como consequência dos investimentos nestas esferas fundamentais. Não há novidade alguma no tímido desempenho do país no evento e muito menos desonra para os atletas, exceto os milionários do futebol e suas chuteirinhas de salto quinze.

Olimpíada mesmo começa em outubro e segue-se por quatro anos ininterruptos. Se a jogada, o saque, o salto for equivocado, lascou-se tudo! As pessoas contempladas com a medalha de ouro se de deliciam no podium e não querem descer de lá de jeito nenhum. É um emprego bom, um salário bacaninha, sabe? Fora as gorjetas, essas sim fazem a diferença. Os “atletas” nem precisam ter um desempenho tão satisfatório assim nesses quatro anos, porque às vésperas da nova olimpíada política eles convencem uma boa parte da plateia de deixá-los por mais outro tempo por lá. São bons de lábia esses nossos esportistas-politiqueiros. Enquanto eles se fartam e ficam taludos de tanto mamarem nas tetas generosas e coniventes da Pátria, mãe gentil, seguiremos  nós, espectadores e comparsas?

Receio que sim.

Agora me postarei em frente à TV para ver, daqui a pouco, a luta de boxe de um sujeito brazuca chamado Esquiva Falcão, valendo medalha de ouro. Como não acompanhar até jogo de bolinha de gude, tendo como personagem um cabra chamado Esquiva Falcão?  Não sei que medalha virá, torcerei para o ouro, é claro. Mas já sou fã desse cara que assim como a maioria absoluta dos brasileiros, vive a se esquivar de tanto descaso, apenas na singela intenção de sobreviver.

Bem aventurados sejam os marqueteiros, deles serão os reinos da invenção de heróis, amém!


13 comentários:

  1. Apesar de muitas medalhas terem ido ralo abaixo eu ainda fiquei feliz em ver a situação do Brasil, sua postura diante das competições.

    O Brasil mudou muito sua cultura diante do atletismo...

    Abraços

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  2. Oi Mi... acabo de assistir a coroação do nosso voley feminino... me emocionei por aqui.....
    Concordo com tudo que voce escreveu... acho Galvão extremamente chato e incoveniente..

    Bjinhos..obrigada pelo carinho comigo..sempre...

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  3. Não vi como fomos no boxe, mas adorei a medalha do vôlei feminino!!! \o/

    Bejus

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  4. Oi, Milene. Pois é, vi o boxe e perdeu...:( Entendo sua revolta e concordo. Esse ano as Olimpíadas deixaram a desejar mais do que nunca, assim como a educação, a saúde a infra-estrutura. Me revolto quando vejo o governo com índices de 75 % de aprovação. Cadê esse povo que foi entrevistado, se vemos barbaridades se acumulando nos jornais diariamente? Um abraço!

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  5. Chego, ainda gripada, depois da vitória das meninas e derrota dos meninos...já todas essas outras, que você bem cita,estamos imbatíveis no primeiríssimo lugar! Quem se importa??? Ano de eleições e mesmo assim continuamos "nem aí". Tempo de julgamentos(?)e mesmo assim ouvimos "defesas" no mínimo risíveis. Ô pre-gui-ça sÔ! Deve ser a gripe...deve de ser! Bem aventurados...
    Beijuuss, de longe, n.a.

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  6. Tua consciência sócio- cultural-política é um arraso, Mi...li e reli vc, e em alguns trechos, "te ouvi"e vi os olhos apertados, cuspindo uma indignação justificada e correta, exalando a tua parte mais bonita, a sensível, sem ter dado derradeiro grito de rebelião....adoro te ler, pronto...(com sotaque)...rs

    Um beijo, Mi...boa semana, moça querida!

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  7. Não sei, Milene, me assusta isso de todo um povo se realizar numa time. Se o time não alcança o que se deseja, o povo passa a achar que não tem nada mais para se orgulhar. Nem querem ver os verdadeiros campeões que, sem apoio adequado, chegam tão longe.

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  8. Oi Milene! Não gosto de assistir tudo, acabo ficando super tensa com toda essa excitação! Mas seu texto, ficou ótimo!

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  9. Panis et circus, circus et panis, ad nauseam... amen!
    E a ladainha continua!

    Beijo.

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  10. O ouro existe para atletas bem preparados. Os ditos mais preparados eram a seleção masculina de vôlei e a de futebol masculino. As duas seleções sucumbiram. O que dizer dos demais? Será praga do Galvão? Acho que não. É falta de investimento mesmo e um pouco mais de boa vontade por parte de alguns atletas.
    Abraços.

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  11. Hoje, Milene, na condução, conversávamos sobre esta questão: falta incentivo nos esportes x melhorias qualitativas em várias frentes (saude e educação, por exemplo). O Prefeito do Rio foi até a ilha onde eu moro e ofereceu entrada no Circo para 30 crianças. Toda a ilha está abarrotada de sujeira visual (cartazes). Contudo, o deck onde atracam os barcos está caindo... uma coisinha a toa feita de madeira... caindo. E cair naquela agua IMUNDA pode até matar!

    Nosso voley de praia perdeu para alemães que mal tem praias, mas fizeram cerca de 100 quadras em todo o país a fim de incentivar o esporte!

    Beijos

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  12. Milene, eu que fico lisongeado com sua intenção de publicar meu texto. Esteja a vontade. Grande abraço.
    Gecildo Queiroz

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  13. Bem colocadas suas elucidações sobre este encontro mundial!
    Os egos superinflados dos "buenos" e os saltinhos altos dos milionários mascarados do decepcionante esporte bretão!
    E as "surpresas" dos não badalados pela grobo, mostando serviço e garra, sem nenhum apoio da mídia, que fez suas apostas, esquecendo os obscuros azarões!
    Esquiva e outros chegaram ao pódio com méritos, com destaque para a menina do judô, e para o ginasta que não cai das argolas, além da mais ilustre desconhecida, a pequena Yane Marques, de Afogados de Ingazeira, que beliscou no finalzinho o pentatlo!
    Beijos, Milene!

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