terça-feira, 31 de julho de 2012

PREGUIÇA CIDADÃ


Está aí o pleito eleitoral e quem tiver o estômago mais forte que sobreviva às indigestas candidaturas. É claro, a máxima do “eu odeio política e vou anular meu voto” é atirar no próprio pé. Mas então, fazer o quê pra minimizar essa bagaceira obrigatória?

Meu irmão saltou ontem com um “bom seria se a todo mundo anulasse o voto, aí os caras aprenderiam”... E não é que a ideia é bem bacaninha? Não se trataria de alienação, agir como cidadãos inconscientes e todo o bla, bla, bla politicamente chato. Seria sim uma tentativa um tanto desesperada de dizer: CHEGA! JÁ DEU PRA VOCÊS, CAMBADA DE SANGUESSUGAS! Já pensou que loucura maravilhosa os caras atordoados sem saber o que fazer? Como mamariam nas tetas generosas do poder público, então? 

Utopia, eu sei. O caos se agigantaria, eu também sei. Mas é o meu sentimento desse instante, de repulsa, ânsia de vômito ao conferir as listas de candidatos e ver os velhos e mofados nomes, as mesmas raposas, astutas e profissionais. Há lugares em que a situação mais se assemelha a uma monarquia, porque pessoas se revezam no poder há tempos e os eleitores os endeusam, esquecendo de quem tem o verdadeiro poder. Eu jamais falaria que isso acontece na minha cidade, jamais. Me faz um favor, não me peça pra escolher o candidato menos ruim, pode ser? A impressão cada vez mais forte é de que “menos ruim” é um termo que não se adéqua a política brasileña. Ainda estou pensando no que farei com o meu voto, talvez eu o troque um saco de nêgo bom, um doce de banana açucarado que tem por essas bandas. Já provou?

Receio estar um tanto mais ácida que o normal, mas não tem outro jeito. Como você estaria se vivesse num país onde ser criminoso de gravata é sinal de esperteza e praticamente institucionalizado, e soubesse que por aí um sujeito amarga a cadeia por ter abandonado o serviço militar quando não era mais que um garoto? Então imagine a cena, vinte anos depois a polícia chegando à casa do homem lhe dando voz de prisão na frente dos filhos, por ter largado à mercê da própria sorte a pátria amada em perigo. Carlinhos Cachoeira? Mensalão aniversariante? Candidatos de ficha quase limpa? Isso é para os fracos, vamos lá catar o sujeito de altíssima periculosidade e enquadrá-lo como manda a lei nesse país de seriedade ímpar. Injustiças provocam chagas irreparáveis... Não provocam mais? Agora é tudo "normal"? Ah, para essa porcaria de nave que eu quero descer!

Parando aqui, vou tratar de criar o meu partido político, o PVN (Partido do Voto Nulo), objetivando conquistar os cinquenta por cento e mais um dos votos. Assim sendo, a política não terá outra alternativa a não ser renascer e vestir-se de honestidade até que algum esperto ofereça a primeira dentadura.

Entre cansaço, asco e indignação, recolho minhas letras por hoje.
Obrigada.

sábado, 28 de julho de 2012

PALAVRAS DA NOITE QUE ADORMECE FRIA



Os filetes de pescada ao leite e lima, a cenoura em rodela finíssima, temperados com ervas da terra do meu amigo; arroz frito em alho e cebola moídos, com fiapos de cenoura... Servidíssima eu estaria se esse prato sedutor estivesse ao alcance do meu paladar. Foi preciso declinar o convite, embora quisesse ultrapassar a barreira da tela do computador a tempo de lhe fazer companhia. Absteve-se da promessa acerca do sucesso do prato, pois segundo ele, a cada tentativa à beira do fogão, receita e resultado nem sempre concordavam plenamente. “É o que faz passar a vida a inventar e não repetir”, falou-me.

Me pus a pensar nas palavras sábias do meu amigo. E não é que consiste aí um tanto da magia de se viver? Não há receita infalível, por mais minucioso que seja o mestre-cuca. Viver é todo o tempo um experimento e eu gosto disso. De nada adianta seguir à risca todos os ingredientes cuidadosamente separados, porque o bendito acaso se encarrega de aumentar a porção disso e aquilo outro também. Assim sendo, brindemos ao descompromisso! Mas não me traga um champanhe, está bem frio cá na capital do agreste alagoano. Um conhaque – ainda que me queime por dentro – cairia bem melhor.

Não é só no quesito filosofice o meu pouco talento em seguir receitas. A minha (pouca) prática na cozinha delata isso. Certa vez meu amigo – outro – veio para o almoço e me lancei quase linda e quase loira a lhe preparar uma massa colada e copiada da internet. Saltitei contente com a ideia de levar ao forno uma travessa bacaninha cuja maior particularidade era a massa crua. Afoguei a dita cuja no leite e fui-me! Os ninhos tão bonitinhos, sobrepostos sobre eles, queijo e presunto, além do molho que nem lembro como era. Visualmente ficou uma lindeza, mas à primeira garfada percebia-se que a metamorfose não havia se dado a contento. O bendito macarrão não se rendeu aos encantos do fogo e permaneceu cru. Ai de mim! O acaso, nesse dia, me deixou em maus lençóis. Meu amigo, solidário no meu desastre culinário, degustou os ninhos sem proferir reclamação que fosse, embora liberdade pra isso tenhamos em generosas porções. Misturados, macarrão, queijo, presunto e molho até que causaram uma alquimia... ruim, bem ruim. Desde esse dia tornei-me exímia psicopata de massas, antes de levá-las à quentura do forno.

Era pra ser mais pensadora essa postagem, mas acometeu-me a vontade de não seguir prévia indicação e fiz feito nas horas em que desejo atirar longe o despertador que me acorda ás seis da manhã para me dizer a hora do remédio. Oxente! Por que o tempo quer tempo pra tudo? Assim sendo, sem palavra mais a dizer quase nada, vou ali embaraçar o tempo, desinventar receita e cumprir à risca o meu descompromisso.

Uma dose generosa de conhaque e aconchego pra essa noite que adormece fria, por favor.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

O GRANDE ENCONTRO

O mar azul-esverdeado, tantas vezes retratado no olhar da prima, fulô praiana, apresentava absurda lindeza, mesmo contra a vontade do insistente e leve inverno nordestino. As nuvens cinzentas desafiavam os anseios de céu, mar e gentes... As nuvens travessas ousaram vãos desafios, mal sabendo que a quentura maior brotaria inadvertidamente dos corações felizes feito crianças, bastando-lhes para isso apenas o encontro.

Ouriços metidos a vilões, pombos galhofeiros, doutores da areia, homens mulheres e meninos compunham um retrato minuciosamente pintado por mãos celestiais. O que antes era palavra, voz e carinho num longe que nunca existiu, naquele instante se fazia aconchego, abraço, olho brilhando e teimosas lágrimas de estar feliz.

O tempo conspirava caminhando sem pressa. Parecia deliciado com a mais linda forma de poesia jamais vista, repleta de versos vivos, rimas improvisadas, doses generosas de lirismo em corpo e alma. O silêncio não se ouvia. Abriu passagem para tanto riso e alegria, afeto e cumplicidade ansiosos por se libertarem do imaginário e alçarem voos reais.

Quem um dia irá dizer o que é verdadeiramente a realidade? Sonhou-se o real. O real fez-se sonho. Misturou-se tudo em cheiros e braços. Confirmou-se tudo em amizade transbordante. Amou-se ainda mais que ontem.

A paisagem, generosa contribuição divina, ganhou papel de coadjuvante nesse curto filme de longo bem querer. Espiar o céu azul deitar-se sobre o mar onde era horizonte deliciava-os, mas os olhares a se encontrarem, a conversa seriamente divertida, o compreenderem-se imperfeitos e humanos, falíveis e encantadores, substanciavam a perfeita alquimia. O “estarem juntos” faria qualquer paisagem deslumbrante.

E outro dia anoiteceu pedindo despedida. Era preciso alçar voo de volta pra casa, abarrotando na bagagem sentimentos ainda mais fortalecidos e valiosos do que na chegada. A saudade já apontava antes mesmo do até breve pronunciado. A saudade apontava... Feliz.

No mais, estou indo embora, baby...


MAIS UM POUCO DE LETRA: Eu não sonhei sonho tão lindo. Sequer imaginei que seria tão bom encontrar a Simone numa recepção de hotel e abraçá-la como se sempre estivéssemos nesse abraço, avistar a Denise no calçadão da praia, me sorrindo um riso tão terno, ver Rodolfo se aproximando e me envolver num abraço de braços e olhos. Jamais vou me esquecer como os olhos dele me espiaram. Eu até aprendi com a Si a chamar o elevador (embora, por mais gritos que eu desse, o sujeito jamais me atendeu). Eu até peguei uma depressão porque sou uma MSMB (Mulher Sem Música do Bruxo), mas a maresia logo levou a depressão embora. Ver minha irmã, Fabinho, Gi, Thúlio, Wendel, Cida e os seus Pedro, Arthur (enamorado da Si) e o Neto, a que empresta ao mar a cor dos seus olhos, numa misturação maravilhosa com essas pessoas de lá... Explicar como? Eu apenas os agradeço por tamanha felicidade. Si, Denise, Rodolfo e Dôra, obrigada por me permitirem abraçá-los e me sentir a estranhazinha mais feliz do mundo, né Denise?








sábado, 14 de julho de 2012

DA ALMA E DAS GAVETAS



A alma da gente tem gavetas e nelas guarda de um tudo, a contento ou não. Sisudez não é toda vida opcional, vem de mãos dadas com as chatices cotidianas ou os problemas relutantes em se deixarem prender pra sempre na gaveta das coisinhas ruins. Não adianta mentir o pensamento, colocar a tranca mais segura e esperar que a coisa ruim perca o fôlego e adormeça pra sempre. Tem dias de se escancarar as tristezas e angústias e travar duelo com elas. Tenho pra mim que as ruindades da alma gostam quando a presa fica acuada num canto tremendo de medo, sem conseguir prestar atenção no próprio grito de silêncio e socorro. Aí elas se ouriçam, fazem dança e gargalhada ao redor e não resta outro caminho a não ser o lamento profundo.

E lamento profundo são chatos, inúteis e me causam uma preguiça gigante. Não vou escolher mentir pensamento outra vez e pintar um falso quadro de absurdo destemor. Oxente, há nas minhas gavetas medo, angústia, ansiedade (aquela chatinha) numa quantidade a ser distribuído igualmente à população de uma metrópole insone. A questão é não dar muita moral pra eles... Existem? Azar o deles. Sigo vivendo direitinho a minha normal insanidade, entre conflitos, acertos e desacertos cá com as gavetas da minha alma.


E a coisa fica ainda mais desassossegada quando a gaveta desarrumada é alheia. Vem o querer arrumar tudo, esvaziar as ruindades abrigadas nela, borrifar um purificador no cantos vezes quatro e encher tudo de tanta alegria a não se poder contar. O coração faz nó de choro e uma lágrima dolorida desenha a dor do outro. Nessa hora era de boa serventia ser pessoa de superpoderes poder blindar a quem ama contra os perigos gritantes e invisíveis, perigos habitantes lá de dentro.

Na iminente sensação de impotência, corro até a gaveta do meu amor, transbordante de tão cheia, e lá me visto de amorosos superpoderes, capazes de guardar num imenso e protetor abraço a quem neste instante arrasta pela mão angústias e tristezas paridas não se sabe de onde.

Vou ali fabricar alegrias até abarrotarem a minha gaveta. Licença.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

MUDEZ

Um grito
Imenso
Calado
Sentido

Um grito
Surdo
Inerte
Ferido

Um grito
pálido
De espanto
Pra dentro


Morto.

sábado, 7 de julho de 2012

MADRUGADA

Estava toda prosa com a foto risonha no emeesseene e me vem o Poeta, para os nossos encontros descombinados na madrugada, me questionar porque ali há um boneco branco no lugar do que haveria de ser eu e o meu sorriso do dente sumindo. Deixemos pra lá a foto que partiu. Em dias assim, de extrema sensibilidade, até a nossa própria imagem se cansa um pouco do desassossego sem precisão e sai de cena. Ele me puxa a orelha, tão delicadamente que nem dói:

- Você precisa ler mais, menina.
- Eu bem sei, bem sei! Preciso ler mais, estudar mais, outros tantos mais... A impressão é de que gasto o dia sem muita presteza. É grandão e generoso o dia, horas a fio ao meu dispor e eu o desperdiço, deixando-o apenas passar.
- Peguei dois livros na biblioteca, aptos a serem devidamente engolidos neste feriado. Eu não consigo parar de ler.
- Me empresta o seu Nove de julho? - Embora na segunda-feira eu nem vá trabalhar, porque vou me submeter à quarta endoscopia digestiva. É amor demais por um só exame. Ser tetracampeã não é pra qualquer migué não senhor! Espero com toda a ansiedade pelo avesso.
- Quem manda você morar longe?
- Uma dose de poema, por favor! - Eu peço.
- Pode ser Quintana?
- Claro que sim! Além do mais, tenho uma paquera bacana com Quintana... E até rimou.

“(...) Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí... Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!”

- Do que mais gosta, beijo ou abraço? – Ele adora essas indagações acerca do meu pensar desordenado.
- Abraço.
- Eu também, bem apertado.
- É. Às vezes dá vontade de morar num abraço. 
- Eu queria morrer abraçado em alguém que eu goste.
- Talvez a morte assustasse menos, dessa forma. Esses dias foi aniversário de uma amiga, nascida em quatro de julho. Somos amigas há mais de 20 anos e por diversas circunstâncias a vida carregou cada uma pra um lado, depois vem e aproxima tudo de novo. Então quando cheguei, nos abraçamos, e ela falou: “que coisa boa é esse abraço”... Ela não percebeu que lacrimejei.
- Uma maravilha esse tipo de coisa. Nunca me furto a um abraço.

A Simone chegou. Ela vai não se sabe pra onde, demora um século inteiro, mas sempre volta. Tava esperando a passarinha aparecer pra me socorrer na trilha sonora dessa postagem totalmente casual e madrugadeira. Sabia que a sugestão seria O Teatro Mágico. Aliás, eu acho até que ela é parte daquela trup, tamanha a identificação. Escolheu a canção sem ter ideia do que seria a postagem e vai ficar toda boba, dizendo o quando é louca de amor por mim e Moisés Poeta. Ele também é por ela, a camaleoa... Eu tenho ciúmes, mas disfarço direitinho. Coisa mais infantil guardar ciúme de amigo! Sou madura e centrada. A verdade mais verdadeira é que eu queria muito morar no abraço deles...




quarta-feira, 4 de julho de 2012

PALAVREANDO O SELO


A NATY , QUE DEVANEIA BEM QUE SÓ, ME RELACIONOU ENTRE ALGUNS PARA UMA POSTAGEM SELADA. FAZIA TEMPO EM QUE OS SELOS NÃO ME ACENAVAM E EU GOSTO DESSA BRINCADEIRA DE ESCREVER DESIMPORTÂNCIAS. PERGUNTEI: “POSSO FAZER DO MEU JEITO?”... RESPONDEU-ME QUE SIM, ENTÃO CÁ ESTOU A ENTREGAR-LHE RESPOSTAS ASSIM MEIO PELO AVESSO, DO AVESSO, DO AVESSO... QUE DE TANTO SE AVESSAR NÃO SE SABE DE QUAL LADO FICOU. BORA LÁ?


Ela quis saber o que me levou a criar um blog. Nada além da imensa curiosidade que me acomete. Uma vez Moisés Poeta disse: “criei um blog, quer ver?” ...  E fui no seu encalço, e fiquei. Lá se vão mais de dois anos de muita letra lançada, desbotada, viva... Muita letra. Além deste canto das crônicas (assim me disseram e eu fico toda prosa), mantenho o RELICÁRIO, onde compartilho as letras e canções de outrem. É um canto especial e muitas vezes fico constrangida de levar pra lá os verbos dos meus amigos por não ser tão visualizado. Mas se me dão essa ousadia, derramo tudo quanto é poesia e prosa da maior qualidade...

O parto das minhas postagens ocorrem sem muita previsão ou planejamento. Já tentei aquela coisa de programar posts, mas não dá, minha hiperatividade virtual não me permite. Tenho amigos que os fazem lindamente, outros amaciam seus textos ou poesia até o sentirem prontos e só então compartilham. Meu bagaceirismo diz: “vai lá e faz!”...

Nunca tive muito objetivo a não ser me comunicar com as pessoas, dizer-lhes o que caminha nessa minha mente ora insana, ora uma velha rabugenta. Se param para prestar atenção aos meus gritos ou sussurros, muito massa . Se além disso eu ainda faço amigos, fez-se festa no meu coração. Acumular vinte e cinco milhões de seguidores ou visitantes até de Marte, é bem distante do que eu sempre quis... Por enquanto, a ideia é estar por aqui, até o último instante que me for divertido.

Viagem inesquecível? Ah, sim. Éramos crianças, meu pai e um tio juntaram todos os seus rebentos – éramos bem mais que seis – numa caminhonete e seguimos viagem a Penedo, a uma hora daqui. Lá chegando, todos a bordo de uma balsa a atravessar o Rio Chicão e sua altivez, aportando em Neópolis, no estado de Sergipe. Boquiabertos e em êxtase com aquela imensidão de água, apreciamos cada segundo daquela travessia que não combinava tempo e intensidade. Foi minha primeira viagem interestadual e receio ter durado menos de uma hora até o momento de cruzarmos o rio de volta, mas duvido que qualquer outra tivesse sido mais divertida e prazerosa.

Meu livro de cabeceira é “Mar Morto”, do Jorge Amado. Mas receio que o mar já tenha morrido umas mil vezes, tanto é o tempo que o pobre está me convidando para concluir a leitura. Não sei porque a preguiça tem tanto amor pela minha pessoa.

Na minha bolsa três são os itens indispensáveis. Libriana que se preze nunca pode dar uma resposta exata. O pente, o batom e o dinheiro não podem faltar. A questão é que o dinheiro é um tanto desobediente, faz ouvidos de moucos e desaparece sem deixar rastro. Então, penteio o cabelo, avermelho os lábios e falo pro dinheiro que as coisas são bacaninhas quando ele se faz presente, mas não vem a contento, sigo mesmo assim.

Manias? Tenho mania de embrulhar meu amor, em variadas porções, e entregá-lo como se fosse a última gota de água no Saara. Não é preciso exaltar o amor, seja ele em qual nuance se apresente, é preciso apenas suavizá-lo e mantê-lo aquecido até quando valer a pena... A certa altura da vida é preciso aprender que imposições são chatas e desnecessárias. Por aqui, caminha-se pra isso... Caminhou-se bem, eu diria.

Doces preferidos seria a pergunta. Pudim e doce de leite são minha perdição. Ah, como posso desfavorecer o sorvete de coco e o pavê de bobom, que faço com perfeição, diga-se de passagem? Um só não dá pra responder...  E nem citei a tartelette. Formiga, abelha... Quem sou eu afinal?

Cantinho preferido em casa... Na verdade eu queria ter uma casa preferida, a minha. Estou me empenhando pra isso e acho que em breve acertarei na Mega Sena, que nem precisa ser acumulada. Dia desses até sonhei com três números, me esqueci de jogar. Talvez o faça quando os outros três números me aparecerem sonhados.

COMO SEMPRE, SUBVERTO A ORDEM E FORMATO DOS SELOS... AS FOTOS, LÁ HAVIAM DUAS, NA DÚVIDA, FICARAM. DESVIRTUEI TUDO, NÉ NATY? PERDOE-ME! AS INDICAÇÕES NÃO AS FAREI, DEIXANDO LIVRE PRA QUEM TIVER A FIM DE DESCER PRO PLAY. AS QUESTÕES DESCONSTRUÍDAS SÃO ESSAS EM DESTAQUE E SE ALGUÉM QUISER ESCOLHER AO MENOS ALGUMA DELAS E RESPONDER COMO COMENTÁRIO, VAI SER BOM QUE SÓ! BRINQUE COMIGO, BRINQUE...



segunda-feira, 2 de julho de 2012

O FIM - DO FILME E DA MINHA POUCA PACIÊNCIA


Como é prática de todos os domingos, antes de me dedicar a qualquer outra atividade, inclusive o nada, escolhi um filme para aquele quase meio-dia. Me ganhou à primeira cena, pensei cá com meus botões aprendizes de cinéfilos: “acho que acertei, vem emoção e história bem contada por aí”. E sentei-me na poltrona a fim de degustá-lo.

Faz-me rir. Não sou lá uma crítica que se aproveite, feito o Leonel e a Camilinha o são, mas tentarei resenhar a fita maldita, que é pra vivente algum mais correr o risco de se corroer de ódio feito euzinha.

MARTHA é o nome do dito cujo. Conta a história de uma garota que passa dois anos sem dar mísera notícia a irmã, enfiada numa tal comunidade alternativa, que em hipótese alguma tem a ver com aquela cantada por Raulzito. O filme conta simultaneamente o retorno de Martha ao convívio familiar e a sua vida no lugar aonde lhe haviam pregado a purificação do corpo e espírito, o desprendimento dos bens materiais (salvo pelos roubos e assassinatos que eles realizavam), tudo comandado por um sujeito mais velho, bicho-papão de todas as meninas recebidas no local. Uma refeição por dia, pois segundo o “profeta”, o corpo não precisava mais que isso pra ficar bem; sexo à vontade, todo mundo era de todo mundo, desde que as meninas fossem dele primeiro.

Um bom enredo, instigante até certo ponto. Mas, à medida que a história se dava, eu me agoniava com a maluquez da garota, que não contava lhufas do ocorrido pra irmã e o cunhado, deixando-os completamente abismados com o seu comportamento estranho (tipo entrar sem cerimônia no quarto dos dois enquanto faziam amor, deitar-se quietinha ao lado como se normal fosse)... Mantive até o último instante a minha expectativa de que aquela relação conturbada entre as irmãs resultasse em algo emocionante, embora dramático. Cenas se passavam e nada acontecia, nenhum indício de resolução do que para a família era um mistério, a tal Martha mais abilolada, eu mais impaciente.

Querem saber o final do estrupício? Contarei, que é pra outro desavisado não cometer o desatino de assisti-lo. Pois bem, vendo se agravar a situação da maluquete, irmã e cunhado da mesma resolveram interná-la. Saltitei eu de contentamento, pensando cá com aqueles botões aprendizes que agora o negócio engrenava e viria o desfecho a contento de todos, o povo da ficção e euzinha, certamente a única expectadora dessa tristeza de filme. Então segue a cena, a sujeita variante das ideias dentro do carro, no banco de trás, quando de repente um sujeito atravessa o caminho, assustando o cunhado motorista. Nada acontece além do susto, o cabra entra num carro parado à beira da pista e segue atrás deles, num ritmo normal, sem sugerir perseguição. A guria arranja cara de pavor, espia a todo instante pra trás, lacrimeja e... Sobem os caracteres!!!!!!!!!!

Isso mesmo, fiquei eu com cara de tacho minutos a fio esperando as cenas dos próximos capítulos, enquanto subiam os letreiros indicando o fim da história. Que história, cara pálida??? Quem sabe lá o que raios aconteceu com a garota, se foi perseguida, se matou ou morreu, se enlouqueceu de vez? Gastei quase duas horas da minha vida-boa-aperreada a troco de nada. Filme duzinferno! E depois o povo não compreende porque aparece tanto terrorista no mundo. Em Hollywood já tem alguma facção? Bacaninha a ideia de ser fundadora de algo... 

domingo, 1 de julho de 2012

MEIO POR INTEIRO



Por mim os festejos juninos durariam o ano inteiro, salvo exceção pela imensurável chatice dos fogos de artifício. Foi numa véspera de Santo Antônio que eu dei defeito. O bebê fofo e febril assustou-se com o barulho ensurdecedor dos mesmos e em minutos não conseguia firmar a perninha enquanto se agarrava nas grades do berço, como fazia sempre. Zé Gotinha não tinha sido parido nessa época. Talvez eu compreenda agora o porquê dessa relação desencontrada com o santo casadoiro. Perseguição, é Tonho?

Quando cheguei à casa do meu irmão na noite de sexta-feira, para vigiarmos a fogueira de São Pedro, essa aí no retrato acima, fixei o fogo alto minutos a fio. Me fascina a sua dança altiva, como se estivesse prestes a consumir tudo ao seu redor, depois de comer, cheio de gula, as madeiras que lhe dão vida. Giovanna, um dos meus bebês que é dos outros, disse: “Memem, você tem que decidir se ama o mar ou o fogo”... De imediato me encontrei com o seu olhar e respondi, como se novidade fosse: “Mas eu odeio decidir”...

Talvez me acusem de librianices. Talvez nem creiam que elas existam. Pra quê saber ao certo? Por que eu preciso escolher entre o doce de leite e o pudim pra serem minha sobremesa favorita? E eu também amo sorvete de coco. Talvez eu sofra de total falta de personalidade. Talvez não. Tenho dias de azul, de céu ensolarado, mar imenso e meu, e outros dominados pelo rubro de unhas, lábios e sangue... Acumulo boa quantidade de amor pelo azul alegria e o vermelho paixão e por vezes me deixo enamorar pelo preto do olhar de alguém. Cultivo amores eternos, que se acabam logo ali...

Quem sabe isso explique porque as reticências se firmam nas minhas páginas além da minha vontade. Não gosto da exatidão, daquilo que se determina como o certo e ponto final. Compraram para si o ponto final, eu não o quero, prefiro viver a vida a perguntar, a exclamar os meus sentires em ruídos silenciosos e, se não me dizem respostas, deixo de guarda as reticências, pro caso de alguma palavra mudar de ideia e se refazer...

Inverno ou verão, sol ou lua, quente ou frio, amadeirado ou floral, Chico ou Caetano, rock ou samba-canção, pra lá ou pra cá... Preciso mesmo escolher? Eu quero tudo, e se for possível, me deem um pouco mais desse tudo. Num instante quero mastigar, voraz, cada migalha do pão da vida. No outro, me acomete um súbito fastio e preguiça d’alma e meu desejo é de que o tempo não me aborreça e passe, sem fazer barulho algum.

Eu amo o mar, o fogo. O azul e o vermelho. Eu amo meio por inteiro, totalmente pela metade. Eu amo...