domingo, 19 de agosto de 2012

ESSA SENTIMENTALIDADE TODA...



Pois não é que se fez a noite de sábado e eu me posto à frente desse computador desdenhador das madrugadices minhas, ao invés de estar lá no canto da Gabriela, a cachacinha docinha, com minha amiga Neusa, a falarmos desimportâncias e anestesiando um tanto os hematomas da alma, provocados pelas pedras que não cansam de rolar, não importa o que façamos para tentar contê-las com a força que nem imaginamos ter? Frase bem comprida essa...

Fiquei! Acontece que estou com uma baixa taxa – olha a rima que dá, né não Dicró? – de vitamina B 12 e o médico me prescreveu uma ardente vacina a ser aplicada no glúteo. Enquanto disfarçava pra não espiar a agulha – coisa mais deprimente é agulha de injeção – eu perguntava ao moço da farmácia se eu corria risco de morte caso a cachacinha docinha e a substância da vacina trombassem lá no meu organismo meio doidão. Ele riu e respondeu que eu sobreviveria, já o efeito da vacina, decerto não. Assim sendo, abandonei Gabriela e namorei a vacina. Foi uma troca momentânea e absolutamente interesseira, já que preciso estar vitaminada em alma e glúteos para me oferecer a um sacrifício cirúrgico.

Há pedras rolando com maior contundência sobre ombros e almas, ferindo tanto, desesperando... Mas quem disse que é todo o tempo florida a sublime arte de existir? Penso na Adélia Prado dizendo “Meu Deus me dá cinco anos. Me dá a mão. Me cura de ser grande”... Não dá! A vida é provocadora que só, fica à espreita do vivente, feito quisesse testar a capacidade do pobre em se sobressair aos seus labirintos, que são tantos e tão complexos, pai do céu!

Deixemos pra lá os labirintos. Façamos alegria que nem bolha de sabão, carregadas pelo vento pra lá e pra cá. As pedras, que rolem! Desviaremos do seu impacto sempre que possível e sorrisos não nos faltarão. Não é síndrome de Poliana, a menina que virou moça, mas continuou chatinha. É apenas um imenso cansaço de ser grande o tempo todo, uma vontade de lançar pro alto as pantufas desgastadas e dizer pra vida, “vida pisa devagar”, feito cantou Belchior.

Gostaria mesmo era de transpor a barreira da distância, fazer valer a presença do amor que é tão grande e juntar numa mesa cheia de gabrielices e besteirices a Neusa, a Simone, o Tatto... Lançaríamos pro ar montão de riso a fazer qualquer pedra metida a besta se derreter de desgosto. Brindaríamos!

E por falar em brinde, gritarei em letras enormes o meu beijo bem grande aos meus amores aniversariantes desse dia e meio. João, o Esteves, não o Pé-de-feijão, amigo querido, poeta dos bons... Regininha Rozê, a moça do cavalo alado e selado, sim senhor! Primaverando junto com um dos meus aborrescentes, o Thúlio,  por quem carrego um desejo imenso de que a vida lhe escancare portas e janelas e por elas entre todo o amor que há. Meus amores, me deixem beijá-los e abraçá-los tão fortemente ao ponto de me dizerem “pare, Milene... dói minhas costelas”... E mesmo assim eu não paro.

Chega! Me calo por hoje... Me calo?


16 comentários:

  1. Cale não que tá bão, minha querida "Galvão".
    " Bom mesmo é ser feliz, o melhor lugar é ser feliz!"

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  2. As pedras que rolam, desobstruem os caminhos, e por ele vc vai, pétala em flor, beijar num sopro o rosto desses queridos teus...pára não, moça, vai, anda, fala....e encanta!

    Bjos

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  3. Não podes calar...Falas sempre tão bem!!! beijos,tuuuuuuuuuuuudo de bom, fica bem!chica

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  4. Ola vim passar no seu maravilhoso blog , fazer a minha visita diária para saber novidades, e convidar voce a ler o meu novo poema que escrevi ainda agora http://assombrado-mc.blogspot.com

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  5. Por esquecimento, incúria ou conivência do Destino, na estreita barra lateral do "Sete Ramos" deparo-me com o título
    ESSA SENTIMENTAL
    IDADE TODA
    assim mesmo.
    Idade sentimental? Será que a lagarta listrada virou borboleta? Serão queixas contra o tempo que nos soma sanfonas e pedrinhas em troca da juventude?
    Vim logo conferir... Ah, é SENTIMENTALIDADE!
    Mas o Destino não deixa de ter razão...

    Beijos, lagartinha.

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  6. Mi...

    Pelo pouco que te conheço..você não se cala nem de boca cheia...acredito que só mastigando algo mesmo e olhe lá se tem efeito..:)...
    Mas o seu falar escrito transborda revelações e ao mesmo tempo doçuras de um ser vivente vivente neste mundão de Deus...e pelo que vejo com receios de agulha..hum credo..mas enfim que faça valer a alegria de poder contemplar mais uma primavera com seus amigos e pode dizer mais vale a maciez das rosas do que rolar das pedras.....

    Beijinhos..eu também falo demais...:)

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  7. Oi, Milene. O dia que eu encontrar alguém dizendo que gosta de tomar injeção, vou achar bem estranho...Sábia atitude essa de dispensar a visita à Gabriela, ainda que risos trocados com amigos sejam impagáveis...mas é por um bem maior. Que rolem as pedras, e que construam lá embaixo um castelo bem bonito para que você sente com seus amigos e beba abraços e sorrisos. Um abraço!

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  8. Injeção já dá medo só pelo nome, quem gosta disso? Adorei as 'gabrielices'. E parabéns para os seus amigos aniversariantes. E jamais se cale, hein? Beijos e boa semana.

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  9. Minha querida, uma cachacinha da boa pode ser a melhor vacina contra certos males da cuca...
    Sem excessos, é claro! Tudo na medida certa!
    Você sabe, isso eu garanto!
    Delícia de crônica!
    Bjs!

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  10. Não se cale, FALE! Sua crônica é muito legal, bem escrita! bjs

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  11. Esse perguntar e reclamar para não obter respostas dá raiva !!!
    Um dia de cada vez e celebrar a vida e o resto das pedras que se transformem em flores
    beijo

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  12. Pois é Milene, a vida também tem esses momentos de "sentimentalidade", e acredite, isso não acontece somente com você.
    Compreender o viver, é saber que um dia a gente pode ganhar e um outro, perder.
    Quando se ganha, nem ligamos muito, mas quando perdemos, parece que algo foi arrancado de nós. há um sentimento de morte, precisamos entender e enfrentar que aquilo que foi, dificilmente voltará. Mas a vida, em sua trajetória sábia, sempre dá um jeito de apaziguar a alma.

    Abraços.

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  13. :))
    Seja com Gabriela, ou não, nunca se cale, Milene!

    Beijo :)

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  14. MilenA....

    Tão bão ser um dos eleitos de sua predileção...
    Me espera, tá?... Ando mêi Dark Vader...
    Ando as cegas do lado escuro da força...
    "Acho que estou naquela fase de estar sendo carregado por ele"
    Somos especiais Mi... senão qual seria a explicação desta sintonia?

    Nem sempre se vê!
    Mágica no absurdo
    Nem sempre se vê!
    Lágrima no escuro
    Tá tudo cinza .........
    Tá tão vazio
    E a noite fica
    Sem porque...

    Big beijo
    Tatto

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  15. Eu já estava com saudades de passar por aqui!

    Não se cale, por favor.

    Bejus

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  16. Acabo de ler agora essa sentimentalidade toda. Toda mesmo, comentários e tudo.
    Invento uma palavrinha adotedadilatnemitnesasse. Além de ilegível, não quer dizer nada nem pra nada mais serve. Mas palindromiza o lido com o gosto de sempre nessa sua nova escritura.
    Mais sem referência sobre que pedras seriam 'concretamente' essas suas que ante a célebre pedra no meio do caminho drommmondiano, fico assim mais sem satisfaction que os Rolling Stones. Mas então, as pedras que rolem, né?
    Sei que já não digo coisa com coisa a essa hora, oxente, e nem tô de dieta pra cachaça, só sem nada aqui que se beba.
    Nenhuma seginga me esperando, mas peraí, sempre dá pra encarar uma, claro que com entusiasmo inversamente proporcional ao tamanho da dita cuja, uma vez ciente de que é com certeza para o bem de todos e felicidade geral dos pedaços não furados. Sua furada será chata mas passará numa boa, deixando você devidamente vitaminada. Me pareceu muito boa a barganha, apesar do adiamento birital e papal igualmente chato, mas virtualmente compensado.
    Peguei o bonde andando quanto importante parte do acima, mas posso fazer coro afinado com as demais vozes dizendo que trombone é o que não fata e, dadas as circunstâncias, sei que você sabe direitinho o que fazer.
    Obrigado mais uma vez pela citação.
    Sinta virtualmente retribuído o abraço virtual no mesmo aperto, as costelas que aguentem.

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