domingo, 5 de maio de 2013

FAÇA SEU CORAÇÃO PARAR DE CHORAR



Recolham seus lenços. Não se trata de discorrer aqui sobre assuntos chorosos, amores despedaçados ou outros etecéteras. É apenas o título de uma música, a minha escolhida para o dia de hoje a fim de escutar até o disco arranhar na vitrola... Se ainda eu tivesse uma vitrola.

Sou meio retardatária pra essa coisa de música. Quando ninguém mais quer, vou lá e busco para melodiarem os meus dias. É certo que música é atemporal, uma vez nascida, não há como esmigalhá-la em mil notinhas fragmentadas. Ainda bem... Ou não. Por que quando a canção é daquelas a despertar sensações bacanas, viva! Quando não, é preciso paciência para esperar a dita cuja voltar para o sarcófago musical de onde jamais deveria ter escapulido.

Minha tolerância musical é imensa. E não digo isso para causar pensamento do tipo “olha como ela é fofa e meiga”, de jeito nenhum! É apenas preguiça de ser. Por que há tanto nessa vida para se preocupar e reclamar, vou lá perder meu tempo discutindo com o sujeito porque ele se acaba na música ruim? Meu lema é que, se a companhia é prazerosa, qualquer trilha sonora há de valer a pena... Quer dizer, peraí, Latino não porque aí já é tortura. Sejamos compreensivos, portanto.

Dia desses eu estava na escola e uma colega de trabalho prestou atenção no que rolava no meu pendrive. Ela se espantou por eu estar escutando Jau, meu muso baiano, e disse: “to espantada de você estar ouvindo esses ‘pagodes’, porque seu gosto musical é refinado”... Judiou! Primeiro, chamou Jau, meu afro-lindezo, de pagodeiro. Segundo, tolinha, se soubesse que eu sou adoro batucar na mesa ao som de um pagode, ou um samba de raiz, olhando pros lados e vendo um bocado de gente boa na minha companhia. E nesse dia, no meu banho, me vi num momento de absurdo lirismo, enquanto me banhava a água generosa, ouvi de minha própria voz a seguinte pérola: “fui num pagode na casa do gago, e o rango demorou sair, acenava pra ele, ele fez qui-qui-qui, qui-qui-qui, guentaí”... Isso não é coisa pra se dizer a ninguém, nem ao padre no confessionário, eu sei. Mas eu precisava dividir essa mácula com todo mundo, contando com a condescendência musical de todos.

O mundo é grande e cabe nele um bocado de coisas. Cabe gosto pra tudo, do bom e do ruim. E o que pode ser bom pra mim, pro outro é uma ruindade só e há pertinência no inverso das opiniões. E no mundo, que é grande, há de caber o que eu gosto e acho bom, o que ele gosta e eu acho chato que só! E há de se ter boa convivência ainda assim, porque de complexidade besta esse mundo, que é grande, já está transbordante.

Metade do domingo já foi embora e se foi levando quase nada. O Sol, que também é grande e gosta de estar por aqui, insinua que há mais boniteza quando se está do lado de fora, mesmo quando o lado de dentro é confortável e supostamente seguro. Então vou lá, ver o que há do lado de fora do domingo. Só ainda não sei que trilha musical escolher para além das horas. O pagode do gago não sei a letra toda, quando ele começa a gaguejar me confunde e deu-se o esquecimento.

Me sugere o quê, você?

Enquanto isso, enquanto sinto, enquanto penso, num inglês desesperado, desconstruído, sigo cantando Stop Crying Your Heart Out, dos moços do Oasis, que um dia alardearam ser muito melhores que os meninos de Liverpool e ganharam o ódio mortal dos beatlemaníacos.

Não se discute com loucos. Melhor apenas ouvi-los.

Se aviem, pessoas. O domingo carrega as horas. O Sol daqui a pouco cochila e você, e você? E eu? Quem sabe?

 Inté!




18 comentários:

  1. Oiê!
    Lá fora o sol convida mesmo, mas os quatis que me abraçaram hoje não me permitem sair pra fora, hahahaha. Adorei essa Mafalda!
    Um ótimo domingo pra ti!!

    Bejão

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  2. Primeiro: Você é meiga e fofa (às vezes) e preguiçosa (quase sempre).
    Segundo: Para desbancar os Beatles e os Oasis só mesmo o trio Latino, Uivano e Ganino.
    Terceiro: Você também é eclética.
    Quarto em diante: Beijos.

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  3. Primeiramente: meus parabéns pelo seu Botafogo...aêêê...deve de tá bem feliz e nem se importando que amanhã é segunda.
    Segundamente rss: tolerante musical você? Hummmm...tá me cheirando a amadurecimento e isso é baum dimaiiisss. Eu por aqui ando intolerante por demais.Explico: moro bem ao lado de uma "comunidade", favela para euzinha politicamente incorreta e acordar e dormir (quase)dia sim e outro tb com FUNK a 1000 decibel(s)não há Zagalo que me faça engolir...aff.
    Terceiramente: lindeza descobrir que há boa convivência nesse mundo tão divergente, né mesmo? E assim seguimos...vivendo e convivendo no maior respeito.
    Beijuuss de sua admiradora eterna (cada crônica sua Mi_nina desabrocha um sorriso largo!)

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  4. Eu tenho um problema: associo uma música a uma ocasião ou a uma pessoa. Então pra vc ter uma idéia, não ando escutando nem Oasis, nem Pearl Jam, Alice in Chains, nada grunge, na verdade. Pouco se salva depois de 5 anos de relacionamento.

    Mas paremos de falar de mim. Com seu bom humor do texto eu sugeriria "Put Your Records On" da Corinne Bailey Rae ou "Getting Better" dos Beatles. Trilha boa para dias iluminados de sol.

    Bjos,

    http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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  5. Olha, Milene, não sou muito tolerante com música não. Não consigo ouvir por mais de 30 segundos axé, funk, pagode, samba e sertanejo. Gosto de pop, rock, pop/rock, dance e algum hip hop. Ah, sobre o funk, o Buchecha é uma exceção porque pra mim o que ele faz não é funk e sim uma música boa de se ouvir. Adorei a postagem dominical. Aliás, parabéns pelo seu botafogo, que apesar de ter visto meu Flu perder, admito que a justiça foi feita. bjs

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  6. A músicas que toca internamente são nossas, e os autores nossos "deuses"! abraços

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  7. Sua pagodeira! Kkkkkkkk
    Mi como nunca segui modinha meu Pen drive é a coisa mais maluca do mundo!

    Te entendo perfeitamente. A música deve tocar nossa alma e modinha não faz isso! Bjs

    www.culturaviciante.blogspot.com

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  8. (é um saco essa coisa de rótulos, classificar pessoas
    pelo que lê, ouve, assiste. gosto de ser livre e se
    estou feliz "ópaí" rodopio....)


    beijo

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  9. Puxa que post mais melómano, amei...
    Para qualquer pé esquerdo tem sempre um chinelo esquerdo e com a música vai o mesmo, sem snobismos ou rótulos e desde que não nos obriguem a ouvir o que não é nossa praia , vale tudo..
    Beijo Mi Lene

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  10. 100N, ri a rodo com esse pagode do gago. Uma delícia musical de crônica. Vou sugerir "trem das onze", afinal se vc se perder, tem como voltar. Fui que o metrô me espera. Bjos.

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  11. Oi MíLi!
    Eu também gosto de vários estilos musicais, e de vez em quando canto essas baboseiras no banheiro também, hahahahahahaha.
    Tem duas postagens no meu blog façlando sobre isso, uma é Invisivel Dj e a outra é toda a verdade sobre a musica brasileira. Hahahahaha, um dia que tiver de folga dá uma procurada lá.

    Ah... A postagem atual também fala de musica.

    Um beijão minha amiga! Vc é a rainha das crônicas da blogosfera!

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  12. Olá, Milene!
    Infelizmente nesse país à preconceito até de estilos musicais. Mas... Não me venha Também com a balela do eclético... É o tipo que escuta tudo e não gosta de nada! Abraço

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  13. O gostar não exige compartilhamento, salvo no amor (kkk). Gosto de músicas mais tranquilas, relaxantes, bem sentimentais. Mas o samba tem seu lugar. A única coisa que me incomoda é ter que ouvir o que outros escolhem, como em festas próximas ao meu prédio, e com altura insuportável. Grande beijo!

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  14. já ouvi muita música, ultimamente ando com preguiça, ou menos vontade de sons, desejo de quietude. ah! gosto do Latino, suas músicas não são lá estas coisas, mas ele é bonito, simpático, simples e um bom moço! bjs :)

    http://eubipolarbuscandoapaz.blogspot.com.br/

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  15. Milene querida,

    Sou uma apaixonada por música. Faço algumas restrições, é claro, como funk, rock barulhento e óperas. Não me importo que critiquem meu gosto musical. Samba e pagode é comigo mesmo. Nem posso começar a ouvir que o meu esqueleto já fica todo saliente. Gosto também de músicas tipo Enya e Sara Bright e outras do gênero quando desejo relaxar ou me reequilibrar. Também adoro músicas românticas e outras tantas que marcaram épocas de minha vida. Enfim, música é o alimento do meu espírito e respeito a preferência de cada um.

    Adorável sua crônica. Depois desta leitura deliciosa já posso ir para os braços de Morfeu.

    Que seu sono seja embalado por belas trilhas sonoras.

    Beijão.

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  16. Eu gosto de música, mas nada barulhentas, nem muito calmas. Ando com uns xiliques musicais,rs Gostei de te ler! beijos,chica

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  17. Me faz um favor, moça? Inclui esta na lista???

    O parágrafo da despedida eu tive que reler... e ímpetos de aplaudir em pé! Se avie, Milene querida, nascerá uma estrela!!!

    Bjoca pra ti!

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