sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

QUANDO FEVEREIRO CHEGAR



Fevereiro havia me feito promessas e antes de nem chegar, já as descumpriu. Sacanagi, fevê! Agora serei a melhor amiga de março e suas águas e esperarei se é um bom cumpridor dos seus compromissos para com os comigos de mim (obrigada, Pessoa).

Até lá seguirei firme na missão de fazer uma boa parceria com a paciência. “Tudo acontece na hora certa”, me disseram as boas vozes. Tenho tido imensa vontade de me encontrar com essa dita “hora certa” e perguntá-la sobre quando se dará essa sua ansiada aparição.  Na verdade a meu desejo dizer pra ela se lascar e aparecer quando bem quiser, porque meu estoque de paciência está com o prazo de validade expirado. Digo não. Vai que a sujeita seja obediente e se atrase mais ainda. Tivesse no meu agreste um mar extraordinário amanhã eu faria oferendas á Iemanjá pela boa aparição da hora que é certa, mas cheia de vontades. Lançaria às águas um punhado de flores e uma agenda eletrônica pra ela se achar logo comigo... Tipo, é nessa encarnação?

Mas fevereiro chegou trazendo coisa muito boa não e nem tem a ver com o meu desencontro com a hora certa. Chegou chegando o aumento da gasolina, o que, aliás, ainda não se viu a presidente-enta interrompendo a novela pra dizer que é a melhor coisa do mundo para todos os seus queridos e queridas e o povo todo está indócil. Só porque até preço do pensamento vai subir? O povo alardeia por pouca coisa, né não?

Mas o evento mais bafônico do início do mês, sob o ponto de vista do como somos um povo passivo, deu-se em função da eleição do meu ilustríssimo conterrâneo para novamente presidente do senado, Renan, o Calheiros. Quero só compreender o porquê da surpresa. Quero só perguntar quem é a boa alma que ainda acredita na ausência de conchavos por parte daqueles que NÓS elegemos para que naquela filial duzinferno tudo funcione absolutamente como o desejado pelos caras donos do poder. Ensaio indagação para o meu próprio eu acerca do que move essas pessoas e não encontro respostas razoáveis. Se acham o próprio umbigo do mundo podre da política e nós, na estranha obrigação de conivência, os colocamos lá. Feito gostássemos das raposas cuidando do galinheiro, senão esses caras não estariam com suas bundas sujas sentadas nas cadeiras mais importantes do país. Que quando numa eleição eu simpatizo com um candidato cujas ideias me agradam, mas deixo de votar nele por saber que não tem chances de ganhar, e escolho entre o ruim e os menos pior, dentre os que tem chances, estou dando o meu aval para que os nobres senadores escolham a raposa mais perigosa para cuidar das pobres e passivas galinhas.

Mea culpa!

Mas vem aí o carná e todas as coisinhas chatas serão desligadas das nossas memórias festeiras, só importando o toque do timbal e as penas do faisão. Eu, aliás, amo o toque do timbal. Fosse me concedido o sublime direito de dançar por um dia que fosse, desceria a ladeira atrás da Timbalada sem remorso nenhum, gritando alto “e fala pra mim poesia no meio da praça”... um amigo que me  “viu” no Juracy  Parque (como gentilmente a Simone chamou o MSN) ouvindo Timbalada, falou: “pensei que você só escutasse música boa”... Eu não sei o que venha a ser música boa. Pra mim existem três categorias: as músicas que eu amo;  as que eu nem gosto tanto, mas se a companhia for bacana eu ouço feliz da vida, e o Latino, o qual eu prefiro não me estender no assunto porque estou sem remédio para enjoo.

Musicado, carnavalesco, caro pra caramba! Deixa fevereiro acabar de chegar, né?
Vou lá.
Inté!





14 comentários:

  1. Muito bom,Milene. Realmente tuuuuuuuudo será esquecido com o Carná!! beijos, de volta das férias,chica

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  2. Lembro do Lauro Borges e do Castro Barbosa, na antiga Rádio Nacional, anunciando a hora certa pela PRK-30:

    - Caros ouvintes, ao soar do gongo são meio dia.
    "BOONNG!"
    - Queridos ouvintes, queiram perdoar a ignorância desta anta. Onde se ouviu são meio dia ouça-se é... doze horas!


    Gostei do detalhe do relógio deitado de lado...

    Beijos fora de hora e em qualquer hora, sem hora marcada, de noite, de dia, em plena poesia, pela madrugada...

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  3. vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado...


    a polítrica no Brasil me causa risos, antes eu ficava revoltado mas agora o que dizer, somos uma piada de tamanho continental
    esse mês não promete nada diferente, muitas mortes, direitos humanos defendendo bandidos e desfiles enfadonhos de carnaval na televisão

    mas eu sigo

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  4. Ai, ai. Acho q vc tem alguma arenga com a Dilma.
    O Calheiros , é de lenhar.
    Latino é música pra cachorro?
    Cá pra nós, se a companhia é boa, a música é um detalhe.
    Bjos.

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  5. Milene,
    este seu post tirando a 1ªa parte é brasileiro demais para eu entender mas você tá coberta de razão de certeza, só adoraria estar ai para viver o carnaval uma vezinha nesta minha vida..quem sabe um dia?
    Quem espera sempre alcança viu?
    beijinho

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  6. Para onde é que vão os versos
    Para onde é que vão os versos
    que às vezes passam por mim
    como pássaros libertos?

    Deixo-os passar sem captura,
    vejo-os seguirem pelo ar
    - um outro ai, de outros jardins...

    Aonde irão? A que criaturas
    se destinam, que os alcançam
    para os possuir e amestrar?

    De onde vêm? Quem os projeta
    como translúcidas setas?
    E eu, por que os deixo passar,

    como alheias esperanças?

    Cecilia Meireles

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  7. Tôdentro, de maõs e alma garrada cum cê, dessa tal hora certa que todos dizem que irá chegar. Quando??? Podia pelo menos nos brindar com uma prévia...um aperitivo...um trailer pra renovarmos o estoque de nossa paciência enquanto aguardamos, né não? Será mesmo que quando o carná passar nossa terrinha começa a funcionar? Mas aí tem a semana santa... Música? Pela hora certa lembrei-me de Vandré "quem sabe faz a hora não espera acontecer", mas eu sigo aqui na espera pq desaprendi fazer.
    Beijuuss Mi_nina

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  8. Olá querida,

    O Calheiros foi simplesmente mais uma piada. O corporativismo entre os políticos é muito grande e como quase todos eles estão de "rabo" preso fica difícil fazer-se política séria no País. O pior é que ele ainda esta coberto pela própria justiça, pois suas falcatruas ainda estão "sub judice".

    Música? Adoro todas, exceto funk, independente da companhia. É terapia para mim.

    Hora certa? É teste de paciência. Difícil esperar por ela, mas ela chegará (ainda que seja na próxima encarnação-rsrsrsrs).

    Vamos sambar, que é melhor. Se não puder com os pés, remexe as cadeiras. O importante é entrar no ritmo e esquecer temporariamente as frustrações e os desencantos.

    Março vem aí. E que chegue trazendo coisas boas. Afinal, vivemos de esperança.

    Um belo domingo para você.

    Beijão.

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  9. hahaha, Ai, Milene, a tal hora certa anda me devendo muitas, minha amiga. Acho que ela perdeu nossos endereços, enquanto que a minha paciência está de malas prontas me acenando da porta, hahaha.
    Sobre o preço da gasolina, é por isso que ando a melhor amiga da bicicleta, até o ônibus está um absurdo!
    Menina, estou muito, muito indignada com a história do Calheiros...o próximo projeto a ser aprovado será a compra de narizes de palhaço para serem distribuídos por todos os brasileiros, porque olhe...
    Carnaval, há algum tempo não curto, mas gosto da alegria, das cores das fantasias. Ainda quero assistir à passagem das escolas de samba no Rio...a, isso eu quero.
    Ri muito com o final do seu texto, hahahaha.
    Um abraço!

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  10. De tanto acreditar que a hora certa vai chegar, deixamos passar aquelas em que poderíamos ter realizado um sonho muito adiado. Eu as tenho, todas, como incertas, mas disponíveis para que nos entreguemos a algo que desejamos.
    Quanto ao Calheiros, muito reclamamos e discordamos, mas quem colocou aqueles que o elegeram no lugar em que estão? Como você, fico entre os menos ruins, na insegurança de que o tido como bom não vai conseguir se eleger. Confesso a minha falha, mesmo sabendo que ela é fundada na necessidade de impedir que o pior consiga seu objetivo.
    Vivemos em um carnaval diário, fantasiados de felicidade. Grande beijo!

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  11. Hehehehehehe, MíLí mimha amiga.
    Você já percebeu que as coisas feias e desastres só acontecem perto do carnaval, de São João ou no final do ano? Heehehehehe. Isso é pra gente ter a nossa meia hora de cidadão revoltado e logo se arrumar e ir pra festa beber e esquecer de tudo!

    Assim é o Brasil minha amiga!

    Um belo texto visse!

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  12. Olá Milene !!
    Obrigado pela visita !!
    Março é um mês mais bonzinho !
    Boa semana !!!

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  13. Milene, eu sempre tento fazer uma parceria com a paciência mas ela sempre é rompida...

    E tem razão, não anunciaram em rede nacional que a gasolina ia aumentar, mas anunciar a conta de luz diminuindo. Interessante...

    Saiu Sarney e voltou o Renan, o Senado está lutando bravamente para manter a sua imagem de instituição podre.

    Sobre o Carnaval, gosto pelo descanso, mas não fico em bloco, cheio de gente suada e num calor desgraçado ouvindo samba... rs Bjsss

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  14. Me imagine no carnaval!!!! Kkkk
    NEVER!!!! Vou pra longe dessa festa, uma chácara, um sitio um retiro roqueiro espiritual, menos pular atras de trio elétrico kkkkkk
    Mas sei que tudo só começa depois mesmo!
    Bjao

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