segunda-feira, 13 de maio de 2013

ESMIUÇANDO A BURAQUEIRA



Passado o frisson do que foi aquele show pra mim, é hora da palavra mais séria e revolucionária. Eu falaria da vontade de um atentado terrorista contra a buraqueira, mas meu irmão Geovane falou assim: “não fala em terrorismo no seu blog não, nem de brincadeira”... Então tá, falo não. É mesmo uma brincadeirinha muito da sem noção, tomando um tema tão sério e meu irmão sabe das coisas.

É que as pohhas dos buracos estavam lá no meio do caminho, de um lado, do outro também e isso me tira do sério. Por que sou uma pessoa séria que só!  Na semana que antecedeu o evento, liguei pra empresa organizadora a fim de saber sobre essas questões tolas de acessibilidade, e tal. Por que o anúncio citava as meias entradas inclusive para os portadores de insignificância especial, o que fez acender  a luzinha da esperança de que o local acomodasse a todos confortavelmente. A moça disse assim: “mas o acesso às cadeiras laterais não dá para cadeirantes não, porque tem uma rampa, mas tem também uns degraus”... Eu questionei porque o anúncio dava e depois roubava o doce das nossas bocas famintas por facilidade de locomoção, ela não soube responder.

A menos que a cadeira do especial possuísse asas, além de rodas, chegar ao destino irresponsavelmente a ele oferecido, seria impossível. Quanto a mim, parte de uma categoria sequer existente, rejeitado até pelo world, os muletantes, resolvi arriscar. O que seriam uns reles degraus se eu estaria em êxtase musical logo em seguida?

Mas, os medonhos buracos sussurraram no melhor estilo Chapolim Colorado: “não contavam com nossa astúcia”... Não mesmo! Tinham a circunferência de buraco de campo de golfe. Provavelmente servem para escoar a água do local, no caso de muita chuva, já que o terreno está em concreto. Um pé ali não cabe, as rodas do cadeirante também não. Para quê placas, então? Por que outra categoria, além dos normais e especiais empurrados, não haveria de ter, essa deve ter sido a estúpida lógica de quem teve a ideia de organizar a buraqueira.

Eu acho tão lindo isso de se inventar palavra bonita para não traumatizar a pessoa. Não chamem o idoso de velho e continuem a não parar os ônibus para eles, porque é prejuízo para as empresas, afinal, o idoso que é velho não paga mísero centavo. O cego agora tem outro nome, comprido que só, mas continua tropeçando nas calçadas desalinhadas. O cadeirante merece todas as honras da lei, mas uma rampa decente pra trafegar, que é bom, cadê?

Chamem-me de deficiente, se eu ganhar um trauma por me dizerem tamanha verdade, agarro uns recortes de revista e saio por aí remodelando coisas alheias, num momento terapia ocupacional, mas me deem o direito de caminhar, dentro dos meus limites, para onde eu bem quiser, sem o temor de escorregar aqui e ali, ou ser engolida por um buraco metido à besta. As nomenclaturas cheias de frescura eu dispenso, fofa e semiloira.

Mas, sigamos acreditando numa sociedade aonde as leis existirão, mas o respeito e a empatia estarão tão em prática, que as leis serão guardadas apenas para casos extremos. Seremos inteligentes e bons. Usaremos de racionalidade amorosa, uns para com os outros, desimportando como seja cada aparência. Oremos.




POR QUE DJAVANEAR É BOM QUE SÓ!



13 comentários:

  1. Lindo grito! Tá na hora de deixar as frescurites de lado, palavras pra não ofender, politicamente corretos e coisas e tal e partir pra RESPEITO e AÇÃO! beijos,linda semana,chica

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  2. Uma reivindicação justa, visto que roubaram teu direito de circular em segurança... o que eles todos ( e tolos) não sabem, é que uma muletante como vc é uma militante dos direitos "esquecidos"... orar apenas, não tem bastado, o pior é ver o caminho que segue o desmando e o descaso públicos - mas disso nem adianta falar, pq resolveria mesmo era AGIR, começando nas urnas que depositam os votos, pq nossos sonhos, estes enveredaram para a desesperança. Sempre me pergunto pq fazem as leis...

    Abraço solidário, beijo de saudade!

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  3. Ah ...
    " se essa rua, se essa rua
    fosse minha, eu mandava
    eu mandava ladrilhar
    com pedrinhas,
    com pedrinhas de brilhantes
    só pra Milene passar..."

    (concordo com tudo que disse e fico sempre indignada)

    beijo

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  4. Milene, esse comportamento esperado e humano não deveria, de fato, depender de leis. Não adianta saber que existem direitos, porque a tristeza de vê-los desrespeitados magoa. E muito. Grande beijo!

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  5. Olá Milene!
    Que este teu grito de indignação seja ouvido. Em nosso país se faz belos discursos mas ação que é bom nada. Compartilho da tua indignação minha flor. Boa semana pra você.
    Beijos
    Gracita

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  6. Nosso Direito deriva do Direito Romano, do jus mores, onde as leis nascem mais dos costumes sociais do que de algum sistema ético ou filosófico. Por isso a demagogia e o assistencialismo, o "panis et circus"... é o costume. E proliferam os buracos nas calçadas e nos orçamentos, e a gente se acostuma - exceto quando neles tropeçamos.
    Muletada neles!
    Beijos, os de costume...

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  7. Como eu já havia comentado no seu outro post: nosso país não foi feito para quem tem qualquer dificuldade de locomoção. Muletas, cadeirantes, o que quer que seja. É tudo difícil. Eu me lembro que quando estava de gesso e não podia colocar o pé no chão cometi a insanidade de ir ao Shopping. Estava me locomovendo com um andador, pulando como um canguru, eu, magrinha e esbelta que sou, suava bicas por cada metro.
    Então cheguei no shopping e para minha surpresa: não haviam cadeiras de rodas suficientes. Fiquei lá, sentada numa gôndola da C&A, derrotada. Ou seja: se não tens a sua cadeira, perdeu playboy. Não vá ao shopping, pelo menos neste.
    Fora outros absurdos, como o chão desnivelado em todo canto, completa ausência de rampas, falta de educação das pessoas, enfim...

    Compartilho de sua revolta. Acho muito hipócrita o discurso de "ah, mas chamar desse jeito é preconceito e blablabla" mas não é preconceito praticamente tirar o direito de ir e vir das pessoas.

    bjo,

    Eilan

    http://borderline-girl.blogspot.com.br

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  8. Do que adianta termos direitos que nenhum órgão responsável quer cumprir seus deveres? Isso é vergonhoso, Milene! A pergunta é: Até quando? Beijos e boa semana.

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  9. Direito(s)? Por aqui pagamos impostos e taxas para iluminação pública, conservação dos passeios, poda das árvores, jardins e praças,sinalização das ruas, etc e tal...vem cá meu bem, vem conferir (só visualmente...não deixaria nunquinha minha Mi_nina trupicar na rua!) como anda nossos jardins de buracos entre todos esses serviços que são pagos por nós,contribuintes bestas de ser! E não pense que são só portadores de necessidades especiais que se esborracham nessa ruas de uma cidade, que um dia...beeeem lá tras, foi chamada de Cidade Jardim!
    Beijuuss solidários nesse grito

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  10. MíLi minha amiga, para os politicos todos os assuntos que (infelizmente) chateiam só as minorias não lhes interessa. Se os deficientes fisicos, visuais, cadeirantes etc, conseguissem mobilizar a sociedade, aí sim eles seriam escutados!

    Um beijão minha amiga. Te invejo porque mesmo na revolta consegue ser bem humorada!

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  11. Querida, no nosso país, se tem uma coisa que prolifera de norte a sul e de leste a oeste, são os buracos!
    Tem de todo o tamanho, desde os que engolem um automóvel inteiro (acredite, eu já vi)até os mais sutis, com diâmetro perfeito para engolir a ponta de uma muleta deprevenida, ou mesmo uma perna destraída!
    Mas, você lançou o grito dos excluídos: os muletantes, que por não serem cadeirantes, ficam no limbo, entre o céu e o inferno, sem definição!
    Talvez seja o caso de fundar um novo movimento...
    Muita gente pensa que já está tudo resolvido...
    Bjs, Milene!

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  12. Solidarizo-me com você. Oremos!
    Quem dera não precisássemos de leis para exercitar o respeito ao próximo, independentemente de qualquer limitação daquele.

    Beijos, kirida.

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