quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

COTIDIANESCAS PALAVRAS

Imagem roubada lá do Rodolfo,que roubou não sei de quem... 
Ladrão que rouba ladrão é esperto que só!


NO RELICÁRIO, A LIBERDADE É INSEGURA
POR BRUNO BAADER.


Essa semana estou numas de tia fingidoramente explicadora. Minhas pestinhas alheias estão fazendo prova e me sacrifiquei em nome do amor que lhes sinto para fingir compreender toda a matéria e estudar com elas. O que é que houve com as matérias do tipo “quantas e quais são as regiões do Brasil?”...  O cabra decorava e pronto, fácil que só! Agora você tem que entender de déficit, mercado estrangeiro, sei lá mais o quê que provoca o consumo exagerado e resulta na degradação do meio ambiente. Que é que fizeram com os deveres de casa do tipo “decore a tabuada de nove e se não acertar lascou-se na palmatória?”.  Brincadeirinha, eu nem alcancei o tempo das palmatórias e não carrego a menor vontade desse conhecimento.

É uma bagaceira essas tardes com as minhas meninas. Entre gritos (os meus são mais berrantes, claro), risos e maluquices, resolvemos hoje parar para fazer um brigadeiro. Nem perguntei a minha vê (vesícula para quem não a conhece ainda) se me era permitido essa incursão, mandei ver e amanhã saberei, certamente, da sua chateação. A sujeitinha é arengueira que só! Não admite uma desfeitinha. A pessoa fica semilouca com quatro crianças estudando em séries diferentes, assuntos diferentes, exigindo a minha desconcentrada atenção. Marina lançou seu olhar galego pra mim e perguntou: “Madrinha, porque você tá usando os óculos que nem uma veia?”... Assim enfraquece a pessoa, demais. Entaõ ela ajeitou os óculos na velha face da madrinha dela, e me doou um sorriso lindo.

 Isabella, que nem estava estudando, veio só para uma visita esses dias, mexendo no meu computador, ouviu de mim uma ameaça que a fez tremer na base:
- Saia logo daí, antes que eu te dê uns cascudos!  - Gritei, sentada na minha cama.
- Você nem consegue se levantar... – Falou a pequena e desaforada meliante.
- Quem disse que eu não posso? – Falei, enquanto me levantava num impulso e a cena que vi foi bonitinha demais, acho que não conseguiria retratá-la com fidelidade. A guriazinha maloqueira colocou as mãozinhas de cinco anos pra cima, enquanto arregalava os olhos, mostrando ares de preocupação, no instinto de me proteger caso eu me desequilibrasse. Assustei a criança, sou má, pessoas!

Esses dias ganhei um poema. Esses dias perdi um poema. Triste isso, viu? Conversava com a Simone e dizia da minha vontade de fazer as pazes com um estilo de roupa que há tempos eu não usava. Ela disse: “apenas use e seja feliz”. Não contente, em segundos trouxe palavras lindas arrumadas pra festa, num poema de dizer isso, da gente ser feliz e se achar linda. Aí eu corri pra ajeitar o Relicário, achei de mudar as cortinas pro lá justo nessa hora. Então falei: me manda o poema de novo, que a janela aqui fechou e nem sei porquê. Então ela disse que o poema era tão meu que não havia salvo e ainda me disse desdenhadora do presente versado. Sério que até agora não acredito. Quis virar meu PC, literalmente, de cabeça pra baixo pra ver se letrinhas caíam e nada feito. O fato é que tristemente, sou uma sem poema. Se alguém trombar com uns versos lindos por aí, sem saber destino certo, são o meu presente.

Niemayer morreu, né? Será que surgirão matérias do tipo “o Brasil sofre uma grande perda” e bla, bla, bla? Acho um tanto de falta de bom senso, falando sério. O sujeito viveu intensos 104 anos e mostrou pra vida com o é que se faz, porque fez pra caramba! E agora é momento de se dizer “vá em paz, Oscar”, sem um quê de lamentação e um muito de gratidão. É preciso lembrar que o vinte e um de dezembro vem aí e perigava morrer todo mundo, restando só Niemayer passeando, imorrível,  pelas ruas sem esquinas de Brasília. Nunca entendi esse papo de Brasília não ter esquina... Os carros fazem o retorno aonde? Deixa pra lá as esquinas em que não passei, ao contrário do Djavan, que sabe bem pelas quais passou.

Ai, não posso conjugar o verbo djavanear, pois o show acontecerá na sexta-feira e me encontro, desde já, chorosa e deprimida... Mas, arremedo Cecília Meireles e digo: “eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste, (nem) sou poeta”...

Beijos. E não durma antes de sonhar... e cantar.





15 comentários:

  1. Você rasga os poemas que eu te dou
    Queria ver você rasgar dinheiro! (Já previa Zeca,o Baleiro)
    Beijos sua desdenhadora !

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  2. E o poema ainda não apareceu? Lindos momentos de tia!! E por aqui,não vejo a hora que terminem as aulas!!! Alívio de não ter que levar e buscar. Te ler é legal sempre e que o nosso amigo de 104 ,quase 105, descanse bem.Trabalhou muito aqui! Fez maravilhas,né? beijos,chica

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  3. Mas essa tiaprofe está moderna demais... Ensinando e aprendendo com brigadeiros. O bacana de tudo isso, além do aprendizado, são esses momentos bons de convivência com as crianças.
    Abração.

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  4. Acho que os versos da Si
    Que vestem felicidades
    Estão todos por aí
    Vestindo nossas saudades.


    Verdade... adivinho os versos dela misturados no teu texto maravilhoso. Um beijo para cada sobrinha (ainda são 99?), e mais dois - um praSi, outro proCê.

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  5. Eu já não sei acompanhar as atividades escolares das crianças. Parece que essa minha fase está em outra existência. Tudo mudou e fico perdidinha com o novo estilo de ensino. Mas que elas nos divertem, é indiscutível. São colocações que nos fazem rir e atitudes que mostram uma independência não esperada. Como é bom ser tia!!!
    O grande arquiteto viveu bem, deixou grandes obras e reflexivas colocações. Merecia descansar. Deve estar planejando outras construções em sua nova morada. Ainda bem que recebeu, em vida, o reconhecimento que faltou a muitos dos nossos grandes homens, em todos os campos, principalmente o da literatura.
    Lamento que tenha perdido seu precioso presente. Grande beijo!

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  6. Consigo ver essas pestinhas te judiando e só queria ser uma mosca para ficar rindo, hehehheehhe
    " É preciso lembrar que o vinte e um de dezembro vem aí e perigava morrer todo mundo, restando só Niemeyer passeando, imorrível, pelas ruas sem esquinas de Brasília."
    Você perdeu um poema mas esse é uma homenagem lindérrima para o genial Oscar
    beijo Milene

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  7. Cotidiano mais cheio de bemquerência. E não adianta querer deixar toques agri pq não cola. Nem mesmo com a princesa de cinco aninhos. Quanto ao seu presente môbem, só posso ficar na torcida para que volte!
    Beijuuss pra Si e outros tantos procê (Bruxo agora mineirou foi?Vou cobrar patente rsrs)

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  8. Tudo por aqui é tão lindo e precioso que tenho vontade de gritar: GENIAL! Meu beijo.

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  9. "Madrinha, por que você tá usando um óculos que nem uma véia?" hahahahahaha

    Milene, sim, imagino o quanto deve ter sido difícil estudar com as crianças e não sinto falta da época de escola. Quem nunca parou de fazer algo para preparar um brigadeiro? Adorei o texto, como sempre. Bjsss

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  10. Para quem escreve crônica como vc, para que poema, ele está contido em tdos os seus textos.
    Muier, meus pais tinha uma palmatória de jacarandá, o negócio era feio.
    Qdo os pestinhas quiser estudar, manda falar com a Tias Google.
    O miúdo na foto é o meu filho sim, e vou dizendo logo, tem cinco anos e é pior do q suas sobrinhas. Um dia desses pedi-lhe um beijo e ele me saiu com essa: - Pai, homem beija é mulher. Tive que pega a força para beijá-lo.
    O conto era prá terminar na véspera do fim do mundo, porém, terminou antes pq eu tenho q me preparar para ele. Vou passar uma semana trancado no quarto, aproveitando os últimos dias, isso se eu não morrer durante... Kkkkkkkk
    Bjos, sorrisos, minha cronista preferida. Bom finde.

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  11. Não que faça tanta diferença assim ,aos teus belos escritos, mas é Niemeyer...
    Beijos , nem tão anônimos assim...

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    1. Na verdade foi uma homenagem, eu quis acrescentar uma curva a mais ao nome dele, sacô?

      Mentirinha, errei mesmo e vou corrigir não. Obrigada, anônimo mais lindo de toda a galáxia.

      Beijo-te!

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  12. kkkkkkkkkkkk que delícia te ler... fiquei imaginando todas as cenas,rsrs Beijos

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  13. Oi Mi

    Impossível dormir sem sonhar depois de te ler, o texto flui nos chamando para mais, dá pena quando acaba.

    4 crianças e Niemeyer, é o bastante para nos prender por aqui . Letras perdidas em você nunca se perdem, renascem de uma forma ou de outra.

    Mil beijos

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  14. Sobre Niemeyer concordo viu! O coitado fez hora extra pra ensinar a gente algo que prestasse e o povo queria que ele ficasse mais? Coitado, deixa ele aposentar pô!

    Eu me lembrei no começo do teu post que precisei decorar a tabela periódica toda! Kkkk até hj eu sei ela inteira! Kkkkkkkk

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