segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DAS NOELICES E DO FIM...



É de praxe em todas as sextas-feiras choverem scraps e afins comemorando a chegada do fim de semana. Quero ver se nessa que se aproxima, a famigerada do vinte e um de dezembro, será assim também.

Estive imaginando se fosse isso verdade, se estivessem certas as teorias acerca do fim desse mundo moribundo, o que seria de mim, assim tão carente de espiritualidade. Muitos me corrigirão e dirão que espiritualidade independe de religião. Sim, talvez eu saiba disso, mas precisava de uma palavra bonitinha para compor o texto. Relevem, abram seus corações amorosos, pois o fim está vindo, frenético.

Então no fim, no mundo resumido a escombros, muitos batendo na porta do céu, outros tantos sugados pelo imenso aspirador duzinferno, e eu, perdida num canto que nem sequer existiria mais. Por que sou uma “sem-religião”, porque eu não tenho certeza de nada, mas não desacredito, muito pelo contrário de tudo. Que lasqueira, viu? Quero isso não. O mundo trate de desacabar, porque tá uma ruindade só, mas quem sabe o ser humano toma jeito e resolve brincar de ser bacaninha full time? É bom alguém urgentemente desencavar um calendário Inca ou Asteca, pra ver uma coisa mais promissora...

Sem-religião está certo? O hífen é convidado indesejado? Eu não sei. Na verdade não quero muito saber. Ah, essa gramática é bem chatinha. Qual a relevância de um hífen numa escrita? Por que não se elimina o sujeito de vez, ou se aplica em tudo quanto é palavra composta? Quem determina essa coisa toda e por que o faz?  E os porquês, tem necessidade de haver quatro modelos? É por que demais nessa vida, quando na verdade um só podia começar a frase interrogativa, agir como sujeito sei lá do quê, funcionar como o cabra explicador e outras minúcias extremamente chatas. Queria bem estar na mesa sagrada dos homens das letras, enquanto eles resolviam que gira-sol está absurdamente errado, por quê... Porquê sim, ora bolas! Eu vos diria: Os digníssimos senhores não encontram mesmo nada melhor pra fazer, tipo capinar umas boas tarefas de terra ou carregar uns sacos no porto? Aí sim compreenderiam a imensurável desimportância do hífen e seus porquês.

Mas, imbuída do espírito papainoelino que se aproxima, talvez não dissesse desaforos aos homens das leis ortográficas, embora nunca tivesse lá muita intimidade com o bom (?) velhinho. Esse papo de ganhar presentes de Natal e demais etecéteras sempre foi meio surreal pra mim, pros meus irmãos, mas não no sentido de ser traumático, desolador, e tal. Pra mim era meio regra que o velhinho barbudo não gostava das crianças pobres, sem sapatos na janela, então quando ele trazia a boneca linda pra menina filha da patroa da minha mãe, era normal. No fundo, em silêncio, eu bem o xingava. Acho até que aprendi a palavrãozear na minha tenra (adoro esse nome e nunca pude usá-lo) infância, esculachando o pseudo papai das criancinhas boazinha. Eu pensava: esse filhodumaégua não vem aqui em casa só porque tem muita criança e o saco vai ficar muito pesado. Era pra estar pesado de doer, o saco do Noel. Por que não fui mais má e concentrei força maior ao meu pensamento infantil?

Talvez eu possa procurar o juizado de causas natalícias e requerer o retroativo dos anos (pra mais de 40) que esse velhinho sovina, bajulador dos bem-aventurados financeiramente, não me deixou nadinha. Mas eu nem tenho ressentimento desse ser desimportante, eu só detesto que me deixem esperando. “Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem”... Cara de pau! Com ou sem hífen? Ah, vá!

Tá bom, né? Já gastei gramática equivocada demais com noelices e desacabamento do mundo, que já vem capenga desde a sua criação.

Intés!



12 comentários:

  1. rsss...Sempre legal e mesmo brincando falas verdades! beijos,chica

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  2. Eu também faço parte do grupo dos sem clube para o campeonato de entrada no céu, graças a Deus !
    quanto ao Pai Natal é a fantasia dos meninos e só quando chegamos a adultos é que percebemos que é tudo um negócio sem escrúpulos...
    quanto egoísmo e quantos milhões de meninos que vão passar essa noite na maior pobrezaolhando o céu, esperando ver a estrela dos reis magos com suas barriguinhas inchadas de má nutrição em suas realidades nada natalícias...
    ... sem querer ser inconveniente recuperarei a data como um momento de reunião familiar e por isso em Moçambique o Natal é oficialmente o Dia da Família, faz sentido...
    se depois de 21 ainda estivermos blogando prometo inventar uma celebração do pós Apocalipse falhado...
    gosteida foto, uma imagem vale por mil palavras
    beijo

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  3. adoro tuas cronicas.
    ando tão incrédula! melhor me calar e levar
    comigo tua graça e leveza .

    beijo

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  4. Genial o texto, Milene. As regras gramaticais são um inferno! Também me pergunta o motivo de tanta variação e regrinha. Além disso, as poucas regras que nós sabíamos de cor foram alteradas, como tirar o acento agudo de ideia, estreia e afins. Ou então eliminar o coitado do trema que só tinha uma funçãozinha e bem fácil, pronunciar o 'u' do 'gu'. Enfim, também não sei se o mundo vai acabar, mas se for o fim que seja logo, porque tá tudo uma zona mesmo... Beijão!

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  5. Bem podia mesmo acabar es-se mundo de desigualdades desde sempre, né não?! Só, por favor, não me deixe sem as crônicas de minha Mi_nina.
    Beijuuss

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  6. Adorei sua crônica Milene.
    Louco esse calendário dos Maias. Veremos o que acontece na sexta-feira. O fim do mundo pode até ser no sábado, mais na sexta não será. O criador jamais daria esse direito a um humano. Nem o próprio filho sabe o dia e a hora.
    Desejo que você tenha um ótimo Natal, cheio de alegrias, harmonia e tudo que a sua caixinha de sonhos te faz acreditar. Que esse Novo Ano que se aproxima seja uma porta aberta para novos sonhos, renovações de fé e muita Paz para o nosso mundo.
    Obrigada pela sua presença em 2012 no meu blog.
    Ótimo final de Ano, e maravilhoso começar de Novo Ano.
    Feliz Natal e Próspero Ano Novo!
    Beijos!

    Refletindo com a Smareis

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  7. Fim do mundo, papai noel... depois de certo tempo a gente descobre que é tudo mentira. Quanto as regras de português, foram criadas somente para complicar. Algumas funcionam, outras, nunca serão usadas.
    Boas festas!

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  8. Lá vai: Sou espírita! Não acredito no Dim do mundo - pelo menos desse jeito nao!
    Aguardo roucamente essa sexta porque terei muitos amigos e familiares queridos em casa! Se eu estiver errada e o mundo acabar mesmo, eu acho é pouco kkkkkkk

    Adoro teus textos! Bjs

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  9. Eu já te falei que este papo de fim de mundo eu ouço desde criança, mas a única utilidade disto é que a gente pode ver crônicas bem humoradas como esta!
    Eu também logo descobri que o "bom velhinho" não gostava dos pobres, e passei a ignora-lo!
    Desculpe pela minha ausência temporária, estou voltando para visitar os blogs amigos!
    Depois, vou repassar teu arquivo, para ver os posts que perdi nestes dias.
    Bjs, Milene!
    E...feliz Natal e ano novo!

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  10. Eu me divirto com esse seu jeito de falar sobre as coisas. Mudanças ortográficas me fazem mal, me obrigam a ficar conferindo grafias que já estavam incorporadas à minha mente. Papai Noel- não me lembro de ter acreditado nele. Sabia que minha mãe, com toda sua luta, economizava para nos comprar um presentinho e colocá-lo nos sapatos. Sou de família cristã e meu pai valorizava a oração e a união. Sou grata a ele pelos valores que nos deixou. Natal é uma oportunidade para estarmos reunidos, embora o que nos faça realmente feliz é a alegria das crianças. São elas que nos fazem sorrir e agradecer a Deus o dom da vida. Que o seu Natal também lhe traga alegrias, pelo amor e pela união. Grande beijo!

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  11. Olá Milene,

    Que delícia que é te ler. Ri demais de seus palavrõezinhos-rsrs.
    Não é preciso ter religião para ser acolhido no colo de Jesus.
    O que nos aproxima de Deus são outras coisas, que não vem ao caso no momento(rsrs).
    Esta ortografia a que você se refere é coisa de quem não tinha criatividade para bolar uma coisa mais interessante para fazer. Não tenho intimidade alguma com ela e vivo mudando meus termos quando a dúvida me assalta.
    Parece que o bom velhinho vai continuar sovina por aí, infelizmente.
    E se o mundo acabar, saiba que adorei conhecer você.

    Desejo-lhe, desde já, um Natal coberto de bençãos e de amor e um 2013 recheado de momentos felizes, paz e mais alguma coisa que você desejar.
    FELIZES FESTAS!

    Bjoka.

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  12. Minha bola de cristal está sem pilha, mas por via das dúvidas fiz uma revisão geral na minha vassoura. Assim que o mundo começar a acabar eu passo aí e te levo pra Marte. Lá não tem Papai Noel. E você pode escrever as milenices que quiser.

    Beijos.

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