terça-feira, 6 de novembro de 2012

DE TANTO AMAR


Imagem do arquivo pessoal de Rafaela Pereira

Me valerei do cotidiano para espalhar aqui uma meia dúzia de clichês, já que dizem ser o cotidiano um grande amigo meu. Definitivamente a tristeza não é bicho que se cria comigo, fez-se de rogada eu a ponho pra fora a vassouradas e saio por aí, “espalhando o pó do dia e buscando uma boa noite”, feito me disse hoje uma pessoa tão amada por mim e que me ama igualmente.

Bem vindos à minha clichêzice... Estou eu novamente falando de amor, porque pra mim não há outro jeito de esbagaçar a tristeza senão cercada de tanto amor, mesmo quando esse cerco se faz apenas espiritualmente, vindo de outros cantos, ares e mares e com delicados e verdadeiros puxões de orelha, que só quem ama é capaz de oferecer.

Até palavrões podem ser amorosos. Esses dias, conversando com Rodolfo no emeessene, ele lança um “você é uma hamadríade”. Respondi: “Jesus Cristo me proteja contra tal xingamento... Que é isso?”. Sou dessas que não se escondem da total falta de cultura, perguntei mermo! Hamadríades são as protetoras das árvores e achei tão suntuoso isso que até apreciei o xingamento. Segundo ele, sou a ninfa protetora dos coqueiros entortados. Alecrim não pode ser extraordinariamente enquadrado na condição de árvore não? Eu gosto do cheiro do alecrim, mas acho ainda mais belezura o nome.

Ah, eu quero contar sobre como um homem pode deixar transparecer carência como eu imaginei que apenas nós meninas, seres emotivos e tolos, seríamos capazes: Dia desses, num daqueles fins de tarde de imensurável quentura, me aparece porta a dentro um amigo dos tempos de infância, que volta e meia dá o ar de sua presença espirituosa. Sequer sentou-se no sofá pra compartilhar comigo um sorvete de flocos e apenas me disse: “Vim dizer que tô na área, e te dar um abraço”... Não me fiz de rogada e o abracei. Feito um menino grande, desvencilhou-se um tanto e disse: “abrace mais, abrace mais”... E ficamos segundos grandões nessa cumplicidade boa. Ele me disse um “agora posso ir tranquilo” e sem mais, foi-se. Achei bonitinho um homenzarrão com cara de menino, passar apenas porque estava precisando de um abraço bem abraçado.

A imagem desta postagem foi tirada especialmente pra mim, por motivos óbvios, pela minha amiga-irmã-anjo-da-guarda mais deliciosamente doida, a Rafaela, que andou passeando por aí e lembrou-se dessa que vos escreve cotidianices. E ela até me trouxe um par de brincos lindinhos, confeccionado em capim dourado, porque dourada é a amizade que nos enlaçará por todos os amanhãs a serem inventados com a desculpa adorável de se viver sendo amigo. O seu abraço hoje fez-se bálsamo.

E outros abraços, e palavras, e gestos, e cuidados... Nem me importo em me perceber rodeada de abelhinhas sedentas, tamanho o mel das minhas palavras nessa hora. Quero mais é gritar o amor em plenos pulmões e incansável coração.

Qualquer dia eu conto sobre como foi uma delícia estarmos todos rodeados à mesa da cozinha da minha mãe, na noite de sábado, uns de pé porque não tinha cadeira pra todo mundo, comento um jantar improvisado, das besteirices gostosas e regionais, contando história e fluindo riso. E eu espiava meus irmãos, sobrinhos e ela, vendo se todo mundo tava comendo direitinho, e pensava: Como eu amo esse povo maluco!

Ah, eu conto também que Rodolfo me deu esses versos escritos às cegas, enquanto eu desenvolvia esse texto de tanto mel. E acho que digo sobre a Camila gostar de quando eu não durmo. Segundo ela, eu agito as estrelas quando tenho insônia... Achei isso de uma lindeza a me deixar envaidecida. A música também me foi oferecida hoje por quem eu amo... É linda, claro.

Pronto, contei tudo.

Pra teu trivial variado
Com tantos e bons sabores
A banda toca dobrado
Com clarins e com tambores


(Rodolfo Barcellos)




E assim cantou Luiz Melodia: As pessoas que eu amo, eu amo bastante... ♫♪


16 comentários:

  1. Olá! A sua forma de escrever é linda, de prender os olhos! abraços

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  2. Tu és demais. Falar de amor é sempre bom e ler igualmente. E o amor pode estar, realmente na cozinha, ao redor de uma mesa. em qualquer lugar ele cabe. Adorei! beijos,chica

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  3. O alecrim, junto com a murta e com a menta, eram protegidos pela ninfa Minthê. Essas ervas, misturadas à cevada fermentada, eram usadas na bebida sagrada que dava aos gregos esperança de vida eterna.
    O nome da ninfa parece com o seu... mas como ela habitava o mundo subterrâneo de Hades (Plutão), acho que não tem nada a ver - a não ser como apreciadora de uma boa cerveja.
    Beijos.

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  4. Oi Milene,
    As melhores coisas da vida, são aquelas que acontecem no cotidiano.
    Também não conhecia esse palavrão e significado. "Hamadríade". Seu blog também é cultura.
    Falar de amor é dar sentido e motivos à vida.
    Abração.

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  5. Milene fiquei contagiados e acho q uma abelha me picou e ao invés de me encher de mel encheu de amor e eu vou distribuir a falta de pontuação é devido a emoção bjos

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  6. Tudo que acontece na vida, entre o nascimento e o morrimento (porque a outra palavra é forte e até rima com essa última... não precisamos dela), enfim, tudo entre esses dois eventos não passa mesmo de muita história de cotidianos. E não se vive um dia após o outro? Então, sendo o cotidiano o nosso dia-a-dia, é dentro deles que as cores são usadas nas pinturas brancas que nos oferece cada novo amanhecer. Bela crônica de amores cotidianos e necessários, Milene! Também passei aqui para dar e e receber um abraço... e já vou indo!

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  7. e eu que gosto tanto de você fico
    a sorrir com esse texto tão gostoso.

    (R.R. é demais em seus comentários)

    beijo

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  8. É... a tristeza tem esse condão mesmo... se der corda, ela se agiganta,,,
    Fia, a vida é feita de uma costura de clichês, ora chatos, ora arrebatadores...beijo anônimo, mas nem tanto...

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  9. Um abraço desses, de segundos grandões, pode ser despachado, envelopado. emeesseenizado...ou algo assim?
    Tô precisada de um...de alguém que conhece a grandeza de uma mesa repleta de gente à volta...de alguém que quando ama, ama bastante....

    ADOREI!
    Bjos, moça querida, com cheiro de Alecrim...com gosto de vida!

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  10. Oi Milene
    Passando para conhecer seu blog, e já vou ficando. Gostei muito do seu jeito descontraído de escrever sobre o cotidiano. Eu também gosto de escrever assim, o que me dá na cabeça kkkkk. Adorei o post!
    Bjos. Fique com Deus!
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br

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  11. É tão bom sentirmos que somos amados, que por essa aldeia virtual tem sempre alguém pronto para dividir carinho connosco,alguém que nos quer bem e que está sempre disposta a dividir as alegrias e a consolar as nossas angústias...
    beijo Milene

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  12. Que delícia te ler. É como um passeio por assuntos e vamos viajando tanto que me perco. Sim adoro quando vc perde o sono, te leio feliz no outro dia! Fazer o que?!
    Beijos!

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  13. Contou tudo e eu gostei muito de ler, como se tivesse espiado tudo! Bacana a sua amiga se lembrar de você ao ver o logotipo e fotografar. Aliás, estou em dívida com seu outro blog. Bjs

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  14. Me solidarizo com a tua ignorância...ia morrer sem nunca ouvir esta palavra: "hamadríade"!
    Mas, a Camila tem razão numa coisa: quando você não tem sono, sai muita coisa boa!
    Como este texto!
    Bjs, Milene!

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  15. E postagem gostosa de se ler, isso é o que de melhor tem a vida pra nos oferecer, amigos, abraços sinceros, risos verdadeiros, família reunida, não ha tesouro de maior valor.

    Milene, te ler é sempre uma experiência prazerosa.

    Abraços

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  16. Sim, contou tudo. E eu adorei!!

    Bejus

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