domingo, 7 de outubro de 2012

... INVADE E FIM.



Era apenas mais uma tarde de domingo em frente às desimportãncias televisivas, ouvindo pessoas cantarem e serem julgadas. Torcendo por alguns, franzindo o cenho para a pouca sedução melódica de outros. Então, nos primeiros acordes, eu já sentia a sua presença que toda a vida surge devastadora, arrepiante e me causando lágrimas.

Surgiu para mim no quintal dos meus quinze anos, onde eu era personagem cheia de sonhos e incertezas. Despi-me um pouco dos sonhos. Visto-me todo o tempo de incertezas. As décadas  passadas não me dizem muito, ou não agucei os ouvidos o bastante para escutá-las. Enquanto a canção saía na voz do moço tentando a sorte no programa musical, enquanto meu corpo mais uma vez se arrepiava e tímidas lágrimas surgiam, um breve filme passou nos meus olhos da mente, porque os da face se fechavam entre emocionados e saudosos dos sonhos simples que deixei pra trás.

Talvez eu não tivesse o menor talento para tocar violão. Talvez, ter um laboratório de revelação fotográfica, daqueles que se vê as fotos surgindo feito fossem paridas, não fosse encantador como eu supunha. Talvez eu não tivesse mesmo encontrado nenhum curso universitário a me fazer a cabeça. Talvez eu nem tivesse curtido as tantas viagens que imaginei fazer... Talvez!

No breve tempo dessa canção eu senti falta do que nem tentei, mas sem frustração ou tristezas, porque elas não encontram comigo garantia de abrigo. É que essa música rouba dos meus pequenos instantes de morte e eu me lembro de que estou tão viva e plena de quereres. Tenho vindo de lá, do quintal dos meus quinze anos até quando a vida caminha, um estampado de sentimentos e contradições, anseios e sedes, fomes e preguiças. Imperfeita que só!

E quando caminhar mais essa estrada e forem nela os meus passos, que os sonhos singelos tenham sido experimentado. Eu os brindarei com um vinho barato caso se façam boa realização. Eu os xingarei aos quatro cantos se me fizerem desfeita. Eu os viverei e dançarei... Nessa canção que é minha.

A propósito, o título é Pétala, e não Pétalas como surgere o vídeo. Mas, o que importa um mero plural em face a singularidade poética dessa canção (que é minha)?

Boa semana!






18 comentários:

  1. Oiê!!
    Sabe que sempre me emociono vendo esse tipo de programa? Não sei dizer bem o motivo, mas sempre estou com os olhos marejados e cantando junto, bem desafinado, hehehe. Como normalmente vejo sozinha não judio de ninguém ;)
    Linda essa música!

    Bejus

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  2. Realmente elas chegam e pronto..Se instalam.. A música pode nos fazer voar e tu o fizeste lindamente e ainda compartilhaste o voo...Legal! beijos,linda semana!chica

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  3. O voo das ondas sonoras em sintonia com as belezas e sutilezas da vida, linda canção! abraços

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  4. Milene,
    essa tal é nossa visitante assídua e ela nos tempera sabia?
    Como dizia o poeta Neruda, confesso que vivi, e é preciso é viver as lagrimas misturadas com sorrisos, a esperança com o desencanto e no fim dançar e fim...
    beijo

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  5. Não é simplesmente sua. É também você. Não sei se você é o pedaço dela que nasceu música ou ela é o pedaço seu que nasceu gente. Misture tudo o que eu disse. E cante.

    Beijo desafinado, Pétala.

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  6. Oi Milene,
    Djavan é um "monstro" que ainda temos e representa tão bem nossa música brasileira.
    "Sentir falta do que não tentou", é fazer as pazes com o passado. Enquanto existir vida, sempre é tempo de sonhar e realizar sonhos.
    Abraços.

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  7. Quero crer que essa loirinha facebooquiana é ocê...fofura de lindeza com qtos aninhos? Rosto brabo de quem num tava gradanu, nem um tiquitim, de posar pra foto rsrsrs já adulta a-do-ra né messs? E eu amo, vê-la em poses variadas e com riso escancarado. O que dizer dessa viagem instantânea que Rê_mexeu com memórias suas e presenças nossa? "...estampado de sentimentos e contradições, anseios e sedes, fomes e preguiças. Imperfeita que só!" Então tá, vou ali tentar fazes as pazes com essa que me invade diariamente.
    Beijuuss Mi_nina amaaaada

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  8. OI MILENE!
    UMA VIAGEM AO PASSADO, NÃO TÃO DISTANTE, PELO QUE VEJO,FEITA PELOS ACORDES DE UMA MÚSICA, COISAS QUE ACONTECEM PARA QUEM É SENTIMENTAL.
    ABRÇS
    zilanicelia.blogspot.com.br/
    Click AQUI

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  9. Djavan é fazedor de belezas e suas músicas nos arrancam da realidade fria e dura e nos recoloca a alma num campo verde com flores e perfumes de um cenário poético. Pétala de flores, pétala de estrelas, pétala do branco da paz que invade.
    Linda história e tua postura diante do que a vida nos oferece, Milene!
    Abraços. Daniel.
    http://dagarpower.blogspot.com

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  10. Milene, que crônica gostosa de ser lida, faltou-me o vinho e a canção para me ver no relato contado, de tão intenso q foi. Bjos

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  11. Caraca. Vou te falar entendo perfeitamente isso. Tenho essa relação com a musica tb e algumas me tiram do chão, me fazem sonhar.
    Vou guardar esse vídeo pra ver depois. Agora ro pelo celular. Bjs!

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  12. É, precisava voltar aqui e ver sua pétala. O dia vai se fechar florido. Boa-noite.

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  13. Puxa, que interessante saber disso, Milene. Adorei. Bem, a música escolhida é linda, obviamente. Quem não gosta de ouvi-la? Beijos!!!!

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  14. Milene, deixe-me contar que essa música também marcou demais na minha vida. Ela está citada no primeiro capítulo da minha história. Trabalhava na rádio e a dediquei ao meu colega de faculdade, meu grande amor, como uma declaração que a boca não conseguia fazer, mas já eram duas horas da manhã e ela já estava dormindo...coisas da vida que não se explicam. Hoje ele está a rondar novamente por mim. E o que eu mais gostaria era poder viver os sonhos que outrora foram desfeitos pelas circunstâncias. Sei que entende o que eu quero dizer. Um abraço, bom final de semana!

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  15. Há musicas que são meras distrações, outras apenas lembranças e outras pérolas aos quais o tempo passa e permanecem valorosas em nossa mente fazendo que nossa alma baile em seu ritmo com pequenos toque , cheiros e leveza..ou talvez saudade...

    Beijos Mi

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  16. Que bom voltar e te encontrar debulhando lembranças e sentimentos com a mesma inspiração de sempre...
    E o bom gosto em escolher uma das mais belas páginas deste gênio da música...
    Depois, voltarei mais vezes, para ver o que publicastes nesta minha ausência...
    Beijos, Milene!

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  17. As canções de Djavan é realmente essa energia que invade o nosso emocional e nos faz desfrutar das mais sublimes e intenssas emoções, é guase um dialeto angelical. Sou muito fã do Djavam, principalmente pela forma como que compõe suas canções.

    Abraços

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