quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AH, MAR...



Ela amava o mar e as reticências, porque gostava da infinitude e desassossego das coisas. O mar e as reticências eram vistos diferentes a todo instante, sem quadro de pensamento definido.

Havia coisa mais desassossegada do que o mar? Todo dia apresentava uma boniteza diferente e ela sorria quando imaginava se misturar nas suas águas. Era na esquina do mar que ela queria morar, mas era tão longe... E quando lhe perguntavam por que se iludia cultivando amor pelo que seus olhos nem alcançavam, ela apenas se lembrava da dança do mar, inquieto, misterioso, imensurável. Responder, pra quê?

Sempre achou tolice as certezas cheias de si, feito viver fosse seguir um roteiro bem ensaiado e acontecesse conforme uma programação qualquer. E amar por acaso tem receita pronta? É louca a mulher que ama o mar tão longe dela, se sabe bem como é a sua dança? Mesmo se nunca tivesse caminhado nas suas ruas, ainda assim ela o amaria, porque amar era coisa de não se precisar desenhar com bom feitio de palavras e se descartar caso o desenho não saísse conforme o esperado.

Ela que não sabia verdade de nada, mas gostava de pensar que a receita de amar não cabia numa folha de caderno. Amar era bonito e podia ser longe, feito o beijo do mar no horizonte. Era estrada sem fim, ladeada por canteiros floridos e passarinhos acompanhando, de perto do céu, os passos. Amar era o que nunca pôde ser dito e nem por isso jamais deixou de ser. Amar era reticências...


16 comentários:

  1. LINDO!! E adoro o mar, as reticências e amar... beijos,chica

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  2. " Amar era bonito e podia ser longe"...é verdade, amar não cabe numa folha de caderno, e é uma estrada sem fim, nem meios, um canteiro florido, uma beleza sem fim...

    Adorável navegar neste mar de amor da Milene...bjos, moça romântica.

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  3. voltei com fé...
    que não costuma "faiah"!

    saudades.

    [contém 1 beijo]

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  4. adorei o termo 'desassossego'.
    Acho que essa palavra define bem a maioria dos sentimentos e suas inter-relações. Essa inquietude típica, como brisa de verão, folhas de outono, essas coisas...
    Parabéns, de novo.


    Adoraria um novo comment lá *-*
    diademegalomania.blogspot.com

    valeeeu

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  5. esse poema é massa...usando este termo que aprendi blogando com meus amigos brasileiros
    ele é cheio de tanta sentimentalidade e todas essas setas atiradas nas mais diversas direcções do amor e suas interrogações e certezas...
    bonito de doer
    parabéns Melene

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  6. Que texto doce. Me vejo incapaz de escrever algo assim. Admirável.

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  7. Definição perfeita! Amar é reticencias porque nunca se finda de fato! É tanto, é mais!
    Lindo Mi, me fez suspirar! Beijos.

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  8. O amor não é porto seguro. Ele nos balança, nos lança, nos coloca longe e perto, como as ondas do mar. Tem altos e baixos, alegrias e tristezas, mas não nos leva a abandonar o barco. Porque, então, não se poderia senti-lo pelo mar? Sua infinitude estimula a descoberta. A grande beleza sempre está nos movimentos que nos fazem mudar os passos da dança. Bjs.

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  9. Milene, que maravilha!!! Eu sou apaixonada pelo mar e meu caso de amor com ele se mistura com o que sinto pelo meu amor homem. Pena que ele ainda não compreende o quanto...perfeição é o trecho onde diz "ainda assim ela o amaria, porque amar era coisa de não se precisar desenhar com bom feitio de palavras e se descartar caso o desenho não saísse conforme o esperado." O amor não é feito de perfeição, mas de imperfeições com as quais se cresce junto. Um abraço!

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  10. Já tive a oportunidade de morar em uma cidade litorânea e navegar por esse marzão de Deus. Por mais tagarela que se possa ser, o mar, de mansinho nos convida ao silêncio, é impressionante.

    Abraços.

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  11. Adoro o mar, é baum aH mar. Quanto as pontuações sinto que tem de um tudo ao longo desse sentir: momentos de interrogações (dúvidas), exclamações (deleite), ponto e vírgula, vírgula, reticências e até mesmo um ponto final. Quando se faz preciso. Não no amar, mas num amor e assim é possível continuar a ciranda da vida.
    Beijuuss amorosos nocê Mi_nina amaaada

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  12. Nesse mar não se navega,
    Ah, mar que carrega a gente!
    E a gente não sossega
    Nem nada contra a corrente...


    Beijo, Miminha.

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  13. Achei muito interessante a forma como colocou a palavra amar, e muito propicio também, já que esse sentimento sempre nos arranca esse (ah) suspiro e é tão grande quanto o mar, ah mar, que bela analogia fizestes nessas linhas. Acho que também, melhor comparação não há, o amor é mesmo como um mar, profundo, misterioso, bonito, por vezes perigoso, e que transcende a qualquer entendimento.

    Lindo Milene

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  14. Ah sentimento profundo, nele me perdi por vezes, numa vez só, se é que me entende. Ah mar, ah, amar. Quão desconhecidos são, o mar e o amar. Porque por mais que mergulhemos no mar e no amar, nunca sabemos o que nos reservam. Nunca sabemos quando uma onda nos tirará os pés do chão, quando nos afogaremos um pouco para então voltarmos respirando como se o ar fosse ser extinto. Nem sabemos se voltaremos vivos do mar, do amar. Vale arriscar. Pela beleza que há, em ambos.

    Beijos, Mi,
    Débora.

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  15. Puxa, Milene. Que texto bonito. Tocante mesmo. Beijo!

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  16. São três pontinhos que não terminam. São caminhos cujos destinos não se conhecem. São águas profundas, viajantes pelo planeta, conhecedores dos segredos e dos mistérios. Assim são os amares, assim são os mares. Assim são as águas que correm feito sentimentos e escorrem dos olhos, por alegria ou tristeza, por saudades do que se viveu ou do que se gostaria de se viver. "Navegar é preciso..."
    Abraços, amiga! Tenha uma ótima semana!

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