sábado, 15 de dezembro de 2012

REFAZENDO



Nesta madrugada uma postagem tomou de assalto a minha página. Comportou-se mal e foi devidamente jogada aos porões da minha embarcação palavreada. Eu não me permito agir com tamanha insensibilidade com quem amo e foi assim que fiz ontem, ignorando a dor de uma grande amiga, que chorava a perda de um primo enquanto eu por aqui fazia gracinhas com a morte e seus derivados. Não pensei meia vez antes de remover a postagem e talvez nem reposta-la, porque não tenho muita paciência para guardar textos em rascunhos. Eles mudam aleatoriamente, além da minha vontade. Meia hora depois do que eu disse... Será que quis dizer aquilo mesmo?

Havia sido um dia estranho. Eu tive um sonho ruim e acordei chorando... Mentirinha. Sonhei mesmo um sonho feio, mas não acordei chorando não. Melhor tivesse acordado, assim viria o alívio. Sonhei um sonho inteiro, comprido, estranho. Não vou contar porque não curto muito as interpretações sonhísticas. Tenho medinho, pessoas. Melhor deixar pra lá o sonho feio. Boa ideia é ir até a padaria e comprar um novinho, recheado de doce de leite, o melhor que há. Ou então ordenar ao sono que tranque por uma noite apenas a entrada do sonho e me deixe dormir sono inteiro, sem espaço pra coisa alguma, até o dia bater à minha janela dizendo: cheguei!

Mas que seja bem tarde a sua chegada, feito foi hoje, se atrasando para o trem das dez, estou vivendo múltiplos dias de sábado em virtude das minhas bacaníssimas férias (só que não!). Dormir é mesmo uma maravilha, mas ando precisada de uma oferta numa pousada bem massa, no melhor estilo zeroeoitocentos de ser, acenando enlouquecido para eu pegar meu bisaco com uma muda de roupa e partir em busca da vida.

Partir é bom. Sair por aí, sem lenço e sem documento feito o Caetano, numa alegria inventada,  cantou. Farei isso algum dia na minha vida. E que não se demore esse dia, porque a vida urge. Só não me convidem pra acampar, por favor, não! A não ser que a sua ideia de acampamento coincida com a minha, com um banheiro bacaninha e cama confortável. Assim sendo, boto fé.

Não sei avaliar o meu grau de sensibilidade para hoje. Tem estado alvoroçado e andei me queixando comigo mesma se era preciso tudo isso. Mas prefiro desse jeito, prefiro transbordar e sentir até quando uma folha despenca da árvore que não mais a quer, a aguçar a tristeza em quem eu amo e por motivo de tão estúpida falta de cuidado. Perdeu-se aonde o  meu abraço que mandou no seu lugar doses destemperadas de descaso? Mas eu corri até quase perder o fôlego, eu o alcancei e o trouxe de volta lugar de sempre. 

Agora vou ali, comprar uma porção de sonho bom... você vem?



PENSANDO ALTO:

Por que sentir é sangrar-se um pouco a cada dia. É sarar a ferida com outro sentir diferente.. Por que sentir demais às vezes lateja de dor, mas não sentir é perder-se de si, alma vazia de sonho e amor. Por que sentir... é igual a viver.


17 comentários:

  1. Hum, rascunhos... Tenho aos montes.
    Nada que escrevo eu jogo fora, as vezes não presta o que escrevi naquela hora, mas dias depois utilizo aquela ideia e formo outra opinião. Adoro reciclar, nada vai pro lixo eterno!

    Quanto a mudar de ideia, isso só denota inteligencia da sua parte, mas as ideias antigas também devem ser exibidas, guarde seus rascunhos, vc verá como irão te surpreender Mi!

    Beijos

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  2. Eu me referi a textos prontos, Camilinha, rabiscos eu até guardo... Não consigo, por exemplo, deixar programado, entende? Por que sei que no dia da postagem corro lá e cancelo, antes da hora marcada pra publicação, por achar tudo horrível. Do outro texto eu até remendei coisinha aqui, coisinha acolá, e costurei nesta refazenda.

    Obrigada por vir, sempre.

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    1. Ahh sim! Eu programo quase tudo! Sou muito metodica! Todos meus textos são publicados as 8 em ponto e são raros os que publico fora disso!
      Como meus dias sao incestos nem sempre dá tempo de escrever... portanto: MEU NOME É RASCUNHO! hahahaha

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  3. Olá Milene,

    Fiquei de fato feliz com sua visita. Já estive, sim, em seu espaço, há bastante tempo, mas por algum motivo você não retornou e eu não quis insistir com receio de que talvez o foco do meu blogue não a agradasse e não queria forçar uma visita apenas por delicadeza. Mas nunca deixei de acompanhá-la através de seus comentários, que sempre me chamaram a atenção pelo espírito gozador e esportivo.
    A visita que lhe fiz, em sua postagem mais antiga, deu-se apenas por carinho e não por curiosidade, pois um dia antes a Marilene havia comentado comigo sobre o teor da mesma e senti vontade de levar a você a minha palavra de admiração e carinho.
    Nosso reencontro me deixou satisfeita e espero que possamos fortalecer nossos laços aqui na blogosfera.

    Acampar, nem pesar! Não consigo me imaginar no meio do mato e dormindo numa tenda. Gosto de conforto, ainda que seja simples.

    Também houve uma época em que desejei sair pelo mundo na forma cantada por Caetano. Hoje considero a ideia inviável, pois não conseguiria afastar-me muito tempo dos meus entes queridos.

    Sou péssima para deixar postagens em rascunho. Apesar de não ser a autora dos textos que publico, nunca consigo publicar o que já preparei. Na hora "h" mudo tudo e corro atrás de outro texto, pois o que deixei pronto já não me parece tão bom quanto eu imaginava.

    Sentimento é vida. Melhor se lambuzar de sentimentos, ainda que doídos, do que passar pela vida mecanicamente, ligado no automático.

    Obrigada por sua agradável visita.

    Beijo e ótimo final de semana.

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  4. Oi Milene

    vim conferir seu blog, porque te vejo sempre nas páginas dos amigos.
    Que bela surpresa encontrei aqui, vc escreve com uma sensibilidade incrível.
    Gostei e pretendo voltar.
    Um abraço.

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  5. Milene, ainda que sua sensibilidade tenha precisado ser resgatada, voltou com força total e fez brotar essa pérola que conta que trocou um sonho feio por um sonho de padaria ainda mais de doce de leite, que adoro. Bela ideia!
    Uma vez tentei falar sobre a morte, no sentido de valorizar a vida, mas as pessoas não compreenderam meu foco e eu achei melhor tirar a postagem do ar. Morte é um assunto tabu e não é bom tema para abordagem, ainda mais em tais circunstâncias.
    Partilhamos da mesmo vontade, de sair por aí sem lenço e sem documento, celebrando a vida e esquecendo os compromissos. Nem preciso de um hotel muito bacana, mas uma caminha com banheiro cai bem, of course.
    Um abraço!

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  6. Quando vejo, em filmes, personagens que não possuem sensibilidade, (acometidos de um mal psíquico), ou até mesmo na tv, pessoas que a perderam e não valorizam a vida, fico a meditar sobre sua infelicidade. Só que não sabem o que é isso, já que prejudicados, nesse importante aspecto. Não sofrem, mas não sentem prazer. Mesmo quando a dor consome alguém, e sabemos o quanto sofre, entendemos que ela é necessária, pois caminha ao lado da alegria . E elas se alternam para que nossa vida tenha sentido.
    Pode "acampar" aqui, quando vier a BH. Tem banheiro e cama limpinha (rss). Eu terei imenso prazer em recebê-la. Já disse, em outro comentário, que sou uma negação na cozinha, mas uma dieta não faz mal a ninguém (heheheheheh). Grande beijo!

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  7. Meu blog é repleto de rascunhos.Se os deixasse programados, teriam textos até 3 anos após minha morte,rs... Procurar bons sonhos é legal e tantas vezes, basta olhar pro nosso lado, ou pela janela.Nem precisa dormir... beijos,chica

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  8. Eu rascunho, guardo, jogo fora, rerescrevo, jogo fora de novo, tenho idéias, mudo de idéias, reescrevo de novo, guardo e jogo fora! Hahahahahahaha. Esse é o problema da gente que se acha escritor... Somos todos meio doidos!

    Um beijão Mi! Bom domingo pra vc!

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  9. "Não sei avaliar o meu grau de sensibilidade para hoje [...] prefiro transbordar e sentir até quando uma folha despenca da árvore que não mais a quer...""

    Vc toca em pontos latejantes da gente...sabia?
    Se tua volátil mania com os textos produz estes resultados, rascunhe e mude...e me encante...e escreva transbordasne...fica lindo de viver (espero que o comentário mostre como me senti...rsrs)

    Bjos, moça querida, talentosa e transbordante...

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  10. Milene,
    Viver é isso: desconsiderar o considerável, rir do imprevisto, gritar de alegria quando o sol está naquele ponto, sentir a espuma das ondas, invectivar o condutor que quase nos ia atropelando...
    Quando a leio solta-se sempre o sorriso. A vida continua a ser vida, mas as folhas das árvores ganham outra configuração. Isso é talento, amiga. E eu, humildemente, fico-lhe grato.

    Beijo :)

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  11. Só acredito que você existe porque abracei você. Mesmo assim volta e meia vou conferir aquelas fotos, pra ter certeza que não foi só um sonho de padaria...

    Beijos doces de leite, menininha.

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  12. Sonhos... prefiro os da padaria.
    Cansei de lembrar dos meus no meio do dia. E as vezes quando mais alguém está no sonho, só lembro qdo vejo a pessoa. Pode isso?
    O que não posso é ficar tanto tempo se aparecer por aqui. Dá uma saudade...

    Bejus

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  13. Absolutamente lindo.
    Voltarei mais aqui, para outros sonhos.
    Abraços, M!

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  14. ... precisando "sarar a ferida com outro sentir diferente"

    ando xaropinha, xaropinha...mas gosto de sonho recheado
    com goiabada.

    e gosto muito, muito mesmo de tu Lelé.

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  15. Curta bem suas férias. Rabisque muitos sonhos bons para 2013.
    Abraços.

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