segunda-feira, 22 de abril de 2013

BALADA DAS DROSÓFILAS


AS DROSÓFILAS TAMBÉM REFLETEM

Sim, o título está meio capenga. “Balada da...” é um negocinho da Língua Portuguesa o qual eu novamente esqueci e sei que Rodolfo me dirá. É que soava em meus ouvidos a canção Balada do Louco, na voz do Ney Matogrosso, cujo cd estupendo peguei com meu irmão Geovane e talvez jamais o devolva. Brincadeirinha... Devolvo, eu acho. É que eu li um compartilhamento da Jeanne lá no Face, a corajosa moça do Eu Bipolar Buscando A Paz, explicando como  afastar os mosquitinhos das bananas, nas fruteiras em nossas cozinhas.

O nome dos tal mosquitinho é drosófila e eu achei isso de uma belezura incrível. Serezinhos tão minúsculos e chatos carregando um nome tão imponente. E eu quero muito que esse vocábulo seja comum nas minhas falas, a partir de agora. Me imagino chegando na escola e perguntando pros meus colegas: “ Como foram de final de semana? O meu foi bacaninha, embora eu tenha tido um trabalho imenso em espantar as drosófilas insistentes em baterem asas na minha cozinha”. Vou parecer sabida que só!

Certamente a Balada das Drosófilas (repetirei incansavelmente essa palavra no texto, acostumem-se) exercem maior encanto do que a balada do hospital em plena madrugada de sábado. Pois é, marquei presença de novo na emergência, depois de mais de um ano sem comparecer ao local tão pouco sedutor. Não fosse a dor, teria sido divertido ver minha irmã (arengueira que só) e meu cunhado tentando adivinhar aonde estaria a médica de plantão naquele momento. As opções eram: a) dormindo o sono dos “to nem aí se alguém está se lascando de dor”; b) atualizando postagens no Facebook; c) esperando chegar mais alguns desesperados pra atender a gentalha logo de uma vez e poder dormir de novo; d) todas as alternativas estão corretíssimas, mas não é de bom senso afirmar, pois a moça é da puliça e braba que só!

Eu parei de contar as gotas do soro visceral a partir do número mil duzentos e trinta. Mentira, contei gota alguma, mas olhei pro dito cujo pingando até perder a noção do tempo, que parecia parado não fosse um ou outro paciente a pedir ajuda da enfermeira simpática. Ela disse que o fulano de tal na maca no canto esquerdo já havia dado entrada na emergência cento e trinta e duas vezes, só este ano! Ela disse que outro fulano que naquele momento casualmente não se encontrava ali, já havia aparecido quase trezentas vezes nesses quase quatro meses do ano. Já haviam se tornados praticamente moradores fixos. O segundo fulano não conseguia executar o número dois da exigência diária do nosso organismo então recorria ao hospital para o que se chama “lavagem”. “Já chegou a solicitar essa ajuda por duas vezes no mesmo dia, deve ser psicológico”, falou a moça enfermeira, provocando risinhos e comentários maliciosos em alguns presentes que insinuavam a possibilidade do fulano número dois estar gostando do procedimento – exceto eu, que sou pura e boa. Acabado o derramamento de soro, voltei pra casa a bordo da SAMU Fraterna, na certeza de ter um resto de céu escuro tranquilo.

Espero que a minha pressão arterial e a minha vesícula, inesquecível Vê, cheguem a conclusão de que sou uma pessoa fofa e fofa, não faço mal a uma reles drosófila, então para uma boa convivência seria preciso elas serem mais bondosas comigo. Cumplicidade é tudo nessa vida,entre uma pessoa e seus órgãos. Vesícula é um órgão? Bom, a minha é quase gente e talvez eu a batize de Vê Drosófila de Lima. Aliás, falei pra Jeanne que escreveria sobre os mosquitinhos de nome pomposo e ela disse que daria bom resultado, já uma poesia não acreditava ser possível. Duvido que Rodolfo não consiga, D-U-V-I-D-O!

Agora vou, fragilizada pela ausência da fome, desprovida de rosadice e sutilmente dizendo: “a quem está doente não se nega um pingo de amor, me amem, pessoas”. E sejam condescendentes com as delicadas drosófilas de cada banana.

Ainda não fui. Preciso dizer da minha indignação com Tiradentes, que insiste em morrer nos finais de semana. Não há mesa branca que dê conta de tanta conversa, o inconfidente é arisco que só e ao invés de fazer do seu dia uma data itinerante, fica de birra só pra gente ir trabalhar amanhã. Não ficaria uma lindeza o Dia de Tiradentes, só pra variar, vestindo um vinte e dois de abril?

Agora vou... Eu, as drosófilas, o moço da lavagem, Tiradentes que já morreu hoje, e a minha Vê que me odeia.

Intés!


16 comentários:

  1. adorei! coitado do moço das lavagens, até no hospital as pessoas são fofoqueiras! agora vamos esperar se o Rodolfo aceita o desafio, acho difícil, mas como ele é genial,tudo é possível!
    agora, conseguir escrever uma crônica sobre estes bichinhos insignificantes é mesmo de uma criatividade incrível,kkkkkk só vc mesmo,kkkkkkkkk bjs

    http://eubipolarbuscandoapaz.blogspot.com.br/

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  2. ahieuhaiuehaiuheiohaiehaoieuhaiohe

    Foi tanto assunto no seu post que eu nem sei o que comentar. Drosófilas, vesículas, espículas... o que mais rima?

    Sem mais a falar, despeço-me dizendo que lamento não estar no facebook para ver o que inspirou tamanha sopinha de letras deveras agradável.

    Bjos!

    eilan

    http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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  3. Ãs vezes vc me espanta...rsrs...como consegue transitar em assuntos incomuns dessa forma íntima e tão realista que chego a ver as mosquinhas (vc já usou o suficiente seu nome pra que lhes aumente o ibope...rsrs), o frasco do soro, a plantonista com seus causos...mas não seguro o riso quando ensaia uma discussão sobre Tiradentes e sua mania de morrer num fds...rsrrsrss

    Eu tb D-U-V-I-D-O-OOOOO que Rodolfo não coloque em versos as tais voadorinhas!!

    Bjoca, Mi...se cuide pra ter uma boa semana!!

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  4. Drosophyla Melanogaster:
    Drosos= orvalho;
    Phylos= amizade;
    Melanos= negro;
    Gaster= ventre.

    Esta doce criatura
    Dança e voa a toda hora
    Ela tem barriga escura
    E ama o orvalho da aurora;
    E nestas rimas tão toscas
    Deixo meus versos às moscas
    A pedido da senhora...


    Beijos. Esteja bem, menina das frutas.

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  5. Não, minha pessoa não tem facebook pra não correr o risco de estar tentada a ver o perfil do famigerado ex.
    Tenho twitter, google+, mas facebook eu deletei. sinto uma falta danada, mas por enquanto é melhor não... :/

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  6. Estava rindo do seu jeito de falar das drosófilas quando comecei a ler sua passagem pelo hospital. Sei que é sério, mas esses comentários que se ouve ficaram cômicos em sua crônica. E como não poderia deixar de ser, o Barcellos nos deu uma aulinha, que iluminou com seus versos.
    Milene, quando essas crises começam, não há como fugir da cirurgia. Uma de minhas irmãs foi adiando, com os paliativos, e acabou sendo operada de emergência. Se sua amiga vesícula anda rebelde, livre-se dela (rss).
    Você hoje me deu uma alegria tão grande que nem cabe aqui o agradecimento. Nossa, é tudo seu, pode levar. Eu até carrego para não lhe dar trabalho (kkkkk). Cuide-se. Grande beijo!

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  7. Q nome bonitinho esse do bicho da banana. Já passei apuros em PS e não era público, isso prova q em matéria de saúde tamos perdidos. Saúde, Muier. Bjos.

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  8. Adorei esse nome e dá status ao bichiho porreta,rs.

    E contar as gotas do soro é dooooooooose. Aquilo nunca acaba! Linda semana, fica bem!!! beijos,chica

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  9. Hahahahahah coitado do moço!
    Mi, como vc consegue dançar entre os assuntos dessa forma?! É um balé seguir você! Adoro demais!

    Participe da promoção lá no blog: http://migre.me/eefaq
    Espero vc por lá!

    Bjs

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  10. Hahahahaha. Ler teus textos é muito divertido. Ainda mais nessa segunda-feira meio sem graça.
    Adorei o nome da mosquinha também.
    Agora hospital ninguém merece. Nem com histórias engraçadas compensa. Avisa a Vê para se comportar, viu?
    Uma boa semana pra ti e sem visitas ao hospital ;)

    Bejobejo

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  11. Drosófilas...mais uma palavra para meu vocabulário. Não tenho face mas fiquei curiosa sobre o truque da Jeanne, e encantada com a sucessão de fatores que deram origem ao nome do post.
    Às vezes tenho a mesmo sensação que você quando vou ao médico e mesmo sem ninguém na sala de espera eles demorammm...ocupados com todas as alternativas corretas.
    Quem conta cada gota do soro para passar mais rápido levanta a mão: o/
    E olha que o Rodolfo consegue fazer a poesia, tenho certeza disso...e batizar a vesícula só podia ser coisa de menina inquieta mesmo com uma vesícula manhosa, pelo jeito.
    E que esteja melhor...hospital não é um lugar legal de se estar, não.
    Um abraço!

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  12. Olá, Milene!
    Tiradentes pegou pesado, dessa vez! Vou deixar aqui pra você o link do meu outro blog, lá tem posts sobre o Fogão! Abraço www.assuntodofutebol.com.br

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  13. Esses seus textos são os melhores, Milene! E vc faça o favor de não voltar ao hospital tão cedo, comporte-se! Conte suas histórias inspiradas mas em outros locais. Ah, as drosófilas são infernais! Mas tem um outro bichinho que parece um besourinho, só que bem menor e marronzinho. Esses eu acho bonitinhos e não mato. rs Beijos e boa semana!

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  14. Boa recordação das aulas de biologia genética do ensino médio...
    Os olhos das tais mosquinhas ensinaram muito ao senhor Gregório Mendell...
    Bjs, Milene!

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  15. Das mosquinhas de banana achei graça, mas da sua ida emergencial ao PS nem um cadim...cansei de falar e brigar por conta dessa sua famigerada Vê! Vai gostar de sentir dor láááá em Arapiraca sÔ. Tá, vc já me explicou, mais de uma vez, os entraves pra se ver livre definitivamente dessa vesícula dusinfernu, mas EU NÃO ENTENDO e nem adianta desenhar. De qualquer maneira mando uns beijuuss sarativos (energia de cura) procê...vai que ajuda um cadiquim?!

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  16. Olá querida,

    Não sabia que estes mosquitinhos impertinentes tinham um nome tão pomposo. Até já aprendi como evitá-los.
    Coitado do cara da lavagem. Que pessoal maldoso!
    Então você está dodói. Espero que fique logo corada e faminta. Pressão alta requer controle e a vesícula pode ser dispensada através de uma laparoscopia, se for o caso. Uma das minhas irmãs já fez esta cirurgia e a recuperação foi rapidíssima. Não sei se seria indicação para você.

    Mesmo doentinha você consegue nos envolver e divertir com seus espontâneos textos.

    Vê se melhora, tá?

    Beijo.

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