sexta-feira, 30 de novembro de 2012

LUAS E GENTES


Havia planejado “besteirizar” sobre a minha meninice e quando eu espichava o pescoço tentando ver dentro da lua. Sim... Pra mim a lua era um lugar que a gente entrava pela porta e lá se via um imenso espaço de piso batido, claro feito uma noite de festa junina, e tinha um céu estrelado imenso e lindo. Sim... E São Jorge bonito e garboso, passeando no seu cavalo branco de crina penteada. E não havia dragão algum. Eu era menina e quis entrar pela porta prateada da lua.

Havia planejado, mas eu sempre me descumpro, não tem jeito. Aliás, devo me desculpar com todos os amigos em comum, meus e de Rodolfo, pelo que fiz na postagem passada. É que o moço me deu as chaves o Sete Ramos, então quando postei, empolgadíssima direto do You Tube, não me dei conta que estava falando de TPM no blog de alguém que jamais menstruou nessa vida. E mesmo eu tendo rapidamente removido o negócio, não me restou alternativa a não ser torcer para que ele atualizasse rapidão as suas postagens e assim desmenstruasse na blogosfera. Coisas de mim, por favor, relevem.

Ah, antes que eu me esqueça, quero saber se todos estão padecendo de preocupação, assim como eu, pela escolha do nome do mascote da Copa? Sabe, tem me acometido a insônia. Eu sinceramente não compreendo tanta preocupação. A copa não é minha, pra inglês ver, e espanhol que vem pra ganhar. É pra mostrar cidade bonita, sem favela, sem violência e demais feiuras sociais. A copa é pra mentir pro mundo lá fora que a gente leva isso aqui a sério... E eles morrerão de rir. A mim, pouco-se-me-dá, pouco-se-me-deu, se o boneco feio se chamar Fuleco, Fuleiro, Fulano, Filhodeumaeguabrasileira... Eu nem sou daqui, sou de lugar nenhum.

E pensar que esses dias meu blog ameaçou fechar as portas pra mim. Um dia inteiro me dando recusa de entrada e eu sem entender o porquê dessa crise no nosso relacionamento. E Rodolfo nem estava pra me acudir. Mas tive ajuda de um anjo além-mar e tudo fluiu amorosamente outra vez. Nem quero pensar no dia em que não possa mais derramar besteirices a quem tanto me dá ousadia. Sou gente que quando nem sequer pensou, escreveu.

Mas, elaborando sobre coisa que o valha, mostrei pras meninas essa música, porque sou musicólatra compulsiva... E chegamos à óbvia concordância com ele, o Jau, que gente é massa. Mas gente de verdade, “gente que sabe gostar”, me disse Rafaela. Por que quem dela gostar, que aguente, o negócio é dicunforça. “Gente que abrace, que sorria, que dê a mão, dê alegria”, disse assim a Simone. Sim, porque gostar um pouquinho é gastar o gostar com besteira.

Gente,que é gente, oxente! Bora dormir? Ou prefere entrar comigo pela porta aberta da lua?




terça-feira, 27 de novembro de 2012

MUSICALIZANDO A TEPÊEME



Quando se está com a sensibilidade exacerbada é preciso ter cuidado até com as músicas que escolhe pra ouvir. Nessa madrugada me vali de Yestarday, dos meninos de Liverpool e não foi lá muito boa a ideia. Foi um lacrimejar incontido, um sentir mais incontido ainda, seguido de uma iniciação de questionamentos acerca da minha existência.

Faça-me o favor, eu mesma! É besteirice demais pra se fazer num começo de madrugada, quando o mais sensato seria jogar-se na cama e abraçar o sono. Mas o destino é mesmo camarada quando quer. Eis que despencou a luz elétrica e deitar fez-se indispensável. Calor duzinferno, pessoas! Vocês sequer supõem que o efeito estufou de vez foi aqui na minha terra, só pode. Aliás, em relação à falta de luz, estão até desatualizando a canção do Renato Russo, que diz “ontem faltou água, anteontem faltou luz”... Dia sim, dia também, ficamos à mercê do escuro e em relação à água a situação é pior ainda. Os serviços devem estar entrando em conflito com medo do fim do mundo que se aproxima e “apagãozear” é o verbo da vez.

 Enquanto isso, o assunto recorrente ainda é a posse do Quincas para presidente do Supremo. Que massa, verdadeiramente. Em consequência disso, porém, vem uma enxurrada de besteirol que é preciso ler porque não se é cego, do tipo: “ele não precisou de cotas”. Ah, vá! Então agora está tudo resolvido nesse país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza? Então todos agora tem exatamente as mesmas possibilidades de se tornarem um ministro, ou cargo se semelhante importância, só porque o sujeito preto, pobre, filho da doméstica, conseguiu? É só estudar e pronto, né não? Mas estudar aonde, cara pálida? Na minha escola que passou todo o ano com zero dias letivos? Na outra cuja pilastra desabou na cabeça do aluno? Ou naquelas que os caras continuam surrupiando a verba da merenda? Pode parecer que estou dissertando a favor das cotas. Não. Nem contra. Muito pelo contrário, aliás. Sou contra ser a favor, e a favor ser contra. Mas, falando mais seriamente, enquanto tudo estiver funcionando desse jeitinho brasileiro, daqui a cem anos ainda estaremos nos admirando quando outro cara preto, pobre, filho da doméstica, alcançar um cargo tão importante. E todos ainda continuarão pasmando: O sujeito ainda é honesto!

Mas, antes do apagãozão, antes do Quincas Barbosa e o calor duzinferno, havia uma música e as minhas lágrimas sentimentalóides. E eu a escolhi pra ser a canção da vez, porque certo dia me deram essa como a música que mais parecia com a minha pessoa meiga, fofa e tepeêmica. É claro que eu nem quis perguntar outra vez, pra não correr o risco da pessoa ter se enganado e passei a nem me suportar de me achar tão linda. Deu vontade de confeccionar um cartaz com dizeres assim: Ei, sabe Yestarday? Pois é, parece comigo. Desculpa aí se tu tem cara de “Festa no Apê”.

Me despeço agora, e vou, sentimentalizar a minha TPM moderada ao som de Beatles.
Beijo, pessoas.




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

COISICES


TIPO... ME SEDUZINDO

Quem em sã consciência coloca um título desses numa postagem? Ninguém, eu sei. Mas é que nesse exato instante não me ocorre uma nomenclatura bacaninha, então sigo coisando. Aliás, se você, caro leitor e solidário das letras desamparadas, quiser sugerir um título mega-ultra-supimpa sobre coisices em geral, serei grata e usarei na postagem seguinte.

Embora eu tenha desacelerado no vício, devo parar de ver TV. Certas coisas me deixam verdadeiramente irritadas e não tem como tirá-las do vocabulário televisivo. Hoje mesmo uma senhorinha simpática disse pro filho, aquele que é o cara: “fiz a lasanha que você adora”... Gota serena! A todo instante alguém diz essa chatice, que fez isso ou aquilo que o bestão adora. Por que na vida real não é assim? Titia nunca disse pra mim: “Milene, fiz aquele pudim que você e sua vesícula adoram”? Acho injusto. Eu gostaria muito que alguém de bom coração e boa mão na cozinha, um dia me fizesse tal declaração de amor.

Ah, pra que falei em amor? Ando desconstruindo esse cabra, é verdade. Nas suas infinitas variações, algumas delas eu proibi de tentar invadir o meu pobre ser frágil e indefeso. Na porteira do meu coração, tem dois cabras fortões, um de cada lado, impedindo a entrada de sentimentos meliantes invasores. Haverá uma espécie de triagem e dependendo da característica apresentada, da porta não passa. Meus guardiões perguntariam: “tá querendo o quê com ela?”... O meliante invasor: “vender a ela uma porção de ilusão”... Aí é expulsão na certa, só pra seguir na rima.

Falando em porta, ontem, quando adentrei o recinto minúsculo o qual generosamente chamo de quarto, recém-saída do banho da tarde, porque aqui na minha cidade deve está instalada a fábrica universal do calor, minha amiga Cicinha sutilmente tenta derrubar a porta:
- Tá dormindo?
- Tô!
- E como está respondendo?
- Sou sonâmbula!
- Engraçadinha.
- Se sabe que eu não estou dormindo, porque perguntou?
- Só pra ter certeza.
- Com essa sutileza toda da sua batida, acha que alguém permaneceria dormindo?

Abri a porta e concluí esse diálogo de tanto carinho, tendo que aturar o seu sorriso de quem sabe o quanto adoro ser acordada:
- E nem a sua cara ia continuar bonitinha assim...

Eu acho lindo isso de amor e tolerância no mundo. Sigo fazendo a minha parte.

Mas a verdade é que eu não tenho a menor noção de como seria a vida sem a maluquice adorável da amizade. Ah, nem me importo em ser clichê, eu acho isso e pronto! E tenho um monte de amigo doido, o que é ainda mais massa. Só me irrita um pouco essa questão de ser tão transparente ao ponto de ser mais percebida por eles do que por mim mesma. Tem horas de querer dizer: “dá pra fingir que não me lê tão bem, fazendo o favor?”... Na verdade é só manha, porque adoro isso. Meu amigo Antonio, a quem eu adoro não somente por ter o nome do meu avô, é expert nessa prática. Pegou meu coração pelo pé, nesses dias, pelas coisas irritantemente verdadeiras que me disse, a cerca de mim, do que jamais tive a gentileza de fazer pela minha nada mole vida. Mentira. Minha vida é mole mesmo... Um pudim.

Daí Rafaela, outra leitora de minha alma, disse assim: “vou parar de me meter na sua vida, vou ficar quieta”... Como assim? “Que espécie de amiga para de se meter na vida da outra tão de repente, como vou ficar sem o seu enxerimento?”... Esbravejei com tanta força que os céus tremeram. Chamei-a de chata, muito chata, e ficou tudo certo. Já falei dela em outras letras, das coisas que me disse e jamais esqueço e repito aqui para quem não leu: Quando da minha primeira endoscopia digestiva, eu com um supermedão da borracha infame, quando nem éramos amigas, mas não tão siamesas como agora, ela me ligou pra dizer: “Mil, vou estar trabalhando, mas qualquer coisa me chama que vou lá segurar a tua mão”... Eu nunca esqueci esse gesto de tanta simplicidade, mas com uma grandeza imensurável contida. Ela é assim, por isso é maravilhoso tê-la dando pitacos de amor na minha vida.

Chega de coisices. Precisava abrir um frasco de letras, porque estava transbordando. Não sei se são as melhores, mas são tão minhas... Vou dormir e sonhar que amanhã alguém me diz que fez aquele pudim que eu adoro. A propósito, eu adoro não só aquele, mas todos os aqueles.

Inté!




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

DA TRAVESSIA DAS HORAS


A gente vê o dia e decide se finge que nem percebe, ou faz a travessia das horas conforme manda a valentia. Essa vivência é certa de acontecer a cada vez que o sol se levanta e grita pra gente acordar, mas tem vezes de se não achar coragem de jeito nenhum. Tem vezes da gente se arrastar pelas horas só cumprindo a obrigação da existência, querendo que o sol se deite e não seja de muita estranheza desencontrar a valentia de novo. Que a vida não é só bonita que nem uma flor enfeitando um canteiro no quintal, nem é toda hora inspetora carrancuda dos passos que se dá pra atravessar o dia. Por que ela se cansa de empurrar a gente toda hora, ela gosta mesmo é de quando se tem fome de devorar o dia inteiro, sem deixar migalha de tempo pra fazer pensamento ruim.



domingo, 18 de novembro de 2012

MADRUGADICE, LIMONADA E MIUDEZA


Há cerca de dois anos migrei de uma escola para outra, mas sem romper definitivamente o elo com o estabelecimento anterior. Cá comigo ficou uma pasta amarela de boa grossura, megalotada de documentos a serem finalizados. Quer saber se cumpri a obrigação e encaminhei tudinho nos conformes? Claro que não! Todos os dias eu espiava a dita cuja e pensava: “calma, criatura! Ainda vamos nos esparramar numa mesa e dar cabo dessa coisa interrompida”... Digo isso desde dois mil e dez com essa rosada cara-de-pau, correndo o risco de alguém ler e me delatar. Escreverei cartas da prisão, feito Frei Beto, porque o processo será poderoso. Eis-me em pleno feriadíssimo cumprindo a obrigação que não pude mais protelar. Como dizia um candidato a prefeito de Maceió, há uns anos atrás: “Eu acho é tome!”... Leia-se: bem feitíssimo! Talvez seja caso de me penitenciar, rezar umas duas mil e nove Ave Marias, correndo bem o risco de Maria gritar lá do céu, não suportando mais a repetição feito vitrola engasgada: “Cale-se! Cale-se! Cale-se! Está perdoadíssima pelo preguicismo extremado”...

Esse era apenas um dos meus pormenores a serem resolvidos neste ano que já acena na porta de saída. Fico feliz por não ser daquelas a elaborarem listinhas de promessas para o ano novo, porque estaria lascada por falta de cumprimento. Devo ir ao dentista numa urgência que se arrasta há anos, a fim de resolver a questão dos meus dentes fugitivos, já vos falei deles? Estão se afastando dos outros e isso me irrita num grau absurdo porque hei de usar aquele troço de lata a essa altura da minha vida quarentona. Meu irmão disse: “meu dentista falou que os dentes da gente se movimentam durante toda a vida, é isso que está acontecendo com os seus”... Como assim os dentes se movimentam? Para que raios esses troços duros e estáticos resolvem de uma hora pra outra descurtir a zona de conforto, e tipo, buscar novos desafios? Acho que alguém emprestou Augusto Cury pra esses seres estranhos lerem...

Eu deveria estar escrevendo doçuras e amorosidades. Escrevo ouvindo Chico Buarque, outra vez ele. O que me remete ao show do Djavan, a acontecer no próximo dia sete, em Maceió e eu já preparo o meu lamento porque não vou estar lá, vendo o nêgo. Tentei uma campanha no Face, do tipo “a cada curtida o Face doará cinquenta centavos, mas não rolou. Povo insensível, viu? Não se comover com tamanha causa nobre e sentimental. Direi, depois, palavras de desagravo. Desagravo é bom ou ruim? Era uma palavra que eu sempre quis usar, embora desconheça se é anjo ou demônio e agora está aí... Sou letrada.

Falando em “nêgo”, aponta por aí o Dia da Consciência Negra. No que implica esse dia exatamente? Significa dizer, por exemplo, que as pessoas vão parar de postar coisas idiotas nas redes sociais, do tipo “tenho orgulho de ter amigos negros”? A pessoa faz um troço desse e acha que está arrasando na generosidade... Sim, faz parecer tipo: “Vê, tu é negro e eu te amo mesmo assim”... Ah, para a palhaçada! Tenha orgulho de ter amigos rosas, brancos, amarelos, verde-limão (intergalácticos), negros, vermelhos e todas as cores possíveis, mas não queira ser benevolente com quem não precisa da sua hipocrisia. Só acredito no fim do racismo e outras mesquinhezas humanas, quando de fato partir de dentro pra fora, quando a aceitação for de verdade e não porque uma lei diz que deve ser assim. Viva a misturação que respeita as diferenças! Ah, mas as leis são importantes e necessárias sim. Se o cabra é tão cretino que só debaixo da porrada legal terá um comportamento civilizado, que assim seja.

Na verdade bem verdadeira, essa postagem é uma armadilha dengosa pra vocês virem aqui e dizerem assim: “oh, como o novo layout está lindo”... Por favor, mintam que sim! Lembrem-se que estou sensível porque a campanha "CINQUENTA CENTS PRA MILENE VER O DJAVAN" foi um fracasso total. Estou sensível.

Beijos e durmo.


MIUDEZA

(DA ESQUINA DO MAR)

Eu morava na esquina do mar. Gostava de dançar nas suas águas que tinha vezes de ser calmaria, outras puro furor. Era mágico ver o mar e o céu mostrando o horizonte que nunca chegava, que estava ali, mas era tão longe, inalcançável... No meu sonho, eu morava na esquina do mar e queria tocar o horizonte...

Milene...


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

CANÇÃO PARA NÃO DORMIR




Meu bem, ainda é cedo. A madrugada se deita sobre a noite e eu preciso do beijo lunar, bebendo todos os meus sentidos. É cedo, meu bem, não dorme! Vela comigo a insônia da noite, escuta a doce melodia do vento, dizendo pra gente valsar sem parar. Meu anjo bom, meu bem, acorda! Lá fora o orvalho recai sobre tetos e gentes dormentes, sobre flores que adoram nascer, pelo chão de correr pra viver. Vê, meu bem, o escuro pintado de estrela, clareando o inteiro do céu, dizendo pra gente sonhar sem parar. Aceita, meu bem, uma dose de tantos e imperecíveis sentires, viventes pra sempre na minha alma e tua. Que é pra gente, meu bem, morrer de amor e sorrir. Dorme, meu bem... É tarde.



sábado, 10 de novembro de 2012

DO ANALFABETISMO AMOROSO


Salvador Dali - Moça à Janela  - Por que eu sou culta que só!


Adoro a frase do Guimarães Rosa que diz: “eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa”. Pois estou mais uma vez cultivando a prática de falar sobre o que eu quase nada sei e talvez até desconfie de alguma coisa, o amor, o verbo amar e toda a sua simplicidade complexa.

Pura ousadia! Falou-se tanto desse moço e sua pluralidade. Sim, porque se há nessa galáxia um sujeito plural o nome dele é AMOR e sua forma verbal é a mais esmiuçada da existência humana. Ama-se a flor que se acha uma estrela; ama-se o mar, o sol, a lua; ama-se o pai, a mãe e o irmão; ama-se o homem ou a mulher que se deseja ter ao lado. Todo o tempo ama-se.

Da pluralização do amor eu até mantenho certa intimidade. Não sei se há vida possível sem essa prática, porque viver em constante estado de amor é deixar a alma enlevada, plena. É fazer com que a minúscula conta do tempo a qual temos direito, por exclusiva indulgência divina, de fato tenha sentido.

Mas, quando se trata de lidar com a singularidade do sujeito, aí lascou! Nesse caso sofro de analfabetismo gritante e me parece incurável. Cabra cabuloso da gota serena! Pede morada no coração alheio e cadê se comportar? Cansada de tentar em vão compreendê-lo, propus uma relação de camaradagem: eu finjo ter com ele a maior das intimidades; ele, ardiloso que só, mente presença vez ou outra. Eu o propago, faço bom retrato falado dele e o sujeito finge me pertencer... É um jogo estranho e eu não sei quem desistirá primeiro.

Por que amar, desse modo singular, não pode ser toda vida motivo de encantamento? Eu por mim decretaria que verbalizar o amor era pra ser como nas músicas do Chico, o Buarque, moço dos olhos poéticos que nem o mar. Senão descomplicado, mas com uma intensidade reconfortante... Reconfortante não é bem uma palavra pra se aplicar a um estado assim, de absoluta entrega. Não me ocorre outra mais legítima. Fiz-me entender, mesmo assim? Acho que não muito, porque esse cabra e suas amorzices me confundem, me cansam, me vivem...

Alguém me disse que se eu não quisesse amar não me permitiria ser tão sensível. Ora, e onde é que vende a pílula de dessensibilização? Quero fazer estoque na minha mesinha de cabeceira (quando comprar uma). Pra ser sincera, é uma imensurável chatice esse papo de ser sensível todo o tempo, ainda que o teste do endeusamento diga que a deusa existente em mim (como uma deusaaaaaaa ♫) seja Athena, moça racional, que ri, chora e brinca pouco, não se importa com sentimentos alheios e bla, bla, bla... Oi? Refiz o teste umas cem vezes, mas não consegui deixar de ser Athena, a insensível. Muito cuidado comigo, sou braba e perigosa, munida de peixeira afiada na cintura, pra esbagaçar o bucho do amor.

Melhor parar, né? Cante, Chico, chame a Betânia e cante...






quarta-feira, 7 de novembro de 2012

RABISCANDO VERSO




Rasbisquei meu amanhã
Num desejo bem sonhado
De parto descomplicado
De alma luzente e sã

Dia nascido contente
Parindo flor amarela
E sol beijando a janela
Alegre pra toda gente

De vento lambendo a cara
E não seja coisa rara
Coragem comendo medo

Que a vida tão doce e leve
Não desenhe riso breve
E amar não seja segredo



Arapiraca, madrugada de 07 de novembro de 2012.







terça-feira, 6 de novembro de 2012

DE TANTO AMAR


Imagem do arquivo pessoal de Rafaela Pereira

Me valerei do cotidiano para espalhar aqui uma meia dúzia de clichês, já que dizem ser o cotidiano um grande amigo meu. Definitivamente a tristeza não é bicho que se cria comigo, fez-se de rogada eu a ponho pra fora a vassouradas e saio por aí, “espalhando o pó do dia e buscando uma boa noite”, feito me disse hoje uma pessoa tão amada por mim e que me ama igualmente.

Bem vindos à minha clichêzice... Estou eu novamente falando de amor, porque pra mim não há outro jeito de esbagaçar a tristeza senão cercada de tanto amor, mesmo quando esse cerco se faz apenas espiritualmente, vindo de outros cantos, ares e mares e com delicados e verdadeiros puxões de orelha, que só quem ama é capaz de oferecer.

Até palavrões podem ser amorosos. Esses dias, conversando com Rodolfo no emeessene, ele lança um “você é uma hamadríade”. Respondi: “Jesus Cristo me proteja contra tal xingamento... Que é isso?”. Sou dessas que não se escondem da total falta de cultura, perguntei mermo! Hamadríades são as protetoras das árvores e achei tão suntuoso isso que até apreciei o xingamento. Segundo ele, sou a ninfa protetora dos coqueiros entortados. Alecrim não pode ser extraordinariamente enquadrado na condição de árvore não? Eu gosto do cheiro do alecrim, mas acho ainda mais belezura o nome.

Ah, eu quero contar sobre como um homem pode deixar transparecer carência como eu imaginei que apenas nós meninas, seres emotivos e tolos, seríamos capazes: Dia desses, num daqueles fins de tarde de imensurável quentura, me aparece porta a dentro um amigo dos tempos de infância, que volta e meia dá o ar de sua presença espirituosa. Sequer sentou-se no sofá pra compartilhar comigo um sorvete de flocos e apenas me disse: “Vim dizer que tô na área, e te dar um abraço”... Não me fiz de rogada e o abracei. Feito um menino grande, desvencilhou-se um tanto e disse: “abrace mais, abrace mais”... E ficamos segundos grandões nessa cumplicidade boa. Ele me disse um “agora posso ir tranquilo” e sem mais, foi-se. Achei bonitinho um homenzarrão com cara de menino, passar apenas porque estava precisando de um abraço bem abraçado.

A imagem desta postagem foi tirada especialmente pra mim, por motivos óbvios, pela minha amiga-irmã-anjo-da-guarda mais deliciosamente doida, a Rafaela, que andou passeando por aí e lembrou-se dessa que vos escreve cotidianices. E ela até me trouxe um par de brincos lindinhos, confeccionado em capim dourado, porque dourada é a amizade que nos enlaçará por todos os amanhãs a serem inventados com a desculpa adorável de se viver sendo amigo. O seu abraço hoje fez-se bálsamo.

E outros abraços, e palavras, e gestos, e cuidados... Nem me importo em me perceber rodeada de abelhinhas sedentas, tamanho o mel das minhas palavras nessa hora. Quero mais é gritar o amor em plenos pulmões e incansável coração.

Qualquer dia eu conto sobre como foi uma delícia estarmos todos rodeados à mesa da cozinha da minha mãe, na noite de sábado, uns de pé porque não tinha cadeira pra todo mundo, comento um jantar improvisado, das besteirices gostosas e regionais, contando história e fluindo riso. E eu espiava meus irmãos, sobrinhos e ela, vendo se todo mundo tava comendo direitinho, e pensava: Como eu amo esse povo maluco!

Ah, eu conto também que Rodolfo me deu esses versos escritos às cegas, enquanto eu desenvolvia esse texto de tanto mel. E acho que digo sobre a Camila gostar de quando eu não durmo. Segundo ela, eu agito as estrelas quando tenho insônia... Achei isso de uma lindeza a me deixar envaidecida. A música também me foi oferecida hoje por quem eu amo... É linda, claro.

Pronto, contei tudo.

Pra teu trivial variado
Com tantos e bons sabores
A banda toca dobrado
Com clarins e com tambores


(Rodolfo Barcellos)




E assim cantou Luiz Melodia: As pessoas que eu amo, eu amo bastante... ♫♪


sábado, 3 de novembro de 2012

A DANÇA DO VENTO


EMPRESTADA DE UM BLOG POR AÍ, 
AONDE O VENTO FAZ A CURVA

Parece que a vida, de vez em quando, tem precisão de dar susto na gente. Ela percebe tudo numa dormência disfarçada, então ordena redemoinho pra dentro de onde se guarda tudo que é sentimento e se diverte vendo a cara de estranheza do vivente quando cena de feiura assombra. E lá no compartimento de armazenar os sentires, fazem dança e risada alta um bando de bicho esquisito que nem se incomoda se a gente não gosta da dança deles. Eu faço mesmo gosto quando o vento me tira pra dançar, feito faz com as borboletas e as folhas que já não moram nas árvores. O vento gosta das folhas secas sem casa pra morar e faz com elas um bailado bonito. E tem vezes de eu querer ir por aí, pra onde o vento me apontar numa dança de liberdade e esquecimento das cenas de feiura. Por que o que está lá dentro, misturando o sentir bom com o ruim, pode não querer ir embora pra sempre, mas bem pode adormecer e demorar uma ventania inteira pra acordar. Enquanto isso eu sigo esperando que o vento me chame, me dance, me leve...






DO VENTO E DO AMOR, BESTEIRICES:



                                                           O vento
Atento
Ouviu
Lamento
De dentro
De mim
Assim
Soprou
Pra fora
De mim
A dor
Do amor
Sem fim

FIM!


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

DIA DISSO... E DAQUILO TAMBÉM



Espiei pro último céu de outubro a fim de vê-los repletos de vassouras voadoras, mas acho que elas estavam aonde minha visão não alcançou. Foram longe as bruxinhas. Foram antes que entrasse novembro e trouxesse pela mão o que nem supomos.

Mas você, caro leitor, duvido que soubesse que hoje, quase ontem, trinta e um de outubro, não foi dia apenas dedicados as bruxas, aquelas em que não se acredita, mas que existem, existem. As donas de casa também merecem todas as honras nesta data e isso é de uma importância absurda. Como vivemos até hoje sem saber disso?

Exceto pela casa que não puderam varrer, visto que as vassouras estavam com outra função, que raios de benefício este dia trouxe para as donas de casa? Esse termo, aliás, é bem bagaceira e ultrapassado, né não? “Dona de casa” no sentido de dizer “toma essa trouxa de roupa e vai logo pro tanque”, eu dispensava bacaninha.

Essa questão de data esdrúxula inventadas a todo instante é meio constrangedor. Esses dias me desejaram “Feliz Dia do Livro”.  Minha deseducação quis perguntar como se faz pra ter um feliz dia do livro, no que isso implica exatamente, e se nos outros dias a ideia é ler e derramar uma lágrima por página, visto que não será feliz.

É claro que dedicar um dia especial para a invenção mais incrível é louvável, oxente. Tirando a parte chata do “feliz dia”, gosto do que lhe rodeia, gosto de ser lembrada, eu e a minha pouca literatura, para uma alusão a esse dia. Mas, e as outras invencionices de datas? Lembrarei-vos:

Em 29 de junho, por exemplo, comemora-se o dia do dublador. Sério que você não sabia? Anda bem desinformado, visse? Por isso estou aqui, prestando esse serviço fundamental para o seu crescimento intelectual, espiritual, fenomenal, até paranormal. Em 27 de julho é a vez do jogador de Gatebol.  Que massa!  A emoção deve rolar solta neste dia tão especial para a humanidade, que por incrível que possa parecer, caminha. Mas... o que é mesmo Gatebol? Mais pra frente, já no dia 25 de setembro, “comemora-se” (preciso rir meio metro) o dia do cadáver desconhecido. Gente dos céus, quem foi o descerebrado que invento uma data assim? O que estaria fazendo o sujeito, que de repente, no auge da sua asnice, pensou: “os cadáveres desconhecidos precisam de uma data para não receberem flores ou não terem velas acesas em homenagens às suas almas também desconhecidas, visto que não se conhece a sua linhagem”... Diante disso, o primeiro de agosto, dia da desfiadeira de siri, ganhou importância de data cívica.

É claro que essa coisa de destinar data pra isso e aquilo sempre existiu. Eu bem lembro dos calendários que o Vô comprava infalivelmente todo ano, aquele das folhinhas que se arrancava todo dia, e no verso havia uma enormidade de comemorações. A questão é que a internet impõe tais informações goela abaixo e a gente não sabe se sorri e acena quando alguém te cumprimenta pelo feliz dia do dedo mindinho, ou se esconde embaixo da mesa, tamanha a vergonha alheia.

Amanhã, que já é hoje, primeiro de novembro e dia de todos os santos, que é pra nenhum ficar com ciúme. Por que no céu deve ter uma santaria só, mas os viventes se lembram apenas dos mais badalados. Se apegam com a santa dos endividados, o santo das causas perdidas, Tonhão, o casamenteiro (ainda tá em dívida comigo) e outros com maior prestígio e para uns muitos ninguém dá ousadia. Por isso a minha homenagem é para os santos sem dia fixo, os excluídos do calendário cheio de bossa, pois seja na terra ou no céu, os menos favorecidos merecem um afago. Escolhi a Santa Rosa de Lima (viveu lá no Peru, me disse o Wikipédia), que bem deve ser minha parente, para representar essa categoria oprimida pela santa injustiça social celeste.

Agora chega de tanta besteirice. Que os santos não me leiam. Que os dias sejam felizes, todos e sempre.
Inté!

Já passeou no meu Relicário, que está de nova vestimenta e cheio de música bacaninha? Pois fique sabendo que hoje é dia de ir...