quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O MAR, AS MÃOS E OS NEGOCINHOS



Bora começar? Chegou ano novinho em sonhos pra todo mundo. Tudo apenas começando, três diazinhos de estrada rodada, ainda. Nem dá pra se sentir coberto da poeira...

Pois bem. Fui pra perto do mar me despedir de dois mil e doze, dizendo assim: “já vai? Tá cedo” ... como a gente fala quando a visita que nem é tão chata, nem tão interessante, diz que é hora de dar tchau. Fiz muita festa com ele não, deixei-o partir sem maiores saudades. Lá pela meia noite eu me vi um ser emotivo, compartilhei meia lágrima com minha mãe, diante do espanto da espoleta Marina, que dizia: “não entendo porque vocês choram só porque o ano acabou”... Tanta coisa ela não entende no auge dos seus nove anos. Tanta coisa eu não entendo nos meus mais que quatro vezes nove. Seguimos assim, desentendendo, vivendo, porque é preciso e é bom. Foram dias lindos e alegres. Cheios de cor e vida, gentes e amor. O mar é massa. Amar é mais massa ainda.

Na volta, começar a cuidar dos pormenores da vida real já se fazia urgente. Que o tempo não para é clichê dos mais certos, então lá fui eu levar minha pele cheia de estranhezas para o dermatologista. Não há muito o que se fazer numa sala de espera de um hospital a não ser especular, refletir acerca do tudo que tolamente pensamos conhecer. Me distraí observando a escada em espiral, prateada, em motivos copiados do coliseu de Roma e as pessoas a desfilarem com seus jalecos brancos a lhes darem superpoderes. Ao menos é o que parece. Os mediquinhos (os mais novos) são de uma arrogância bem considerável. Não compreendo alguém transitar num local onde outros estão, ainda que sejam pobres mortais sem jaleco, e não lhes dirigir um simples cumprimento com a cabeça. Eu os provoco, eu os encaro para ver até onde vai a soberba do diploma recém conquistado.

No consultório, o dermadoutor que nem jaleco usava, simpaticamente me perguntou: “então, Milene, o que temos?”... Eu quis dizer pra ele aquilo do “se eu contar minha história pro carroceiro, até a burra chora”, mas preferi poupar o moço dessa bizarrice. Então fui devagarzinho explanando um sinal inflamado dali, a minha carequice (que só eu vejo) acolá, e os infames negocinhos que se alojaram entre os polegares e os indicadores das minhas DUAS mãozinhas fofas e meigas. Diagnóstico: “o sinal, possivelmente você coçou dormindo,ou passou o pente... Extrairemos se não desinflamar. A carequice, não há nenhum indício, você anda imaginando coisas”. Tá, ele quis dizer que sou louca, eu compreendi, embora tivesse feito cara de paisagem. Então esperei pelo diagnóstico dos negocinhos, que afinal foram a motivação maior da minha ida ao hospital com maior cheiro de hospital que já senti na vida. Ele pergunta: “você é estressada?”... Oi? “Isso aqui não é outra coisa a não ser sinais de estresse ou de alergia respiratória”. Sério, desentendo dessas modernidades. Sou do tempo em que crise alérgica se desenvolvia com o sujeito espirrando sem parar, com o narigão entupido, lascado da silva... E isso de tudo que se alojar no corpo e na alma da gente, vivente, doente, ser culpa do tal estresse tá ficando chato. Bora arrumar outra cantiga?

Mas tudo isso tem lá o seu charme. Qual dos senhores leitores possui duas mãos com pedaços em relevinho estressado e espirrante? Nenhum, nenhum! Mas, se quiserem, eu envio pelos Correios essa exclusividade toda pra vocês, é só acenarem.

Eu vou lá, porque o tempo levanta poeira.  Ah, e a música, ela está porque é linda. Simples bem assim.  Eu bem gosto de dividir belezura musical e negocinho estressado com vocês.

Intés!





Quando eu penso o peito cala
no silêncio a me lembrar
de um velho tempo que pra mim não passou... 


14 comentários:

  1. Estar na praia é legal. Estou contando os dias. Chorar na despedida, normal...
    Pessoas que são metidinhas, não deveriam ser normal, arrogamtes, menos ainda...

    Coisinhas estressadas, um saco,né? Mas, assim inicia o novo ano e desejo ,tuuuuudo de bom! beijos,chica

    ResponderExcluir
  2. (ao final, esqueço a arrogância e levo
    o gosto da saudade boa . cançao linda.)


    beijo

    ResponderExcluir
  3. Milene, até a forma como narra uma visita ao médico é engraçada. Faz com que a companhemos e vejamos esses médicos novos, antipáticos, arrogantes, crentes que sabem tudo e que nos olham como seres inferiores, diante do seu "poder". Eu os irrito, propositadamente, chamando-os pelo nome (sem o doutor). Doutor, para mim, tem um sentido muito maior, a formação, não só acadêmica, que justifique o título. Infelizmente, não confio neles. Certa vez, após um acidente de carro, entrei em um pronto socorro com muita dor no peito (e nenhum arranhão). Um desses "sábios" me atendeu e disse que não era nada, para ficar observando se aparecia outro sintoma. Insisti que a dor era muito forte e ele afirmou que, para minha tranquilidade, solicitaria um raio x. Andei pelos longos corredores do hospital, carregando bolsa pesada, para fazer o dito exame. Quando veio o resultado, o digníssimo "doutor", apavorado, me informou que não poderia carregar peso, me movimentar, porque havia fraturado o esterno e se ele ficasse desalinhado seria operada, imediatamente. Foi aí que começou o corre corre, com implantação de catéter e internação. Como afirmei no blog da Chica, o fim do mundo já chegou sim, mas para a saúde.
    Que tenhamos um ano em que nossa saúde não requeira o auxílio desses profissionais. FELIZ 2013! Grande beijo!

    ResponderExcluir
  4. Oi Mi

    Ano novo, trocinhos novos, novidades nada desejáveis, eu sei, mas o tal do stress é mesmo sorrateiro e malvado.

    Os médicos (não todos, mas a grande maioria) ainda não conseguiram descobrir um sentimento melhor do que a arrogância para protegê-los da fragilidade e incapacidade que sentem diante da dor, da doença e da morte que tentam em vão ter domínio.

    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Me vi ali, sentada ao lado, olhar espichado pra tal escada, enviesado pros mediquinhos, curiosos pros negocinhos...rsrsrs

    Adoro esse teu jeito de se indignar...e sei que de despedidas, tu é avessa mesmo...bjos, Mi_nha rosada estressada... ;)

    ResponderExcluir
  6. Estressada você? Inquieta deveria ter dito ao doutor...será que ele categorizaria(?) sinônimo? Mas não é! E inquietamente começamos mais um ano! Bora resolver todos os negocinhos e negoções tumém, né?
    Beijuuss, estalados de novos, e sorridentes por lê-la assim...simples e delícia!

    ResponderExcluir
  7. Hehehehehehe, MíLi, eu tenho uma carequice que todo mundo vê e uma cabelice que só eu vejo! Hahahahahahaha.

    Gostei muito do texto todo, vc deve ser um barato de se conversar!
    Parabens minha amiga!

    ResponderExcluir
  8. Feliz Ano Novo!! (atrasada? Só um pouquinho, hehehe)
    Também fui me despedir de 2012 perto do mar, bem pertinho. E tava tão boum. Ele foi bem querido comigo, nem bebi muita água salgada dessa vez. Blergh!
    Agradeço o "negocinho estressado", mas a música é linda mesmo!

    Bejus

    ResponderExcluir
  9. Milene, pelo visto sua visita ao médico não foi lá muito boa, mas ao menos rendeu um texto engraçado. rs E essa história dos sinais terem surgido porque vc conçou durante á noite é puxado. Mas não posso falar nada, nem médico sou.Não que esse que te atendeu seja, mas enfim... Ah, então antes foi descansar por três dias? Merecido. Bjão

    ResponderExcluir
  10. Olá, parabéns pelo blog!
    Se você puder visite este blog:
    http://morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

    ResponderExcluir
  11. Combata o estresse mas nunca tente conter a inquietude, Mi. Ela é uma válvula que deixa escapar o excesso de estresse sob a forma desses escritos deliciosos.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  12. Milene, mar e amar são combinações que combinam perfeitamente. Esse ano não tive vontade de chorar nem de sorrir largamente no passagem de ano, o que deixou com uma sensação estranha, como se não fosse eu...acho que o meu ano era aquela visita que deveria ter ido embora em junho.
    O estresse é um dos desencadeadores de várias doenças, mas não sei até que ponto pode ter feito brotas sinais em suas mãos. De qualquer forma, manter a tranquilidade é sempre uma boa ideia e só faz bem.
    Fico triste mesmo com a arrogância de profissionais que deveriam olhar com carinho para a humanidade...espero que encontre melhores profissionais nas suas "incursivas medicínicas". Estava com saudades de vir aqui, gosto das suas inquietudes relevantes sempre.
    Um abraço!

    ResponderExcluir

  13. Milene,

    Você é muito divertida e faz palhaçada com tudo, até com coisa séria-rsrsrs. Não confio muito em "pareceres" médicos, infelizmente. Um amigo meu, que é médico, disse que todo médico receita vários remédios que é para ver se um acerta com o mal do paciente. Claro que ele só poderia estar brincando, né não?

    Certo é que os médicos mais antigos ainda demonstram resquícios de dignidade e amor à profissão, mas os novatos e residentes acham que têm o rei na barriga. Há momentos que sinto vontade de afrontá-los, perguntando-lhes quanto eles ganham para ser tão metidos e arrogantes. Há exceções, é claro. A medicina já foi uma profissão de status, hoje não é mais. Quem abraça a medicina deveria encará-la como um mister de amor. Pena que não é bem assim.

    No geral, não choro quando o ano finda. Prefiro pensar que o próximo trará novos acontecimentos felizes. Acho bacana a energia que circula na virada, pois são inúmeros corações conectados com a esperança.

    Via das dúvidas, cuide-se de um eventual estresse. Tudo é possível.

    Beijo grande e ótimo final de semana.

    ResponderExcluir
  14. Ai posso me sentir emotivo porque 2012 foi bom demais e acho dificil ter um ano melhor?!
    Mas eu espero que seja mesmo assim!
    Graaaaande beijo pra vc, to de volta!

    ResponderExcluir