quarta-feira, 20 de março de 2013

DA INQUIETA CONDIÇÃO



Primeiros minutos da quarta-feira. Gosto de escrever o dia nos seus primeiros minutos. Gosto de escrever antes que ele me diga chatices ou sei lá o que. Escrevo sem muita razão de ser. Apenas pra inaugurar a roupa nova do meu filho inquieto, porque essa imagem pra mim representa a própria inquietação, a estrada levando o fusca pra onde não se sabe. A poeira na estrada. O incerto. O desejo de seguir. E depois querer voltar. Por que não?

É certo que eu gosto mais dos layouts mais claros. É feito meus textos ficassem mais ao alcance dos olhos amorosos de quem os lê. Mas pretendo deixar o fusca na estrada, me levando por aí a comer poeira e vida. Rodolfo disse que será “infinito enquanto dure” essa repaginada. Denise que todo inquieto é mutante. Por que ninguém confia no meu poder de decisão? Estou ameaçando mudar minha postura, me transformar numa mulher madura e contida, seguríssima. Se necessário mudarei inclusive o nome e o RG. Denise afagou meu ego e disse que me ama assim desse jeitinho... Tipo, não quis prolongar a prosa a fim de perguntar como seria esse “jeitinho”. Mas se ela me ama do jeito que eu sou, tá amado e pronto! Não sou de devolver amores assim tão facilmente.

Sobre a prova, a bendita, obrigada a quem está na torcida. Mas eu adianto que não me saí bem em uma das profundas reflexões acerca do BBB. Imaginem então o que fui capaz de aprontar com Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Drummond, no seu poema tão lindo que postarei ao final desse post. Então agora resta apenas o arrependimento e a constatação de que bancar a preguiçosa todo o tempo não é engraçado. É infantil e burro. E a consequência bate à porta sem jeito de evitar a sua entrada. Alguém sabe o telefone do Augusto Cury? Preciso de autoajudatividade.

Cadê a chuva, São José? Caiu, por poucos minutos, uma espécie de suor celeste, que não deu nem pra sentir o cheiro de terra molhada, aquele que minha vó dizia ser pecado reparar. Quer dizer, reparar até podia, mas se admirar podia não, fazia mal. Terra e chuva se encontrando é coisa tão bonita de se ver, nunca entendi  onde estava a maldade. Devia ter perguntado pra Vó quem inventava essas coisas pra ela.

Se não for pedir muito, quero uma quarta-feira de chuva e música. Eu rechaço as más notícias, aquela das rádios no início da manhã, que contam tanta feiura a nublar, sem chuva, o dia todo. Carecia haver um dia de poesia no muro, sorriso genuíno de quem se esbarra na rua, leveza nos passos mesmo quando o caminhar é incerto.  

Madrugada me diz que é hora de ir. Mas não sem antes Drummondear um bocado:



Sentimental

Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçado na mesa, todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
“Neste país é proibido sonhar”.





19 comentários:

  1. Vc emociona... eu penso que vc realmente parece não alcançar o poder de tua escrita....ela te desnuda de um jeito tao íntimo e puro que acho que é aí que mora o maior dos encantos: VOCÊ!
    Ninguém que eu conheça consegue pular de um assunto pra outro com tanto nexo...ou usar expressões corriqueiras com tanto garbo...e é essa tua descomplicada pessoa que a gente aprende a amar - sim, vc é cristalina, transparente, brilhante!!!

    Beijos, Mi...nina encantada!

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  2. E por aqui, só chove a chuva que dissolve sonhos, barrancos e famílias inteirinhas.

    Peço, então, que a chuva caia devagar e só molhe esse povo de alegria.

    Beijos!

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  3. Infelizmente a chuva as vezes cai pra inundar as lágrimas.
    Bem, depende dos olhos de quem vê, não é mesmo?

    Gostei da roupa nova.

    Bjos,

    Naty

    http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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  4. Que linda poesia! E não podemos deixar de sonhar, já que a país não oferece muitas flores! abração

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  5. Ah que triste o poema.

    (por isso que não gosto de macarrão instântaneo!)


    Mas de farinha..........vixxi!


    E de tu mais que tudo junto e misturado!


    [contém 1 beijo]

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    1. (troque o chapéuzinho de lugar
      lá no instantâneo...por favor?)

      hj to mais "ta n tã"
      beijo

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  6. Se essa não for a MilenA queu cunheço... então eu num sô o Macaco cocêis cunhece... rss

    Vó Denny já dizeu tudo ali em cima...

    DeusssssssssssssssssKiajude

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  7. Que dupla hem? Milene e seu fusca!

    Por aqui a chuva desde as três horas da manhã, ainda não deu trégua e as previsões é que continue o dia todo.
    Sobre mudanças: A preguiça deve ser deixada de lado sim, porém não mude seu lado "brincalhona, muleca", a vida não deve ser levada sempre séria.

    Quanto a prova, outras virão.

    Abraços.

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  8. Olá querideza,

    Eu já tinha observado este fusca no layout de seu blog. Ele chamou minha atenção porque achei a imagem original, mas agora ela faz sentido-rsrsrs.
    Não mude nada em você, caso contrário você será 'estragada'-rsrs. Gosto de você exatamente assim, nesta inquietude divertida e que a faz nos brindar com textos inteligentes e bem humorados.

    Beijão.

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  9. profundamente triste o seu poema... e o mais legal em escrever é que nao necessariamente vc estava triste. Eu que to...
    Pera ai eu to, triste?
    Vo ali comer um chocolate e ja volto...
    (tomara que ainda tenha)

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  10. OI MILENE!
    E DRUMMONDEASTE MUITO BEM, MESMO...
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/ClickAQUI

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  11. Eu amei o visual. Essa terra tem a cor do outono e, apesar da secura e da poeira, permite que o fusca siga seu caminho.
    Que esfrie a sopa, o importante é encontrar a letra que falta, ainda que os sonhos não sejam entendidos.
    Até pra falar de coisas sérias ou tristes você consegue harmonizar tão bem as palavras que nos muda o foco. É da sua essência ser assim especial. Grande beijo!

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  12. O seu blog anda bastante inquieto, Milene. Desculpe o trocadilho mas foi inevitável.

    Apesar de gostar de visuais mais claros, gostei desse. Ficou elegante.

    E o texto, claro, gostei mais uma vez. Não mude nada em vc. Quero te ver sempre inquieta. rs bjssss

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  13. Tá aí... Gostei do visual novo! Gostei dos escritos novos, e posso te falar uma coisa? Você é um bararto e não mudou nada! O poema é mei tristim... Mas é muito belo!

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  14. Você não precisa de habilitação nem carece respeitar as regras de trânsito. Você desbrava caminhos e constrói estradas para que os mestres em letras possam trafegar por elas.

    Você constrói o dia que nasce com seus sonhos e expectativas. Mas o nascituro tem inquietudes próprias.

    A chuva depende do olho de quem chora. Há lágrimas de dor e há-as de alegria.

    Seu espaço está belo como um soneto de Vinícius.

    Te amo. Te amamos. Te habemus.

    Beijos.

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  15. e nesse finde, todos os seu sonhos se realizarão, chuva e sol virão e se por acaso, após as chuvaa, pulularem sapos, não tenha medo, dentre alguns haverá de ter um princípe... Vai encarar uma bitoca. Sei q o comentário não tem nada a ver com o seu texto. É q hj eu tou arigosísmo... Kkkkkk. Bjos.

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  16. Adoreeeeeei esse blog assim! Sou noturno lembra?!
    Hahaha acho que todos pisamos na bola com nossos ilustres escritores em época de provas! Ninguém mandou eles serem complicados! No mais espero que se anime porque te amamos como vc é mesmo!
    Graaande beijo e bom fim de semana!

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  17. "todo inquieto é mutante"
    tua amiga falou certo, inquietude te transforma numa metamorfose ambulante e ainda bem senão em vez de uma metamorfose ambulante serias uma couve feliz...
    voce é uma contadora de histórias e devia ter uma coluna num jornal nacional, suas histórias são para levar o povo para cima.
    beijo Milene

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  18. Também concordo com a expressão "todo inquieto é mutante" mas esse fusquinha ali ficou tão fofo!

    Brjus

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