quarta-feira, 12 de junho de 2013

FALTA-ME SIMPATIA

imagem que roubei de


Às primeiras horas do dia doze de todo o tempo, já se começa a agonia amorosa para se dizer ao amor e à amora o quanto se ama até o infinito,  tudo envolto num embrulho estampado em coraçõezinhos vermelhos e um bocado de mel jorrando feito água. Uma lindura!

Para os amorosamente desfavorecidos resta se deixar enternecer pelo amor clima amorosidade nagô alheio, discretamente torcendo para que o dia acabe logo e a solteirice deixe de ser semelhante a se caminhar vestida de burqa em pleno verão nordestino.

Enquanto isso, você tem que conviver com as gracinhas carecidas de mais criatividade dos amigos que não perdem a piada, mas também não perde o amigo. E haja marcação em postagem tosca! Ontem um querido amigo marcou meu pré-nome afrancesado numa das inúmeras imagens de solteiras desesperadas colocando o pobre Santo Antônio de cabeça para baixo, de castigo até lhe apresentar um sapo que prestasse pra virar príncipe. Fofa que sou, falei pra ele deixar quieto o santo, porque o que seria de mim se o Antonio se vingasse e enviasse uma bagaceira feito ele? Por mil camelos, não! Eu também sou boa em não perder a  piada  e jamais o amigo, porque gosto dele que só! Então, entre uma piadinha e outra, uma simpatia sugerida para se sair do caritó, a vida solteiríssima vai seguindo.

Eu tenho facilidade em odiar rótulos. Os que se aplicam à solteirice, então, quero pisá-los todos de pé e muletadas. Caritó. Encalhada. Solteirona. Titia... Justo eu, tão verticalmente pequenininha, ser chamada de solteirona? Solteirinha eu até aceito. Titia também, orgulhosa e brava, sou titia sim senhor! Agora, o caritó eu não sei onde fica. E encalhada... Vai bem a sua vovozinha?

É verdadeiramente uma lástima a vida dos sem-amor em dias assim, essencialmente melados. A pessoa comprometida espia o amigo solteiro meio constrangida pela sua própria plenitude amorosa, mas isso é totalmente desnecessário. Eu não me lembro, por exemplo, de nenhuma mangueira se desprender das suas raízes no vinte e um de setembro e me envolver num abraço solidário, só porque eu jamais pari mangas. Ou Tiradentes me oferecendo o laço no vinte e um de abril.

O fato é que o dia da namoradice está se esvaindo em horas açucaradas e logo chega o dia comum, naturalmente doce ou azedo, ao gosto do vivente. Uns amando e felizes. Outro amando e se lascando. Outros carregando, sem muita graça, a bandeira da solteirice crônica, beijando um sapo aqui, outro acolá. E santo Antonio, coitado, o cabra mais castigado de todo o velho oeste celeste, por desesperadas em busca de cuecas boxers para lavar. Eu acho as comuns mais desprovidas de pretensão sedutora, naturalmente mais bonitas, portanto.

Cabou-se o dia da namoradice. Mas amanhã ainda é dia do Tonho, o milagreiro casamenteiro. Ouço música com os meus fones de ouvido, enquanto a TV está ligada no jogo do Fluminense, sem volume, e antes que eu decidisse desligá-la, avistei sem dificuldade o árbitro dessa partida, coisa que me fez arriscar, na falta de uma simpatia, um bilhete simpático:


“Tonho, meu filho, estás com a TV ligada? Por acaso visse o juiz apitador do jogo Fluminense x Portuguesa? Preste bem atenção e anote o meu endereço, que deixarei inbox. Fique bem e não beba todas as cachacinhas que oferecerem ao santo, não és o único deles, beleza? E não se aperreie tanto com as desvairadas loucas para casar, releve o desembesto da solteirice. Pior seria se fosses, tu, o santo do sexo selvagem, já pensaste na bagaceira? Inté e bença!”


14 comentários:

  1. o amor é lindo. sim, lindo e praticamente inacessível, quero dizer o amor de verdade, com reciprocidade, pureza, sem interesses. depois tem as paixões e outras formas de amar. mas hoje em dia não vejo mais tanta cobrança das pessoas em relação a estar namorando ou não. tornou-se uma opção de vida. a pessoa pode viver só e bem. bjs

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  2. Muiér, vc me dá trabalho. Vou falar, rezei pro santo prá vc, pois, como vc bem sabe, eu tenho uma santa em casa, portanto não preciso de encrenca. Pois bem, pedi ao Santo q apitasse nos ouvidos do árbitro da partida mencionada no teu delicioso texto e, pasme, para vc, ele disse q o máximo que poderia fazer era mandar um dos assistentes. Bem, como vc bem viu, vc deve tá em falta com o Tonho. Pronto, agora é esperar o milagre...kkkkkkkkk.

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  3. Pois é!
    Agora é hora de (re)iniciar,
    de pensar na luz,
    de encontrar prazer nas coisas simples de novo...

    [eu li outro dia que a solidão é a sorte
    de todos os espíritos excepcionais]


    Se Santo Antonio me enxergar assim....



    rindo...rindo.



    beijo



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  4. Pobre Sto Antônio,rs

    Espero que ele não ouça todos os pedidos pra mandar maridos. mas que atenda só os que el pode ver uma chancezinha de valer a pena,rs Casar só pra casar, Dio santo! Eu não teria saco!

    beijos,chica

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  5. Rindo pensando em Sto Antônio recebendo a sua notinha.

    bjos!

    borderline-girl.blogspot.com

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  6. Sobra-te muita empatia
    Mas Tonho pode ouvir mal
    E teu amor de titia
    Não entender, afinal.

    Seja pois inteligente
    Não beije o sapo sapeca
    Que em vez dele virar gente
    Você vira perereca...


    Beijos.

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  7. kkkk tenho pena do santo...ainda mais com sua crônica tão realista! Sabe que só fui conhecer esse negócio de caritó com a peça (Maria do Caritó) que assisti, ano passado, com a incrível Lilia Cabral?! Penso que é um termo bem típico daí,né? Mas, como já falamos...tá valendo o(s)dia(s)do amor né mesmo Mi?
    Beijuuss cumfé

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  8. "Amorosamente desfavorecidos". Gostei desse termo. Já posso me descrever agora. Essa sua crônica foi de fácil identificação pra mim. rsrs E pra culminar o meu dia dos namoradas, meu Flu ainda perdeu. Ou seja... bjsss e bom fim de semana. PS: o primeiro episódio inédito do Sai de Baixo vai ser reprisado no sábado (20h) e no domingo (23h30).

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  9. Belo recado para o Tonho!
    Só não entendo aquelas coisas de virar o coitado de cabeça para baixo, mergulharem na cachaça e sequestrarem o menino!
    Quem tá a fim de casamento topa tudo.
    Não é o seu caso, felizmente!
    Bjs, Milene!

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  10. hahaha, Milene, "outro amando e se lascando", acho que é o que mais tem. Quando adolescente fiz algumas simpatias para casar...conclusão, casei já três vezes (!!!!), nenhuma com o amor da minha vida e hoje estou sozinha....mas para mim casamento de sucesso seria aquele que dura uma vida inteira e ainda deixa saudades. Acho que meu Santo não simpatizou muito com minhas oferendas. Melhor deixar quieto, hahaha.

    Adorei o bilhete...e tenho dito.
    Um abraço!

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  11. kkkkkkkkkkkk Ai que prosa divertida e bem humorada, Mi. Parece até que você está aqui conversando com a gente de pertinho.
    Gosto também das tuas "invencionices neológicas" (credo) - e dá-lhe licença poética pra nós duas.

    Mas olha Mi, fica triste não miga, e nem liga pra esse camelo aí que fica falando bestagem, ok?
    Segue em frente que você é + você!

    bacios cara mia!!
    :)

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  12. hehehehhe eu tentei fazer m post pra solteiros! heheheheeh

    Entendo vc!
    Beijoooos!

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  13. Hahahahahahahaha. Nem preciso dizer que adorei, né?
    E esse bilhete pro santo, menina? Se ele atender me avisa que vou mandar um também!

    Bejus

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  14. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Que delícia de texto! Santo Antônio, na verdade, nem é o casamenteiro, embora o chamem assim. E pedir é perigoso porque amor encomendado não vem do jeito que se deseja (hjeheheheh). Bjs.

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